terça-feira, 23 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
FELICIDADE GENERALIZADA




"Professor de Gravatá lançou livro de poesias no último sábado 20"
O lançamento foi bastante prestigiado pela sociedade gravataense e autoridades do município. O prefeito Ozano Brito e a primeira dama Maria Dulce participaram do evento.
Foi lançado na noite do último sábado (20/11) no salão 3S em Gravatá, o livro de poesias intitulado Primeiras Águas, escrito pelo professor da rede municipal de ensino, Ricardo Vieira. O lançamento foi bastante prestigiado pela sociedade gravataense e autoridades do município. O prefeito Ozano Brito e a primeira dama Maria Dulce participaram do evento e receberam livros autografados pelo autor.
Para Ricardo Vieira, o livro é um resumo de sua vida descrita em poesias, “Escrevo desde a adolescência e esse livro é a materialização de um sonho. O Primeiras Águas é um resumo de minha vida que transformei em poesias. É uma leitura que vale a pena ser feita”, disse o professor autor.
“Com certeza vou ler o livro Primeiras Águas. É uma honra para nossa cidade prestigiar o lançamento de uma obra escrita por um de nossos professores. Ricardo Vieira está de parabéns e eu mesmo antes de ler o livro indico a leitura a todos”, afirmou o prefeito Ozano Brito.
Em breve, com toda a certeza, estarei anunciando um novo lançamento do meu Livro de Contos, que tem nome temporário de “Uma Vida, Muitos Contos”, que já está editado. Cleto Campos, designer do Primeiras Águas está na expectativa de um novo trabalho juntos.
Obrigado a todos!
Obrigado aos amigos muito estimados que estiveram sempre comigo nessa empreitada: Gleizy, Cleto, Fernando que não arredaram os pés das margens das primeiras águas.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Antimatéria é capturada pela primeira vez

O ímã octupólo (foto acima) foi fundamental para aprisionar os átomos de antihidrogênio, tirando proveito de seus pequenos momentos magnéticos, já que o antihidrogênio não tem carga. Esta versão simplificada mostra como os pólos norte e sul de ímãs estrategicamente dispostos podem imobilizar um átomo neutro de antihidrogênio, cujo momento magnético equivale a uma minúscula barra magnética.[Imagem: Katie Bertsche]
Uma equipe internacional de cientistas conseguiu pela primeira capturar átomos de antihidrogênio - a antimatéria equivalente ao átomo de hidrogênio.
"Esta é uma realização fenomenal. Ela vai nos permitir fazer experimentos que resultarão em alterações dramáticas na visão atual da física fundamental ou na confirmação daquilo que nós já damos por certo," afirmou Rob Thompson, membro da colaboração ALPHA, instalada no CERN, na Suíça.
A corrida pela captura da antimatéria já durava 10 anos, em uma disputa entre as equipes ALPHA, que utiliza os laboratórios do CERN, e ATRAP, sediada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
A equipe ALPHA tem atualmente mais de 40 membros, de 15 universidades ao redor do mundo, incluindo os brasileiros Cláudio Lenz César, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Daniel de Miranda Silveira, atualmente no Laboratório Riken, no Japão.
Tanque de antimatéria
A quantidade de antimatéria aprisionada ainda é pequena, e não seria suficiente para alimentar os motores da nave Enterprise e nem para ameaçar o Vaticano, como no filme Anjos e Demônios.
Mas é o suficiente para que os cientistas comecem a estudar aonde foi parar a antimatéria que se acredita ter sido criada no Big Bang.
Foram aprisionados 38 átomos de antihidrogênio no "tanque de antimatéria" criado pelos cientistas, cada um deles ficando retido por mais de um décimo de segundo.
O resultado foi obtido depois de 335 rodadas do experimento, misturando 10 milhões de antiprótons e 700 milhões de antipósitrons. A antimatéria foi capturada durante 335 rodadas do experimento, misturando 10 milhões de antiprótons e 700 milhões de antipósitrons.
O rendimento no aprisionamento dos átomos de antimatéria ainda é baixo - por volta de 0,005% - mas os cientistas afirmam que estão trabalhando para elevá-lo. Na verdade, o artigo que descreve a pesquisa apresenta uma série de inovações que tornaram possível a realização do experimento - a maioria das quais mereceria um artigo científico à parte.
O experimento ALPHA (Antihydrogen Laser PHysics Apparatus) já havia feito história em 2006, quando os físicos conseguiram fazer uma reação química entre matéria e antimatéria, usando átomos de antihidrogênio para criar uma matéria híbrida.
Os primeiros átomos de antihidrogênio de baixa energia produzidos artificialmente - constituídos por um pósitron ou elétron de antimatéria, orbitando em um núcleo de antiprótons - foram criados lá mesmo, no CERN, em 2002.
