Livro Primeiras Águas - Poesias

Este é o livro I da série Primeiras Águas.

Campanha Gravatá Eficiente

Fomentando uma nova plataforma de discussão.

A Liberdade das novas idéias começa aqui.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ex-protestante aos pés de Nossa Senhora da Conceição.

* Clark Coelho - Diário de Pernambuco, 04 de Nov. 2008.

* Na folha “A4” no Caderno Política, do Diário de Pernambuco desta terça-feira, 04 de Novembro, saiu uma reportagem com um gravataense que foi até ao morro Nossa Senhora da Conceição, zona norte do Recife, a fim de pagar uma promessa feita de acender 45 velas para a Santa após a vitória do seu candidato, Ozano Brito(PSDB).

O nome do gravataense é Clark Coelho, que trabalha na secretaria de infra-estrutura da prefeitura desde 2004. O mesmo garante que este contrato de emprego vai até 2012 com o fim do mandato de candidato eleito. Clark Coelho cumpriu a promessa que fez com a ajuda da senhora Dulce Brito (esposa de Ozano), de quem recebeu as velas e a camisa.

Segundo o texto do Diário de Pernambuco, Clark insistiu na presença da reportagem do jornal para simplesmente comprovar que sua devoção a santa concorreu para que o seu candidato chegasse à prefeitura, assumindo o posto de prefeito e, mantendo os cargos comissionados – e devotos – à custa da administração pública municipal.

A Reportagem nos deixa analisar algumas coisas:

1- O devoto honra seu sobrenome “Coelho”, haja vista que há pouco tempo atrás fazia parte de uma corrente religiosa protestante e, rapidinho, mudou para o Catolicismo, tornando-se devoto da padroeira do Recife. E ainda criticam os políticos que mudam de partido como quem muda de roupa...

2- Eu fico pensando como um chefe de setor de uma secretaria de infra-estrutura recebe uma miséria de salário nesse município a ponto de pedir ajuda para comprar 45 velas e uma camisa de algodão. E mesmo com um salário (deduzimos) tão pequeno, o Coelho quer permanecer no cargo comissionado, enquanto concursados aprovados não conseguem sua chance nas áreas destinadas no último concurso.

3- É sabido por toda a imprensa bem informada dos assuntos políticos e das ultimas eleições no estado, que o candidato derrotado por uma diferença de 90 votos (45 + 45), Bruno Martiniano e a sua coligação deram entrada na Justiça Eleitoral com um processo que apura diversas denúncias de irregularidades no último pleito, que levaram o candidato da situação à vitória. Será que o Coelho não correu demais, se antecipando à decisão da Justiça Eleitoral? Lógico que confiança é importante. No entanto, recorro ao bom Belchior, quando ele diz: “Não cante vitória muito cedo, não. Nem leve flores para a cova do inimigo”. Diz um velho ditado, apenas para ser mais contundente: “Prudência e canja de galinha não faz mal a ninguém.”

Gostaríamos de anunciar, em primeira mão, antes mesmo dos redatores do Diário de Pernambuco, que um grupo de pessoas estará indo amanhã ao Morro da Conceição realizar um ato de agradecimento a Nossa Senhora da Conceição, em nome dos 21.548 eleitores que foram contra a permanência do grupo político que apoio o candidato do devoto Clark Coelho. Nesse ato, aos pés da Santa Padroeira, serão acesas vinte e uma mil velas, que simbolizam os votos de Bruno Martiniano e Regis da Banca.


Um Simples Olhar de um Simples Professor...

O senso comum diz que religião e política não se discutem. Pelo contrário, precisamos refletir sobre a relação entre política e a religião. Um simples olhar sobre a história da humanidade evidenciará a simbiose existente entre política, religião e violência.
Como podemos esquecer, por exemplo, a barbárie dos ‘santos inquisidores’ de ontem e de hoje, uns em nome de Deus, outros em nome da razão do Estado? E o horror da noite de São Bartolomeu? Que seria dos conquistadores da nossa América se não utilizassem os recursos da Santa Madre? Seria a violência política suficiente para subjugar os povos dessas terras? E não foi a religião o cimento ideológico que justificou barbaridades como a escravidão do negro e a submissão secular da mulher? O puritanismo protestante foi empecilho para a dizimação dos povos indígenas na América do Norte? E as risíveis cenas, se não fossem trágicas, de religiosos, de um e outro lado, santificando exércitos em guerra?

Gostemos ou não, política e religião entrelaçam-se em diversos contextos históricos. Há mesmo determinadas circunstâncias onde estão de tal forma amalgamadas que é difícil distingui-las. É fato? Claro que é! No entanto, deixemos a razão cuidar de nossas vidas; esperar que a Justiça Eleitoral se pronuncie e torcer para que tudo transcorra na paz.

Seja quem for o prefeito que irá administrar os destinos de nossa cidade, esperamos, com toda força de nosso coração e de nossa fé, que o mesmo seja uma nova página na história. Nova em todos os sentidos. O novo é sempre bom. A mudança é sempre bem-vinda. E o exercício da democracia, sem o enclave do bem ou do mal, possa penetrar na vida dos que sabem votar, dos que sabem eleger, dos que sabem que há, ainda, homens que poderemos acreditar.
quando alguém me pergunta como estou, sempre respondo: "Caminhando e cantanto e seguindo a canção..." E é assim que um grupo da sociedade civil liderados por Regis da Banca (PT) vem construindo suas ações. Este mesmo grupo, completa as noites de reunião dizendo: "Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer."

segunda-feira, 3 de novembro de 2008



A dignidade, o respeito, o caráter, a ética sempre existiram, não vamos esquecer que devem continuar a existirem...


Um dos maiores fatores que tem contribuído para o aumento da violência, todos nós estamos cansados de saber que se chama “injustiça social”.

“Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho”.

“Ai daqueles que nas suas camas intentam a iniqüidade, e maquinam o mal; à luz da alva o praticam, porque está no poder da sua mão! E cobiçam campos, e roubam-nos, cobiçam casas, e arrebatam-nas; assim fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança.

Naquele dia se levantará sobre vós um provérbio, e se lamentará pranto lastimoso, dizendo: Nós estamos inteiramente desolados; a porção do meu povo ele a troca; como me despoja! Tira os nossos campos e os reparte!”

(Jeremias 22.13; Miquéias 2.1-2).

Esta é a primeira pedra do efeito dominó, e ligada conseqüentemente a esta, vem à desigualdade social.

“Não farás injustiça no juízo; não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo”.

“Não oprimirás o diarista pobre e necessitado de teus irmãos, ou de teus estrangeiros, que está na tua terra e nas tuas portas”.

“No seu dia lhe pagarás a sua diária, e o sol não se porá sobre isso; porquanto pobre é, e sua vida depende disso; para que não clame contra ti ao SENHOR, e haja em ti pecado”.

(Levítico 19.15; Deuteronômio 24.14).

Talvez o homem desconheça esta palavra, ou a tem ignorado. Temos confessado com a nossa boca que somos religiosos, cristãos, ajudamos a quem necessita de ajuda, principalmente aqueles que gostam de aparecer vez ou outra na mídia, mas na prática, prevalece a mentira, a falsidade, o engano, e o descaso, em relação a este capítulo e os demais que iremos comentar. Daqui parte o princípio de uma série de conseqüências, cujos resultados acabam gerando a violência física.





''O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons. ''
Martin Luther King.






Desconheço sentimento que mais me deixa preocupado em relação aos seres humanos que não seja a falta de coragem em falar, em se fazer ouvir, em gritar seus sentimentos...


Desprovidos de dignidade, de respeito, de caráter, de ética, as pessoas têm apenas olhado para os seus próprios umbigos. Desconhecem feições antigas, apostam numa vida completamente desligada da vida do próximo, do olhar para o outro como se estivesse vendo a si mesmo... E muitos desses são geralmente vistos como “bons” para a sociedade...

Os seres humanos são classificados como animais racionais, mas muitos não são dignos dessa classificação. De fato, alguns seres, ditos humanos, adotam comportamentos que superam a bestialidade até mesmo das mais traiçoeiras feras. É claro que o comportamento selvagem dos animais decorre de sua necessidade de matarem para sobreviver. Nenhum deles se compraz em fazer o mal. Todavia, isso não é verdade no que se refere aos seres humanos. A triste realidade é que não são poucos os que se encontram nos estágios primários da evolução.


A covardia é filha da insensibilidade pelo sofrimento alheio e do egoísmo, arquiteto das muralhas que erguemos para assegurar a inviolabilidade de nosso bem estar e para impedir que descortinemos o sofrimento que pode ser causado por algumas de nossas ações em busca desse mesmo bem estar, quando ele é obtido às expensas do bem estar de outros.


A covardia somente é possível de ser posta em prática quando se detém a parcela de poder por ela exigida. Constitui um dos instrumentos empregados por Deus para mensurar o nosso comportamento. É Deus quem nos possibilita sermos covardes, já que todo o Poder nos é dado por ele e a covardia disso depende, pois ela é, na essência, o mau uso dos diferenciais de Poder. A covardia exige que utilizemos Poder para produzirmos o torpe efeito desejado. Porém, sendo Deus onipresente, é a sua observação de como usamos o Poder por ele a nós concedido que baliza nossa ascensão na escada evolutiva onde todos os seres humanos tentam galgar mais um degrau. Os mais covardes estacionam nessa ascensão.


Mas até quando vamos suportar o silêncio, a falta de comprometimento com um ideal comum, com o bem comum aos povos? A dignidade, o respeito, o caráter, a ética sempre existiram, não vamos esquecer que devem continuar a existirem, independentemente da posição em que nos encontramos na vida familiar, social e política.



