Livro Primeiras Águas - Poesias

Este é o livro I da série Primeiras Águas.

Campanha Gravatá Eficiente

Fomentando uma nova plataforma de discussão.

A Liberdade das novas idéias começa aqui.

domingo, 30 de agosto de 2009

A FORÇA QUE DOMINA A VIDA




Entre o aprendiz e o orientador se estabeleceu precioso diálogo:
- Mestre, qual é a força que domina a vida?
- Sem dúvida, o amor.
- Este poder tudo resolve de pronto?
- Entre as criaturas humanas, de modo geral, ainda existem problemas, alusivos ao amor, que demandam muito tempo a fim de que se atinja a solução no campo do entendimento.
Querendo compreender melhor, o aprendiz continua:
- E qual o recurso máximo que nos garante segurança entre as desarmonias do mundo?
- A fé.
- Pode a fé ser obtida de um momento para o outro?
- Não é assim. A confiança reclama edificação vagarosa no curso dos dias.
- A que nos cabe recorrer para que se nos conservem o ânimo e a alegria de servir entre os conflitos da existência?
- A paz.
- E a paz surge espontaneamente?
- Também não. Ninguém conhece a verdadeira paz sem trabalho, e todo trabalho pede luta.
- Então, mestre, não existe elemento algum no mundo que nos assegure benefícios imediatos?
- Existe.
- Onde está esse prodígio, se vejo atritos por toda parte na terra?
O mentor fez expressivo gesto de compreensão e rematou:
- Filho a única força capaz de nos proporcionar triunfos imediatos, em qualquer setor da vida, é a força da paciência.

As Mais Belas Parábolas de Todos os Tempos – Vol. III –Alexandre Rangel

ANISTIA - 30 ANOS. IMAGENS FALAM POR SÍ...










































































































PARTIDO VERDE FESTEJA A FILIAÇÃO DA SENADORA MARINA SILVA



Com o apoio de grandes líderes como a filha de Chico Mendes - Elenira Mendes - e Fernando Gabeira, deputado federal, a Senadora Marina Silva assina a ficha de filiação ao PV.
A filiação foi acompanhada por um coro que gritava:
"Brasil, urgente Marina presidente".

Acredita-se que este foi o ato incial para uma candidatura à Presidência da República em 2010. SERÁ?

O Presidente do PV, José Luiz Penna, afirmou:

"Se a senadora quiser, será candidata, será certamente. Mas vamos esperar o momento dela, a firmeza dela, para fazer isso."

Dilma, Serra e Aécio... Ela veio para preocupar vocês e abrir mais opções para os Brasileiros.

Um Dia Depois com Lucivânio Jatobá






Não pretendo fazer uma falação calcada em otimismo demagógico, nem discutir as conhecidas dificuldades que entremeiam o nosso caminho. Gostaria mais de falar de eixos norteadores de minha tentativa pessoal de contribuir na construção de uma sociedade justa e solidária: são eles a responsabilidade, o compromisso, a esperança e o amor.

São palavras um tanto quanto desgastadas pelo seu uso constante em discursos de toda a espécie. Todavia, têm para mim um significado muito além desta dimensão: são verdadeiramente os pontos cardeais que utilizo para não me deixar prender pelos nós do mau uso delas.

A responsabilidade é aquela premissa de estar sempre buscando a coerência entre a teoria e prática, entre o dito e o feito, entre o querer e o fazer. É ela que me faz ser meiga e dócil no trato com alunos e colegas, por entender que as relações de aprendizagem e de trabalho precisam ser prazerosas e gentis para serem frutíferas.

É ela também que me faz vencer uma enorme timidez para expor as coisas em que acredito. É dela que retiro forças para vencer a temeridade de calar, quando seria fácil – e até cômodo – ficar quietinho no canto. Ela me faz falar e brigar, como se nem fosse eu mesmo. Também me faz vencer o cansaço, em noites que me debruço sobre livros. Com ela transformo, não sei por que magia, as 24 horas do dia em muitas, muitas mais que eu possa entender ou explicar!

A responsabilidade de me fazer exemplo para alunos conseguiu alterar a calma e mansa forma de olhar o mundo, que me legou a minha educação familiar para uma forma mais ativa e crítica de analisar o que me rodeia. Por causa dela, perdi um pouco da ingenuidade no julgamento dos fatos e me percebi aprendendo a espiar o que há por trás deles.

E aí ela se acorrentou ao compromisso: o que antes era certo porque diziam ser certo, passou a ser a fonte do querer descobrir. O que se declarava ser sacerdócio, abnegação, transformou-se em luta, em engajamento não mais solitário, mas essencialmente coletivo. O compromisso não é um ato individual, é uma postura social e política.

Ele exige uma expansão que extrapola nossa dimensão, porque quer mais e só sobrevive se nos dispusermos a fazer crer no que cremos, mais e mais pessoas. Está diretamente ligado à competência profissional e pessoal de crescer, de aprender mais, de lutar mais para transformar em melhor aquilo que fazemos e vivenciamos.

Mas não me basta só isto. Para poder levar avante o compromisso com responsabilidade, não abro mão de cultivar a esperança. Não aquela esperança frouxa de que vai acontecer, mas a esperança como aquela de quem sabe faz a hora e não espera acontecer.

Partilho da mesma esperança de Paulo Freire em sua Pedagogia. É uma esperança que se constrói, na certeza de que é possível. Ela me sustenta na superação de dificuldades e me impulsiona rumo ao futuro. Ela me emociona com pequenas vitórias e não me deixa desiludir nos fracassos. Com a esperança, me resgato dos 36 anos vividos e me torno mais disposto a perseverar. Ela me dá a coragem de arrancar de cada tropeço, um impulso para frente e não para o chão.

E aí, vem o amor. Não é um amor piegas, nem um amor de mão única. É um amor que me dá asas à imaginação e me faz ver o mundo sempre colorido, mesmo quando o dia é cinzento e chuvoso. É a base do meu dia-a-dia, é unificador de minhas convicções e o meu próprio perdão aos meus desacertos. É o meu elo com todos os outros, superando desafetos, diferenças, incompreensões.



Com estes parâmetros construí minha práxis pedagógica. Retirei deles a convicção de que a Geografia seria o meu caminho para fazer Educação. Através deles vislumbro uma Geografia que não é só localizar e nem apenas explicar fatos ou fenômenos geográficos, mas é concretizar uma ação transformadora da/na sociedade.

