Livro Primeiras Águas - Poesias

Este é o livro I da série Primeiras Águas.

Campanha Gravatá Eficiente

Fomentando uma nova plataforma de discussão.

A Liberdade das novas idéias começa aqui.

Mostrando postagens com marcador Sem novas mobilizações populares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sem novas mobilizações populares. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sem novas mobilizações populares, dificilmente medidas para coibir a corrupção encontrarão meios de implementar-se na prática

Estima-se que 20 mil pessoas tenham se reunido em Brasília, na quarta-feira, num ato contra a corrupção. Manifestações de menor monta se verificaram em outras cidades brasileiras. O número pode não refletir o grau de rejeição que o atual estado dos costumes políticos desperta na imensa maioria dos cidadãos. Ainda assim, fica assinalada a persistência do movimento.


Não foi, provavelmente, em consequência de uma nova onda de escândalos que se deu esse relativo aumento na participação. Talvez o que tenha mudado seja a percepção de que tais movimentos podem fazer alguma diferença.Abstração feita de todas as distâncias que separam o Brasil da conjuntura dos países desenvolvidos, por exemplo, ou dos movimentos pela democracia no mundo árabe, parece predominar um clima global favorável ao ativismo. 



A rodada de protestos que ontem tomou as ruas de grandes cidades do mundo rico, de Roma a Tóquio, de Madri a Estocolmo, é mais uma prova disso.De outro lado, o vago e inconcluso movimento de “faxina” na máquina federal, ligado às demissões na equipe de Dilma Rousseff, talvez tenha acendido a possibilidade teórica de que prossiga.Um terceiro fator seria o de que, aos poucos, o movimento contra a corrupção perde sua característica de protesto impreciso para focar-se em reivindicações concretas.


O fim do voto secreto nas deliberações do Congresso que incidam sobre o comportamento ético dos parlamentares; a exigência de “ficha limpa” nas indicações para cargos de confiança; a diminuição do próprio número de postos disponíveis para esse tipo de nomeação política (contam-se em cerca de 25 mil atualmente, sóno governo federal); a adoção de total transparência, via internet, nas contas dos governos e na divulgação dos financiamentos de campanhas eleitorais: 


propostas desse tipo revestem-se de conteúdo prático e de eficácia real. Difícil cogitar que uma demanda política concreta como essa não ache formas de canalizar-se institucionalmente, por lideranças partidárias ou civis capazes de adotar tais bandeiras com credibilidade.Não é nada certo que a iniciativa provenha da própria presidente Dilma Rousseff, cuja “faxina” foi invocada por alguns manifestantes, ou de partidos da oposição. Ambos os lados têm, na questão do fisiologismo e da corrupção, os constrangimentos sabidos. 



Ambos, todavia, carecem de rumos e bandeiras para sua atuação pública.

Seja como for, personagens políticas só se mostram dispostas a mudar seu comportamento quando pressionadas à exaustão. Muito mais mobilização será necessária até que isso aconteça no Brasil.

FONTE: Editorial da Folha de S.Paulo, 16/10/2011