Livro Primeiras Águas - Poesias

Este é o livro I da série Primeiras Águas.

Campanha Gravatá Eficiente

Fomentando uma nova plataforma de discussão.

A Liberdade das novas idéias começa aqui.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Avatar e a Síndrome do Invasor




Aviso: O texto a seguir menciona partes da história do filme Avatar de James Cameron e, por isso, pode tirar a surpresa de quem ainda não o assistiu.
Por Marina Silva.


Teve um momento, vendo Avatar, que me peguei levando a mão à frente para tocar a gota d´água sobre uma folha, tão linda e fresca. Do jeito que eu fazia quando andava pela floresta onde me criei, no Acre.




Lembranças



A guerreira na’vi bebendo água na folha como a gente bebia. No período seco, quando os igarapés quase desapareciam, o cipó de ambé nos fornecia água. Esse cipó é uma espécie de touceira que cai lá do alto das árvores, de quase 35 metros, e vai endurecendo conforme o tempo passa. Mas os talos mais novos, ainda macios, podem ser cortados com facilidade. Então, a gente botava uma lata embaixo, aparando as gotas, e quando voltava da coleta do látex, a lata estava cheia. Era uma água pura, cristalina, que meu pai chamava de água de cipó. E aprendíamos também que se nos perdêssemos na mata, era importante procurar cipó de ambé, para garantir a sobrevivência.

Me tocou muito ver a guerreira na’vi ensinando os segredos da mata. Veio à mente minhas andanças pela floresta com meu pai e minhas irmãs. Ele fazia um jogo pra ver quem sabia mais nomes de árvores. Quem ganhasse era dispensada, ao chegar em casa, de cortar cavaco para fazer o fogo e defumar a borracha que estávamos levando. A disputa era grande e nisso ganhávamos cada vez mais intimidade com a floresta, suas riquezas e seus riscos.




A gente aprendia a reconhecer bichos, árvores, cipós, cheiros. Catávamos a flor do maracujá bravo pra beber o néctar, abrindo com cuidado o miolinho da flor. Lá se encontrava um tiquinho de mel tão doce que às vezes dava até agonia no juízo, como costumávamos dizer.




É incrível revisitar, misturada à grandiosidade tecnológica e plástica de Avatar, a nossa própria vida, também grandiosa na sua simplicidade. Sofrida e densa, cheia de riscos, mas insubstituível em beleza e força. Éramos muito pobres, mas não passávamos fome. A floresta nos alimentava. A água corria no igarapé. Castanha, abiu, bacuri, breu, o fruto da copaiba, pama, taperebá, jatobá, jutai, todas estavam ao alcance. As resinas serviam de remédio, a casca do jatobá para fazer chá contra anemia. Folha de sororoca servia pra assar peixe e também conservar o sal. Como ele derretia com a umidade, tinha que tirar do saco e embrulhar na folha bem grande, que geralmente nasce em região de várzea. Depois amarrava com imbira e deixava pendurado no alto do fumeiro para que o calor mantivesse o sal em boas condições. Aprendi também com meu pai e meu tio a identificar as folhas venenosas que podiam matar só de usá-las para fazer os cones com que bebíamos água na mata.




Ficção e realidade





O filme foi um passeio interno por tudo isso. Chorei diversas vezes e um dos momentos mais fortes foi quando derrubam a grande árvore. Era a derrubada de um mundo, com tudo o que nele fazia sentido. E enquanto cai o mundo, cai também a confiança entre os diferentes, quando o personagem principal se confessa um agente infiltrado para descobrir as vulnerabilidades dos na’vi. E, em seguida, a grande beleza da cena em que, para ser novamente aceito no grupo, tem a coragem de fazer algo fora do comum, montando o pássaro que só o ancestral da tribo tinha montado, num ato simbólico de assunção plena de sua nova identidade.


O filme também me remeteu ao aprendizado ao contrário, quando fui para a cidade e comecei a aprender os códigos daquele mundo tão estranho para mim. Ali fui conduzida por pessoas que me ensinaram tudo, me apontaram as belezas e os riscos. E também enfrentei, junto com eles, o mal e a violência da destruição.




Impossível não fazer as conexões entre o mundo de Pandora, em Avatar, e nossa história no Acre. Principalmente quando, a partir da década de 70 do século passado, transformaram extensas áreas da Amazônia em fazendas, expulsando pessoas e comunidades, queimando casas, matando índios e seringueiros. A arrasadora chegada do “progresso” ao Acre seguiu, de certa forma, a mesma narrativa do filme. Nossa história, nossa forma de vida, nosso conhecimento, nossas lendas e mitos, nada disso tinha valor para quem chegava disposto a derrubar a mata, concentrar a propriedade da terra, cercar, plantar capim e criar boi. Para eles era “lógico” tirar do caminho quem ousava se contrapor. Os empates, a resistência, a luta quase kamikaze para defender a floresta, usando os próprios corpos como escudos, revi internamente tudo isso enquanto assistia Avatar.




A ficção dialoga muito profundamente com a realidade. Seres humanos, sem conhecimento sensível do que é a natureza, chegam destruindo tudo em nome de um resultado imediato, com toda a virulência de quem não atribui nenhum valor àquilo que está fora da fronteira estreita do seu interesse imediato. No filme, como o valor em questão era a riqueza do minério, a floresta em si, com toda aquela conectividade, toda a impressionante integração entre energias e formas de vida, não vale nada para os invasores. Pior, é um estorvo, uma contingência desagradável a ser superada.


Síndrome do invasor


Encontrei na tela, em 3D e muita beleza plástica e criatividade, um laço profundo e emocionante com a nossa saga no Acre, com Chico Mendes. E percebi que, assim como no filme, éramos considerados praticamente alienígenas, não humanos, não portadores de direitos e interesses diante dos que chegavam para ocupar nosso espaço.





É uma visão tão arrogante, tão ciosa da exclusividade do seu saber, que tudo o mais é tido como desimportante e, consequentemente, não deve ser levado em conta. É como se se pudesse, por um ato de vontade e comando, anular a própria realidade. Como se o que está no lugar que se transformou em seu objeto de desejo, fosse uma anomalia, um exotismo, uma excrescência menor.

E, afinal, essa arrogância vem da ignorância e da falta de instrumentos e linguagem para apreender a riqueza da diferença e extrair dela algum significado relevante e agregador de valor. Numa inversão trágica, a diferença é vista apenas como argumento para subjugar, para estabelecer autoritariamente uma auto-definida superioridade. Poderíamos chamar tudo isso de síndrome do invasor, cujo principal sintoma é a convicção cega e ensandecida, movida a delírios de poder de mando e poder monetário, de ser o centro do mundo.




No Acre nos deparamos com muitos que viam nossos argumentos como sinônimo de crendices, superstição. Coisa de gente preguiçosa que seria “curada” pelo suposto progresso de que eles se achavam portadores. Por outro lado, também chegaram muitos forasteiros que, tal como a cientista de Avatar e o grupo que a seguiu, compreenderam que nosso modo de vida e a conservação da floresta eram uma forma de conhecimento que poderia interagir com o que havia de mais avançado no universo da tecnologia, da pesquisa acadêmica e das propostas políticas de mudanças no modelo de desenvolvimento que eram formuladas em todo o mundo. Com eles, trocamos códigos culturais, aprendemos e ensinamos.




Avatar nos leva a tomar partido




Fiquei muito impressionada como esse processo está impregnado no personagem principal de Avatar. Ele se angustia por não saber mais quem é, e só recupera sua integridade e identidade real quando começa a se colocar no lugar do outro e ver de maneira nova o que antes lhe parecia tão certo e incontestável. Sua perspectiva mudou quando viu a realidade a partir do olhar e dos sentimentos do outro, fazendo com que a simbiose presente no avatar, destinado a operar a assimilação e subjugação dos diferentes, se transformasse num poderoso instrumento para ajudá-los a resistir à destruição.




Pode-se até ver no filme um fio condutor banal, uma história de Romeu e Julieta intergalática. Não creio que isso seja o mais importante. Se os argumentos não são tão densos, a densidade é complementada pela imagem poderosa e envolvente, pelo lúdico e a simplicidade da fala. Se houvesse uma saturação de fala, de conteúdos, creio que perderia muito. A força está em, de certa maneira, nos levar a sermos avatares também e a tomar partido, não só ao estilo do Bem contra o Mal, mas em favor da beleza, da inventividade, da sobrevivência de lógicas de vida que saiam da corrente hegemônica e proclamem valores para além do cálculo material que justifica e considera normais a escravidão e a destruição dos semelhantes e da natureza.





Achei meu “povo”

E, se nada mais tenho a dizer sobre Avatar, quero confessar que aquele povo na'vi tão magrinho e tão bonito foi para mim um alento. Quando fiquei muito magra, na adolescência, depois de várias malárias e hepatite, me considerava estranha diante do padrão de beleza que era o das meninas de pernas mais grossas, mais encorpadas. Sofria por ser magrinha demais, sem muitos atributos. Agora tenho a divertida sensação de que, finalmente, achei o meu “povo”, ainda que um pouco tarde. Houvesse os navi na minha adolescência e, finalmente, eu teria encontrado o meio onde minhas medidas seriam consideradas perfeitamente normais.

NOSSA HOMENAGEM A TODOS NÓS, ESTUDANTES DA VIDA.