Não acredito numa Geografia fria de conceitos bem ou mal formulados. Acredito numa Geografia que canta ou murmura em rios que se salvam de ações de uma sociedade imediatista e sem um planejamento sério e compromissado com o amanhã; vibra e vive com mulheres e homens de qualquer classe, raça, crença, sexo, nacionalidade ou convicção política; ri e chora com companheiros vivos ou inertes deste Planeta Azul.

Creio numa Geografia que se faz com crianças, jovens e adultos, sem aquela decoreba sem graça que não conduz a nada, sem aquele desfiar inútil de números estatísticos e de nomes sem nenhum significado, porque são descontextualizados.

Acredito que a Geografia permite fazer a leitura do mundo muito além do simples ato de codificar ou decodificar símbolos alfabéticos: ela nos permite ler na observação dos astros do Universo que nos rodeia, nas montanhas que se elevam ou nos mares que se prolongam até ao horizonte, nos vales ensombrecidos, nas florestas decapitadas pelos homens, no trigo que brota na fábrica que apita e solta fumaça no ar, nos homens de ombros caídos e na fala dos seus dirigentes. Ela não só nos conta as coisas, mas nos permite pensar, ao analisá-las, em como mudá-las, uma vez que estamos todos nelas inseridos.

Para fazer esta Geografia, acredito numa metodologia de prazer que inclua leituras, pelo simples prazer de ler e buscar saber como outros constroem seu conhecimento, verificando as diferentes "verdades" que cada autor produz.

Proponho uma Geografia que se aproprie do prazer de jogos inocentes que possibilitam testar convicções sem disparar o terror das perguntas, nas quais não cabem certezas para errar, nem erros para acertar, apenas tentativas para medir conhecimento com zero ou dez, certo ou errado.

Quero uma Geografia que use a música, a história em quadrinhos, o filme, a poesia, a dramatização, a observação e o diálogo. Gosto de textos em que o autor conversa comigo e não daqueles que falam com a própria ciência. Prefiro rir com o professor que me mostra o mundo como gente ou me provoca ao mostrar o homem como lobo do próprio homem.

Não quero fazer Geografia insossa de aspectos físicos, humanos e econômicos, como se o homem não fizesse parte da natureza e o econômico não fosse produzido pelo humano. Quero a Geografia una, inteira, aquela que me conta como a Terra é um organismo vivo que precisamos cuidar para as futuras gerações, nossos netos, bisnetos, tataranetos e seus descendentes.

Penso que o papel do professor de Geografia na formação de uma sociedade crítica não precisa ser de um cavaleiro do Apocalipse, duro e cruel. Não vejo a necessidade de amargura ou de pseudo-seriedade sem alegria e prazer.

A crítica não se faz com critiquice, mas com a capacidade de análise e de reinvenção do que precisa mudar. Se não for assim, de que me vale o futuro? Se não creio na mudança para o melhor, talvez devesse me calar e não ser professor.

De que vale um mestre que não crê que a aprendizagem é um ato de amor e não tem limites? Que compromisso há em discutir o que não se acredita que pode mudar? Para que aprender? Para sofrer ou para viver? Prefiro não fechar os olhos para a realidade, mas fitá-la com toda a intensidade, para perceber onde está seu brilho e fazê-lo incidir sobre suas sombras. Quem sabe assim, a Geografia possa justificar melhor sua existência como ciência e como parte dos estudos escolares.

sábado, 29 de agosto de 2009

Mensagem de uma Amiga



Conta a lenda que uma vez uma serpente começou a perseguir um vagalume.


Este fugia rápido, com medo da feroz predadora e a serpente nem pensava em desistir. Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada....
No terceiro dia, já sem forças o vagalume parou e disse à cobra:
- Posso lhe fazer uma pergunta?
- Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou te devorarmesmo, pode perguntar.
- Pertenço a sua cadeia alimentar?
- Não.
- Eu te fiz algum mal?
- Não.
- Então, por que você quer acabar comigo?
- Porque não suporto ver você brilhar!
"Pense nisso, muitas pessoas não aguentam ver seu brilho, então, selecione bem as pessoas em quem confiar."
Porventura sabes tu como Deus as opera, e faz resplandecer a luz da sua nuvem? (Jó 37:15)
Que Deus te abençoe,
Andreia.
Nota do Blogueiro:
É por ter conhecimento de pessoas como Andreia (Professora do Travessia em Chã Grande) que ainda acredito que o mundo pode ser preenchido por homens e mulheres de boa vontade, de Cristianismo. Conhecemos dezenas de pessoas - no meio Educacional - que são infelizes que querem ver a infelicidade do outro. Uns não suportam ver você simplesmente SORRIR. Outros não aguentam saber que você tem amigos, mesmo que não comunguem da mesma ideologia política. E, claro, tem aqueles que simplesmente querem sua morte (num sentido menos obscuro) pelo simples fato de você ser reconhecidamente competente para determinadas tarefas que elas provam não ser...
Andreia,
Meu muito obrigado pela mensagem. Você não sabe como ela me caiu bem neste dia de Sábado, 29 de Agosto. Que Deus lhe abençõe também, na medida em que você deseja para mim. E na esperança que os Professores, os Homens e Mulheres possam um dia se reconhecerem como "Cristãos", continuo seguindo o conselho de Jesus:
Brilhe a Vossa Luz.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

NASA marca lançamento do Discovery para sexta-feira



A NASA pretende lançar o ônibus espacial Discovery a partir da 0h22 de sexta-feira, 28, horário da Costa Leste dos EUA. O lançamento previsto para a madrugada esta quarta-feira, 26, foi adiado depois que técnicos encontraram sinais de defeito em uma das válvulas que regula o fluxo de combustível para os motores da nave.

Os gerentes da missão realizarão uma reunião na quinta-feira, 27, para discutir os resultados da operação de conserto e decidir se a tentativa de lançamento prossegue.






O Discovery deverá passar 13 dias ligado à Estação Espacial Internacional (ISS), para entregar suprimentos e equipamentos. Astronautas realizarão três caminhadas espaciais, em atividades de manutenção da ISS e para recolher experimentos científicos expostos ao vácuo.