Mas até agora tinha sido impossível isolá-los, e eles acabam se chocando com átomos de matéria normal, aniquilando-se em um flash de raios gama apenas alguns microssegundos depois de serem criados - algo que pode ser extremamente útil para a construção de um laser de raios gama.
Em um experimento não diretamente relacionado, realizado em 2005, um grupo de físicos conseguiu criar o positrônio, um átomo exótico, feito de matéria e de antimatéria: um elétron e um pósitron (anti-elétron) ligados um ao outro, mas sem um núcleo.
"Estamos chegando perto do ponto em que poderemos fazer algumas classes de experimentos sobre as propriedades do antihidrogênio," disse Joel Fajans, outro membro da equipe.
"Inicialmente, serão experiências simples para testar a simetria CPT, mas já que ninguém foi capaz de fazer esse tipo de medição em átomos de antimatéria até hoje, será um bom começo," explica o cientista.
Quaisquer diferenças entre o antihidrogênio e o hidrogênio, como diferenças no espectro atômico, violariam automaticamente a CPT, derrubando o Modelo Padrão da física de partículas e suas interações, e poderia explicar por que a antimatéria praticamente não existe no Universo hoje, apesar de ambas, matéria e antimatéria, terem sido criadas em quantidades iguais no Big Bang.
Para aprisionar a antimatéria, os físicos resfriaram os antiprótons e os comprimiram em uma nuvem com um tamanho equivalente à metade de um palito de dentes - 20 milímetros de comprimento e 1,4 milímetro de diâmetro).
Em seguida, usando uma técnica chamada autorressonância, a nuvem de antiprótons frios e comprimidos foi superposta a uma nuvem de pósitrons de dimensões semelhantes. Os dois tipos de partículas então se juntaram para formar o antihidrogênio.
Tudo isto acontece dentro de uma garrafa magnética, que prende os átomos de antihidrogênio. A armadilha magnética é um campo magnético especial, que usa um estranho e caríssimo ímã supercondutor de oito pólos - um octupólo - para criar um plasma mais estável.
"Atualmente nós conseguimos manter os átomos de antihidrogênio presos por pelo menos 172 milésimos de segundo - cerca de um sexto de segundo - tempo suficiente para nos certificarmos de que os apanhamos," disse Jonathan Würtele, outro membro da equipe.
De Agosto a Setembro de 2010, a equipe detectou um átomo de antihidrogênio em 38 dos 335 ciclos de injeção de antiprótons. Dado que a eficiência do detector usado é de aproximadamente 50 por cento, a equipe calculou ter capturado cerca de 80 dos vários milhões de átomos de antihidrogênio produzidos durante esses ciclos.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
EXCELENTE EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO

Aprovado
Não se sabe ao certo se é para rir ou para chorar o desfecho do processo que levou o deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca, a comprovar que é alfabetizado -condição necessária para o exercício do mandato.
O teste, que lhe foi aplicado na Justiça Eleitoral de São Paulo, consistiu de um ditado e da leitura de duas manchetes de jornal. Como diria o presidente Lula sobre o Enem, foi "um sucesso".
Muita gente deve ter torcido contra o desempenho de Tiririca. Havia a esperança, alimentada por suspeitas de fraude no seu registro como candidato, de que o comediante perdesse o mandato.
Difícil dizer, em todo caso, se, na ausência de Tiririca, seus substitutos seriam melhores do que ele. Como tantas outras candidaturas baseadas antes na celebridade pessoal do que em qualquer proposta séria de intervenção na vida parlamentar, Tiririca funcionou como um "puxador de votos" para uma legenda que não se importou com o estigma, feito de autodeboche e despreparo, que cercou o candidato.
O certo é que, qualquer que seja o seu grau de instrução, e embora confessadamente ignorante das atribuições que cabem a um deputado federal, Tiririca foi o grande êxito eleitoral da Câmara, tendo obtido 1,3 milhão votos.
Teria, sem dúvida, o sabor de um artifício jurídico a cassação de seu mandato. Eleito, não se sabe se por desfastio ou vontade de protesto, Tiririca talvez não seja mais nocivo, nem mais tosco, do que outros políticos não tão expostos quanto ele ao horror dos bem-pensantes.
Mais do que se preocupar com o nível de instrução de um deputado em particular, importa pensar de que modo, através da melhoria das condições educacionais de toda a população, e de mecanismos eleitorais menos propícios ao oportunismo e à fisiologia partidária, será possível fortalecer a atividade parlamentar no Brasil -cujo descrédito, mais do que qualquer outra coisa, a votação obtida por Tiririca reafirma.
SOMOS BURROS?