11 DE AGOSTO: DIA DO ESTUDANTE

Origem


No dia 11 de agosto de 1827, D. Pedro I instituiu no Brasil os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do país: um em São Paulo e o outro em Olinda, este último mais tarde transferido para Recife. Até então, todos os interessados em entender melhor o universo das leis tinham de ir a Coimbra, em Portugal, que abrigava a faculdade mais próxima.

Na capital paulista, o curso acabou sendo acolhido pelo Convento São Francisco, um edifício de taipa construído por volta do século XVII. As primeiras turmas formadas continham apenas 40 alunos. De lá para cá, nove Presidentes da República e outros inúmeros escritores, poetas e artistas já passaram pela escola do Largo São Francisco, incorporada à USP em 1934.

Cem anos após sua criação dos cursos de direito, Celso Gand Ley propôs que a data fosse escolhida para homenagear todos os estudantes. Foi assim que nasceu o Dia do Estudante, em 1927.


Oração do estudante


Senhor, eu sou estudante, e por sinal, inteligente.
Prova isto o fato de eu estar aqui, conversando com você.
Obrigado pelo dom da inteligência e pela possibilidade de estudar.
Mas, como você sabe, Cristo, a vida de estudante nem sempre é fácil.
A rotina cansa e o aprender exige uma série de renúncias: o meu cinema, o meu jogo preferido, os meus passeios, e também alguns programas de TV .
Eu sei que preparo hoje o meu amanhã.
Por isso lhe peço, Senhor, ajuda-me a ser bom estudante.
Dê-me coragem e entusiasmo para recomeçar a cada dia.
Abençoe a mim, a minha turma e os meus professores. Amém.

PARABÉNS AOS MEUS QUERIDOS ALUNOS.
MUITO JUIZO E MUITO SUCESSO.
CONTEM SEMPRE COMIGO.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

PAU QUE NASCE TORTO, MORRE TORTO? CÉREBRO QUE NASCE DURO, MORRE DURO?


A união entre o budismo e a neurociência comprova que o pensamento pode mudar o cérebro. Sob o patrocínio do Instituto Mente e Vida fundado pelo Dalai Lama, importantes estudiosos do budismo e das tradições científicas ocidentais debatem uma questão que há séculos intriga filósofos e cientistas:

O cérebro tem capacidade de mudar?

E qual é o poder da mente para mudá-lo?

Por muito tempo a neurociência sustentou que o cérebro assumiria sua forma para a vida inteira durante a infância, e depois disso não mudaria mais sua estrutura. Afinal de contas, uma das suposições básicas da neurociência era a de que os processos mentais derivam da atividade cerebral: o cérebro cria e molda a mente, e não o contrário.

Os pesquisadores consideravam que mudanças em grande escala — como expandir a região responsável por uma função mental em particular ou alterar a rede que conecta uma região a outra — seriam impossíveis de ser alcançadas. Já os budistas sempre tiveram a consciência de que o cérebro pode ser modificado por meio de treinamento. E, nos últimos anos, essa crença tem sido confirmada por pesquisas: cientistas comprovaram que o treinamento mental praticado pelos budistas realmente pode mudar o cérebro — há provas de que o órgão se adapta ou se expande em resposta a padrões de atividade mental sistemática.

Segundo o Dalai Lama, chegou-se a um divisor de águas, “uma interseção onde o budismo e a ciência moderna se tornam mutuamente enriquecedores, com um enorme potencial prático para o bem-estar humano”. Treine a Mente, Mude o Cérebro relata as novas descobertas da ciência sobre a mutabilidade ou plasticidade do cérebro e revela de que maneira as pessoas podem alterar a estrutura desse órgão para vencer a depressão, curar feridas emocionais, tratar problemas de aprendizado ou mesmo psicológicos, como o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

A revolução no entendimento da capacidade de transformação do cérebro durante a vida adulta não contempla apenas o fato de que o cérebro pode mudar. Igualmente revolucionária é a descoberta de como o cérebro muda: determinadas ações podem literalmente expandir ou contrair diferentes regiões do cérebro, derramar mais fluidos em circuitos silenciosos e reduzir a irrigação em outros mais barulhentos.

O órgão oferece mais área cortical a funções que seu dono usa mais freqüentemente, e encolhe o espaço destinado a atividades raramente desempenhadas: “Como a areia de uma praia, o cérebro guarda as pegadas das decisões que são tomadas, das capacidades desenvolvidas, das ações tomadas”, acredita Sharon Begley.


Em Treine a Mente, Mude o Cérebro, a autora, uma das principais jornalistas científicas do mundo, discute a relação entre a neuroplasticidade — ou seja, a capacidade do cérebro de mudar suas estruturas e funções de maneira fundamental — e o budismo. De todos os conceitos da neurociência moderna, a neuroplasticidade é o que tem o maior potencial de interação significativa com o budismo. Sharon Begley afirma no livro:


“Nos últimos anos do século XX, alguns neurocientistas iconoclastas desafiaram o paradigma de que o cérebro adulto não muda e fizeram descobertas e mais descobertas de que, ao contrário, ele mantém um impressionante poder de neuroplasticidade. O cérebro pode, de fato, ter seus circuitos alterados. Pode expandir a área conectada para mexer os dedos, formando novas conexões para sustentar a destreza de um exímio violinista. Pode ativar fios condutores há muito tempo inativos e passar novos cabos, como um eletricista que reforma o sistema elétrico de uma velha casa, de modo que regiões que antes viam possam, em vez disso, sentir ou ouvir.

Em resumo, o cérebro adulto mantém grande parte da plasticidade do cérebro em desenvolvimento, inclusive o poder de consertar regiões danificadas, de criar novos neurônios, de rearranjar regiões que antes desempenhavam determinada função para assumirem uma nova tarefa, de mudar os circuitos que tecem neurônios para a rede que nos permite lembrar, perceber, sofrer, pensar, imaginar e sonhar. Sim, o cérebro de uma criança é incrivelmente maleável. Mas, diferentemente do que diziam a maioria dos neurocientistas, o cérebro pode mudar sua estrutura física e suas conexões durante a vida adulta.”



Há mais de dez anos, o Dalai Lama abre sua casa em Dharamsala para “diálogos” de uma semana com um grupo selecionado de cientistas, para discutir sonhos, emoções, consciência, genética ou física quântica.


Esse encontro — chamado de Conferência Mente e Vida — aconteceu pela primeira vez em 1987 e desde então ocorre uma vez por ano. Para escrever Treine a Mente, Mude o Cérebro, Sharon Begley fez uma análise profunda sobre o que foi dito na Conferência Mente e Vida de 2004. O resultado é uma avaliação completa sobre o mundo da neuroplasticidade, uma das revoluções científicas mais estimulantes da atualidade.

Mudanças climáticas agravam seca no Nordeste e criam quatro desertos na região




Marcado nos últimos meses por temporais, enchentes e tremores de terra, o Nordeste sofre com um mau silencioso que pode causar prejuízos ainda mais sérios à população que mora no semiárido: a desertificação. O processo atinge oito dos nove Estados da região, além do norte de Minas Gerais. Segundo estudos, o clima no semiárido está cada vez mais seco, a temperatura máxima da região tem apresentado aumento significativo e as áreas sofrem com chuvas mais intensas, mas com intervalos maiores que a média histórica. Com as mudanças climáticas, quatro áreas desertificadas já foram identificadas por análises recentes.

Segundo relatório do Programa de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos na América do Sul, realizado por um instituto ligado a OEA (Organização dos Estados Americanos), a área afetada de forma “muito grave” no Brasil chega a atingir 98.595 km², ou 10% do semiárido brasileiro. Desse total, quatro são os chamados "núcleos de desertificação", que estão nos municípios de Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Seridó (RN) e Cabrobó (PE), totalizando uma área de 18.743,5 km² (equivalente a 2.082 campos de futebol).

“Essa áreas já podem ser consideradas desertos e pior: estão se expandindo. Isso choca, mas é real”, afirmou o meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites, localizado na Universidade Federal de Alagoas.

De acordo com o PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, ligado Ministério do Meio Ambiente), 1.482 municípios estão em área suscetível à desertificação em nove Estados (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e norte de Minas Gerais). Essa área responde por 15,7% do território brasileiro, onde moram 31,6 milhões de pessoas.

Para o PAN, entre as principais causas do avanço da desertificação no país estão o extrativismo, o desmatamento desordenado, as queimadas e uso intensivo do solo na agricultura.

“Para diminuir o avanço da desertificação são necessários medidas como conservação do solo, da água e das florestas, ações para evitar desmatamentos, queimadas, uso de agrotóxicos, e sensibilização da população, principalmente das comunidades rurais”, afirmou Humberto Barbosa.

Segundo ele, há métodos para reduzir o avanço da desertificação no semiárido. “O caminho a percorrer é longo. A lógica é defender a prevenção, e aspectos como democratização da informação, formação voltada a uma melhor compreensão sobre as terras secas, participação qualificada, além de fortalecimento institucional e das instâncias de participação”, analisou o meteorologista.

Aumento de temperatura

Se as imagens de satélite apontam para um intenso processo de desertificação, outros estudos em solo também mostram que as mudanças climáticas no semiárido brasileiro estão em curso. Um estudo realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em parceria com o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco, aponta que as temperaturas médias das cidades fora do litoral estão aumentando de forma rápida.