Suplicy levanta cartão Vermelho e pede para Sarney Sair




'O meu cartão é branco, o da paz', diz Sarney

Um dia após protesto de Suplicy com cartão vermelho, presidente do Senado tenta dar clima de normalidade.
Eu não usaria nem cartão vermelho nem cartão branco, até porque estas duas cores juntas só cabe para turma da barbie.
Eu daria "Bola Preta para Sarney e Bola Branca para Eduardo Suplicy", como o grande radialista Sami Abou Hana.


A VIA LÁCTEA - Olavo Bilac

Parte XIII


"Ora (direis) ouvir estrelas!
Certo Perdeste o senso!"E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...


E conversamos toda a noite, enquanto
A via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.



Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"



E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".


terça-feira, 25 de agosto de 2009

TELESCÓPIO DE GALILEU FAZ 400 ANOS




Há exatos 400 anos, em 25 de agosto de 1609, Galileu Galilei apresentava ao mundo o telescópio, sua mais nova invenção. Apesar de a data passar despercebida para muitos, trata-se de um dos mais importantes avanços tecnológicos da história. Não à toa, desde ontem, o Google mudou seu logotipo para homenagear a descoberta do astrônomo italiano – primeira pessoa a observar a Lua através de um telescópio.



A invenção foi um aperfeiçoamento de uma luneta patenteada em outubro de 1608 pelo holandês Hanz Lipperhey. Decidido a aprimorar o objeto, Galileu conseguiu, em menos de um ano, criar um telescópio de trinta aumentos que permitiu que fizesse inúmeras descobertas a respeito do espaço– e o colocou em muitos problemas com a Igreja.

Nascido em Pisa, no dia 18 de Fevereiro de 1564, Galileu Galilei ingressou aos 17 anos na faculdade de medicina, que abandonou para estudar e ensinar matemática. Tornou-se professor na Universidade de Pisa em 1589, e foi lá que se aprofundou em astronomia e nas teorias vigentes na época.

Ao observar o espaço com seu telescópio, Galileu percebeu que a crença de que a Terra era o centro do universo, um planeta singular ao redor do qual o Sol girava, estava completamente errada. Além de comprovar a tese de Nicolau Copérnico, que colocava a Terra girando ao redor do Sol, Galileu percebeu que ela era apenas mais um corpo celeste, entre tantos que existiam no espaço. O italiano também registrou uma série de fenômenos e características dos astros até então desconhecidas, como as Luas de Júpiter e os anéis de Saturno (na época, apesar de localizá-los, não pôde distinguir o que eram os objetos encontrados).

Em 1613, as descobertas de Galileu começaram a colocá-lo em situação delicada com a Igreja. Em seu livro Cartas sobre Manchas Solares, ele se pronuncia a favor da teoria de Copérnico. Alguns anos depois, julgado pelo Tribunal do Santo Ofício, foi proibido de divulgar ou ensinar suas idéias.

Desobedecendo às ordens, Galileu lança o livro Diálogo. Como resultado, em 1633, foi obrigado a se retratar formalmente por seus “erros” e, condenado por heresia, passou o resto da vida cumprindo prisão domiciliar em sua casa, em Sienna. Em 1638 Galileu ficou totalmente cego e faleceu dia 9 de janeiro de 1642.





O Telescópio (foto acima)

O telescópio de Galileu tinha uma lente de vidro convexa numa extremidade do telescópio, refractando os raios de luz, para serem aproximados e focalizados numa nítida e precisa imagem ao contrário, ampliada, na outra extremidade. Este princípio ainda hoje é utilizado em telescópios pequenos e em binóculos.