(Publicado em 12.11.2010 no Jornal do Commercio)
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse ontem que a discussão sobre o código florestal é burra e que os dois lados precisam ceder para que o debate sobre a biodiversidade avance. “Não dá para duelar, é preciso convergir”, disse a ministra em São Paulo, onde participa do Fórum Biodiversidade Brasil, promovido pela Syngenta e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. Segundo ela, “é preciso trabalhar a agropecuária e a agricultura sustentável sob outra perspectiva”.
Ambientalistas articulam a redação de um novo projeto de lei para reformar o Código Florestal, a ser votado no ano que vem. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) cobrou da Câmara dos Deputados a votação do projeto de lei do ainda este ano.
Ao destacar que no Brasil há muitas restrições na legislação, a ministra disse que é necessário avançar para agregar valor aos serviços ambientais. “Não dá para associar a discussão somente aos biohistéricos ou biodesagradáveis”, disse.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
COMEÇOU O XII EREA
OBJETIVO
Promover a capacitação de professores do ensino fundamental e médio e aproximar estes dos astrônomos profissionais e amadores da região. Apresentar métodos práticos de ensino de astronomia e também de astronáutica, doar aos participantes materiais didáticos de ensino de astronomia, doar lunetas às escolas participantes no evento, capacitar os professores para as observações astronômicas, etc.
HISTÓRICO
Nasceu no Ano Internacional de Astronomia (AIA), como um subprograma das comemorações do AIA. O responsável por este programa junto ao CNPq é o Dr. Jaime Fernando Villas da Rocha, membro do Comitê Brasileiro organizador do AIA. Por este programa podemos cobrir os gastos de passagens, hospedagens dos palestrantes e parte dos materiais de consumo.
Os sete primeiros EREAS foram organizados nas seguintes cidades e datas:
1.Foz do Iguaçu (PR), de 16 a 19 de setembro de 2009
2.Bauru (SP), de 24 a 30 de outubro de 2009
3.Sobral (CE), de 19 a 21 de novembro de 2009
4.Porto Alegre (RS), de 24 a 26 de março de 2010
5.Iepê (SP), de 21 a 24 de abril de 2010
6.Limoeiro do Norte (CE), de 16 a 19 de junho de 2010.
7.Caucáia, CE, de 18 a 21 de agosto de 2010, www.sbaa.com.br
8.Foz do Iguaçu, PR, de 21 a 25 de setembro de 2010
9.Toledo, PR, de 6 a 9 de outubro de 2010
Porém, já temos agendados os seguintes EREAS, nas seguintes cidades e datas:
2.São Carlos, SP, de 20 a 23 de outubro de 2010
3.Recife, PE, de 10 a 12 de novembro de 2010.
4.São Paulo, SP, de 21 a 24 de abril de 2011
PÚBLICO ALVO
Para o ERA o público alvo são os professores do ensino fundamental ou médio e alunos de licenciatura das áreas de ciências, geografia, física e ou matemática, ou qualquer professore que seja responsável pelo ensino dos conteúdos de astronomia e ou astronáutica em sua escola.
Os professores em exercício, contudo, em geral estão trabalhando nos períodos dos EREAs, logo é fundamental que a Secretaria Municipal de Educação libere estes professores de suas aulas durante o evento. Daí a importância fundamental de se reunir com o Secretário Municipal de Educação, mostrar a importância do evento para a capacitação dos professores e obter o empenho da Secretaria no sentido desta liberar e incentivar a participação dos professores das áreas de ciências, geografia, física, etc, que ministrem conteúdos de astronomia. Em geral fornecemos a lista de escolas participantes da OBA no município no qual vamos realizar um EREA e isto em geral ajuda a convencer o Secretário de Educação sobre importância de autorizar a participação dos professores, quer por serem muitas as escolas participantes da OBA, quer por serem poucas e com isso aumentar a participação de escolas na OBA.
GALILEOSCÓPIOS
No âmbito das comemorações do Ano Internacional de Astronomia, AIA, em 2009, o comitê brasileiro para estas comemorações, comprou 20.000 galileoscópios, com os recursos obtidos junto ao MCT/CNPq. Temos como objetivo doar uma luneta para cada escola representada nos EREAs, porém, fazemos questão de não apenas doar a luneta, mas sim que ela seja montada durante o evento e que seja testada e usada durante o evento. Por isso, sempre é preciso organizar uma “oficina especial”, para a montagem demais instruções de uso desta luneta. Nesta oficina é preciso deixar claro que é distribuída apenas uma luneta por escola, assim, se tiver dois ou mais professores de uma mesma escola, eles a montam juntos e ela deve ficar ao acesso de qualquer professor daquela escola.
GRAVATÁ NO XII EREA
O evento está sendo realizado no auditório do IFPE - Instituto Federal de Pernambuco (antigo CEFET) com a presença de diversos astrônomos amadores, professores e pesquisadores amantes da Astronomia. E em Gravatá existem pessoas interessadas em aprender e divulgar o ensino das ciências astronômicas e astronautas em sala de aula.