Em 40 anos, por exemplo, cidades como Vitória de Santo Antão, na zona da mata pernambucana, registrou um aumento de 3,5°C (31,5ºC para 35ºC) na temperatura máxima diária. Enquanto isso, o estudo aponta que aumento médio da temperatura mundial, no mesmo período, foi de 0,4°C.

“Os dados mostram que a tendência de aumento das temperaturas máximas está presente nas séries históricas de todos os postos estudados. Amparados por outros aspectos relativos ao solo e vegetação, não estudados, tais constatações poderiam indicar que a região estivesse sofrendo um processo de desertificação. Mas esta afirmativa no momento ainda seria precipitada com base somente nos dados e métodos utilizados”, afirmou pesquisador do Inpe Paulo Nobre.

Além do aumento da temperatura, Nobre explica que as pesquisas apontam que as chuvas na região estão ficando mais intensas, porém, com períodos de estiagens mais longos, e o ar está cada vez mais seco.

Fonte: UOL

Iraniana não será mais apedrejada. FORCA é a justa opção.




Teerã. O governo do Irã afirmou, ontem, que Sakineh Ashtiani, condenada à morte por adultério, não será mais apedrejada, mas sim enforcada. A decisão se deve ao fato de a iraniana ter sido agora condenada pelo assassinato de seu marido. As informações foram divulgadas pela embaixada iraniana na Noruega.

O Itamaraty confirmou que fez uma oferta oficial a Teerã para receber Sakineh como refugiada. A Noruega interveio no caso e recebeu o advogado foragido de Sakineh, Mohammad Mostafaei, em seu território e, após negociações com Teerã, conseguiu libertar a família dele que estava detida na República Islâmica.

"O apedrejamento é muito raro no Irã. Já foi decidido que essa mulher não será apedrejada", disse Mohammad Hosseini, diplomata iraniano em Oslo, na Noruega. De acordo com ele, como Sakineh foi condenada por assassinato, sua vida só será poupada se a família do marido morto pedir. Para Hosseini, "há pouca simpatia por uma mulher que trai". "Todos querem viver e ela deveria ter pensado nisso antes de trair. Agora, está condenada por assassinato", afirmou.

Sakineh, 43 anos, está presa desde 2006. Ela recebeu 99 chibatadas por ter um "relacionamento ilícito" com um homem acusado de assassinar o marido dela. Sua defesa diz que ela era agredida pelo marido e não vivia como uma mulher casada havia dois anos, quando houve o homicídio. O assassino de seu marido está preso, mas não foi condenado à morte.

Opção justa encontrada pelo homens justos do Irã, não acham?

Até quando, meu Deus, tal justiça reinará?


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A vida precisa de vidas a cada dia. Assim penso...

Para refazer meu compromisso com a vida, abandono o rigor de um humanismo idolátrico.

Não idealizo as iniciativas ideológicas. Sei que toda instituição convive com o germe de sua própria inutilidade.

Também me prostro no altar do niilismo; descreio da capacidade humana de erguer-se pelos próprios cadarços.

Meu existencialismo é frágil, carregado de suspeita. Minha religião, cheia de decepção. Minha ideologia agoniza debaixo dos escombros da modernidade.

Para refazer meu compromisso com a vida, largo na beira da calçada as metas-narrativas. Desconfio dos projetos globais.

Incoerências entre discurso e prática me desesperam. A incapacidade de vertebrar o que acredito de coração me enoja.

Criei cismas. Rio por dentro; é meu jeito de sobreviver aos ufanismos que tanto me irritavam no passado.

Sei que preciso aniquilar os fantasmas que me deixaram com a sensação de ser um deus.

Para refazer meu compromisso com a vida, desisto de tentar levar a ferro e a fogo qualquer coisa.

Erros me fizeram bem. Boas ações me arruinaram. Amigos me entristeceram. Desconhecidos me acolheram.

Quando planejei, empaquei. Por outro lado, inesperadamente a vida deu certo sem planejamento.

Paguei um alto preço por ser indolente. Mas, incrível, quando deixei para o dia seguinte o que deveria fazer hoje, foi bom.

Para refazer meu compromisso com a vida, quero ser leve como a pluma que escapou da asa do cisne, denso como o ruço que cobre a madrugada, escuro como a tropical sem lua, e transparente como o mar do Mediterrâneo.

Hei de aprender a discursar. Almejo ser mais enfático, mas só em ternura; mais brando em afirmações. Pretendo rearrumar minha oratória.

Quero voltar a olhar para o nada, como as crianças; a entrecortar frases com longas pausas, como os monges.

Para refazer meu compromisso com a vida, espero envelhecer sem casmurrice.

Acolher as doidices dos jovens, lembrando de como as minhas faziam sentido.

Celebrar cada manhã como uma ressurreição.

Aguardar o pôr-do-sol como uma grávida anseia pelo primeiro choro do filho.


Plácido como um lago entre duas montanhas, espero encarar a morte.

E que reste nenhuma nesga de frustração em minha alma.

E que eu descanse no sábado final com um sorriso maroto, sorriso de quem foi embora dizendo: valeu viver.

Gondim.



domingo, 8 de agosto de 2010

MEU MAIOR PRESENTE





Meu dia só pode ser feliz se você estiver comigo.

Olhar você, sentir seu abraço e rir das novidades que você conta, ficar todo orgulhoso ao ver que você lê uma frase mais complicada num outdoor, ouvir você dizer que me ama muito...
...São algumas das coisas quem me fazem ter certeza que valeu a pena receber você neste mundo.
Obrigado por você me fazer ser pai.
Eu te Amo Muito.
E isto encerra tudo.

ORAÇÃO DO PAI CONTEMPORÂNEO





Por
Artur da Távola





“Dai-me, meu Deus,a luz da Vossa Inspiração. Quero educar meus filhos para a ternura, a tolerância e a compreensão do próximo. Mas porque os ternos e os doces acabam tão raros, estranhos, quase marginais, sem chance de fazer ou criar na dura competição pela vida?



E se os educo na linha da dureza e exigência, formarei pessoas eficazes,atletas do saber e do fazer,padrões de êxito externo, brilho e posição. Mas os que conheço assim, sinceramente, são felizes? Como? Se trocaram suas pessoas pelo papel que desempenham?



Às vezes meu pai penso em não interferir. Em deixar que o que a neles de seu, de atávico, de hereditário e de intransferível vá ensinando-os. Mas eu venho de um tempo em que ficou moda deixar a criança entregue a si mesma”para não frustrar”. Depois vi que essas crianças “sem frustração”, crescidas, afundando-se na mais completa desagregação, berrando sua solidão e o “ me protege pai”, disfarçados em agressividade, autodestruição e negação sem afirmação compensatória.



Será que a educação de meus pais, durona, do “não pode”, “não deve”, “é pecado”, “eu não quero”, “você vai ser igual a mim”, será que essa é a certa? Mas quantos, Senhor, vindos desta, vi resvalar na vala da amargura, da vida, não vivida, da revolta sem remédio?



Eu gostaria de só falar-lhes do amor possível, da importância do sentimento do outro, da capacidade de ver e sentir o próximo, como aprendi nos livros e nos mestres e sempre tentei talvez sem conseguir. Mas não estarei formando um puro, mais um sem vez nesse mundo?



Posso ensinar-lhes as mil regras do bom senso, da capacidade de compreender e ajustar-se. Mas ao formar um ajustado não estarei criando apenas um número na multidão de concordâncias cômodas?



E se o envio a um analista? Não estarei preparando um especialista em dúvidas? Alguém que compreende demais, a tudo e a todos e não age nunca?



Quem sabe, meu Pai, limito-me a passar-lhe todos os meus valores de vida, aqueles que herdei dos meus pais, e os outros que colhi sofrendo sozinho? Valerão algo num mundo que muda a cada dez anos mais que em todos os anteriores?



Se lhe digo o que penso invado sua liberdade.

Se nada lhe falo, peco por omissão.

Se discuto, acabo impondo

Se imponho, esmago.

Se calo, consinto.

Se consinto, acabo perdendo-o e isso não saberei suportar.



Dai-me , Senhor, a luz de um caminho, uma honesta opção para quem, como eu, sabe do mundo, conhece-lhe as esperança, grandezas e também as curvas da emboscada, alguém como eu que aspira ao absoluto a aos valores nos quais, teimoso, não deixou de crer”.






A todos os pais, a homenagem deste blog.



sábado, 7 de agosto de 2010

PARABÉNS, VELOSO!




NOSSA HOMENAGEM AO ANIVERSARIANTE ILUSTE DO DIA.

Um império fundado pelas armas precisa sustentar-se pelas armas.

Charles Montesquieu

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Cultura, o elo perdido da sustentabilidade






Entenda a economia criativa e o seu potencial para construção de um futuro sustentável.

Imagine um mundo onde a marca pode representar mais de 75% do valor de uma empresa, enquanto que os recursos naturais se tornam cada vez mais escassos. Diante desse quadro, a desmaterialização da economia passa a ser o foco da estratégia de desenvolvimento dos negócios e governos.


O cenário descrito acima se enquadraria perfeitamente aos dias atuais não fosse pelo último aspecto. O Google, um dos maiores casos de sucesso da atualidade, tem na sua marca, cujo valor estimado é de US$ 100 bilhões, o maior fator de desempenho, superando até mesmo seus próprios produtos e serviços. No entanto, a economia continua seguindo a lógica de gestão de recursos escassos. Como resultado disso, já ultrapassamos em 20% a capacidade de suporte e reposição da biosfera.