O NASCEDOR

Por que será que o Che tem esse perigoso costume de seguir sempre renascendo? Quanto mais o insultam, o manipulam o tradicionam, mais renasce. Ele é o mais renascedor de todos! Não será porque o Che dizia o que pensava, e fazia o que dizia? Não será por isso, que segue sendo tão extraordinário, num mundo em que as palavras e os fatos raramente se encontram? E quando se encontram, raramente se saúdam, porque não se reconhecem?


Por Eduardo Galeno (Uruguai)

domingo, 2 de novembro de 2008

IPVA de carro novo terá de ser pago de uma vez


Caros Amigos.

Mais uma vez o Governo do Estado mostra-se eficiente quando se trata de exigir dos contribuintes alguma taxa ou imposto que a ele deve ser repassada, em caráter de urgência. No entanto, as urgências que são necessárias ao povo pernambucano, no tocante à Saúde, à Educação, à Segurança Pública e à Assistência Social, ficam a mercê da morosidade peculiar ao sistema e esquecidas pelos que se dizem preocupados com o bem-estar do povo.
Assim como em outros momentos, especialmente nas últimas eleições, os cidadãos estão calados, em silêncio claustro. Será que estamos perdendo o dom de também reclamar, de falar mais alto, de defender os nossos direitos, de protestar contra os desmandos políticos, de nos indignarmos perante um governo injusto para Pernambuco? Ora, esse Estado sempre foi terra de revoltas, de levantes contra a repressão. Então, porque o silêncio indiferente tem tomado conta dos cidadãos?
Vejam a chamada da matéria do Jornal do Commércio do dia de ontem, 01 de Novembro, que trás o seguinte:


IPVA de carro novo terá de ser pago de uma vez

Publicado em 01.11.2008

Medida começa a vigorar na segunda-feira. Outra mudança é no pagamento do imposto para os usados. Agora, todos pagarão entre março e maio 'Em meio à crise econômica que já provoca retração nas vendas de veículos, o governo do Estado resolveu pôr em prática uma alteração na cobrança do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). A partir da próxima segunda-feira, quem comprar um carro zero-quilômetro vai precisar desembolsar de uma única vez o pagamento do IPVA. Antes da alteração ser exigida pela Secretaria da Fazenda, o comprador de um carro novo tinha a possibilidade de parcelar em até três vezes o valor do imposto.


Outra mudança – com validade a partir de 2009 –é a alteração na tabela de escalonamento para os veículos usados. Agora, a cobrança será feita concentrada em três meses – entre março e maio – e não mais em cinco, e sem haver distinção de acordo com a placa do veículo. Ou seja, inicia um mês mais tarde mas, em compensação, encerra três meses antes. “A tabela era dividida de forma que alguns veículos começavam a pagar em junho e seguiam nos meses de julho e agosto. Agora, todos vão começar e terminar no mesmo mês”, explica o responsável pela gerência de IPVA da Sefaz, Júlio Lóssio. Na prática, o escalonamento era feito da seguinte forma: os de placa com terminação 1 ou 2, começavam a pagar em fevereiro, os de 3 ou 4, em março, os de 5 ou 6, em abril, já os com finais 7 ou 8, em maio e, por fim, as placas terminadas em 9 ou 0, com pagamento iniciando em junho.'

Até quando iremos suportar tantas injustiças contra nosso povo mais carente?

PORTAL DA TRANSPARÊNCIA - VOCÊ CONHECE?


O Portal da Transparência, lançado em novembro de 2004, é um canal pelo qual o cidadão pode acompanhar a execução financeira dos programas de governo, em âmbito federal. Estão disponíveis informações sobre os recursos públicos federais transferidos pelo Governo Federal a estados, municípios e Distrito Federal – para a realização descentralizada das ações do governo – e diretamente ao cidadão, bem como dados sobre os gastos realizados pelo próprio Governo Federal em compras ou contratação de obras e serviços, por exemplo.

Ao acessar informações como essas, o cidadão fica sabendo como o dinheiro público está sendo utilizado e passa a ser um fiscal da correta aplicação do mesmo. O cidadão pode acompanhar, sobretudo, de que forma os recursos públicos estão sendo usados no município onde mora, ampliando as condições de controle desse dinheiro, que, por sua vez, é gerado pelo pagamento de impostos.

O Portal da Transparência é uma iniciativa da Controladoria-Geral da União (CGU) para assegurar a boa e correta aplicação dos recursos públicos. Sem exigir senha de acesso, o objetivo é aumentar a transparência da gestão pública e o combate à corrupção no Brasil.

VOCÊ SABE QUANTO FOI DESTINADO A PREFEITURA DE GRAVATÁ ATÉ AGORA?

Gravatá recebeu nada mais, nada menos que R$ 34.515.341,41 em transferências de recursos oriundos do Governo Federal até o dia de hoje, 02 de Novembro.

O Fundo de Participação dos Municípios - FPM (CF, art.159) enviou para nosso município R$ 12.319.337,67;

O PNATE - Apoio ao Transporte Escolar no Ensino Fundamental – ficou com R$ 136.427,74. E o engraçado é que os ônibus que existiam para atender os alunos foram leiloados pela prefeitura a uma empresa local com o intuito de serem adquiridos novos ônibus. Questionamos: onde está o dinheiro do PNATE? E onde estão os ônibus?

E o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB - recebeu R$ 4.918.472,72. Há um montante de mais ou menos R$ 370.000,00 que representam a sobra do FUNDEB até então, valor este dado pela diretora do SinPro em uma reunião com a categoria. Segundo a Lei do FUNDEB, este valor deve ser repassado na íntegra, em forma de abono a todos os professores que estão em sala de aula, sem nenhuma possibilidade de negociação ou barganha na aplicação deste valor. Estamos aguardando como e quando será repassado aos professores o valor acima citado.

PARA MAIS INFORMAÇÕES, ACESSE: http://www.portaltransparencia.gov.br/

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Indignação e os Sonhos de Ícaro...








Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos.


No último verso do primeiro terceto desse soneto, Augusto dos Anjos diz uma verdade que não sai da minha cabeça há anos. E, em especial, nestes últimos dias. São muitas as pessoas que encontramos diariamente que se sentem indignadas, injustiçadas e, discriminadas por outros seres detentores do título “do bem”, que, por força imoral, agitam as fileiras da arrogância e batem contra a face da dignidade que carregamos aos frangalhos, quando outrora, éramos afagados por interesses esdrúxulos.

Ao contrário do que se esperava – pessoas acostumadas a serem apedrejadas e acharem que em nada mais devem acreditar – um sentimento de indignação muito forte vem reunindo um número cada vez maior de pessoas, cidadãos comuns, comerciantes, funcionários públicos e privados gravataenses que exigem uma explicação da prefeitura acerca das freqüentes ações discriminatórias que assolam o município.

Este grupo tem se reunido formalmente já por duas vezes no afã fazer frente às injustas ações que objetivam punir os que representam o “mal” e barganhar com olhos fechados os que vestiram a camisa do “bem”.
Tal fato é público e notório. Basta que tenhamos o cuidado de observar diante da agencia da Caixa Econômica Federal e veremos: de um lado, a Sorveteria Gulla’s sendo obrigada a retirar as mesas e cadeiras móveis e, do lado oposto, na calçada da praça, um carro de cachorro quente que permanece com suas atividades normais.

Se circularmos durante a noite, veremos carrinhos de lanche em todas as direções que invadem vias públicas. Além de estabelecimentos que há tempos vem invadindo o exigido uso do solo municipal, que não merecem aqui anúncio gratuito. Casos outros como o vendedor de milho em frente à escola Salesianas, o vendedor de churros na Rua Amaury de Medeiros, dentre diversos outros exemplos que tomamos conhecimento.

Os donos dos estabelecimentos discriminados já somam prejuízos consideráveis e se vêem na eminência de uma provável fase de demissões em nosso município, que pouco oferece em demanda de emprego e renda. Os próprios clientes já vivem o constrangimento de não poder usufruir destes estabelecimentos que cumprem com suas obrigações e em nada prejudicam o espaço público.

Se os motivos que levam a prefeitura ao extremo da retaliação e da discriminação são de ordem político-partidária, gostaríamos de lembrar que nada mais, nada menos, 20.879 eleitores declararam-se insatisfeitos com a atual administração, ou seja, foram contra todas as ações autoritárias. Isso é fato. E será que todas estas pessoas insatisfeitas deverão ser discriminadas ou prejudicadas pelos próximos quatro anos, se o resultado do pleito for confirmado?

Orientados e apoiados por este grupo de cidadãos acima supracitados, os comerciantes perseguidos estão recorrendo à negociação legal, obedecendo aos trâmites do direito constitucional perante apresentação de documento que solicita orientações da prefeitura acerca de como estes estabelecimentos podem ser enquadrados na legalidade do uso e ocupação do solo.
Negada esta primeira instância, o grupo irá procurar a defensoria pública e, assim, buscar garantir o direito de ser tratado sem distinção e sem discriminação, haja vista que os comerciantes apenas desejam corroborar com o desenvolvimento do município, gerando emprego e renda para os munícipes.

Tais encontros serão uma constante. Os que estão sentindo-se prejudicados, os que não estão contentes com o desfecho das eleições, cidadãos comuns, personagens de vários segmentos da sociedade, munidos da indignação e do desejo de ver Gravatá livre de conchavos e de perseguições políticos, respirando o ar da liberdade, da igualdade e da fraternidade, tão almejados por todos os homens ligados aos princípios da verdade e da justiça.

São estes homens e mulheres que estão dando as mãos e formando uma corrente opositora organizada, consciente e inteligente que lutará, até o último instante, para que nossa cidade não precise ver seus filhos deixarem esta abençoada terra.