O Municipio enviou uma equipe de vinte professores, liderados pelo Professor Ricardo Vieira, que foi a ponte entre o EREA e os inscritos. Com o apoio da Secretária Rosa Melo, que gentilmente nos cedeu dois carros e com o total incentivo do Prefeito Ozano Brito, os professores estão se capacitando, em prol da sua melhoria pessoal e profissional.
Até sexta-feita, estaremos atualizando novas informações sobre a participação dos professores gravataenses nesse evento que sempre considerei imperdível.
Todo o resumo do que foi o EREA estarei postando em breve.
Aguardem!
O FUTURO DO BRASIL DEPOIS DE LULA
Nenhum avanço teria sido possível, nos últimos oito anos, sem a base construída até 2002. O combate à pobreza teria sido muito menos eficiente se a inflação desenfreada continuasse corroendo cada aumento salarial e cada centavo das políticas sociais.
Dilma deverá, portanto, enfrentar uma dupla tarefa, se não quiser condenar-se ao fracasso. Terá de afastar o risco de um retrocesso, preservando o tripé da estabilidade: uma política realista de metas de inflação, respeito à responsabilidade fiscal e câmbio flutuante.
Para manter esse rumo, Dilma terá de corrigir uma série de desvios. Precisará conter a expansão do gasto corrente, abandonar a demagogia com os salários do setor público, renunciar ao empreguismo e ao aparelhamento do governo. Deverá buscar a eficiência do setor público - inaceitável para a ideologia petista - e buscar o máximo retorno para cada centavo do orçamento.
Uma efetiva poupança pública será indispensável tanto para o crescimento seguro da economia quanto para a adoção de uma política anticíclica digna desse nome, como a adotada, por exemplo, no Chile: economizar em tempos de prosperidade para gastar nas fases difíceis.
Com o manejo responsável e eficiente do dinheiro público, realizar a decantada reforma tributária será muito mais fácil. Será necessária, naturalmente, uma complicada negociação com Estados e municípios, uma tarefa evitada, durante oito anos, pelo presidente Lula.
Se o próximo governo fracassar nesse item, por incompetência ou indisposição para missões difíceis, o empresário brasileiro continuará em séria desvantagem no jogo internacional. Mais que isso, poderá encontrar dificuldade crescente para competir e, portanto, para produzir e criar empregos. Todos os candidatos prometeram trabalhar por essa reforma. Nem a eleita, no entanto, detalhou a promessa nem disse como enfrentará a tarefa.
Se quiser garantir uma nova e prolongada prosperidade, Dilma deverá resistir à tentação de controle pessoal ou partidário da economia. Terá de renunciar à ideia de reestatizar empresas bem-sucedidas no setor privado e também ao uso de instrumentos de governo, como os bancos públicos, para operações promíscuas.
Não faltarão empresários dispostos a construir com o grupo governante esquemas de dominação econômica disfarçados de projetos nacionalistas. O germe de um capitalismo de compadrio e de favores já se instalou e prosperou nos centros de poder nos últimos anos. É tempo de combater esse germe, não só em benefício da economia, mas também do regime democrático.
A construção do futuro dependerá igualmente de um retorno à diplomacia realista e eficiente, guiada pelo interesse nacional bem compreendido e não por ilusões ideológicas dos anos 60.
domingo, 7 de novembro de 2010
DILMA AMPARA UM LANCE DE ESTELIONATO
"DUROU EXATAMENTE três dias a lorota da redução da carga tributária propagada pelo governo e pela oposição durante a campanha eleitoral. Dilma Rousseff foi eleita no domingo e, na quarta-feira, docemente constrangida, disse que "tenho visto uma mobilização dos governadores" para recriar o imposto do cheque, a falecida CPMF, derrubada pelo Congresso em 2007.
Se ela acreditava no que dizia quando pedia votos, anunciaria sua disposição de barrar a criação de um novo imposto. No entanto disse assim: "Não pretendo enviar ao Congresso a recomposição da CPMF, mas não posso afirmar... Este país vai ser objeto de um processo de negociação com os governadores".
Quando um repórter insistiu, ela se aborreceu: "Considero que essa pergunta já está respondida".
Nenhum deles, nem ela, teve a honestidade de defender a posição durante a campanha. Tentar empurrar a recriação da CPMF como coisa dos governadores é uma ofensa à inteligência do eleitorado que deu 55 milhões à doutora Rousseff.
Se ela começa o governo com tamanha passividade, vem coisa pior por aí. É preferível supor que a doutora soubesse da iniciativa, concordando com ela, desde que as cartas rolassem por baixo da mesa.
Dilma aceitou a enganação e perfilhará a ressurreição de um imposto derrubado pelo Congresso. Pior: um imposto em cascata, pois uma transação que envolve cinco cheques será taxada cinco vezes com a alíquota de 0,1%.