Esses dados, já bastante difundidos, reforçam a importância de buscar estratégias de desenvolvimento sustentável, acelerando a desmaterialização da economia. No entanto, a grande dúvida continua sendo como viabilizar essa transição de modelos econômicos e de pensamento. Uma das novidades nesse debate está na constatação de que, se a sustentabilidade é o fim, a cultura pode ser o meio para construir esse futuro desejado. Esse foi um dos focos de discussão da rodada de diálogo sobre economia criativa, que integrou a programação do FILE 2010, em São Paulo.

A mesa, coordenada por Lala De Heinzelin, assessora do Programa de Economia Criativa da South-South Cooperation, unidade do PNUD, contou com a participação de Liliana Magalhães, superintendente do Santander Cultural, Luciane Gorgulho, chefe do departamento de cultura, entretenimento e turismo do BNDES e Maria Arlete Gonçalves, diretora de cultura do Oi Futuro.

De acordo com a ONU, a economia criativa é responsável por 10% do PIB mundial. No relatório Creative Economy, a UNCTAD divulga que, entre 2000 e 2005, os produtos e serviços criativos mundiais cresceram a uma taxa média anual de 8,7%. Duas vezes mais do que o setor de manufaturas e quatro vezes mais do que a indústria.

O conceito ainda em formação, foi criado para designar um setor que inclui, porém extrapola a cultura e as indústrias criativas. De forma muito simplificada, podemos dizer que reúne as atividades que têm na cultura e na criatividade a sua matéria prima. É um conceito amplo o suficiente para incluir a diversidade, tanto de linguagem quanto de modelos de negócios, englobando uma vasta gama de atividades que vai

do indivíduo que trabalha educação complementar por meio da música a uma grife de automóveis de luxo.

Segundo Lala, estamos vivendo uma mudança de época, talvez, comparável apenas ao renascimento. Esse período é caracterizado pela transição de uma centralidade - que existiu durante décadas, em que todos os recursos eram tangíveis e, portanto, finitos - para um momento em que aquilo que tem mais valor está ligado ao intangível. “Nesse contexto, temos um recurso que é como se fosse a galinha dos ovos de ouro porque tudo aquilo que está ligado ao intangível – conhecimento, criatividade e cultura – além de não se esgotar, se multiplica e renova”, explica.

Não sem razão alguns países já elegeram a economia criativa como estratégia número 1 de desenvolvimento. É o caso do Reino Unido e, mais recentemente da China. A potência asiática adentra a era de pós-industrializaçã o, em que a integração global e o consumo cultural estão exercendo um impacto crescente, sobretudo no ambiente urbano.


Segundo a consultoria chinesa CCID Consulting, a indústria criativa e cultural já movimenta cerca de 170 bilhões de yuans, representando "uma tendência de crescimento reverso" para a crise financeira global com potencial de revitalizar a economia chinesa. O país conta com um Plano de Revitalização da Indústria Cultural, aprovado pelo Comitê Permanente do Conselho de Estado, cujo objetivo é orientar o desenvolvimento futuro desse setor. Em cidades como Beijing, a economia criativa cresce a uma taxa anual de 50%. (Confira mais dados no box abaixo).


Construção de capital social


Além de apresentar um grande potencial econômico, a economia criativa contempla atividades que atuam como fator de interação social, fortalecendo os valores, diferenciais e credibilidade de comunidades e empresas.

“A cultura representa o quarto pilar da sustentabilidade. É o que traz o nosso diferencial, pois permite que se agreguem valores. Ela vai ao encontro da nova sociedade do conhecimento, em que o poder está na troca”, afirma Liliana Magalhães, superintendente do Santander Cultural.

Possuidor de uma das diversidades biológicas e culturais mais ricas do planeta, o Brasil proporciona um ambiente propício para o avanço de um modelo de desenvolvimento baseado nos pilares econômico, ambiental social e cultural. Não são raros os exemplos de negócios que já trabalham nessa perspectiva, mas devido a falta de indicadores e mecanismos de incentivo adequados eles continuam a margem da economia.

O BNDES, um dos maiores bancos de fomento do mundo com um livro de desembolso de R$ 130 bilhões, tem se dedicado a desenvolver métodos para mensurar esse valor e que também possam embasar o financiamento às atividades criativas. Desde 2006, conta com um departamento de cultura, entretenimento e turismo, que disponibiliza linhas de crédito e fundos de investimento para esses setores. Esses recursos estão sob o guarda-chuva do Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura estruturado em três subprogramas: BNDES Procult – Financiamento, BNDES Procult – Renda Variável e BNDES Procult – Não Reembolsável.

Segundo Luciane Gorgulho, do BNDES, há recursos para fomentar a economia criativa, o que falta é dar visibilidade a esse setor, uma vez que ainda não existem muitas estatísticas sobre o tema. “É importante disseminar suas histórias de sucesso da economia criativa, setor que hoje enfrenta dificuldades semelhantes das empresas de software, muitas delas surgidas em garagens”, destaca. Esse segmento de tecnologia ganhou credibilidade a partir da repercussão de casos de sucesso e se consolidou apesar da bolha da internet.

“E como sair dos limites que estamos acostumados a atuar?”, provoca Lala. Segundo ela a solução que uma empresa está buscando pode estar em um trabalho desenvolvida por um garoto na periferia. “Os negócios têm um papel importante para o fomento da economia criativa porque podem conferir acesso e credibilidade. Se o mesmo menino lançar determinada solução poderá enfrentar resistência em alguns setores. Mas essa dificuldade pode ser minimizada se uma grande empresa identificar seu projeto e de alguma maneira apoiá-lo”.

Essa integração é fundamental, pois ajuda a construir confiança, ativos mais comprometidos desde a última crise financeira global. “É preciso haver um entendimento que o desenvolvimento resulta de um processo coletivo e que é essencial se conectar a outros para ter força de reverberação”, afirma Liliana, do Santander.


Ainda segundo Lala, o principal fator que impede o País de transformar em realidade seus potenciais e recursos consiste na falta de capital social, resultado da articulação de diferentes setores. “As potências endógenas só vão se concretizar se houver um processo capaz de elevar a auto-estima e, ao fazê-lo, reforçar os laços e a identidade, estimulando a cidadania. Tendemos a achar que a semente é a maçã e tentamos vender a torta. Mas antes é necessário preparar o terreno para essa semente germinar e tornar essa torta desejável”, reforça.


Quem é quem na economia criativa

Reino Unido

As indústrias criativas britânicas geram £67 bilhões em receitas e crescem duas vezes mais do que o restante da economia. Esse setor também tem um papel vital na construção de um futuro sustentável.

Formalmente definidas como as artes cênicas, antiguidades, artesanato, arquitetura, design, moda, publicidade, rádio e TV, cinema e vídeo, música, publicações, jogos de vídeo e software, a inovação, as indústrias criativas terão um papel fundamental no enfrentamento dos grandes desafios do nosso tempo - a escassez de recursos, mudanças climáticas, resíduos, poluição, uma população em crescimento e pobreza.

Alguns exemplos já existentes:

O movimento Bauhaus defendeu uma filosofia de design da justiça e utilidade, para fornecer o acesso universal a um bom design, melhor habitação e uma vida melhor para todos.

Nos últimos 20 anos, o marketing social ajudou a educar, sensibilizar e comunicar, questões tão amplas como o comportamento anti-social em trens, estilos de vida mais saudáveis e os malefícios do cigarro.

Novas formas de mídia social – habilitadas por software de TI e plataformas como o Twitter, kiva ou NetSquared – estão diminuindo distâncias geográficas e sociais, proporcionando que as pessoas se mobilizem na busca de soluções para problemas que lhes são comuns.

A arquitetura verde agora é mainstream e já há exemplos emblemáticos de excelência de construção seguindo princípios de sustentabilidade, como o Eden Project, a vila dos Jogos Olímpicos, entre outros.


Adaptado de artigo publicado no Forum for the Future



China

A indústria criativa movimenta cerca de 170 bilhões de yuans, representando uma alternativa ao modelo de desenvolvimento centrado na rápida urbanização que trouxe uma série de problemas sociais e ambientais.

A economia criativa já é foco de investimento e políticas públicas. O país conta com um Plano de Revitalização da Indústria Cultural, aprovado pelo Comitê Permanente do Conselho de Estado, cujo objetivo é orientar o desenvolvimento futuro desse setor.

Em Beijing, Shanghai and Shenzhen, as indústrias criativas crescem cerca de 12.3%, 13.3% e 15.0%, respectivamente, enquanto que o PIB dessas cidades cresce 19.4%, 22.8% e 25.9%, respectivamente. Em 2008, o valor acrescentado no setor cultural criativo em Pequim superou os 100 bilhões de yuans, representando 9% do PIB da cidade. E, esse número ainda está crescendo a uma taxa anual de mais de 50%.