domingo, 23 de agosto de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

Trabalho - Um tema para arqueólogos

Por Eduardo Galeano

Desde 1919, foram assinados 183 convênios internacionais que regulam as relações de trabalho no mundo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, desses 183 acordos, a França ratificou 115, a Noruega 106, a Alemanha 76 e os EUA...14. O país que lidera o processo de globalização só obedece suas próprias leis. E assim garante suficiente impunidade às suas grandes corporações, que se lançam à caça de mão-de-obra barata e à conquista de territórios que as indústrias sujas possam contaminar ao seu bel prazer.
A cada semana, mais de noventa milhões de clientes acorrem às lojas Wal-Mart. Aos seus mais de novecentos mil empregados é vedado filiar-se a qualquer sindicato. Quando um deles tem essa idéia, passa a ser um desempregado a mais. A vitoriosa empresa, sem nenhum disfarce, nega um dos direitos humanos proclamados pelas Nações Unidas: a liberdade de associação. O fundador da Wal-Mart, Sam Walton, recebeu em 1992 a Medalha da Liberdade, uma das mais altas condecorações dos Estados Unidos.
Um de cada quatro adultos norteamericanos e nove de cada dez crianças comem no McDonald´s a comida plástica que os engorda. Os empregados do McDonald´s são tão descartáveis quanto a comida que servem: são moídos pela mesma máquina. Também eles não têm o direito de se sindicalizar.
Na Malásia, onde os sindicatos de operários existem e atuam, as empresas Intel, Motorola, Texas Intruments e Hewlett Packard conseguiram evitar esse aborrecimento, graças a uma gentileza do governo.
Também não podiam agremiar-se as 1901 operárias que morreram queimadas na Tailândia, em 1993, no galpão trancado por fora onde fabricavam os bonecos de Sesame Street, Bart Simpson e os Muppets.
Durante sua disputa eleitoral, Bush e Gore coincidiram na necessidade de continuar impondo ao mundo o modelo norteamericano de relações trabalhistas. “Nosso estilo de trabalho”, como ambos o chamaram, é o que está determinando o ritmo da globalização, que avança com botas de sete léguas e entra nos mais remotos rincões do planeta.A tecnologia, que aboliu as distâncias, permite agora que um operário da Nike na Indonésia tenha de trabalhar cem mil anos para ganhar o que ganha, em um ano, um executivo da Nike nos EUA, e que um operário da IBM nas Filipinas fabrique computadores que ele não pode comprar.
É a continuação da era colonial, numa escala jamais vista. Os pobres do mundo seguem cumprindo sua função tradicional: proporcionam braços baratos e produtos baratos, ainda que agora produzam bonecos, tênis, computadores ou instrumentos de alta tecnologia, além de produzir, como antes, borracha, arroz, café açúcar e outras coisas amaldiçoadas pelo mercado mundial.
Desde 1919, foram assinados 183 convênios internacionais que regulam as relações de trabalho no mundo. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, desses 183 acordos, a França ratificou 115, a Noruega 106, a Alemanha 76 e os EUA...14. O país que lidera o processo de globalização só obedece suas próprias leis. E assim garante suficiente impunidade às suas grandes corporações, que se lançam à caça de mão-de-obra barata e à conquista de territórios que as indústrias sujas possam contaminar ao seu bel prazer. Paradoxalmente, este país que não reconhece outra lei além da lei do trabalho fora da lei, é o mesmo que agora diz: não há outro remédio senão incluir “cláusulas sociais” e de “proteção ambiental” nos acordos de livre comércio. Que seria da realidade sem a publicidade que a máscara?Essas cláusulas são meros impostos que o vício paga à virtude, debitados na rubrica Relações Públicas, mas a simples menção dos direitos trabalhistas deixa de cabelo em pé os mais fervorosos advogados do salário da fome, do horário de elástico e da livre despedida. Quando deixou a presidência do México, Ernesto Zedillo passou a integrar a diretoria da Union Pacific Corporation e do consórcio Procter & Gamble, que opera em 140 países. Além disso, encabeça uma comissão das Nações Unidas e divulga seus pensamentos na revista Forbes: em idioma tecnocratês, indigna-se contra “a imposição de estândares laborais homogêneos nos novos acordos comerciais”. Traduzido, isso significa: lancemos de uma vez na lata do lixo a legislação internacional que ainda protege os trabalhadores. O presidente aposentado ganha para pregar a escravidão. Mas o principal diretor-executivo da General Electric se expressa com mais clareza: “Para competir é preciso espremer os limões”. Os fatos são os fatos.Diante das denúncias e dos protestos, as empresas lavam as mãos: não fui eu. Na indústria pós-moderna, o trabalho já não está concentrado. Assim é em toda parte e não só na atividade privada. As três quartas partes do carro Toyota são fabricadas fora da Toyota. De cada cinco operários da Volkswagen no Brasil, apenas um é empregado da Vokswagen. Dos 81 operários da Petrobrás mortos em acidentes de trabalho nos últimos três anos, 66 estavam a serviço de empresas terceiristas que não cumprem as normas de segurança. Através de trezentas empresas contratadas, a China produz a metade de todas as bonecas Barbie para as meninas do mundo. Na China há sindicatos, sim, mas obedecem a um estado que, em nome do socialismo, ocupa-se em disciplinar a mão-de-obra: “Nós combatemos a agitação operária e a instabilidade social para assegurar um clima favorável aos investidores”, explicou recentemente Bo Xilai, secretário-geral do Partido Comunista num dos maiores portos do país.
O poder econômico está mais monopolizado do que nunca, mas os países e as pessoas competem no que podem: vamos ver quem oferece mais em troca de menos, vamos ver quem trabalha o dobro em troca da metade. À beira do caminho vão ficando os restos das conquistas arrancadas por dois séculos de lutas operárias no mundo.Os estabelecimentos moageiros do México, América Central e Caribe, que por algo se chamam sweat shops, oficinas de suor, crescem num ritmo muito mais acelerado do que a indústria em seu conjunto. Oito de cada dez novos empregos na Argentina, são precários, sem nenhuma proteção legal. Nove de cada dez empregos em toda a América Latina correspondem ao “setor informal”, eufemismo para dizer que os trabalhadores estão ao deus dará. Acaso a estabilidade e os demais direitos dos trabalhadores, dentro de algum tempo, serão temas para arqueólogos? Não mais do que lembranças de uma espécie extinta?
A liberdade do dinheiro exige trabalhadores presos no cárcere do medo, que é o cárcere mais cárcere de todos os cárceres. O deus do mercado ameaça e castiga; e bem o sabe qualquer trabalhador, em qualquer lugar. Hoje em dia o medo do desemprego, que os empregadores usam para reduzir seus custos de mão-de-obra e multiplicar a produtividade, é a mais universal fonte de angústia. Quem está a salvo de ser empurrado para as longas filas que procuram trabalho? Quem não teme ser transformado num “obstáculo interno” , isso para usar as palavras do presidente da Coca-Cola, que há um ano e meio explicou a demissão de trabalhadores dizendo “eliminamos os obstáculos internos”.
E uma última pergunta: diante da globalização do dinheiro, que divide o mundo em domadores e domados, seremos capazes de internacionalizar a luta pela dignidade do trabalho? Haja desafio...
(Artigo publicado originalmente em 2001 e incluído no livro “O teatro do bem e do mal”, publicado no Brasil pela L&PM)

sábado, 15 de agosto de 2009

O legado de Woodstock está em debate passados 40 anos



Os hippies de Woodstock queriam mudar o mundo com flores, drogas, paz e amor, mas acabaram sendo mudados pelo mundo.


Para as pessoas que participaram do festival de rock em Bethel, ao norte de Nova York, de 15 a 16 de agosto de 1969, o espetáculo anunciava o advento de uma nova era, definida como a fundação da "Nação Woodstock".

Mas a euforia de ontem se transformou hoje em ressaca porque passados 40 anos não ficou claro se o Woodstock conseguiu mudar alguma coisa. O professor de jornalismo da Universidade Quinnipiac Rich Hanley explica que o festival marcou, na realidade, o fim - e não o início - da revolução dos anos 60 e da contracultura.

"Em 1971, tudo já havia terminado. As manifestações acabaram. A geração Woodstock saiu em busca de trabalho e o trabalho acabou com a diversão".
Segundo Hanley, "os hippies agora se transformaram em republicanos, perderam o cabelo e mudaram o consumo de LSD pelo Viagra".

No museu de Woodstock de Bethel, o diretor Wade Lawrence disse que a geração das flores não teve de esperar muito antes de voltar à realidade. Menos de quatro meses depois de Woodstock, em dezembro de 1969, um show parecido organizado no autódromo de Altamont (Califórnia) terminou em uma violenta e alucinada batalha campal.

Apesar dos protestos pacifistas, as tropas americanas continuaram lutando no Vietnã até 1973, e um ano mais tarde o escândalo Watergate acabava com a presidência de Richard Nixon. "Acredito que as pessoas perderam as ilusões", disse Lawrence. "O tema da paz e amor passou a ser algo pitoresco", continuou.
Muito da lenda de Woodstock - a maconha, o nudismo e o pacifismo - faz rir hoje uma sociedade menos ingênua.