O apoio de Anastasia e a bancada do silêncio confirmam que o PSDB é capaz de tudo, menos de fazer oposição. Afinal, a CPMF foi criada e desvirtuada pela ekipekonômica tucana.
Em 2007, três governadores do PSDB trabalharam contra sua derrubada. O comissário José Eduardo Dutra assegura: "Todos, eu disse todos, os governadores são a favor da CPMF". Todos, inclusive Dutra, preferiram o lance de estelionato eleitoral."
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
CALEM A BOCA, NORDESTINOS!

A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.
Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.
Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.
Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.
E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!
Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?
Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.
Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…
Ah! Nordestinos…
Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!
Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!
Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!
Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Monteiro Lobato na Mira dos "Censores do Bem" do Ministério da Educação

Antonio Gomes da Costa Neto, o tal mestrando da UnB que, Deus do céu!, denunciou Monteiro Lobato, afirma em entrevista à Folha que ele não quer, não, censurar o autor. É que, segundo ele, “Os professores, no dia a dia, não têm o preparo teórico para trabalhar com esse tipo de livro. Então, não é que ele deva ser proibido. O que não é recomendado é a sua utilização dentro de escola pública ou privada.“
Ah, bom! É o mesmo argumento que se empregava na República Velha para tirar de milhões de brasileiros o direito de votar: eles seriam muito ignorantes para isso e fariam besteira. É o argumento que a censura empregava durante as ditaduras havidas no Brasil, seja a de Getúlio, seja a militar: falta capacidade às pessoas para discernir o bem do mal, e a exposição a material potencialmente nefasto lhes causará prejuízos. A esquerda adere aos argumentos que dizia servirem antes aos conservadores. Não é, como se nota, que ela fosse a favor da liberdade; apenas era contra a censura aplicada pelos adversários. Quando aplicada pelos aliados, tudo bem!
É um escárnio. Submete-se Monteiro Lobato a padrões, debates e proselitismos que estão postos hoje em dia, mas que não estavam dados então. É claro que não se descarta a possibilidade de um professor trabalhar em sala de aula a figura de Tia Nastácia — que, atenção!, é um dado da formação histórica, familiar, social e moral brasileira. Que seja, pois, tema de aula se for o caso. Proibir a obra ou meter nela uma tarja de “racista” é uma estupidez sem par.
Deverá agora “O Mercador de Veneza” vir com a advertência: “Cuidado! Obra anti-semita, só recomendável para quem está devidamente instruído sobre este assunto”. Ou, do mesmo Shakespeare, sobrepor à capa de “Othelo” algo assim: “Cuidado! Sugere-se que temperamento emocional e desequilibrado do protagonista pode estar relacionado à sua origem racial e mesmo à cor de sua pele”? Vai-se proibir Alexandre Herculano, em Portugal ou em qualquer lugar, ou apensar um tratado a seus livros advertindo para a possível manifestação de preconceito contra a fé islâmica? É o fundo do poço moral, a que não se chega sem uma dose cavalar de ignorância, preconceito às avessas, estupidez e, obviamente, patrulha ideológica.
Já contei aqui de um amigo articulista que foi “molestado” — sim, molestado moralmente! — porque, num artigo sobre economia, escreveu que via “nuvens negras” no horizonte. Quis saber o militante? “Nuvens negras? Como sinal de coisa ruim? Não pode! É racismo”. Desde a “Ilíada” pelo menos, de Homero, nuvens negras estão associadas a maus presságios, são prenúncios de acontecimentos aziagos — e os negros nem sequer haviam ainda entrado na história dita ocidental. Há nuvens negras em Machado de Assis, um autor… negro! Aliás, vejam vocês, esse autor também espelha em sua obra as relações sociais de seu tempo. Sem contar que, antes das tempestades, o céu costuma, efetivamente, enegrecer, não é?
Querem mandar Monteiro Lobato de volta para a cadeia, agora uma cadeia moral. Vou ver se encontro um pequeno ensaio que escrevi sobre sua obra, no tempo em que eu ainda escrevia sobre cultura — em vez de combater a “incultura” da política brasileira. Que o tal rapaz faça a sua “denúncia”, vá lá. Que um parecer bucéfalo seja aprovado por unanimidade no Ministério da Educação, aí já estamos no terreno da paranóia e da mistificação.
PS - E não me espanta que tal cretinismo tenha acontecido na gestão do ministro Fernando Haddad, este homem notoriamente incompetente, competentíssimo na arte de fingir competência. Em breve, Monteiro Lobato só poderá ser recomendando depois da leitura do livro “Emília, a boca de trapo, pede desculpas por todas as ofensas a Tia Nastácia”.
HUMILDES ESTATÍSTICAS DO NOSSO BLOG

Brasil: 836 visitas
Estados Unidos: 57 visitas
Portugal: 45 visitas (Essas foram da minha querida Amiga Wanessa e de sua familía. Espíritas de referência na minha vida.)