E como diz Biafra na música Sonho de Ícaro: “...Não vou mudar do meu país, nem vestir azul...” Não necessitamos de mãos que ora afagam por conveniência e ora apedrejam por negligência.




quarta-feira, 15 de outubro de 2008

AOS VERDADEIROS REVOLUCIONÁRIOS




SOU PROFESSOR


Sou professor. Nasci no momento exato em que uma pergunta saltou da boca de uma criança. Fui muitas pessoas em muitos lugares. Sou Sócrates, estimulando a juventude de Atenas a descobrir novas idéias através de perguntas.


Sou Anne Sullivan, extraindo os segredos do universo da mão estendida de Helen Keller. Sou Esopo e Hans Christian Andersen, revelando a verdade através de inúmeras histórias. Sou Marva Collins, lutando pelo direito de toda a criança à Educação.


Sou Mary McCloud Bethune, construindo uma grande universidade para meu povo, utilizando caixotes de laranja como escrivaninhas. Sou Bel Kauffman, lutando para colocar em prática o Up Down Staircase. Os nomes daqueles que praticaram minha profissão soam como um corredor da fama para a humanidade...


Booker T. Washington, Buda, Confúcio, Ralph Waldo Emerson, Leo Buscaglia, Moisés e Jesus. Sou também aqueles cujos nomes foram há muito esquecidos, mas cujas lições e o caráter serão sempre lembrados nas realizações de seus alunos.


Tenho chorado de alegria nos casamentos de ex-alunos, gargalhado de júbilo no nascimento de seus filhos e permanecido com a cabeça baixa de pesar e confusão ao lado de suas sepulturas cavadas cedo demais, para corpos jovens demais.


Ao longo de cada dia tenho sido solicitado como ator, amigo, enfermeiro e médico, treinador, descobridor de artigos perdidos, como o que empresta dinheiro, como motorista de táxi, psicólogo, pai substituto, vendedor, político e mantenedor da fé.


A despeito de mapas, gráficos, fórmulas, verbos, histórias e livros, não tenho tido, na verdade, nada o que ensinar, pois meus alunos têm apenas a si próprios para aprender, e eu sei que é preciso o mundo inteiro para dizer a alguém quem ele é. Sou um paradoxo.


É quando falo alto que escuto mais. Minhas maiores dádivas estão no que desejo receber agradecido de meus alunos. Riqueza material não é um dos meus objetivos, mas sou um caçador de tesouros em tempo integral, em minha busca de novas oportunidades para que meus alunos usem seus talentos e em minha procura constante desses talentos que, às vezes, permanecem encobertos pela autoderrota.


Sou o mais afortunado entre todos os que labutam. A um médico é permitido conduzir a vida num mágico momento. A mim, é permitido ver que a vida renasce a cada dia com novas perguntas, idéias e amizades. Um arquiteto sabe que, se construir com cuidado, sua estrutura poderá permanecer por séculos.


Um professor sabe que, se construir com amor e verdade, o que construir durará para sempre. Sou um guerreiro, batalhando diariamente contra a pressão dos colegas, o negativismo, o medo, o conformismo, o preconceito, a ignorância e a apatia.


Mas tenho grandes aliados: Inteligência, Curiosidade, Apoio paterno, Individualidade, Criatividade, Fé, Amor e Riso, todos correm a tomar meu partido com apoio indômito. (...) E assim, tenho um passado rico em memórias. Tenho um presente de desafios, aventuras e divertimento, porque a mim é permitido passar meus dias com o futuro. Sou professor... E agradeço a Deus por isso todos os dias.


John W. Schlatter.



Tenho completa convicção de que tudo que sou, tudo que consegui conquistar em minha vida, devo ao somatório das influências e aprendizados dados pelos meus professores, desde a minha primeira professora (minha Tia Rosinha, no final dos anos 70 em Paudalho), passando pela minha professora da 4ª série D. Lourdes na Escola Dias Cardoso em Vitória; depois meus professores maravilhosos da fantástica Escola Polivalente como a Professoras Lourdes e Orlene de Matemática, a professora de Geografia que me influenciou a seguir no campo da Geografia, o professor temido Zé Edson de Inglês, o professor Helon de Ciências; depois na Universidade que me enfeitaram a vida como sujeitos-exemplos e que deram um norte claro na minha descoberta e na escolha de ser um professor: Lucivânio Jatobá ( que merece um capítulo a parte na minha vida porque ele é um espelho pra minha vida. Quisera eu ser um terço do que ele é); Nilson Crócia que entrava na sala e aplicava um passe com sua voz mansa e firme nas suas colocações; Raquel Caudas Lins que vivifica-nos com sua vitalidade e paixão pela Climatologia; Armando Torres Moreno, o latino apaixonado pelo Brasil que nos mostrou que o homem corroeu a natureza mas que ele é capaz de “mitigar” a natureza e fortalecer o planeta através de ações que baseiam-se na preservação ambiental... e tantos outros que marcaram minha vida de forma a deixar marcas profundas e me fazer o quanto é dignificante, o quanto é grandioso e o quanto é essencial a missão de ser Professor num mundo tão conturbado por guerras, injustiças, corrupções, descaracterização da democracia, desrespeito aos direitos e valores humanos.

Costumo dizer que não ganhamos dinheiro como um advogado, como um juiz, como um vereador, mas temos uma moeda que qualquer um destes profissionais gostaria de ter: formar opiniões. Ser professor é ser capaz de formar cabeças e transformar o mundo. Todos os grandes conquistadores deram ouvidos aos seus Mestres, desde Alexandre, o Grande. Fazemos parte de uma profissão que deveria ser chamada de PROFIMISSÃO. Quem teve oportunidade de ler Augusto Cury em seu livro “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes”, sabe exatamente o que quero dizer. No final do livro ele quer saber:


QUAL A PROFISSÃO MAIS IMPORTANTE DO MUNDO?

Eis o texto:

Num tempo não muito distante do nosso, a humanidade ficou tão caótica que os homens fizeram um grande concurso. Eles queriam saber qual a profissão mais importante da sociedade. Os organizadores do evento construíram uma grande torre dentro de um enorme estádio com degraus de ouro, cravejados de pedras preciosas. A torre era belíssima. Chamaram a imprensa mundial, a TV, os jornais, as revistas e as rádios para realizarem a cobertura. O mundo estava plugado no evento.

No estádio, pessoas de todas as classes sociais se espremiam para ver a disputa de perto. As regras eram as seguintes: cada profissão era representada por um ilustre orador. O orador deveria subir rapidamente num degrau da torre e fazer um discurso eloqüente e convincente sobre os motivos pelos quais sua profissão era a mais importante da sociedade moderna. O orador tinha de permanecer na torre até o final da disputa. A votação era mundial e pela Internet. Nações e grandes empresas patrocinavam a disputa. A categoria vencedora receberia prestígio social, uma grande soma em dinheiro e subsídios do governo.

Estabelecidas as regras, a disputa começou. O mediador do concurso bradou: “O espaço está aberto!”. O psiquiatra subiu na torre e a plenos pulmões proclamou: “As sociedades modernas se tornarão uma fábrica de estresse. A depressão e a ansiedade são as doenças do século. As pessoas perderam o encanto pela existência. Muitas desistem de viver. A indústria dos antidepressivos e dos tranqüilizantes se tornou a mais importante do mundo.”

Em seguida, o orador fez uma pausa. O público, pasmo, ouvia atentamente seus argumentos contundentes. O representante dos psiquiatras concluiu: “O normal é ter conflitos, e o anormal é ser saudável. O que seria da humanidade sem os psiquiatras? Um albergue de seres humanos sem qualidade de vida! Por vivermos numa sociedade doentia, declaro que somos, juntamente com os psicólogos clínicos, os profissionais mais importantes da sociedade!”

No estádio reinou um silêncio. Muitos na platéia olharam para si mesmos e perceberam que não eram alegres, estavam estressados, dormiam mal, acordavam cansados, tinham uma mente agitada, dores de cabeça. Milhões de espectadores ficaram com a voz embargada. Os psiquiatras pareciam imbatíveis.

Em seguida, o mediador bradou: O espaço está aberto!”. O representante dos magistrados — os juizes de direito foram os próximos a falar. Ele subiu num degrau mais alto e num gesto de ousadia desferiu palavras que abalaram os ouvintes: “Observem os índices de violência! Eles não param de aumentar. Os seqüestros, assaltos e a violência no trânsito enchem as páginas dos jornais. A agressividade nas escolas, os maus-tratos infantis, a discriminação racial e social fazem parte da nossa rotina. Os homens amam seus direitos e desprezam seus deveres.”

Os ouvintes menearam a cabeça, concordando com os argumentos. Em seguida, o representante dos magistrados foi mais contundente: “O tráfico de drogas movimenta tanto o dinheiro como o petróleo. Não há como extirpar o crime organizado. Se vocês querem segurança, aprisionem-se dentro de suas casas, pois a liberdade pertence aos criminosos. Sem os juizes e os promotores, a sociedade se esfacela. Por isso, declaro, com o apoio dos promotores e do aparelho policial, que representamos a classe mais importante da sociedade.”

Todos engoliram em seco essas palavras. Elas perturbavam os ouvidos e queimavam na alma. Mas pareciam incontestáveis. Outro momento de silêncio, agora mais prolongado. Em seguida, o mediador, já suando frio, disse: “O espaço está novamente aberto!”.

Um outro representante mais intrépido subiu num degrau mais alto da torre: o representante das forças armadas. Com uma voz vibrante e sem delongas, ele discursou: “Os homens desprezam o valor da vida. Eles se matam por muito pouco. O terrorismo elimina milhares de pessoas. A guerra comercial mata milhões de fome. A espécie humana se esfacelou em dezenas de tribos. As nações só se respeitam pela economia e pelas armas que possuem. Quem quiser a paz tem de se preparar para a guerra. Os poderes econômico e bélico, e não o diálogo, são os fatores de equilíbrio num mundo espúrio.”