Alguns ex-hippies como o fotógrafo Michael Murphree, agora com 56 anos, não se arrependem de sua juventude. "Paz, amor, felicidade: realmente queríamos isso", comenta, com um sorriso, enquanto caminha pelo museu.

Woodstock deixou, em todo caso, um legado que vai além da música e da vestimenta, além das calças boca-de-sino, que, por sinal, voltaram à moda. Ironicamente, o resultado mais palpável foi a apropriação da música rock pelas empresas como fonte de renda. Os shows passaram de encontros improvisados a operações que geram grandes somas de dinheiro.

"Woodstock mudou a indústria da música", afirma Stan Goldstein, um dos organizadores originais. "Pela primeira vez, pudemos ver o poder que tinham os artistas para atrair multidões", acrescentou. Ao mesmo tempo, o elemento mais característico e poderoso, uma mistura de mezcla de hedonismo, pacifismo e ativismo político, o que Goldstein chama de "conciência hippy", se evaporou quase que por completo.

A jovem Sarah Duncan, de 26 anos, visitou o museu vestida de hippie, mas admitiu que as pessoas da idade dela não podem compreender o que foi a onda de Woodstock. "Naquela época as pessoas conseguiam ser livres e ter a mente aberta", disse Duncan. "Mas não imagino, nem eu nem meus amigos, fazendo isso de novo. No máximo, vão ficar bêbados ou doidões, mas nada de paz e amor", comparou.

Apesar de as tropas americanas estarem combatendo novamente em guerras impopulares, Duncan não consegue imaginar sua geração indo às ruas para se manifestar ou cantar em protesto. "Agora tudo é mais simples; as pessoas dizem o que pensam, mas não querem manifestar nem fazer com isso obras de arte", explica Duncan. "Mandam um e-mail coletivo", resumiu.

POPULAÇÃO ESTIMADA DO BRASIL: 191.589.546


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira, as estimativas da população residentes nos municípios brasileiros em 1º de julho de 2009. Veja os municípios mais populosos do País:

São Paulo (SP): 11.037.593


Rio de Janeiro (RJ): 6.186.710


Salvador (BA): 2.998.056


Brasília (DF): 2.606.885


Fortaleza (CE): 2.505.552


Belo Horizonte (MG) :2.452.617


Curitiba (PR): 1.851.215


Manaus (AM): 1.738.641


Recife (PE): 1.561.659


Belém (PA): 1.437.600


Total: 37.376.528

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira, as estimativas das populações residentes nos municípios brasileiros em 1º de julho de 2009. De acordo com o levantamento, o País tem 191,5 milhões de habitantes espalhados pelas suas 27 unidades da federação e 5.565 municípios.


Na pesquisa divulgada em agosto de 2008, o Brasil tinha 189,6 milhões de habitantes. Segundo as estimativas, São Paulo é hoje a unidade da federação mais populosa, com 41,4 milhões de habitantes. Em seguida vêm Minas Gerais (20 milhões) e Rio de Janeiro (16 milhões). Esses três Estados concentram cerca de 40,4% da população brasileira.


São Paulo é o município mais populoso, com 11 milhões de habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro (6,2 milhões) e Salvador (3 milhões). Belo Horizonte (2,5 milhões) esteve no quarto lugar em 2000 e, a partir de 2007, caiu para sexto, tendo sido ultrapassado pelo Distrito Federal e Fortaleza que, desde então, permanecem nos 4º e 5º lugares, respectivamente.


Excluindo-se as capitais, os municípios brasileiros mais populosos são Guarulhos (1,3 milhão), Campinas (1,1 milhão) e São Gonçalo (992 mil habitantes), que estão nas três primeiras posições desde 2000. Borá (SP) continua sendo o município com a menor população do País, estimada em 837 habitantes, 42 a mais que em 2000.


De acordo com o IBGE, entre os seis municípios brasileiros que, em 2000, tinham menos de mil habitantes, somente Borá e Serra da Saudade (com 890 habitantes) continuam nessa posição em 2009.


Metodologia empregada



Para chegar aos novos resultados populacionais, o IBGE empregou uma metodologia de conciliação censitária combinada com o Método das Componentes Demográficas, uma ferramenta demográfica que visa obter as estruturas esperadas por sexo e idade das populações nos censos, procurando obter coerência entre os censos e contagens dos anos 1980, 1991, 1996, 2000 e 2007.

A candidata para uma bandeira




Lançamento de Marina Silva pelo PV inclui a questão ambiental na sucessão de Lula e tira espaço político de PT e PSDB







"NÃO SOU UM PROJETO MESSIÂNICO"







ISTOÉ - A sra. esperava que a repercussão da sua candidatura fosse tão grande?
Marina Silva - Acho que fomos todos surpreendidos. Vejo isso como muito positivo. O Brasil precisa fazer jus à potência ambiental que é. Essa luta tem 30 anos e tem uma densidade muito significativa nos vários segmentos da sociedade. Diante de uma crise econômica que só se soluciona resolvendo a crise ambiental, e uma crise ambiental que, ao se resolver, não pode negar a questão econômica, o tema aparece com alguma densidade.

ISTOÉ - Qual a importância de o tema da sustentabilidade entrar no debate?
Marina - Essa questão está colocada na minha trajetória de vida há muito tempo. Estou comprometida com a luta da sustentabilidade. E esse desafio não pode estar presente só numa candidatura do PV. Quando Juscelino Kubitschek resolveu industrializar o Brasil, ele partiu de uma visão antecipatória de País. Nesse caso, é uma visão antecipatória para a civilização. O Obama entrou em cena e os EUA são como os superatletas: quando entram em cena fazem a diferença. Com a capacidade técnica e de recursos que eles têm, eles podem fazer a diferença. Mas o Brasil talvez seja o único que tenha condições de fazer o que os EUA fizeram no passado. Nós temos os recursos. O Brasil tem um potencial enorme de hidroeletricidade, tem 30 anos de tecnologia na produção de etanol, 350 milhões de hectares de área agricultável e 11% da água doce do planeta. Pode dobrar sua produção sem derrubar mais uma árvore.

ISTOÉ - A sra. falou para um amigo que estava recebendo um chamamento, como se fosse alguma coisa bíblica. Marina - Não vou me colocar nesse lugar de projetos messiânicos. Eu estava me baseando em um texto muito bonito de Joseph Campbell, que é um dos maiores mitólogos do mundo. Ele diz que nós temos que fazer acerto de contas conosco mesmo. Às vezes, a gente é chamada interiormente para dar uma resposta.