Adaptado de artigo publicado originalmente na Bloomberg



Brasil

A indústria criativa movimenta R$ 381 bilhões e emprega 35,2 milhões de pessoas. O setor representa 16,4% PIB brasileiro:

2,6 % - 12 áreas principais: artes visuais, publicidade, expressões culturais, televisão, música, artes cênicas, filme e vídeo, mercado editorial, software, moda, arquitetura e design)


5,4% - atividades relacionadas a essas áreas: material de artesanato, publicidade, instrumentos musicais, registro de marcas e patentes, dentre outras)


8,4% - atividades de apoio: consultoria especializada, insumos, maquinários)

Fonte: A Cadeia da Indústria Criativa no Brasil - Firjan
Por Juliana Lopes, da Revista Idéia Socioambiental

REPASSANDO...

Caros amigos,

Em menos de dois dias 32.000 brasileiros enviaram mensagens para o Lula, porém Sakineh pode ser executada a qualquer momento. Mais pressão do Brasil e da Turquia sobre o governo do Irã é a única esperança. Doe abaixo para compra de anúncios de emergência em jornais do Brasil e Turquia nas próximas 72 horas:



Sakineh Ashtiani pode ser executada por adultério no Irã dentro de alguns dias. Somente a pressão diplomática de dois países poderá salvá-la: o Brasil e a Turquia.

Nós últimos dois dias mais de 32.000 brasileiros enviaram mensagens para o Presidente Lula pedindo um esforço maior pela libertação de Sakineh. Porém, precisamos continuar a pressão para convencer ele e o Premiê Turco, Erdogan, a usar todas as suas forças diplomáticas e persuadir o Irã a libertar Sakineh e acabar com o apedrejamento para sempre.

A Avaaz está publicando anúncios de emergência em jornais influentes do Brasil e da Turquia, pedindo pressão sobre o Irã pela clemência e justiça. Os anúncios irão entregar a nossa petição de meio milhão de brasileiros e pessoas do mundo todo. O objetivo é chegar aos círculos políticos e fazer um apelo direto ao Lula e o Premiê Erdogan. Se cada um fizer uma pequena doação nas próximas 72 horas, nós poderemos dar uma última esperança a Sakineh! - Clique aqui para colaborar:

https://secure.avaaz.org/po/save_sakinehs_life/?vl


A sentença de Sakineh é algo ridículo posando de justiça. Ela foi condenada à morte por apedrejamento por supostas relações com outro homem - mesmo após a morte do marido. Detalhe que o apedrejamento foi banido no Irã e ela não entender a língua falada no julgamento. O seu caso ganhou atenção quando seus dois filhos lançaram uma campanha mundial para salvar sua vida, gerado uma comoção global, com adesão de mais de 550.000 membros da Avaaz.

Com a pressão, o governo iraniano revogou o apedrejamento, mas a sentença de execução permanece. Há um clima de tensão no Irã desde que o caso de Sakineh ganhou a atenção mundial - o regime ameaçou prender os filhos de Sakineh por falarem demais e emitiu um mandado de prisão contra seu advogado. Ele tentou fugir do país e os membros da sua família têm sido vigiados.

Mas o Lula e o Erdogan têm grande respeito no Irã e podem influenciar o regime. E eles nos ouvem. O Lula disse que não se envolveria no caso, mas depois de ver uma campanha pela Sakineh na internet, ele mudou de opinião, oferecendo asilo político a ela.

Nas últimas duas semanas, mais de 552.000 de nós assinaram a petição para salvar a Sakineh e acabar com o apedrejamento no Irã. Nos resta apenas alguns dias para convencer Lula e Erdoğan a agir - e essa pode ser nossa última chance de salvar Sakineh. Vamos cada um fazer a nossa parte e ter certeza de que nosso apelo ao governo será ouvido:

https://secure.avaaz.org/po/save_sakinehs_life/?vl




O caso Sakineh tem indignado o mundo inteiro pela magnitude da sua injustiça brutal e absurda. Mas na nossa luta por uma mulher, nós fazemos um poderoso manifesto por mulheres e pessoas em todos os lugares, e nos colocando de pé por uma pessoa, nós lutamos pelo direito à justiça de todos.

Os filhos de Sakineh enviaram um último apelo:
"Não permitam que o nosso pesadelo se torne uma realiade. Hoje, quando quase todas as nossas opções chegaram a um beco sem saída, nós recorremos a vocês. Por favor, ajudem a nossa mãe!"


Com esperança e determinação,

Alice, David, Milena, Ben e toda a equipe Avaaz

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

REPASSANDO...



Uma frase que deve ser pensada, pois reflete uma verdade triste em nosso País.

"No futebol, o brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes. Na educação é o 85º e ninguém reclama..."


EU APOIO ESTA TROCA


TROQUE 01 PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES


O salário de 344 professores que ensinam = ao de 1 parlamentar.


Essa é uma campanha que vale!

Repasso com solidária revolta!



Prezado amigo!

Sou professor de Física, de ensino médio de uma escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: R$650,00


Eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$440,00.


Será que alguém acha que, com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, atualmente a regra é essa: O professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o Governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado.



Incrível, mas é a pura verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro!



Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões por ano... São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545.



Na Itália, são gastos com parlamentares R$3,9 milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850 mil e na vizinha Argentina R$1,3 milhões.

Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688 professores com curso superior !

Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha, na qual o lema será:

'TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES'.

COMO VOCE VAI VOTAR DEPOIS DE LER ESTA MATÉRIA??

REPASSEM, EU JÁ ADERI À CAMPANHA!

VAMOS RIR?




Havia certa vez um homem navegando com seu balão, por um lugar desconhecido. Ele estava completamente perdido, e qual grande foi sua surpresa quando encontrou uma pessoa...
Ao reduzir um pouco a altitude do balão, em uma distância de 10m aproximadamente, ele gritou para a pessoa:
- Hei, você aí­, aonde eu estou?
E então a jovem respondeu:
- Você está num balão a 10 m de altura!
Então o homem fez outra pergunta:
- Você é professora, não é?
A moça respondeu:
- Sim...puxa! Como o senhor adivinhou?
E o homem:
- É simples, Você me deu uma resposta tecnicamente correta, mas que não me serve para nada...
Então a professora pergunta:
- O senhor é secretário da educação, não é?
E o homem:
- Sou...Como você adivinhou???
E a Professora:
- Simples: o senhor está completamente perdido, não sabe fazer nada e ainda quer colocar a culpa no professor.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

GRAVATÁ NÃO TEM FICHA SUJA





O conselheiro corregedor do Tribunal de Contas, Valdecir Pascoal, entrega nesta quinta-feira, 1º de julho, ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Roberto Ferreira Lins, a listagem completa dos gestores públicos estaduais e municipais que tiveram prestações de contas rejeitadas nos últimos oito anos, a chamada “Lei da Ficha Limpa” considera inelegíveis para qualquer cargo “os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão”.



De acordo com o conselheiro Pascoal, o TCE cumpre determinação legal ao fazer o envio da lista ao TRE, mas quem declara a inelegibilidade é a Justiça Eleitoral, a partir de provocação do Ministério Público Eleitoral ou de Partido Político, Lista completar no tribunal de conta do estado de Pernambuco.


ESMERALDO JOSÉ DOS SANTOS 142.560.374-20
PREFEITURA SÃO CAETANO
PC 0540078-8
PR 0705313-7 A 3601/08 07/01/2009


GILMAR ALVES ASSUNÇÃO 486.085.214-15
PREFEITURA FREI MIGUELINHO
PC 0560007-8 D 0974/09 29/09/2009
AE 0404993-7 D 1025/09 14/10/2009


JOSÉ AUGUSTO MAIA 142.992.754-20
PREFEITURA SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE
PC 0340022-0 D 1329/05 27/09/2005
AE 0702284-0
RO 0705919-0
A 3519/08 13/11/2008
PC 0740074-3 D 0544/09 16/06/2009
PC 0840070-2
RO 0903602-7
A 0681/09 11/12/2009


MANOEL TEIXEIRA DE LIMA 418.742.424-53
CÂMARA CARUARU
PC 0840013-1 D 0657/09 15/08/2009


NILTON FERREIRA LEAL 053.596.274-68
CÂMARA VERTENTES



VALTER GONÇALVES DE SOUZA 036.611.564-20
PREFEITURA TORITAMA
PC 9303752-1
ED 0303409-4
A 0456/05 16/03/2005


JOSÉ OZAIR CAVALCANTI 012.954.384-53
PREFEITURA DE VERTENTES
PC 9560025-5
A 1685/02 24/10/2002

JOSÉ MARCELO MARQUES DE ANDRADE E SILVA 235.649.464-20
PREFEITURA TORITAMA
AE 0700794-2 D 0417/08 22/05/2008
PC 0760096-3 D 0413/08 29/05/2008
PC 0560068-6 D 1291/09 17/12/2009


JOSÉ EDSON DE SOUZA 146.842.844-68
PREFEITURA BREJO DA MADRE DE DEUS
PC 9640040-7
PR 0300356-5
A 4021/04 11/11/2004


JOSÉ ARRUDA 022.339.164-68
PREFEITURA SURUBIM
PC 0160052-7
RO 0203338-0 A 2042/03 04/09/2003
AE 0304686-2
RO 0804339-5 A 3556/08 10/12/2008


HUMBERTO DA MOTA BARBOSA 013.581.894-04
PREFEITURA SURUBIM
PC 0360053-1
RO 0503312-3
A 0849/06 19/04/2006



GENIVAL FERREIRA DE ARAÚJO
PREFEITURA BETÂNIA
RO 0002261-5
A 0005/04 03/02/2004
PC 0050023-9
PR 0402332-8 A 3439/08 14/10/2008

ELIZEU JOÃO DE SOUZA 273.968.604-82
PREFEITURA SANTA MARIA DO CAMBUCÁ
DE 0804942-7
A 0223/09 21/07/2009


EDILTON EUCLIDES DE LIMA
407.712.964-87
PROJETO CULTURAL Nº 187/98 - (“VAQUEJADA DE SURUBIM”)
PE 0400082-1
PR 0504633-6
A 1104/07 03/05/2007


Fonte TRE, pesquisa Manoel Augusto.