Suas palavras chocaram os ouvintes, mas eram inquestionáveis. Em seguida, ele concluiu: “Sem as forças armadas, não haveria segurança. O sono seria um pesadelo. Por isso, declaro, quer se aceite ou não, que os homens das forças armadas não são apenas a classe profissional mais importante, mas também a mais poderosa.”

A alma dos ouvintes gelou. Todos ficaram atônitos. Os argumentos dos três oradores eram fortíssimos. A sociedade tinha se tornado um caos. As pessoas do mundo todo, perplexas, não sabiam qual atitude tomar: se aclamavam um orador, ou se choravam pela crise da espécie humana, que não honrou sua capacidade de pensar. Ninguém mais ousou subir na torre. Em quem votariam?

Quando todos pensavam que a disputa havia se encerrado, ouviu-se uma conversa no sopé da torre. De quem se tratava? Desta vez eram os professores. Havia um grupo deles da pré-escola, do ensino fundamental, do médio e do universitário. Eles estavam encostados na torre dialogando com um grupo de pais. Ninguém sabia o que estavam fazendo. A TV os focalizou e projetou num telão. O mediador gritou para um deles subir na torre. Eles se recusaram. O mediador os provocou: “Sempre há covardes numa disputa.” Houve risos no estádio. Fizeram chacota dos professores e dos pais.

Quando todos pensavam que eles eram frágeis, os professores, com o incentivo dos pais, começaram a debater as idéias, permanecendo no mesmo lugar. Todos se faziam representar. Um dos professores, olhando para o alto, disse para o representante dos psiquiatras: “Nós não queremos ser mais importantes do que vocês. Apenas queremos ter condições para educar a emoção dos nossos alunos, formar jovens livres e felizes, para que eles não adoeçam e sejam tratados por vocês.”

O representante dos psiquiatras recebeu um golpe na alma. Em seguida, um outro professor que estava no lado direito da torre olhou para o representante dos magistrados e disse: “Jamais tivemos a pretensão de ser mais importantes do que os juizes. Desejamos apenas ter condições para lapidar a inteligência dos nossos jovens, fazendo-os amar a arte de pensar e aprender a grandeza dos direitos e dos deveres humanos. Assim, esperamos que jamais se sentem num banco dos réus.”

O representante dos magistrados tremeu na torre. Uma professora do lado esquerdo da torre, aparentemente tímida, encarou o representante das forças armadas e falou poeticamente: “Os professores do mundo todo nunca desejaram ser mais poderosos nem mais importantes do que os membros das forças armadas. Desejamos apenas ser importantes no coração das nossas crianças. Almejamos levá-las a compreender que cada ser humano não é mais um número na multidão, mas um ser insubstituível, um ator único no teatro da existência.”

A professora fez uma pausa e completou: “Assim, eles se apaixonarão pela vida, e, quando estiverem no controle da sociedade, jamais farão guerras, sejam guerras físicas que retiram o sangue, sejam as comerciais que retiram o pão. Pois cremos que os fracos usam a força, mas os fortes usam o diálogo para resolver seus conflitos. Cremos ainda que a vida é obra-prima de Deus, um espetáculo que jamais deve ser interrompido pela violência humana.”

Os pais deliraram de alegria com essas palavras. Mas o representante do judiciário quase caiu da torre. Não se ouvia um zumbido na platéia. O mundo ficou perplexo. As pessoas não imaginavam que os simples professores que viviam no pequeno mundo das salas de aula fossem tão sábios. O discurso dos professores abalou os líderes do evento.

Vendo ameaçado o êxito da disputa, o mediador do evento disse arrogantemente: “Sonhadores! Vocês vivem fora da realidade!”. Um professor destemido bradou com sensibilidade: “Se deixarmos de sonhar, morreremos!”.

Sentindo-se questionado, o organizador do evento pegou o microfone e foi mais longe na intenção de ferir os professores: “Quem se importa com os professores na atualidade? Comparem-se com outras profissões. Vocês não participam das mais importantes reuniões políticas. A imprensa raramente os noticia. A sociedade pouco se importa com a escola. Olhem para o salário que vocês recebem no final do mês!”.

Uma professora fitou-o e disse-lhe com segurança: “Não trabalhamos apenas pelo salário, mas pelo amor dos seus filhos e de todos os jovens do mundo”.

Irado, o líder do evento gritou: “Sua profissão será extinta nas sociedades modernas. Os computadores os estão substituindo! Vocês são indignos de estar nesta disputa”. A platéia, manipulada, mudou de lado. Condenaram os professores. Exaltaram a educação virtual. Gritaram em coro: “Computadores! Computadores! Fim dos professores!” O estádio entrou em delírio repetindo esta frase. Sepultaram os mestres. Os professores nunca haviam sido tão humilhados.

Golpeados por essas palavras, resolveram abandonar a torre. Sabem o que aconteceu? A torre desabou. Ninguém imaginava, mas eram os professores e os pais que estavam segurando a torre. A cena foi chocante. Os oradores foram hospitalizados. Os professores tomaram então outra atitude inimaginável: abandonaram, pela primeira vez, as salas de aula. Tentaram substituí-los por computadores, dando uma máquina para cada aluno. Usaram as melhores técnicas de multimídia. Sabem o que ocorreu? A sociedade desabou. As injustiças e as misérias da alma aumentaram mais ainda. A dor e as lágrimas se expandiram. O cárcere da depressão, do medo e da ansiedade atingiu grande parte da população. A violência e os crimes se multiplicaram. A convivência humana, que já estava difícil, ficou intolerável. A espécie humana gemeu de dor. Corria o risco de não sobreviver…

Estarrecidos, todos entenderam que os computadores não conseguiam ensinar a sabedoria, a solidariedade e o amor pela vida. O público nunca pensara que os professores fossem os alicerces das profissões e o sustentáculo do que é mais lúcido e inteligente entre nós. Descobriu-se que o pouco de luz que entrava na sociedade vinha do coração dos professores e dos pais que arduamente educavam seus filhos. Todos entenderam que a sociedade vivia uma longa e nebulosa noite. A ciência, a política e o dinheiro não conseguiam superá-la. Perceberam que a esperança de um belo amanhecer repousa sobre cada pai, cada mãe e cada professor, e não sobre os psiquiatras, o judiciário, os militares, a imprensa… Não importa se os pais moram num palácio ou numa favela, e se os professores dão aulas numa escola suntuosa ou pobre - eles são a esperança do mundo.

Diante disso, os políticos, os representantes das classes profissionais e os empresários fizeram uma reunião com os professores em cada cidade de cada nação. Reconheceram que tinham cometido um crime contra a educação. Pediram desculpas e rogaram para que eles não abandonassem seus filhos.

Em seguida, fizeram uma grande promessa. Afirmaram que a metade do orçamento que gastavam com armas, com o aparato policial e com a indústria dos tranqüilizantes e dos antidepressivos seria investida na educação. Prometeram resgatar a dignidade dos professores, e dar condições para que cada criança da Terra fosse nutrida com alimentos no seu corpo e com o conhecimento na sua alma. Nenhuma delas ficaria mais sem escola. Os professores choraram. Ficaram comovidos com tal promessa. Há séculos eles esperavam que a sociedade acordasse para o drama da educação. Infelizmente, a sociedade só acordou quando as misérias sociais atingiram patamares insuportáveis. Mas, como sempre trabalharam como heróis anônimos e sempre foram apaixonados por cada criança, cada adolescente e cada jovem, os professores resolveram voltar para a sala de aula e ensinar cada aluno a navegar nas águas da emoção. Pela primeira vez, a sociedade colocou a educação no centro das suas atenções. A luz começou a brilhar depois da longa tempestade…

No final de dez anos os resultados apareceram, e depois de vinte anos todos ficaram boquiabertos. Os jovens não desistiam mais da vida. Não havia mais suicídios. O uso de drogas dissipou-se. Quase não se ouvia falar mais de transtornos psíquicos e de violência. E a discriminação? O que é isso? Ninguém se lembrava mais do seu significado. Os brancos abraçavam afetivamente os negros. As crianças judias dormiam na casa das crianças palestinas. O medo se dissolveu, o terrorismo desapareceu, o amor triunfou. Os presídios se tornaram museus. Os policiais se tornaram poetas. Os consultórios de psiquiatria se esvaziaram. Os psiquiatras se tornaram escritores. Os juizes se tornaram músicos. Os promotores se tornaram filósofos. E os generais? Descobriram o perfume das flores, aprenderam a sujar suas mãos para cultivá-las. E os jornais e as TVs do mundo? O que noticiavam, o que vendiam? Deixaram de vender mazelas e lágrimas humanas. Vendiam sonhos, anunciavam a esperança…

Quando esta história se tornará realidade? Se todos sonharmos este sonho, um dia ele deixará de ser apenas um sonho.

domingo, 21 de setembro de 2008

O mal e o bem são forças sobre-humanas?


“Se o bem e o mal existem, você pode escolher. É preciso saber viver”.
Roberto e Erasmo.



O mal e o bem são forças sobre-humanas?

De todos os temas de reflexão, poucos têm despertado tanto interesse ao longo da História (tempo) e das sociedades (espaço) como o paradigma do Bem e do Mal, principalmente o porquê da existência do mal. Várias abordagens têm sido aplicadas a esses conceitos, de religiosos a filosóficos, passando por esotéricos e agnósticos.

Mas ultimamente estas duas forças antagônicas ganharam um caráter político que tem irritado e dividido companheiros de profissão, até amigos e familiares, haja vista uma ramificação partidária municipal tem se intitulado “do bem”, enquanto que os não partidários são vistos, logicamente, como a turma “do mal”.

É a segunda vez que infelizmente toco neste assunto. Em um outro artigo falei da minha decepção em perceber o quanto a política partidária promove o APARTHEID e o ceticismo ideológico entre entes queridos e que vem ganhando força a cada dia que se aproxima as eleições. Por onde anda a razão?