"O afastamento seria o melhor para a sociedade, para o Congresso e para o próprio presidente Sarney"

ISTOÉ - Como a sra. vê a pesquisa que a coloca na frente da ministra Dilma Rousseff?
Marina - Não vou prender a minha decisão a pesquisas. Não vou me surpreender se outro jornal amanhã disser que estou com apenas um tracinho nas pesquisas.

ISTOÉ - É possível um candidato de partido pequeno chegar a presidente sem composição, repetindo o Obama nos Estados Unidos, numa terceira via?
Marina - Temos que dar a palavra ao eleitor. É nisso que acredito. Temos uma cultura patrimonialista muito arraigada. Alguém diz: 'Você tira voto de fulano'. O voto não é do Serra, nem da Dilma, nem do Lula, nem de ninguém. O voto é do eleitor. O voto é a única coisa que você nunca tem. No momento que você o recebe, já é passado e o eleitor já está livre para votar em quem ele quiser. As pessoas já estão cansadas que se façam as coisas para elas. É melhor se dispor a fazer com elas, com os jovens, os empresários, as mulheres, os idosos e os formadores de opinião. Foi essa questão que o Obama colocou na cultura americana, que era muito polarizada. O Obama foi capaz de transitar entre as duas coisas para estabelecer uma ponte. A humanidade precisa cada vez mais de pontes.

"O voto não é do Serra, nem da Dilma, nem do Lula, nem de ninguém. O voto é do eleitor"


ISTOÉ - Como a sra. recebeu as declarações do ex-ministro José Dirceu, dizendo que o mandato da sra. pertence ao PT?

Marina - Acho que o ex-deputado José Dirceu não falaria isso em tom de ameaça. Ele é uma pessoa que trabalhou o tempo todo na organização partidária, muito zeloso pelo estatuto, por essas coisas. Ele olha para a legislação. Nunca me senti intimidada por outras ameaças muito perigosas, imagina por uma pessoa como o Zé Dirceu. Isso não é algo que me faria mudar de ideia.


ISTOÉ - Como a sra. acompanha a crise no Senado?

Marina - Com muita preocupação. O Congresso é a representação da sociedade, aqui se estabelece o debate, se realizam os acordos sociais mediados, que deveriam ser por meio de um debate consequente. Lamentavelmente isso está interditado por essa crise. Acho que não devemos encará-la com um discurso udenista simplesmente, que não vai nos tirar do buraco. São as investigações que têm de ser feitas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, com a anulação de atos. É preciso fazer isso com equidistância para que a sociedade creia que de fato esteja sendo feito, porque já há um descrédito a priori. Foi por isso que apresentamos a ideia à bancada que deveria ser um afastamento temporário do senador José Sarney. Seria o melhor para a sociedade, para o Congresso e para o próprio presidente Sarney.
ISTOÉ - Qual é a frase da "Bíblia" que mais inspira a vida da sra.?
Marina - É uma frase do apóstolo Paulo: 'Examinai tudo e retende o bem'. Com essa frase, ele diz que não se deve ter preconceito contra ninguém, nenhuma ciência e filosofia. E você não pode impor sua vontade aos outros.

"Às vezes, a gente é chamada interiormente para dar uma resposta"


ISTOÉ
- O presidente Lula fez um comentário elogioso a sua possível candidatura. Como está o relacionamento com ele?
Marina - Não mudou. Digo que tenho tido bons mantenedores de utopia. Quando eu era uma jovem, talvez mais sonhadora do que hoje, a gente tinha bons mantenedores de utopia, tínha Chico Mendes, Darci Ribeiro, Celso Furtado, Leonardo Boff, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso. Mas, aos 51 anos, ainda sou uma sonhadora. E quero ser mantenedora de utopia.

ISTOÉ - A sra. ainda inclui o presidente Lula como mantenedor de utopia?
Marina - Ele é um realizador de utopias. Fazer a política social que ele está fazendo é a realização de uma utopia.

ISTOÉ - A sra. se aconselhou com Leonardo Boff. Ele deu alguma sugestão sobre a candidatura? Marina - Ele disse que eu escutasse o meu coração.

ISTOÉ - E o que diz seu coração?
Marina - Meu coração está me sussurrando.




Por: Sérgio Pardellas, Hugo Marques e Octávio Costa.




sexta-feira, 14 de agosto de 2009

RÉPLICA AO PROFESSOR JORGE

Meu Amigo Jorge

Você mal acessa no portal (como você mesmo constata) e quando tem oportunidade de contribuir, é infeliz na sua empreitada. Primeiro por confundir a Pedagogia de Paulo Freire com trabalho voluntário. Ao que me consta na minha imensa ignorância, Paulo Freire era Marxista e defendia uma Pedagogia que tirasse o homem da condição de vassalo, de oprimido.

Aliás, em Pedagogia do Oprimido, ele defende um tratado político utópico que clama pelo fim da hegemonia do capitalismo e a criação de uma sociedade sem classes. Além disso, A pedagogia do oprimido [é] uma pedagogia que deve ser feita com, e não para, o oprimido (tanto indivíduos ou grupos) numa incessante batalha para recuperar sua humanidade, mas, em momento algum nega ao individuo a possibilidade de crescer e buscar melhorias na sua vida financeira.

Por outro lado, segundo definição das Nações Unidas, "o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos..." Altruísmo e solidariedade são valores morais socialmente constituídos vistos como virtude do indivíduo. Do ponto de vista religioso acredita-se que a prática do bem salva a alma; numa perspectiva social e política, pressupõe-se que a prática de tais valores zelará pela manutenção da ordem social e pelo progresso do homem. A caridade (forte herança cultural e religiosa), reforçada pelo ideal, as crenças, os sistemas de valores, e o compromisso com determinadas causas são componentes vitais do engajamento.

Nenhuma destas duas linhas de pensamento se encaixam na vida do Professor (seja ele do “Travessia” ou de outro sistema ou método) que reconhece o valor das conquistas do trabalhador no Brasil. Recordo que a origem do direito do trabalho ou direito laboral surgiu como conseqüência da questão social que foi precedida da revolução industrial, no século XIX. De 1888 aos dias atuais foram lutas ferozes que tornaram a vida mais justa para quem trabalha atualmente. Eu não posso negar tais conquistas por trabalhar no “Travessia” e se sujeitar a não receber pela minha força de trabalho.