Resiliência, que palavra!








A palavra vem do latim “resilio”, que significa voltar ao estado natural. O conceito de resiliência para as ciências humanas é “a capacidade de um indivíduo em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, a capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente frente às adversidades”.


A beleza e a motivação da resiliência está em você poder escolher como perceber e responder às situações adversas. O conceito vem da Física e é aplicado ao comportamento humano permitindo mudanças nas atitudes e na qualidade de vida das pessoas diante do caos do dia-a-dia de cobranças, prazos, pressões, muita tensão e estresse acumulado.
Eduardo Carmello, consultor e diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos e autor do livro Supere! A Arte de Lidar com as Adversidades (Editora Gente), define o termo como “a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido uma pressão”.
Para o autor, as pessoas não podem saber se vão ou não ficar com raiva quando algo inesperado acontecer em suas vidas, mas podem sim definir quanto tempo vão querer ficar alimentando esse sentimento, assim como fazer para canalizar essa emoção com uma ação construtiva.
Existem pessoas negativistas, que não sabem ir ao encontro da felicidade. Existem também pessoas que, munidas de positividade real, vivem a felicidade de um jeito especial. Essa conversa parece algo de “energias sobrenaturais e místicas”, mas não é nada disso.
É ciência pura, comprovada pelo psiquiatra e pesquisador Augusto Cury, por exemplo, quando ele fala sobre SPA, a Síndrome do Pensamento Acelerado, que pode causar negativismos nas pessoas. Ser proativo e positvista é revitalizar a humanização da nossa saúde.


Assim, vamos realizando nossas vidas. Eu, por exemplo, aprendi a ficar com um pensamento “ruim” pelo menor tempo possível, já que não ficar com ele, às vezes, é algo difícil.
Então, entro em um processo de fechar as portas para os pensamentos negativos e os resmungos das pessoas que não querem ver a vida de forma feliz. Faço isso e depois, cuidadosamente, vou achando caminhos mais suaves e tranquilos. A isto eu chamo de absorção. Ou seja, precisamos absorver críticas e palavras negativas, para dali realizar a proatividade.


Ser proativo é conseguir absorver as coisas e trabalhar a resiliência, ferramenta importante que, se usada no tempo certo, traz benefícios incríveis para a sociedade. E assim vamos fazendo a vida circular cada vez mais forte. Afastando os maus agouros e abrindo portas para a felicidade e o bem estar.
Sejamos, portanto, todos resilientes e proativos!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Nosso maior inimigo; Nosso pior adversário.





Adversário: inimigo ou oponente é a pessoa, criatura ou entidade contra a qual se luta.

Recentemente pedi a um aluno para conversar com sua mãe, depois que soube que o mesmo seria transferido para uma outra escola.

- Preciso que sua mãe ou seu pai venha essa semana na escola pra falar comigo?
- Oxente, professor! O que foi que eu fiz?
- Nada. Apenas quero conversar com sua mãe. Posso?
- Pode. Mas me diga o que foi que eu fiz?! – insistia ele, meio nervoso.

No dia seguinte, a mãe apareceu na escola. Visivelmente ansiosa, mal entrei na escola e ela se dirigiu a mim com olhar firme e o filho do lado, mais nervoso que ela. Carregava na mao direita uma sombrinha e, com a outra, apertada o braço do filho.

- O que foi que esse rapaz fez, Professor? – inquiriu-me a mãe, de forma bem direta.
- Seu filho não nada, mãe. – respondi com um sorriso leve. E conclui:
- Só mandei chamar a senhora aqui porque soube que ele vai deixar a gente e eu queria dizer a senhora que se dependesse de mim e dos meus colegas, ele não deixaria a escola. Seu filho é um menino muito educado, não nos dá problema. Vai fazer falta.
(…)

Aquela mãe e o seu próprio filho me deixou a impressão de que lhes pesam mais as coisas negativas do que as positivas; que é mais fácil tratar do insucesso que avaliarmos positivamente o que nós somos.

E é nestas horas que nos tornamos nosso maior inimigo, nosso pior adversário. Isto porque acalentamos sempre a idéia de que somos incapazes de desenvolver um trabalho digno ou mesmo uma atitude laudável. Alimentamos a imagem de que não estamos ou não estamos aptos a brilhar no palco da vida.

Embora muitos acreditem que nosso adversário é um ser mitológico, inclusive sendo visto como uma entidade que afronta a magnitude infinita de Deus, que na cultura cristã que ver em Satanás – Lucifer – uma das denominações desse caráter pouco amistoso, como se Deus fosse capaz de errar ou se arrepender de tudo que criara até então. Respeitamos, mas a razão não aponta pra tal sinônimo.
Na vida política nos acostumamos a ver muitos homens públicos se utilzarem do adjetivo para definir àqueles desafetos partidários. Se um grupo de Vereadores, por exemplo, fazem parte da base aliada do Executivo, e um outro, se postam como oposicionistas, âmbos se reconhecem como adversários ferrenhos.
Mas será que precisa ser assim? Minha circunspecção diz que nem sempre adversário é sinônimo de desafeto. Na verdade apenas representa a parte contrária em uma disputa, partida ou conflito. Por exemplo, quando se está em uma corrida, todos os outros competidores são seus adversários. Em uma partida de futebol é o time contra o qual se joga. No entanto, a condição de adversário encerra-se logo após o término de uma corrida ou de um jogo de futebol.
Se enxergamos tudo e a todos de forma negativa, rigidamente distinta, incorremos no mesmo erro dos favoráveis ao racismo, a homofobia, ao nazismo, ao preconceito desenfreado do homem sem vínculo espiritual com o Divino.
É extremamente negativo ver que algumas pessoas que só percebem seus erros os valorizam; é muito triste descobrir que milhões de homens e mulheres acreditarem que possa existir uma força contrária e desafiadora contra Deus; é inquestionavelmente pequeno a postura que muitos pseudo-políticos tomam em suas vidas públicas, encarando o colega como sendo seu adversário, principalmente se estes se utilizam de escritos sagrados para justificar suas convicções pessoais.
Temos muitos colegas que acreditam não merecer um sincero elogio pelo trabalho realizado ou quando recebe uma crítica que objetiva a construção coletiva por uma pedagogia mais humanizada.
Temos muitos homens públicos que não assumem responsabilidades perante suas decisões e colocam a culpa em outrem e, ao invés de promover uma melhoria da imagem política local, tão desgastada por disputas pessoais, perdem tempos preciosos com querelas e picuinhas que apenas abastecem o repertório de inutilidades.
Temos, ainda, uma mídia que alimenta rixas infrutíferas (como se houvessem rixas frutíferas) com pessoas que vivem do seu trabalho; que são coerentes com o que pregam e pensam; que não tem medo de errar e nem medo de ter seu passado execrado. Há, ainda, quem distribua aos quatro cantos ventos de maledicência.

Somos nossos maiores inimigos se assim pensamos, se assim agimos. É bom recordar sempre que o Universo, desde os micros-seres até os macro-cromos, é regido por uma ordem. E quando essa ordem é de alguma forma desrespeitada, somos nós que vamos responder. Não haverá um adversário para transferirmos a responsabilidade.
Tenhamos disso certeza absoluta.

ATÉ QUANDO?


Este é o retrato de Aisha, uma tímida jovem de 18 anos, que foi sentenciada pelo Talibã a ter seu nariz e orelhas cortados por fugir da casa da família do marido.

Reprodução

A revista americana Time traz na capa uma jovem, que teve as orelhas e o nariz cortados pelo Talibã.

A revista americana Time traz na capa da edição desta semana a fotografia de uma jovem afegã que teve as orelhas e o nariz cortados por desrespeitar as regras do grupo radical Talibã. A reportagem, que ilustra uma terrível situação vivida pelas mulheres no país, também defende a permanência das tropas americanas no local.


“Nossa capa desta semana traz uma imagem poderosa, chocante e perturbadora. É o retrato de Aisha, uma tímida jovem de 18 anos, que foi sentenciada pelo Talibã a ter seu nariz e orelhas cortados por fugir da casa da família do marido”, diz o editor-chefe da revista, que assina o editorial.



A reportagem conta a história da jovem que tentou deixar a casa onde vivia com marido e a família dele porque era tratada como escrava e apanhava constantemente. “Se ela não fugisse, morreria”, diz o texto.


Um comandante local do Talibã, no entanto, não se comoveu com a história e permitiu a barbaridade. “O cunhado de Aisha a segurou enquanto o marido dela cortou suas orelhas e o seu nariz”, explica a narrativa.

Segundo o editorial, o objetivo da reportagem é mostrar o tratamento que as mulheres recebem no Afeganistão e também “convencer os americanos sobre o que os Estados Unidos e aliados deveriam fazer no país”. A publicação apoia a permanência das tropas no país.