Pode parecer um bocado esquisito querer tratar de um tema que sempre pertenceu ao domínio do emocional com bases racionais incutindo a idéia política como foco, mas vejamos aonde podemos chegar. Vejamos aonde chegou as nossas “verdades” (pra não dizer interesses pessoais) defendidas com tanta veemência e muitas vezes sem nenhum escrúpulo, ao ponto de dividir uma população entre o “bem” e o “mal” numa prepotência muito infeliz.

Relembro do que falava Santo Agostinho acerca dos conceitos do Mal. Segundo classificação do doutor da Igreja, o mal pode ser natural, que são os eventos naturais (aleatórios) e pode ser moral, que é o mais conhecido por maldade, pois é praticado conscientemente. E é este mal que vem afligindo as nossas vidas. É pertinente perguntar: como nasce esse mal em nós? Qual a sua origem?

Segunda uma teoria recente, o mal (assim como o bem) é fruto da nossa maturação enquanto espécie humana. Os arquétipos registrados no nosso DNA ou ADN (que significa, em inglês, DesoxirriboNucleic Acid, ou ácido desoxirribonucléico), partem de instintos básicos (egoístas) que defendem primeiramente a nossa posição em relação ao mundo e atingem aos níveis de Socialismo e Comunismo até chegar a uma visão holística da vida humana. E nestas fases transitórias, o mal está presente em proporções que nós mesmos administramos e ao passo em que evoluímos, o bem passa a ser mais presente nas nossas decisões.

Continua complicado? Vejamos.

A minha teoria é que nós AINDA estamos num período de transição, ou seja, ainda temos os dois tipos de instintos convivendo no nosso DNA, e, conseqüentemente, no nosso comportamento. A questão é: que percentagem de cada um está no nosso ADN? A relação entre os dois tipos de instintos pode dar uma idéia sobre a nossa posição temporal nesse período de transição, ou seja, que tipo força queremos abraçar: o bem ou o mal? O que mais nos atrai? Que escolha queremos fazer? De forma muito feliz, Roberto Carlos escreveu e cantou: “Se o bem e o mal existem você pode escolher”.

Esses instintos individualistas, enquanto existirem, são prejudiciais numa espécie social, pois entram em conflito com os instintos sociais (até porque egoísmo é antagônico de altruísmo). Podemos usar a razão para contrariar esses instintos, mas temos a consciência que sozinhos não podemos fazer isso, a maior parte das pessoas não tem força de vontade suficiente. Tem que haver uma força impulsionadora. E que força é essa?

A força que liberta-nos dos nossos instintos primitivos e nos faz ascender moralmente, e, portanto, está ao lado do bem, é o conhecimento cultural. Tal conhecimento desconsidera conteúdos políticos partidários e dicotomias emocionais. O conhecimento cultural nos faz sonhar e criar força para que plantemos e semeemos a humanização equilibrada das nossas “verdades”. Escreveu uma vez o pesquisador Denyval Rodrigues: “Não existe o bem e o mal, na verdade existem pessoas que não sabem sonhar”.

De qualquer modo, o que quer que escolhamos, ficará em nossas mãos a chave para o próximo passo. Tal como na Matrix (o filme) o personagem Neo (Keanu Reaves) pôde escolher a pílula azul, que o mantém no mundo de ilusão, e ele esquece tudo o que descobrira; ou pode tomar a pílula vermelha que lhe revelará toda a verdade (uma analogia com a maçã de Eva e adão?). Temos uma pílula em cada mão, temos que escolher antes que esse momento chegue, pois podemos não ficar aqui para contar a história, porque admitamos, há entre nós pessoas suficientemente egoístas ("más") para isso.
E lembrando que tomar a pílula vermelha e escolher dar o próximo passo da nossa evolução, poderá muito bem ser o fim do Mal como o conhecemos! Para encerar mais esta reflexão, encontrei uma história muito interessante que quero compartilhar com todos que trata justamente sobre este assunto. Eu me emocionei com este texto e gostaria de dividir esta emoção com vocês.


O bem e o mal existem?

Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim desafiou seus alunos com esta pergunta:
- Deus criou tudo o que existe?
Um aluno respondeu valentemente: - Sim, Ele criou…
- Deus criou tudo? -perguntou novamente o professor.
- Sim senhor, respondeu o jovem.
O professor respondeu
- Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?
O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, se regozijava de ter provado mais uma vez que a fé era um mito. Outro estudante levantou a mão e disse:
- Posso fazer uma pergunta, professor?
- Lógico! - foi a resposta do professor.
O jovem ficou de pé e perguntou:
- Professor, o frio existe?
- Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?
O rapaz respondeu:
- De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto é suscetível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor.
Novamente o aluno pergunta ao professor:
- E, existe a escuridão?
O professor respondeu:
- Existe.
O estudante respondeu:
- Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz. Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim? Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente.
Finalmente, o jovem perguntou ao professor:
- Senhor desculpe-me a redundância: o mal existe mesmo?
O professor respondeu:
- Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal.
E o estudante respondeu:
- O mal não existe senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações.
É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.
Por volta dos anos 1900, este jovem foi aplaudido de pé, e o professor apenas balançou a cabeça permanecendo calado.
Imediatamente o diretor dirigiu-se àquele jovem e perguntou qual era seu nome?
- Albert Einstein.

domingo, 14 de setembro de 2008

16 de Setembro a Educação vai Parar.


Educadores do magistério público param na próxima terça-feira, dia 16 de setembro, em todo o país, pela implantação o mais rápido possível do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) nos estados e nos municípios. A paralisação atende a um chamamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), pois desde que a lei do piso foi sancionada pelo presidente Lula há um movimento encabeçado pelos governos do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais que tentam impedir sua implementação, com argumentos que não se sustentam, a não ser pela opção politica de continuarem a oferecer uma educação barata e de pouca qualidade.


Para mais informações acessem o site da cnte: http://www.cnte.org.br/


PRECISAMOS DEFINITIVAMENTE NOS RECONHECERMOS PARA QUE POSSAMOS RECEBER O RECONHECIMENTO DE UMA DÍVIDA HISTÓRIA QUE NOSSO PAÍS TEM COM A NOSSA CLASSE! A NOSSA CONQUISTA É A CONQUISTA DO POVO BRASILEIRO QUE SE REFLITIRÁ NO FUTURO, PROVAVELMENTE, MUITO MAIS JUSTO QUE O NOSSO PRESENTE.


ATÉ A VITÓRIA!

sábado, 13 de setembro de 2008

E eu sei lá quem é esse tal de Nelson!

Após longas negociações entre os Professores Municipais e o Poder Executivo de Pombos, o Plano de Cargos e Carreiras e Remuneração do Magistério – PCCR – entrou em processo de reformulação, seguindo a legislação vigente.

Foi eleito um grupo de professores para que junto com a secretaria de educação, os pontos a serem reformulados, adaptados, ampliados e consolidados. Tudo corria bem durante os encontros e os pontos menos contraditórios avançavam, até que se chegou à questão de aumentos salariais. A negociação não travava.

Sentindo-se prejudicado com a proposta oferecida pelo Poder Executivo, os professores em parceria com o diretório municipal do Sinpro-PE, resolveram protestar. Eu, a bucha de canhão, na condição de membro da comissão sindical, pus-me a falar com as demais pessoas envolvidas que a questão precisava ser resolvida sem perdas para a classe de professores.

E como diria um amigo meu, o processo “embaçou” e não avançamos. Nem a Secretaria de Educação nos convencia de que o aumento era justo, nem nós conseguíamos unir forças para as nossas negociações, de tal sorte que a Prefeitura saiu ganhando tempo e nós fomos nos desarticulando.

Era noite e eu estava em casa quando recebo o telefonema de uma companheira professora. Informava ela que a Câmara de Vereadores daquele município votaria às pressas o nosso PCCR, junto com outros projetos enviados pelo Poder Executivo no último dia legal para votação de emendas.

Há quem diga que aquela votação de caráter extraordinário fora uma manobra política para que a qualquer custo, os Vereadores votassem, sem nenhuma análise mais ponderada do texto em questão.

Chegamos cedo à Câmara Municipal onde fomos recebidos por um vereador que nos apoiava. Convidamos todos os professores que pudemos para estarem presente na votação. Poucos apareceram. Mesmo sem um número majoritário de professores e sem a presença da direção do Sinpro-PE, fincamos pé dentro da Câmara.

Horas mais tarde fomos chamados para uma sala de negociação. Estavam presentes a comissão de professores, a presidente da casa legislativa, uma representante do judiciário e alguns vereadores.

Um vereador presente, no arroubo de sua ignorância (provada instantes mais tarde) gritou:

- “É uma minoria de professoras que querem perturbar. A maioria dos professores está trabalhando. E o que o meu Prefeito mandar pra eu votar, eu voto. Se tivesse alguma coisa errada na lei, estavam todos os professores aqui reclamando.” (Quero dizer estas não foram palavras textuais, haja vista a formação primária do cidadão em questão).

Até àquele momento eu estava sereno nas minhas palavras e ponderava nas minhas colocações, usando de humildade diante das autoridades a fim de expor os fatos de forma racional e justa. No entanto, quando ouvi estas palavras, eu me virei em direção a quem falava e argüi com voz estridente e agressiva:

- O Senhor conhece Nelson Rodrigues?

- Quem?

- Nelson Rodrigues!

- E eu sei lá quem é esse tal de Nelson!

- Nelson Rodrigues disse, certa vez, que TODA UNÂNIMIDADE É BURRA. Mesmo não estando todos os professores aqui, não significa dizer que estamos exigindo algo impróprio ou injusto.

- Você me respeite rapaz. Não me chame de burro, não! – gaguejou ele enquanto eu deixava a sala.