Letônia: 10 visitas (Letônia? Putz! Até lá o povo ler Primeiras Águas?)
Itália: 4 visitas (Essas foram de Ilzi Scamparinni. Risos.)
Peru: 3 visitas (Essas com certeza foram de Gleizy e João que estão por lá, comprando minhas lembranças. Vão esquecer, ouviram?!)
Dinamarca: 2 visitas (Deve ter sido da minha filha mais velha, a Déborah Lannai, que mora na Suécia, mas vive indo a Dinamarca com a Mãe.)
Arábia Saudita: 2 visitas (Acho que foi Ozama Bin Laden)
Argentina: 1 visita (Até los hermanos? Cai fora despeitado! Risos)
Além dos registros por países, a nova ferramenta possibilita você saber quais os textos mais lidos pelos seguidores e visitantes. Assim, temos os cinco textos mais lidos do blog:
O Professor, a Moral e a Ética Profissional.
12/06/2009, 1 comentário 1.008 Visualizações de página
Minhas Memórias no dia Mundial do Rock
13/07/2010 785 Visualizações de página
HOJE É MEU ANIVERSÁRIO
20/11/2009, 1 comentário 267 Visualizações de página
O mal e o bem são forças sobre-humanas?
21/09/2008 251 Visualizações de página
LULA PAGOU A DÍVIDA EXTERNA.
09/09/2010 226 Visualizações de página
Estamos partindo para novos desafios e superando as nossas limitações. Com o apoio dos amigos, colaboradores, seguidores e dos leitores fiéis, o Primeiras Águas vai se renovando a cada dia, amadurecendo, aprendendo a registrar o que importa realmente ser registrado.
VITÓRIA DE DILMA E AS MEDIDAS ANUNCIADAS

Para poupar Dilma, Lula deve antecipar corte de gastos e medidas de ajuste fiscal
Entre as medidas impopulares que presidente pode adotar estão reajuste menor para servidores do Judiciário
Balizado em alto índice de aprovação, Lula quer que equipe econômica apresente diagnóstico à assessoria da sucessora
POR
KENNEDY ALENCAR
FOLHA DE SÃO PAULO - BRASÍLIA
Governo e a equipe de transição discutem a adoção de novas medidas para conter a valorização do real.
Uma das medidas que podem ser tomadas é a desonerações para compensar setores que estão sofrendo mais com a sobrevalorização do real em relação ao dólar.
A adoção de medidas econômicas duras não significará cortar verbas de programas sociais e de obras do PAC. Auxiliares dizem que Dilma aumentará aos poucos investimentos em saúde, educação e segurança.
Como confirmou ontem um dos coordenadores da campanha de Dilma, o ex-ministro Antonio Palocci, há estudo para redução na meta de inflação. Hoje, o centro da meta é de 4,5%, com variação de dois pontos percentuais para cima e para baixo.
A ideia é fixar para 2012 uma meta na casa de 4%.
sábado, 30 de outubro de 2010
COMEÇOU A EXPO CARROS ANTIGOS 2010
A partir de hoje até o próximo dia 02 de Novembro, o Hotel Portal de Gravatá vai reunir mais de 150 exemplares de carros antigos. O encontro será a oportunidade perfeita para quem gosta das relíquias que fizeram sucesso nas décadas de 1950, 60,70 e 80. Haverá feira de peças e encontro de clubes e colecionadores do setor.
O Impala foi lançado em 1958, como a configuração de acabamento Top de linha da Chevrolet, rebaixando o acabamento Bel Air à posição intermediária de acabamento. O Belair, por sua vez, era o nome da versão Hard Top Coupe (falso conversível) dos Chevrolets fabricados de 1950 até 1952.
Impala 1958 conversívelO Impala de 1964 se caracteriza pelo design sóbrio e foi o último dos clássicos do modelo lançado em 1958. O sedã, que mais se assemelha a uma imensa banheira, entrou na década de 1960 como o automóvel mais vendido dos EUA e em 1965 bateu o recorde da indústria automobilística americana, com um milhão de unidades vendidas.
O Impala foi substituído como top de linha pelo Caprice, mas continou em produção até 1974, como modelo intermediário dentre os os Chevrolets grandes.
POR UM DIA!
Estamos a um dia da eleição.
Curiosamente, embora todos os institutos apontem uma vantagem relativamente folgada para Dilma Rousseff, parece que nem os petistas acreditam muito nisso. Não sei se as urnas reservam uma daquelas surpresas que desmoralizariam as pesquisas de modo acachapante — e noto que isso pode acontecer ainda que Dilma vença. O que sei, isto sim, é que o clima não é de confiança, de euforia. Não se repetem as certezas do segundo turno disputado por Lula em 2002 e 2006, contra dois bons candidatos: o próprio Serra e Geraldo Alckmin. E por que não?