De acordo com a Time, atualmente Aisha é mantida em um local secreto, protegida por guardas armados e recebe dinheiro da ONG “Women for Afghan Women” (“Mulheres por Mulheres afegãs”, em tradução livre). Ela será levada aos Estados Unidos, onde passará por uma cirurgia de reconstrução de face, patrocinada por uma organização humanitária da Califórnia.


ATÉ QUANDO O MUNDO VAI PRESENCIAR CRIMES CONTRA O SER HUMANO, CONTRA A MULHER, ESPECIALMENTE, E CONTINUAR INDIFERENTE?
SERÁ QUE A CULTURA DE UM POVO ESTÁ ACIMA DA CARTA DOS DIREITOS HUMANOS?
O HOMEM AFEGÃ É MELHOR, SUPERIOR, MAIS IMPORTANTE QUE A MULHER?
ATÉ QUANDO?

COMEÇOU...






O IBGE começou os trabalhos do XII Censo Demográfico, que se constituirá no grande retrato em extensão e profundidade da população brasileira e das suas características sócio-econômicas e, ao mesmo tempo, na base sobre a qual deverá se assentar todo o planejamento público e privado da próxima década.

O Censo 2010 será um retrato de corpo inteiro do país com o perfil da população e as características de seus domicílios, ou seja, ele nos dirá como somos, onde estamos e como vivemos.

A fase preparatória da operação censitária teve início em 2007 e seus trabalhos foram intensificados a partir de 2008. A coleta está fixada para começar em 1º de agosto de 2010 e o início da divulgação dos resultados em dezembro do mesmo ano.


Dimensões do Censo 2010


Percorrer por inteiro um país como o Brasil, de dimensões continentais, com cerca de 8 milhões de km² de um território heterogêneo e, muitas vezes, de difícil acesso, é uma tarefa que envolve grandes números. Veja, a seguir, os números que mostram as dimensões do Censo 2010.


Universo a ser recenseado: todo o Território Nacional

Número de municípios: 5.565 municípios
Número de domicílios: aproximadamente 58 milhões de domicílios
Número de setores censitários: 314.018 setores censitários
Pessoal a ser contratado e treinado: cerca de 240 mil pessoas (coleta, supervisão, apoio e administrativo)
Orçamento previsto: R$ 1,4 bilhão
Tecnologia: centenas de computadores em rede nacional, rede de comunicação em banda larga e 220 mil computadores de mão equipados com receptores de GPS
Unidades executoras: 27 unidades estaduais, cerca de 7 mil postos de coleta informatizados e 1.200 Coordenações de Subárea.


NO LINK ABAIXO, um dos canais de divulgação do Censo 2010, você encontrará as principais informações sobre o andamento da pesquisa:

http://www.censo2010.ibge.gov.br/

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

03 DE AGOSTO DE 2010 – 365 ANOS DE VITÓRIA NO MONTE DAS TABOCAS









História da Batalha





Antecedentes da batalha:

Seis anos após Diogo de Braga ter fundado nosso povoado, exatamente no dia 15 de fevereiro de 1630, os holandeses atacaram Pernambuco. Vinham em busca do açúcar produzido aqui na Província. Três mil homens, bem armados, desceram na praia de Pau Amarelo e tomaram Olinda, na época capital de Pernambuco. Os nativos, aqueles nascidos em Pernambuco, juntos com os portugueses ofereceram desde o início forte resistência aos invasores holandeses. Através de um sistema bem estabelecido de guerrilhas e emboscadas, a população local manteve forte cerco aos invasores.



Para governar Pernambuco a Holanda enviou o Conde Maurício de Nassau. O Conde era um homem inteligente e culto. Ele soube manter um clima de paz e prosperidade em Pernambuco. Em 1644 Nassau foi obrigado a regressar à Holanda. Seus substitutos não tiveram a mesma capacidade administrativa e desagradaram aos luso-brasileiros. Revoltada, por razões religiosas, financeiras e políticas, nossa gente reiniciou e desta feita com mais vigor, o movimento para expulsar os holandeses.



Batalha:


Na manhã de três de agosto de 1945 as sentinelas brasileiras anunciaram a aproximação das modernas tropas holandesas, apoiadas pelos índios tapuias. Vieira reuniu seus soldados e a eles se dirigiu em tom resoluto proferindo fortes palavras: “a sorte da nossa causa depende deste primeiro combate”. A causa, era a libertação de Pernambuco.



Uma hora da tarde do dia 3 de agosto de 1645, deu se a grande batalha. Os luso-brasileiros, usando a tática de emboscadas, atacavam e recuavam, fugiam e investiam, atraindo e empurrando os invasores para dentro do tabocal. Resistindo e ludibriando os holandeses, nossos bravos soldados conseguiram atraí-los em direção ao alto do Monte, onde estava escondido o grosso da tropa, comandado por João Fernandes Vieira. Ferozmente caíram sobre o inimigo e após fortes combates, que duraram até ao anoitecer, nossos soldados conseguiram derrotar o inimigo que aproveitou a escuridão da noite e fugiu apavorado, abandonando armas, munições, feridos e mortos.



Narra a tradição, que durante os fortes combates, surgiu uma senhora com uma criança no braço, tendo ao lado um ancião barbudo com um cajado e eles, além de alento, forneciam armas aos nossos bravos soldados. De acordo com a crença popular, eram, Nossa Senhora com o Menino Jesus e Santo Antão. Essa mística narrativa, que só a fé justifica, explica a frase: “Em Tabocas, o céu e a terra se uniram para gerar o Brasil”.




Conclusão final:


No outro dia ao amanhecer, vendo que o inimigo havia realmente fugido, nossos bravos heróis de joelhos, agradeceram a Deus e à Virgem de Nazaré, e gritaram três vezes em alta voz: ‘Viva a fé de Cristo, e a liberdade. Vitória, vitória, vitória”. E logo o governador João Fernandes Vieira com o chapéu na mão, foi abraçando a todos os capitães e soldados, agradecendo-lhes e louvando-lhes o esforço e a coragem.



Nosso pequeno exército, em formação, constituído de homens descalços, sem armamentos adequados, lutando com amor, de peito aberto, derrotou as bem treinadas e bem armadas tropas holandesas. A batalha do Monte das Tabocas, foi um marco na campanha da insurreição e sem Tabocas, não haveria Guararapes. Em Tabocas, germinou em nossa gente, o sentimento nativista e de pátria, ali, originou-se o embrião do exército brasileiro. Tabocas, no dizer de Luis da Câmara Cascudo, “anunciava os longínquos Guararapes no batismo do sangue valente”. A luta contra os holandeses durou ainda, nove anos, terminando com as batalhas do Monte Guararapes, onde foram definitivamente derrotados.



Heróis





Gen. Francisco Barreto de Menezes



Não se sabe ao certo a sua origem. Provavelmente, nasceu no Peru, por volta de 1619, quando seu pai era comandante da Fortaleza do Calão. Tomou parte nas lutas pela restauração do trono português, unido à coroa espanhola desde 1580. Em 1647, foi nomeado pelo rei de Portugal como mestre de Campo General e investido no cargo de Comandante em Chefe das tropas luso-brasileiras. Chegando ao Brasil para assumir seu posto, foi aprisionado pelos holandeses e levado ao Recife, de onde, após nove meses de cativeiro, conseguiu fugir, em janeiro de 1648. Assumindo então o comando, conduziu as forças luso-brasileiras à vitória nas duas batalhas dos Guararapes. Faleceu em Portugal em 1688.



João Fernandes Vieira


Nasceu na Ilha da Madeira, por volta de 1610, vindo para o Brasil com cerca de 11 anos. Vivendo no Recife ocupado pelos holandeses, conseguiu, em pouco tempo, fazer fortuna, conquistando grande influência na Capitania. Com a partida do Governador Holandês em Pernambuco, a Companhia das Índias Ocidentais passa a exercer grande pressão sobre os brasileiros e portugueses que mantinham com ela relações de comércio. Neste momento, João Fernandes Vieira passa a integrar o movimento restaurador, ao lado de Vidal de Negreiros. Em 24 de junho de 1645, lança um manifesto ao povo, fomentando a revolta contra os holandeses. Comandou a batalha do Monte das Tabocas e participou das duas batalhas dos Guararapes. Conhecedor da região e dos hábitos dos flamengos, foi de grande importância no movimento restaurador. Coube a ele a honra de comandar as tropas luso-brasileiras que marcharam sobre o Recife, libertado em 27 de janeiro de 1654. Faleceu em 1681.



Sargento-Mor Antônio Dias Cardoso


Nasceu na Cidade do Porto - Portugal - e, desde 1624, prestou serviços ao Brasil, inicialmente na condição de soldado. Participou da Insurreição Pernambucana desde o seu início quando, secretamente, passou a atuar na Capitania de Pernambuco, sob as ordens de João Fernandes Vieira, na época, líder civil do movimento. Sua participação na Batalha do Monte das Tabocas foi decisiva para a derrota dos holandeses. Atuou também das batalhas dos Guararapes. Antônio Dias Cardoso infiltrou-se até a área de combate, motivando os luso-brasileiros para a luta; instruiu-os como soldados e organizou-os em tropas de pequeno efetivo. Essas, assim preparadas, rapidamente se incorporaram aos que lutavam pela causa brasileira.