Conseguimos evitar a votação naquele dia. Os vereadores que votaram pelo adiamento da votação do PCCR nos garantiram que as emendas seriam lidas com atenção. Ledo engano o nosso de imaginar que seria mudado algo no texto que tratava de aumento salarial.

Dias depois ficamos sabendo que o projeto foi aprovado pela maioria da Câmara, em uma outra reunião extraordinária que ninguém ficou sabendo. Foi uma derrota para mim e para as três professoras que estiveram sempre juntas comigo e que não se venderam, não se envergaram e não perderam a dignidade de olhar nos olhos dos demais “colegas”.
o lado escuro e o lado obscuro, feitos um para o outro.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Políticos Simpáticos e Povo sem Memória


Certa vez, o poeta Carlos Drummond de Andrade disse, meio aborrecido:

“Acho o Brasil infecto. Não tem atmosfera mental; não tem literatura; não tem arte; tem apenas uns políticos muito vagabundos”.



Um determinado locutor que se declara partidário de um grupo político, vem atacando com ferozes verbos (mal conjugados) outra corrente política apelidada de “grupo do mal”. Ele tem sido muito infeliz na função que lhe cabe, que é honroso dever de publicar os fatos de forma imparcial. E o interessante é que este mesmo locutor, sofreu perseguição e até foi agredido fisicamente quatro anos atrás, pelas mesmas pessoas que hoje ele defende.


Depois de ouvi-lo fiquei pensando, cá com meus botões: o que a política não faz! Ou melhor, me corrijo: o que a politicagem não é capaz de fazer! Foi quando me veio à memória este desabafo do meu ídolo Drummond. A política brasileira parece que representa um horrendo conto das mil e uma noites de sacanagens. Parece que nada é real, verdadeiro, autêntico, único.


As vésperas de uma eleição, vejo amigos se afastarem dos seus amigos; sei de famílias que esquecem os laços consangüíneos; sinto na pele professores te olharem atravessados e até arriscam nos afrontar com assédios morais tão freqüentes nas instituições escolares; e pelas ruas da cidade, pessoas várias se digladiam levadas por uma lavagem cerebral que só a partidária imunda é capaz de promover. Muitos eleitores e quase todos os políticos se esquecem de que temos o direito de escolher e essa escolha deve ser respeitada. É simplesmente ingênuidade esquecer de que a família e que os verdadeiros amigos são para sempre e, escolhas políticas são todas passageiras, como todos nós somos.


Muitos ainda arriscam em gritar nos microfones: “é a festa da democracia.” Que festa é esta, onde pessoas que conversávamos amigavelmente, hoje, mal nos dão um bom dia? Que festa democrática é esta que oprime a liberdade de pensamento, de ideologia e de esperanças por renovação? A democracia aí estampada nas ruas e nos lares, na verdade, tem funcionado como uma ditadura. Este tipo de comportamento reflete nos políticos que elegemos de dois em dois anos. Lembro-me o que uma das figuras mais nobres do Brasil, Millôr Fernandes, certa vez disse: “Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim.”


As pessoas eleitas pelo povo parecem estar sempre interpretando um papel, ao invés de serem elas mesmas. Não há opinião própria, não se cultiva a personalidade, muda-se de julgamento como se troca de camisa. Os nossos representantes até se esquecem do que pensavam e do que fizeram no passado, inclusive os malfeitos, e isso efetivamente os favorece, porque alimenta a amnésia popular.


Como o brasileiro é um povo sem memória, os políticos podem mimetizarem-se à vontade, pois ninguém vai lembrar mesmo do que obraram há pouco. Não se vai lembrar, por exemplo, que o pessoal do PT defendia todo tipo de CPI. E a turma do PFL, que estava sempre disposta a barrá-la, hoje a cultua como se fosse parte de sua práxis política. Este é um exemplo nacional. Mas, quantos exemplos municipais nós podemos citar? Puxemos pela memória! Que memória? – perguntaria certamente o mestre Drummond.


Atente para este texto, um achado do professor de História do Cefet-SP José Augusto Araújo:

O Brasil vem sendo sacudido por uma sucessão interminável de denúncias e práticas comprovadas de corrupção, que criam um desalento e um pessimismo tão profundos na população a ponto de esta considerar que os políticos e os governantes em geral não passam de corjas de ladrões. Não é para menos: a corrupção inscreveu-se na normalidade da vida pública brasileira. (...)
O que confere normalidade à corrupção no Brasil é a sua extensão, o seu caráter histórico-cultural e a sua impunidade. (...) Diariamente surgem denúncias por todo o País envolvendo vereadores, prefeitos, governadores, deputados, secretários, ministros, funcionários públicos, fiscais, chefes administrativos, juízes, policiais, e assim por diante. Ladeando-a e fundindo-se com a corrupção temos o neopatrimonialismo, que, em síntese, pode ser definido como o uso do cargo público para constituir privilégios privados. (...)”


Há alguma inverdade nestas palavras? Será que o professor está sendo injusto em seu texto quando ele questiona as ações que são divulgadas na televisão todos os dias, contra aqueles que ele chama de “corja de ladrões”? A sã consciência diz que não. Mas quantos professores, quantos funcionários, quantos comerciantes, quantos comerciários, quantos, enfim, eleitores pensam e agem assim, em nosso município? Onde está a tal democracia? Quem são os ídolos políticos que o povo defende e manda as favas a própria família?


Recordo-me do escândalo do mensalão. O Roberto Jefferson virou herói nacional ao desmascarar o esquema, que ele mesmo teria sido beneficiado. Ele apunhalou o próprio governo que o anistiou. Lula chegou a dizer na época que lhe daria um cheque em branco, tamanha era a confiança que depositava nele. Quem manda confiar num homem que foi líder da tropa de choque de Collor?


Notório esperto, no sentido mais carioca do termo, Jefferson é descrito pelo jornalista Ricardo Noblat como um sobrevivente: “Sobreviveu à gordura que lhe ameaçava a saúde. E sobreviveu a muitos governos, sabendo permanecer à sombra deles quando lhe era conveniente, e sabendo se afastar deles quando julgava necessário”.


Assim como Roberto Jefferson, muitos eleitores, sangue sugas, contratados e funcionários efetivos em todo o Brasil, sobrevivem (em condição humilhante) debaixo de conchavos políticos, de barganhas eleitorais, de subsistência moral dos que vendem o voto, literalmente, por algum modo de vida – diga-se de passagem – mui vergonhosa.


Querem outro exemplo?
Anthony Garotinho, ex-governador do estado do Rio, aquele que era considerado o representante dos “evangélicos” do Brasil, em sua campanha para presidência, dizendo-se preocupado com a crise institucional – crise esta que se arrasta desde D. Pedro – foi taxativo ao afirmar: "São denúncias graves que devem ser apuradas com rigor e com serenidade”. E completou: “A que ponto nós chegamos da vida pública brasileira. É um momento muito difícil, por isso devemos agir com serenidade”.


Como Jefferson, o Garotinho sentou-se no próprio rabo e apontou o prolongamento alheio, esquecendo-se do seu, que comprovadamente foi, ou é, um exemplo de hipócrita político brasileiro. Certamente a serenidade que lhe faltou quando agrediu verbalmente uma juíza eleitoral, taxando-a de petista, quando ela os condenou à perda dos direitos políticos por três anos por causa de abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral. Isto sem falar nas irregularidades do seu mandato de governador e das supostas acusações que pesam contra a sua esposa.


E como esquecer de Antônio Carlos Magalhães, o mesmo dos grampos telefônicos e da violação do painel do Senado, que agora aparece como arauto da moralidade pública? Pelo menos Toninho Malvadeza diverte com suas fanfarronices. Ele acaba de criar uma alcunha para o tesoureiro do PT: “Dilúvio Soares”.


Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, agastado com as dezenas de denúncias que pipocaram no seu governo, está sendo mais comedido, não colocando lenha nessa fogueira. O pai do Real – que mudou pra melhor a vida dos brasileiros – também é alvo da justiça e hoje tem ponderado os seus ataques contra o governo de Lula.


E o também tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais e possível candidato a sucessor de Lula foi sempre um adversário sensato, tem sido mais cauteloso ao afirmar: “O presidente tem uma história que merece o nosso respeito. O presidente Lula não é o presidente Collor”. Tem razão.


Em outro texto que eu publiquei neste blog, falei da importância do voto. Que direito de votar e uma das primeiras regras da democracia. Que precisamos ter memória política e vontade independente. É a partir do nosso voto que escolhemos principalmente o rumo das nossas vidas e de nossas famílias.


Tenho conversado com pessoas mais experientes e elas falam que não têm desejo algum de sair de casa e votar em quem quer que seja. Este é um senso comum. Mas precisamos refletir sobre o que a Igreja Católica aponta como sendo um dos pecados mais desumano: Omissão.


Ex-vereador da Cidade do Recife, o Professor Rafael de Menezes, muitos anos atrás, no programa do radialista Samir Abou Ana disse uma frase que eu jamais vou esquecer e que trago comigo na minha prática profissional e na minha vida pessoal. Disse o ilustre professor: “É na omissão dos que se intitulam bons, que os maus prevalecem-se”. Ou seja, como é que nós, - os bons - não conseguimos construir uma identidade ideólogica enquanto que os maus decidem o que será feito das nossas vidas?

A clássica idéia de que para mudar o mundo precisamos mudar a nós mesmos, parece completamente esquecida pelo povo em geral. O poeta Carlos Drummond de Andrade poderia acrescentar ao seu desabafo: “Nem todos são vagabundos, mas o povo é sem memória”.

sábado, 6 de setembro de 2008

INDEPENDÊNCIA OU MORTE (?)

(D. Leopoldina com outro “imperadorzinho” no colo. Óleo de A. Failutti. Museu Paulista).

(Gonçalves Ledo. Museu Paulista /SP).