Outro pensamento alienante é supor que nós “Cristãos” devemos fazer voto de pobreza e jamais reclamar de valores financeiros em nossas vidas. Por quê? Por causa de Paulo de Tarso? Por causa de João Batista? Por causa de Zaquel? Ora, tenha a santa paciência. Dentre estes todos, ainda prefiro o exemplo de Sidarta Gautama, embora tenha consciência da infinita espiritual distância que nos separa.

Quando reivindico por salários em dia não estou escolhendo o dinheiro como mola da minha vida, em detrimento ao “amor” que tenho pela minha profissão com completa 14 anos de labuta. Exigir que o Estado pague ao professor não significa dizer que devo fazer a escolha entre Deus e Mamom. Se os diletos colegas de profissão lerem com atenção a situação citada por mim, perceberão que estamos diante de uma tremenda injustiça com todos nós. E quem defende este tipo de postura, vive de soberba hipocrisia.

O engraçado é que atualmente os ditos “pastores” são as criaturas que mais se sobressaem no joguete da desfaçatez. Eu não sou pastor, tampouco ovelha, e nem quero ser chamado de voluntário. Eu sou um trabalhador da educação, um educador que cumpre com suas obrigações e que, como todo cidadão digno e dedicado as suas funções, merece ser bem remunerado.

Se me permite um conselho, não só a você, como a todos os seus confrades que comungam da mesma “verdade”: deixe o Travessia, deixe a vida de “funcionário” do Estado e parta para uma vida de voluntariado, de uma vida dedicada ao próximo, sem esperar nada em troca (tampouco dinheiro). Há diversas instituições que irão te abraçar com fervor. A Rede Record de Televisão; a Rede Globo; a Pastoral da Criança; o Instituto Ayrton Senna (esse com todo carinho) e tantas outras empresas que aguardam o trabalho voluntariado de pessoas como você, caro Jorge.

Pense nisso.












terça-feira, 11 de agosto de 2009

SINTO VERGONHA DE MIM




Sinto vergonha de mim…
Por ter sido educador de parte desse povo,
Por ter batalhado sempre pela justiça,
Por compactuar com a honestidade,
Por primar pela verdade
E por ver este povo já chamado varonil
Enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
Por ter feito parte de uma era
Que lutou pela democracia,
Pela liberdade de ser
E ter que entregar aos meus filhos,
Simples e abominavelmente,
A derrota das virtudes pelos vícios,
A ausência da sensatez
No julgamento da verdade,
A negligência com a família,
Célula-mater da sociedade,
A demasiada preocupação
Com o “eu” feliz a qualquer custo,
Buscando a tal “felicidade”
Em caminhos eivados de desrespeito
Para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
Pela passividade em ouvir,
Sem despejar meu verbo,
A tantas desculpas ditadas
Pelo orgulho e vaidade,
A tanta falta de humildade
Para reconhecer um erro cometido,
A tantos “floreios” para justificar
Atos criminosos,
A tanta relutância
Em esquecer a antiga posição
De sempre “contestar”,
Voltar atrás
E mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
Pois faço parte de um povo que não reconheço,
Enveredando por caminhos
Que não quero percorrer…

Tenho vergonha da minha impotência,
Da minha falta de garra,
Das minhas desilusões
E do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
Pois amo este meu chão,
Vibro ao ouvir meu Hino
E jamais usei a minha Bandeira
Para enxugar o meu suor
Ou enrolar meu corpo
Na pecaminosa manifestação de nacionalidade.


Ao lado da vergonha de mim,
Tenho tanta pena de ti,
Povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver prosperar a desonra,
De tanto ver crescer a injustiça,
De tanto ver agigantarem-se
Os poderes nas mãos dos maus,
O homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
A ter vergonha de ser honesto.


Rui Barbosa

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

CÓDIGO DE ÉTICA APROVADO EM 18 DE JUNHO DE 2009


Código de Ética do Partido dos Trabalhadores diz em seu Art. 3º.:

São princípios éticos fundamentais que devem orientar a conduta de todos os filiados ao Partido dos Trabalhadores:

I – o respeito à fidelidade partidária, ao Estatuto, ao Código de Ética e Disciplina, ao programa e às decisões regulares das instâncias do Partido;

II – a defesa de uma sociedade livre, justa, solidária e democrática, com vistas á construção do socialismo;

III – o dever de combater, por todos os meios ao seu alcance, a exclusão social, a desigualdade, e quaisquer formas de discriminação quanto ao sexo, à raça, à etnia, à religião, à condição econômica, à atividade profissional, às convicções políticas, a qualquer condição de deficiência, de idade, de orientação sexual, bem como os atos de assédio moral, sexual, a pedofilia, a violência doméstica e outros da mesma natureza;

IV - o respeito à moralidade administrativa, à coisa pública e à transparência na gestão de recursos públicos de qualquer natureza, e por conseqüência, o combate a práticas patrimonialistas e clientelistas nas relações com aqueles que exercem função pública;

V – a supremacia dos interesses partidários sobre os interesses particulares, de tendências partidárias, de correntes ou grupos internos;

VI- o dever de denunciar, junto aos órgãos públicos competentes, ilícitos que impliquem em lesão à probidade administrativa, à igualdade de todos os cidadãos perante a lei, ao meio ambiente, ao patrimônio histórico, artístico e cultural do país, bem como aos interesses da coletividade em geral;

VII- a fidelidade aos princípios programáticos, à ética e às decisões partidárias, no exercício de mandato eletivo, de cargo ou função de confiança;

VIII - a defesa da atuação autônoma e plural dos movimentos sociais e populares, das suas associações, das centrais sindicais e sindicatos;

IX – o respeito à democracia interna e o respeito à pluralidade de idéias e às posições manifestadas dentro ou fora dos órgãos partidários por quaisquer filiados ao partido;

X – a não utilização dos órgãos, da estrutura, e dos recursos partidários, para favorecimento de determinadas posições, correntes, tendências, candidaturas, ou grupos partidários;

XI - a construção da independência financeira do Partido dos Trabalhadores, de modo a impedir que o poder econômico possa influenciar a sua vida interna e a sua atuação;