Por que a desconfiança?
Porque muitos dos defeitos que os não-petistas vemos em Dilma são vistos também pelos petistas — incluindo aí boa parte da sua base eleitoral. O debate de ontem da Globo (ler post abaixo) o evidenciou mais do que qualquer outro. Sem poder fazer aquele jogo acelerado das acusações aos borbotões, sem muito espaço para satanizar o governo FHC e endeusar Lula, obrigada a dar algumas respostas minimamente objetivas, evidenciou-se o seu real tamanho. Foi uma candidata inventada por Lula e adotada pelo PT — e isso lhe garantia de saída um terço dos votos no Brasil. Mas não é do ramo. Fica tão à vontade no papel de política como, digamos, à vontade estava naquele seu terninho cinza com gorgorão na gola (é “gorgorão” aquilo? Não vou acordar Dona Reinalda para perguntar; ela não me perdoaria…).
Exerce com tal artificialismo seu papel que uma estranha avaliação passou a ser feita por alguns “analistas” depois de suas performances em debates: “Ah, não foi um desastre; então ela ganhou”. Notem o escândalo intelectual de tal formulação: aquela que pode ser a presidente da República é saudada como vitoriosa por não ser desastrada. Já sobre Serra se operava com um raciocínio mais ou menos contrário, mas não menos bucéfalo: “Ah, ele é muito melhor; então é preciso esmagá-la. Se não esmaga, então perde”. A isso chegou certa “inteligência” analítica brasileira: o que se sai melhor perde porque não massacra; a que se sai pior ganha porque não é massacrada.
A falta de raciocínio lógico é um dos desastres do nosso tempo. Eu atribuo isso a dois fatores: crise no ensino de matemática e falta de leitura. A pouca intimidade com os textos e a incapacidade de estabelecer relações entre fatores, distinguindo correlação de relação de causa e efeito, por exemplo, transformam qualquer cérebro num mingau. E tolices pavorosas vão se multiplicando. Uma das mais freqüentes ao longo da disputa eleitoral foi esta: “Se Dilma sair inteira, vence; se Serra não sair puxando os despojos, perde”. E poucos se dão conta de que o excesso de agressividade nem sempre é bem-recebido pelo telespectador. LIQUIDAR OS ARGUMENTOS DO OPONENTE NÃO É SINÔNIMO DE VENCER O DEBATE. Ontem, por exemplo, Serra vence e — e sem sangue. Mas volto ao leito.
Agora é diferente
As certezas das duas eleições anteriores vinham da aposta na figura de Lula, um debatedor competente, pouco importava as sandices que dissesse. Ontem, revi muitos trechos do debate de 2002, contra o próprio Serra. E duas coisas surpreendem: uma é a abismal quantidade de bobagens que disse o petista; a outra é a convicção com que as pronunciou. Dilma talvez seja até um pouco mais técnica do que seu mestre (desde que a gente se esforce um tantinho para entender o que ela fala), mas lhe falta o espírito que anima as palavras, o dito jogo de cintura. Num probleminha lá com o cronômetro, resolvido com grande habilidade por William Bonner, a gente viu um prenúncio de fúria. Quando o jornalista percebeu que a explicação técnica não contentaria a candidata, assumiu a culpa, comportou-se como um anfitrião humilde e decoroso e desculpou-se. Ela recobrou a frieza estudada e tentou um gracejo amistoso. Mas os petistas gelaram na cadeira.
Por que relato esse pequeno incidente? Porque ele é indicador de que ela parece sempre estar à beira de um descontrole: de um ataque dos nervos, de um ataque de fúria e, às vezes, de uma espécie de apagão. A fala é interrompida no meio, mais ou menos como se tivéssemos de aguardar o download de um arquivo muito pesado para a máquina.
As desconfianças que Dilma desperta e a memória do papelão exercido pelos institutos de pesquisa no primeiro turno — só o Datafolha quase acertou o resultado; os outros ficaram vergonhosamente longe — impõem esse comportamento cauteloso aos petistas. Os petralhas bem que vêm aqui encher o meu saco com suas antevisões gozosas, achando que vou atear fogo às vestes se Dilma ganhar. Mas sabem que o fazem mais por nervosismo do que por confiança.
A propósito e já encerrando: caso Dilma vença a disputa, trabalharei normalmente na segunda-feira. Caso o vitorioso seja Serra, trabalharei normalmente na segunda-feira. O meu blog não existe porque este e aquele disputam eleição. Ou meu blog não existe porque este ou aquele ganha a eleição. O meu blog existe porque existem os leitores, e são muitos milhares, que querem ler o que escrevo. Entenderam, petralhas? Aliás, petralhas, vocês são a prova disso porque não saem daqui! Talvez o seu ódio seja quase tão fiel quanto o afeto dos que gostam desta página. E podem ficar tranqüilos: não lhes darei folga, pouco importa quem seja o vencedor. Porque, seja lá quem for o futuro presidente, estou certo de que vocês continuarão a assombrar o bom senso, o bom gosto e a boa educação!