(José Bonifácio. Obra de Oscar Pereira da Silva. Museu Paulista/SP).


(Aclamação de D. Pedro I. Prancha de Dedret. Biblioteca Nacional/Rio).




(O Grito do Ipiranga. Obra de Pedro Américo, Museu Paulista/SP).



( D.Pedro Óleo de S.R. de Sá - Museu Imperial. Petrópolis )

Para formalizar o reconhecimento da independência brasileira, o governo britânico exigiu que o Brasil pagasse um débito de 2 milhões de libras que Portugal devia a Inglaterra.
A Independência do Brasil, oficializada por um grito, foi resultado de um arranjo político (desprovido de mudanças sociais) preparado por um grupo de representantes das classes dominantes da época, empenhados no rompimento dos laços com a Corte Portuguesa sem mexer nas estruturas já existentes.
Esse “arranjo” manteve a monarquia, a escravidão e o latifúndio. A grande massa da população, afastada do processo decisório, continuou na miséria. Daí o historiador Mário Schmidt afirmar que o grito “Independência ou Morte” significava: Independência para as elites e Morte para o povo.


A TELA DO GRITO DO IPIRANGA

Esta tela, pintada em 1888 por Pedro Américo, é uma imitação da Batalha de Friedland, de Ernest Meissonier (1). Para diferenciá-la da obra original, o pintor paraibano acrescentou à cena um carro de bois e uma choça. O “produto” final sairia bem diferente da realidade histórica: quando encontrou os dois mensageiros da Corte, D. Pedro não usava roupa de gala, montava uma prosaica mula e estava acompanhado apenas da guarda de honra e de um pequeno grupo de seis pessoas, todos vestindo roupa simples de viagem.
Para o perquisador Mário Schmidt, D. Pedro não foi o autor da Independência do Brasil. Ele funcionou apenas como uma pecinha de uma grande máquina controlada pela aristocracia brasileira.



D. PEDRO É ACLAMADO IMPERADOR

No dia do seu aniversário (12 de outubro), D. Pedro foi aclamado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. Com salvas de canhões e toques de clarins comemorava-se a separação do Brasil de Portugal. Pradoxalmente, a massa popular - não beneficiada com a mudança - aplaudia entusiásticamente o acontecimento. As elites também festejavam. Para elas, a Independência do Brasil significava a manutenção dos privilégios antigos (coloniais) e novos (os decorrentes do liberalismo).



JOSÉ BONIFÁCIO

Este cidadão teve papel fundamental na aglutinação das elites em torno de D. Pedro. Das suas manobras políticas saiu o Sete de Setembro: uma independência de cima para baixo, sem nenhuma mudança social e conduzida pelo próprio herdeiro da decadente dinastia dos Braganças.



GONÇALVES LEDO

Nos bastidores da independência estavam os maçons da Grande Loja Oriente. Um de seus membros mais atuante foi Joaquim Gonçalves Ledo, partidário de uma independência democrata e republicana. O homem, porém, mudou de idéia quando grandes latifundiários e o próprio Príncipe entraram para sua Loja (8).




DONA LEOPOLDINA

A primeira mulher de D. Pedro, Dona Leopoldina, simpatizava com a causa brasileira. Na sessão do Conselho de Estado (cinco dias antes da proclamação oficial da independência), ela já se posicionava a favor da emancipação do Brasil.


O Brasil foi o único país na América que adotou a monarquia, durante todo o século XIX. Foi o único também que teve uma nobreza “artificial” criada por meio de títulos honoríferos, tirados de nomes de cidades, rios, fazendas e batalhas. O agraciado tornava-se um fiel aliado do Governo.

Para esta gente pobre o Brasil “independente” continuou o mesmo: escravos, índios, mestiços, trabalhadores pobres e camadas médias urbanas submetidas. Até quando? Ouçamos a opinião recente do ex-padre progressista Leonardo Boff: “As elites em seu mimetismo ficam sempre ao lado do governo... isso faz com que o jogo nunca se mude, apenas embaralham-se diferentemente as cartas do mesmo e único baralho.”




NOTAS

A obra "Grito do Ipiranga" de Pedro Américo , uma imensa tela a óleo (medindo 6m 56cm x 4m 10cm) foi pintada em Florença, Itália, entre os anos 1886 e 1888, por encomenda da Comissão Oficial incumbida da construção Monumento do Ipiranga, em São
Paulo. Concluída, a obra ficou em exibição naquela cidade italiana, onde foi "elogiada" pela rainha Vitória da Inglaterra. Elogios, na diplomacia e na política, quase sempre levantam suspeitas. D. João VI, por exemplo, era tratado pela diplomacia inglesa como "o príncipe mais rico do mundo" . Envaidecido, o monarca, no poder, ficou permanentemente manietado e manipulado pelos ingleses. Pois, pois!
A obra-prima de Pedro Américo foi elogiada pela governanta inglesa e também por vários soberanos europeus. Não era para menos. O pintor "oficial", financiado pelo Tesouro Brasileiro, caprichou: O vale do Ipiranga, vira colina; a mula de D. Pedro, um belo cavalo zaino; roupas simples de viagem, trajes de gala; o grupo que acompanhava o Príncipe, afastado enquanto ele despejava uma diarréia, aparece unido na sua retaguarda; os dois mensageiros que trazia as cartas, são transformados em mais de trinta guerreiros militarmente uniformizados, montando cavalos castanho-escuros e brancos.
Do artificialismo, restou algo real: um assustado caboclo a frente de um carro-de-bois , às margens de cá; um humilde casebre, às margens de lá. Às margens, sim, pois, também, de fora ficaram as massas pobres do Sete. Esta, porém, não foi a intenção do artista paraibano. Queria ele, com esse algo real, diferenciar a cópia do original: a Batalha de Friedland (entre o exército de Napoleão e tropas russas, ocorrida em junho de 1807) retratada por Ernest Meissonier (sem carro-de-bois e casebre, claro !).
A historiografia oficial brasileira cumpre diretinho o seu papel: a obra-prima (ou melhor a cópia-prima) de Pedro Américo pode ser vista e elogiada no Museu Paulista, São Paulo (Brasil 500 Anos, Atlas Histórico, p.45, Bernardo Joffly, Instván Jancsó / Consultor, Editora Três, São Paulo, 1998. História do Brasil, vol. IV, p. 111, Rocha Pombo, Editora W. M. Jackson, Sâo Paulo.
(Saga, A Grande História do Brasil, vol. 3, p. 90, Abril Cultural, São Paulo, 1981. O Projeto Brasil Urgente disponibiliza aos interessados, para pesquisa, uma reprodução da obra de Meissonier ).

"D. Pedro retornava de Santos e achava-se já às margens do riacho do Ipiranga quando o alcançaram o sargento-mor de milícias Antônio Ramis Cordeiro e o correio Paulo Bregaro, que lhe entregaram as cartas de D. Leopoldina e de Bonifácio. Com o príncipe estavam, além da guarda de honra, o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, o secretário Luís Saldanha da Gama, futuro marquês de Taubaté, o secretário particular Francisco Gomes da Silva apelidado Chalaça, o major Franciso de Castro Canto e Melo e os criados João Carlota e João Carvalho.
(Saga, A Grande História do Brasil, vol. 3, p.90, Abril Cultural, São Paulo, 1981).

"Durante muito tempo, os historiadores procuraram demonstrar que a emancipação do Brasil foi resultado do gesto heróico e solitário de D. Pedro (...) na verdade, o Sete de Setembro concretizou os ideais da aristocracia agrária, especialmente dos grande proprietário ligados à produção açucareira. Esse setor tinha em sua liderança uma elite ilustrada, herdeira das influências européias, formada por membros da magistratura, da burocracia e do clero"
(Op. cit., p. 92).

"A elite agrária desejava que a Independência provocasse o rompimento dos laços coloniais, mais não afetasse a estrutura social e econômica. Além da unidade territorial, era preciso manter a escravidão e a grande propriedade, excluindo do processo político não só os escravos como a grande massa de trabalhadores livres. Para tanto tornava-se necessário assegurar o desdobramento pacífico dos acontecimentos, impedindo-se radicalizações que levassem à república democrática" (Idem, p.93).

" Em face da possibilidade de reimplantação plena do pacto colonial, tomaram vulto as manifestações favoráveis à emancipação. No entanto, entre os grandes proprietários de terra havia o temor de que, a exemplo do que ocorrera em algumas nações da américa latina, especialmente no Haiti, o movimento independentista assumisse um caráter revolucionário, que provocasse profundas transformações na estrutura econômico-social (...) a independência viria, pois, como resultado da confluência dos interesses pessoais de D. Pedro - que pretendia manter o poder, restringido depois da Revolução do Porto - com os dos grandes proprietários de terra, empenhados em evitgar as consequências de uma rebelião popular que pudesse pôr em risco seus privilégios"
(Formação Econômica do Brasil, pp. 114/115, Marina Gusmão de Mendonça e Marcos Cordeiro Pires, Editora Thomson, São Paulo, 2002).

"O heroísmo de D. Pedro não explica a Independência do Brasil. No fundo, ele se tornou imperador por interesse das elites brasileiras"
(Nova História Crítica do Brasil, 500 anos de História Malcontada, p.120, Editora Nova Geração, São Paulo, 1998)

" Comemorada com grande entusiasmo pelo povo em geral, a Independência ocorreu, na verdade, sem a sua participação, e não alterou profundamente seu modo de vida. Os negros, por exemplo, que, em sua maioria, trabalhavam na lavoura, continuaram submetidos regime escravagista, praticamente alheios aos acontecimentos políticos "
(Saga, idem , p.93).