André Vidal de Negreiros



Nasceu na Paraíba, no final do século XVI, ingressando no exército, ainda muito jovem. Promovido a Mestre de Campo foi encarregado de observar a vida da população brasileira sob o domínio holandês e os meios que o inimigo dispunha para a luta. De observador oficial, passou a coordenar a luta contra os holandeses, até a chegada do Mestre de Campo Barreto de Menezes. Lutou no Rio Grande do Norte e participou das duas batalhas dos Guararapes.



Em 23 de janeiro de 1654, recebeu os primeiros emissários holandeses encarregados de negociar a rendição. Após a assinatura da rendição de Campina do Taborda, em 1654, coube a ele a honra de ir a Lisboa participar ao Governo Real a notícia da vitória brasileira. "Não conhecemos nenhuma inferioridade em relação a quem em breve venceremos". "Saiam à campanha, onde faz longo tempo os esperamos". "Estejais certos de que nossa máxima é vencê-los ou morrer."



Henrique dias

Nasceu em Pernambuco, no final do século XVII, e faleceu em 1622. Filho de africanos libertos, juntou-se, em 1633, às forças de Matias de Albuquerque, Governador de Pernambuco, na luta contra os holandeses. Em 1636, passou a lutar utilizando a tática de guerrilhas, pequenos grupos que, queimando canaviais e organizando pequenos ataques, não davam trégua aos holandeses.Em 1637, teve participação decisiva na batalha de Porto Calvo, onde perdeu a mão esquerda. Recebeu a Ordem Militar de Cristo, a patente de cabo e governador dos crioulos, negros e mulatos da guerra de Pernambuco. Participou das duas batalhas dos Guararapes (1648-1649) e da retomada de Recife. Em sua homenagem, a tropa dos negros passou a chamar-se “Henriques”. Posteriormente, foram criados corpos de “Henriques” na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, passando a constituírem regimentos. A tradição dos regimentos de caçadores Henriques durou possivelmente até o primeiro Reinado.



Felipe Camarão



Nasceu no Rio Grande do Norte, por volta de 1580, e faleceu no Arraial Novo, perto de Recife, em 1648. Índio potiguara, converteu-se ao catolicismo e foi batizado com o nome de Antônio, ao qual ele acrescentou Felipe, em homenagem ao Rei da Espanha e Camarão que é a tradução de seu nome indígena Poti. Em 1630 passou a integrar as forças de Matias de Albuquerque, Governador de Pernambuco, centralizadas no Arraial de Bom Jesus, entre Recife e Olinda, contra o domínio holandês. Por seus feitos, foi-lhe concedido o título honorífico de Dom, a Ordem Militar de Cristo, e a função de Governador e Capitão-Mor dos índios da Costa do Brasil. Em 1648, comandou uma ala do Exército na 1ª Batalha dos Guararapes. Adoecendo ao fim da luta, devido a ferimentos da batalha, faleceu quatro meses depois.



Matias de Albuquerque

Nasceu em Olinda, Pernambuco, em 1590, e era irmão do donatário da Capitania de Pernambuco. Participou da primeira reação contra as tropas holandesas que desembarcaram em Recife, em 1630. Nessa época, chefiou pouco mais de mil luso-brasileiros, que enfrentaram cerca de sete mil holandeses. Diante da inferioridade numérica e de meios disponíveis, retirou-se com suas tropas para o interior, onde construiu uma fortificação, que ficou conhecida como Arraial do Bom Jesus. Esse local constituiu-se em base de operações para atuação das famosas “Companhias de Emboscada” que, com pequenos efetivos, desfechavam golpes mortais sobre os invasores, causando-lhes graves perdas, o que concorreu para gerar o pânico, que desmotivava os holandeses para a luta.



Monte das Tabocas:

Assumiu a liderança da resistência pernambucana o senhor de engenho, João Fernandes Vieira, então governador de Pernambuco. Após algumas derrotas, os holandeses resolveram prender o líder da resistência. Para escapar dos inimigos, João Fernandes Vieira, vivia se escondendo no interior e mudava de esconderijo constantemente.



Em junho de 1645 os holandeses armaram-se e saíram em perseguição a João Fernandes Vieira. Partindo do Recife, eles ingressaram por São Lourenço da Mata, em busca de Vieira, que procurou fugir do inimigo. Mudando sempre de esconderijo, nosso Governador terminou chegando ao Monte das Tabocas, assim chamado, por haver em suas encostas imenso tabocal.


Refugiado no Monte com seus soldados, João Fernandes Vieira, auxiliado pelo sargento-mor Antonio Dias Cardoso, experiente em guerrilhas de emboscadas, traçou um inteligente e perfeito plano de combate para resistir aos holandeses.





O MONTE


O Monte das Tabocas é uma área de aproximadamente 11 hectares, localizada no município de Vitória de Santo Antão, Pernambuco, que em 3 de agosto de 1645 foi palco de célebre batalha entre os luso-brasileiros e os holandeses. Os primeiros, liderados por Antônio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira, entrincheirados nas partes altas e protegidos pelos tabocais derrotaram os flamengos. Cumprindo a promessa feita por Fernandes Vieira, foi inaugurada no dia 3 de agosto de 1945, dia do tricentenário da Batalha das Tabocas, a Capela de Nossa Senhora de Nazaré, construída com pedras do local. Em 9 de novembro de 1978, foi assinada uma escritura de desapropriação de parte da área que circunda o espigão principal. Na época da batalha a vegetação era composta por imensos bambuzais, sinônimo de tabocais, daí o seu nome. Outra riqueza no local era o pau-brasil. Em 11 de março de 1986 o governo estadual homologou o tombamento do sítio histórico.


PARABÉNS A TODOS NÓS, PERNAMBUCANOS, VITORIENSES!









domingo, 1 de agosto de 2010

RELEMBRANDO OS FILMES DE FAROESTE





Por Lucivânio Jatobá



Era geralmente nas tardes de domingo que nos reuníamos à frente do Cinema. O programa consistia em assistir a mais um faroeste. Antes, trocávamos os almanaques ou figurinhas do álbum de jogadores brasileiros, comprávamos um saquinho de pipocas, com bastante sal, e um chocolate do peixinho, recoberto por um colorido papel de alumínio, que guardaríamos para "marcar" páginas de caderno escolar.

O Leão da “Metro”, de início, iria rugir na tela mágica do cinema. Que urro ensurdecedor, meu Deus! Era o início do espetáculo, do sonho... Naquelas tardes, poderiam surgir ali, diante de nós , meninos inquietos:

John Waine, no magnífico, A Diligência;

Joan Crawford em Jonhny Guitar;

Burt Lancaster, extraordinário, em Duelo de Titãs;

Quem sabe Clint Eastwood, enigmático, em Por um punhado de dólares...

Antes desses deuses despontarem naqueles momentos fugazes, ainda era apresentado o seriado de Batman - o Homem Morcego ou, talvez, o Cavaleiro Negro...

Na segunda-feira, de volta às aulas, teríamos muito assunto para a Hora do Recreio. Comentaríamos o capítulo do seriado, tentaríamos imitar, caboclamente, escondendo-nos atrás de um pilar ou de um muro baixo, a performance dos nossos heróis.

O barulho de tiros fictícios saía da nossa boca; um pouco adiante um amigo cairia, fingindo-se de morto, atingido por uma "bala" fatal disparada por aquele "dublê" de Burt Lancaster. Abriríamos as duas pernas, faríamos um V, e comemoraríamos a vitória, com o "revólver" imaginário, ainda fumegante, sendo colocado na cartucheira.


Retornaríamos à aula, onde a rígida e inesquecível professora, com uma varinha na mão, continuaria a falar da importância de Tiradentes para a nossa Pátria ou da "Guerra das Tabocas", em que o invasor holandês teria sido aniquilado nas terras de Santo Antão das Matas.

Já se passou tanto tempo... Mas ainda escutamos os gritos da meninada quando o mocinho acertava um "pele vermelha" ou matava um bandido feroz, com um tiro certeiro que lhe varava o peito. Politicamente incorreto? Quem sabe? Nem se falava nisso naqueles anos 1950/1960. Contudo, éramos bons meninos. Antes de "apreciar" na tela o genocídio dos índios, nós os católicos orávamos na missa e , num latim que não compreendíamos, pedíamos perdão pelos nossos "pecados" e pela paz. “Gracia plena”...


Agora, décadas depois, restam-nos a solidão e uma série de imagens materializadas em antigos cartazes que eram expostos na entrada dos cinemas de nossa infância. Há uma melancolia que nos devora pacientemente, sem pressa, enquanto aguardamos o por do Sol de nossa existência. Há uma lembrança que, a exemplo da chama de uma vela, começa a se apagar.

Claine Trevor, John Waine, Joan Crawford, Natalia Wood, Burt Lancastar, Gregory Peck, William Holder, Gary Cooper,Dean Martin, Clint Eastwood... Quem mais? A memória já não colabora... Por que não voltam? Estamos todos esperando por vocês nessa tarde de domingo do nosso delírio.

Procure rugir de novo, bravo Leão! Por favor, atenda-nos! Por favor... Já houve as três badaladas. Por favor, estamos aguardando. Há um "pele vermelha" à nossa espreita perto da árvore dos enforcados.

Temos pressa, o Sol está se pondo e logo será noite!




Crônica escrita na manhã do dia 1 de agosto de 2010.