Corisco não se entrega! Só na morte, de parabelo na mão! Se e quando Dilma ganhar a eleição, escreverei: “Dilma ganhou a eleição”. Antes? Nem pensar! Isso quem faz é o Marcos Coimbra.
Por Reinaldo Azevedo
ÚLTIMO DEBATE ENTRE DILMA E SERRA

Acompanhei o debate entre José Serra e Dilma Rousseff no Twitter. Muita gente reclamou que estava frio demais. Eu mesmo cheguei a brincar que a melhor coisa até o momento em que escrevia era o sorvete de crocante com café que Dona Reinalda havia trazido pra mim. Brincadeira à parte, o fato é que um debate como o da Globo pode até ser mais chato para quem é entusiasmadamente Serra ou Dilma — e, pois, vibra quando um desfere uma porrada no outro —, mas é muito mais útil para deixar claro o que pensam os candidatos sobre determinados temas.
O tal confronto direto, escolha feita por Band, Record e Rede TV, não funcionou. A razão é simples: os dois candidatos, que não são burros, resolveram usar o tempo da tréplica para dar estocadas no adversário, quando o outro não tinha tempo para reagir. O formato escolhido pela Globo inibiu esse expediente. Afinal, Dilma não tinha de responder para Serra; Serra não tinha de responder para Dilma. Ambos se deparavam com eleitores de verdade, com quem eram obrigados a dialogar. Fugir da questão para falar o que lhes desse na telha, a exemplo do que se viu nos outros encontros, seria desastroso. E foi aí que Dilma se deu mal.
A frieza do encontro, onde a troca de acusações acabaria soando como indesculpável indelicadeza, foi pior para Dilma. Recorrer à tática de elencar as conquistas do governo Lula, como ela até ensaiou fazer, mais exporia a sua fragilidade do que evidenciaria competência. Dilma gaguejou muito, demonstrou insegurança e não conseguiu passar aquilo que seu programa tanto vende: a imagem da pessoa segura e competente. A petista fez um intenso trabalho de “media training”. Mas foi treinada para brigar, não para responder com serenidade. De fato, há uma coisa curiosa, que se revelou neste debate também: Serra sempre foi muito melhor do que o seu pouco mais que sofrível programa no horário eleitoral; e Dilma sempre foi muito pior. Isso nos diz duas coisas: o melhor candidato teve a pior propaganda. E vice-versa.
Ninguém deu qualquer resposta espantosa ou inusitada. A diferença fundamental entre ambos foi de postura, de clareza, de segurança. Ele esteve mais “presidencial”, com fala mais segura e fluente, idéias mais claras, raciocínio mais inteiro. Vai mudar alguma coisa? Não tenho a menor idéia. Será o suficiente para lhe garantir a vitória? Também não sei. Se a diferença for mesmo aquela que apontam os institutos de pesquisa, é difícil que o tucano consiga vencer a distância; se for a do tracking do PSDB, as chances são grandes; se for a do tracking do PT, elas são boas — no partido, há gente com muita raiva do próprio levantamento; prefere o que dizem os institutos, coisa inédita na história das eleições.
Ontem, sem poder esbravejar, sem poder lançar acusações ao vento, sem poder satanizar o governo FHC, Dilma se mostrou ao público quase como é: uma invenção de Lula que quase tem idéias mais ou menos claras sobre quase tudo. Se existem indecisos de verdade e na hipótese de que o sentido das palavras tenha alguma relevância, o contraste foi favorável ao tucano.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
A TERRA EM CONVULSÃO

Publicado no Diário de Pernambuco, 30 de outubro de 2010.
"O ano de 2010 não será esquecido facilmente. Pelo menos para os haitianos e os chilenos. Às 16h53, na terça-feira, 12 de janeiro, um violento terremoto, que atingiu a magnitude 7,0 (Escala Richter) quase destruiu por completo a capital haitiana, Porto Príncipe. Aproximadamente 200 mil pessoas perderam a vida. Às 3h34, no sábado, 27 de fevereiro, outro violentíssimo sismo, com magnitude de 8,8(!), sacode as terras chilenas, sobretudo a cidade de Concepción. Neste caso, mesmo com essa intensidade fantástica, o terremoto deixou um saldo bem menor de vítimas fatais (menos de 1000 pessoas).
Por que a superfície terrestre, vez por outra, treme como uma geleia num prato, quando movimentado? Por que nem todas as áreas da crosta terrestre sofrem abalos sísmicos?