" Durante o movimento da Independência, a atuação da Maçonaria ocorreu sobretudo por intermédio do Grande Oriente Brasileiro, loja na qual José Bonifácio foi grão-mestre, apesar de ser dominada pelos seguidores de Gonçalves Ledo. A loja passou, contudo, a sofrer concorrência do Apostolado da Nobre Ordem dos Cavalheiros de Santa Cruz, sociedade política no estilo dos clubes secretos, porém não-maçônica, criada pelo mais velho dos irmãos Andrada.
Ambas se tornaram espaços de sociabilidade fundamentais para que os dois grupos, que disputavam a influência sobre o príncipe regente, realizassem as discussões políticas que resultaram na separação do Brasil de Portugal. Na primeira, D. Pedro foi iniciado, tomando o nome simbólico de Guatimozim , derradeiro imperador asteca, e logo depois foi elevado a mestre e, em 4 de outubro, a grão-mestre..."
(Dicionário do Brasil Imperial, p.506, Ronaldo Vainfas/Direção, verbete elaborado por Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2002).


" A carta que D. Leopoldina enviou então ao marido, expressando o temor de que as Cortes cumprissem sua ameaça de ocupar militarmente o Brasil, contribuiu para levar D. Pedro à histórica decisão do Sete de Setembro "
(Saga, ibidem, p. 90)

" Tentando obter a lealdade dos segmentos mais conservadores da aristocracia, após o Sete de Setembro D. Pedro I brindou-os com uma enxurrada de títulos nobiliárquicos, que, em poucos anos, ultrapassaram o total de títulos concedidos pela monarquia portuguesa em seus sete séculos de existência "
(Saga, ibidem, p. 92).

" Até hoje o Brasil foi construído de cima pra baixo e de fora pra dentro: a partir dos poderes coloniais, depois pelas elites proprietárias e, a seguir, pelo Estado em sua ação mobilizadora e interventora. Essa lógica sedimentou as desigualdades e agravou as exclusões"
(Depois dos 500 Anos que Brasil Queremos, p. 67 , Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis, 2000).

O primeiro país a reconhecer oficialmente a Independência do Brasil foi os EUA, em julho de 1824. Seguiram-se o México e a Argentina, em 1825. Na Europa, a França foi a primeira a dar o seu aval. Com suas afiadas garras, o leão britânico aproveitou a oportunidade, pra mais uma vez montar na cacunda dos Braganças (e dos brasileiros): para o seu reconhecimento oficial exigiu, além da manutenção dos privilégios da época joanina, que o "herói" libertador pagasse uma conta de dois milhões de libras esterlinas que Portugal devia aos bancos ingleses.
Para cumprir a exigência, o Brasil recorreu à Inglaterra e ela própria emprestou o dinheiro pra si mesma. Resultado: o Brasil não viu a cor da grana, e ficou na obrigação de pagar juros leoninos por décadas e décadas. Of course!
Pois outros dois extorsivos empréstimos foram contraidos (em 1829 e 1859), por imposição da "amiga e protetora nação" para saldar restos da duvidosa conta portuguesa. E mais: uma cláusula do contrato do dito empréstimo (artigo 3º) "mandava contar os juros a partir de outubro de 1824" (o empréstimo foi lançado em janeiro de 1825).
Por trás da negociata, obviamente estavam os Braganças D. Pedro I e D. João VI. Filho e Pai ! Um estudioso da dívida externa (eterna) brasileira, desde o Império a República, assinala: "o primeiro dinheiro que tomamos emprestado nos escravizou até o raiar da guerra do Paraguai".
(Brasil Colonia de Banqueiros, História dos Empréstimos de 1824 a 1834, p. 45, Gustavao Barroso, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1935).




FILMOGRAFIA:

Independência. 1991. Duração 17 min. Documentário. Vídeo do acervo do Instituto Cultural Itaú. Aborda o processo de Independência política do Brasil, no período 1808 - 1822. Destaque para a missão artística francesa trazida por D. João VI.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Do Portal G1:


O ator, produtor e diretor Fernando Torres morreu aos 80 anos em casa nesta quinta-feira (4) no Rio de Janeiro. Torres morreu de efisema pulmonar, segundo informação de sua empresária.
De uma família de artistas, ele era casado com Fernanda Montenegro e pai de Fernanda Torres e do cineasta Cláudio Torres. Fernando estreou no teatro em 1929, atuando em "A Dama da Madrugada", de Alejandro Casona.
Nos anos de 1956 a 1958, trabalha no Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, como ator e como assistente de direção, e assina pela primeira vez a direção de um espetáculo em "Quartos Separados", 1958.


Registo minha homenagem a esta grande figura do teatro brasileiro e da televisão brasileira.
"Reconhecemos, geralmente, os grandes homens pelos frutos deixados".
Muita Paz e muita Luz nessa sua nova trajetória Fernando Torres.

HOMENAGEM AO DURANGO KID BAIANO


O cantor Waldick Soriano, 75 anos, morreu de câncer por volta das 5h30 desta quinta-feira (4) no Inca (Instituto Nacional do Câncer), em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Ele estava internado desde o fim de semana. Waldick, que vivia em Fortaleza, estava morando no Rio desde o mês de abril. O artista contra um câncer na próstata.


O corpo do cantor vai ser velado no salão principal da Câmara dos Vereadores do Rio e o sepultamento será nesta sexta-feira (5). O velório ficará aberto à visitação pública até o fim da tarde de hoje. O enterro está previsto para a manhã desta sexta-feira, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Baiano da cidade de Caetité, no sudoeste do Estado, Waldick tinha mais de 40 anos de carreira e entre os seus sucessos, do gênero brega, estão "Eu não sou cachorro, não" e "Tortura de amor".


Enquanto os garotos deixavam seus cabelos ficarem longos e as meninas usando mini-saia, as rádios executavam canções de campeões de vendagens como Carlos Alberto, Alcides Gerardi, Anisio Silva e principalmente Waldik Soriano, os parques , as quermesses, os bares tinham todos os bolachões e fotos do nosso Durango Kid.

Waldik sempre presente na mídia, uns diziam que ele tinha postura de quem era da direita, enquanto a Bossa Nova representava a esquerda, na verdade Waldik Soriano foi assediado pela esquerda por amigos, mas seu objetivo era cantar para todos suas paixões, desilusões amorosas, exaltar o amor e ser um eterno apaixonado, cantando os sentimentos naturais do ser humano, independente de poder aquisitivo, ideologia política e formação cultural.

Quem viveu os anos 60/70, querendo ou não, teve Waldik Soriano incluso na trilha sonora de sua vida, Paixão de um homem, um de seus grandes sucessos virou filme levando Waldik para as grandes telas, Tortura de Amor teve inúmeras regravações dentre elas Maria Creusa e Fagner e ele conseguiu sobreviver em evidencia além dessas décadas, mesmo com os preconceitos musicais que foram criados em nome de uma falsa cultura, muitos diziam que era cafona, quadrado e mais tarde surgiu a palavra brega, menosprezando assim nossos mitos e seus admiradores, os pseudo-cultos optavam por coisas idênticas vindas de outras bandas desde que não fosse verde-amarela, mas Waldik continuou sua trajetória dizendo que não era cachorro não, que também era gente e lembrando que a voz do povo é a voz de Deus e que ele era um mensageiro da paz e do amor vindo de São Salvador.

Graças a iniciativa de Patrícia Pilar, hoje temos um trabalho em DVD feito na medida certa para o Rei do Bolero, gravado em Fortaleza no Cine São Luiz, acompanhado com grandes músicos dando um brilho especial ao repertório do Rei. Um espetacular evento que registra para posteridade a obra de nosso Cancioneiro Popular, um show de emoções que encanta nossos corações, fico feliz em saber que temos pessoas capazes de realizar um trabalho tão brilhante e necessário de resgate da nossa cultura.

Euripedes Waldik Soriano, nascido em 13 de maio de 1933 no interior baiano, já gravou mais de 80 discos, interpretando suas composições e de grandes mestres do cancioneiro romântico mundial, confira na coletânea abaixo sucessos do inicio de sua carreira como A CARTA, MINHA ULTIMA SERENATA, originais extraídas de vinil, onde nos arranjos tem até o som das taças brindando, além dos super hits que compõe esta edição alternativa, você encontrará versões como EU VOU TER SEMPRE VOCÊ, ESTRANHOS AO LUAR, NOVA FLOR, sucessos de BIENVENIDO GRANDA e ainda um Pout-Pourrit de Roberto Carlos extraído também de um LP onde interpreta só canções da dupla Roberto e Erasmo Carlos.


Lembranças:


"Meu padrasto e minha mãe eram fãs desse "bregueiro" de voz acentuada. Me lembro que dá última vez que eu o vi, foi em um circo em Vitória de Santo Antão, creio que no ano de 1997 ou 1998, depois que meu padrasto e minha mãe me convidaram pra ir com eles ver o Waldik Soriano. Confesso que ele nunca fez o meu estilo (preconceituoso) de música. Mas pelo fato de fazer um programa em família e pelo fato deste programa ser em um circo (lugar que eu amo ir), eu aceitei e ainda de quebra, convidei uma namorada.

Cheguei primeiro com meus pais e fiquei aguardando a namorada que chegaria minutos depois acompanhada da irmã e do cunhado. Assim que minha namorada entrou, Waldik começou a cantar. E como estávamos bem em frente ao palco (picadeiro), ele não pode deixar de observar de perto a minha namorada chegando e sentando-se ao meu lado, bem de frente pra ele.

E não é que o sacana (risos) ficou dando cantadas na minha namorada? Fiquei "P" da vida, enquanto meu padrasto riu e me explicava que o cara era assim: galanteador e metido a conquistador... Pude observar que ele estava alcoolizado e mesmo contrariado, deixei que ele simplesmente babasse... (risos).


Waldik era assim...

E, do fundo do meu coração, desejo que ele não esteja assim do outro lado. Que os bons espíritos o acolha com a paz que ele merece.
Nos lembraremos que ELE NÃO ERA CACHORRO, NÃO!