XII- zelar para que a captação e a destinação de todos e quaisquer recursos, inclusive os obtidos para o custeio de campanhas eleitorais ou para a disputa de cargos de direção partidária, a gestão financeira e a prestação de contas, sejam feitas de modo legal, adequado e transparente;

XIII – o incentivo à filiação criteriosa de interessados, a partir de efetiva avaliação política, ética e ideológica da pessoa a ser filiada, e do seu real comprometimento com os princípios, regras e fins do Partido dos Trabalhadores, observadas as normas partidárias em vigor;

XIV – a defesa e o respeito à imagem pública do Partido, de todos os seus os seus filiados, dirigentes e portadores de mandato, ressalvado o direito de divergência de idéias e a liberdade de expressão de posições políticas;

XV – a apuração ou punição de infração ética de qualquer filiado, sem qualquer favorecimento em decorrência da sua condição partidária, de exercício de mandato, de função pública, ou de condição política ou pessoal de qualquer natureza;

XVI – o tratamento respeitoso e isonômico, independentemente da função partidária, a todos os filiados e dirigentes do Partido;

XVII – a igualdade de direitos e deveres partidários entre todos os filiados, sem prejuízo do natural exercício das atribuições e da imposição de deveres especiais aos dirigentes partidários.



"A mais profunda emoção que podemos experimentar é inspirada pelo senso de mistério".


Albert Eintein.

domingo, 9 de agosto de 2009

DIA DOS PAIS


Eu e minha Filha Carolina Vieira - Boa Viagem.


O Dia dos Pais tem origem na antiga Babilônia, há mais de 4 mil anos. Um jovem chamado Elmesu moldou em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida a seu pai.

Nos Estados Unidos, Sonora Luise resolveu criar o Dia dos Pais em 1909, motivada pela admiração que sentia pelo seu pai, William Jackson Smart. O interesse pela data difundiu-se da cidade de Spokane para todo o Estado de Washington e daí tornou-se uma festa nacional. Em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o Dia dos Pais.


Devido a história, nos Estados Unidos, ele é comemorado no terceiro domingo de Junho. Em Portugal é comemorado a 19 de Março. No Brasil, é comemorado no segundo domingo de Agosto. A criação da data é atribuída ao publicitário Sylvio Bhering, em meados da década de 50, festejada pela primeira vez no dia 14 de Agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família. (dia que também se comemora o dia do padrinho segundo a tradição católica).
Uma auto-mensagem seria:
Ser Pai...
É mais do que somente cumprir um papel dentro da família e da sociedade. Sua ligação com sua filha ou seu filho está acima das convenções humanas, porque os laços espirituais são inquebrantáveis.

Ser Pai...
É acima de tudo ser o amigo de todas as horas, e, mesmo distante geograficamente, ser referência que jamais é desrespeitada pela força do amor recíproco.
Ser Pai...
É uma missão divina, que coloca o ser humano próximo de seu criador, pois assim como o Ser Supremo que nos guia, o pai deve ser o farol dentro da vida de seus filhos, encaminhando-os no difícil trilhar dessa existência.
Ser Pai...
É aceitar as responsabilidades que ultrapassem o limite de suas forças, mas mesmo arquejado pelo peso que o sufoca se ergue empedernido e supera, sempre lutando e alcança a vitória, porque tudo na vida lhe faz sentido, tudo tem um objetivo.
Ser Pai...
É além de educar, estar constantemente presente; abdicar muitas vezes de responsabilidades para desfrutar de um passeio na baira-mar; brincar de castelos de areia; assitir mil vezes o desenho animado "Anastácia, abraçados sobre a cama; andar de mãos dadas por um shopping, dividindo o saber de um sorvete...
Ser Pai...
É vencer o cansaço de um dia de trabalho e, com o coração em festa, sentar para ver um desenho animado, uma prosinha maneira, ouví-la falar de seus aprendizados de vida, das tarefinhas da escola, soletrando as palavras com orgulho e graça.
Ser Pai...
É chorar copiosamente quando a saudade bater sem dó ou quando alguma dificuldade lhe impede de fazer o que deveria ser feito; é apertar sua filha nos braços como se nunca mais ela fosse crescer nem lhe deixar sozinho.
Ser Pai...
É fazer caretas; é beijar o pescoço e a barriga mesmo causando cócegas; é inventar e parodiar canções de ninar; é criar frases próprias, do tipo "Ama, ama, ama?" E ouvir a resposta: "Amo Muuito!"
Ser Pai...
É perder a noção da idade que tem para vivenciar o raciocínio infantil - sempre verdadeiro - que nos ensina a ver com mais compaixão todas as situações e aceitar todos os outros como eles são.
Ser Pai...
É acompanhar e admirar-se com o gatinhar da frágil criatura e recordar-se de suas primeiras palavras, do tipo "mama" e "papa" e muitas vezes gargalhar quando a palavra dita lhe causa um sobressalto e você se pergunta: "onde foi que ela ouviu isso?"

Ah... Quero ver o tempo passar e perceber que os primeiros passinhos guiados pelas minhas mãos transformaram-se em largas passadas, pois a moça que um dia era uma garotinha, me ultrapassa a altura.

Sim, a missão é pesada e difícil. Mas a recompensa virá.
"Se ser Mãe é padecer no Paraiso.
Ser Pai é cutir o Céu. Eu que o diga".

sábado, 8 de agosto de 2009

COMISSÃO DE ÉTICA ARQUIVA MAIS SETE ACUSAÇÕES CONTRA SARNEY






O presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), arquivou mais sete acusações apresentadas ao colegiado contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Com o arquivamento de ontem (7 de Agosto), os 11 pedidos de investigações contra Sarney estão suspensos.

Agora, a oposição terá dois dias úteis, a contar da data da publicação do despacho de Paulo Duque no Diário Oficial do Senado, na próxima segunda-feira (10), para recorrer do arquivamento das acusações.

Os opositores do presidente da Casa haviam informados que recorrerão ao plenário do Conselho de Ética e se mesmo assim o arquivamento for mantido, eles levarão a discussão ao plenário do Senado.

Em seus despachos, Paulo Duque nega prosseguimento às acusações por entender que elas não apresentam “indícios consistentes”, que possam levar à abertura de processo de quebra de decoro parlamentar do presidente da Casa. “São ilações que se fundamentam em fragmentárias notícias de jornais”, justificou.

No Conselho de Ética, formado por 15 senadores, apenas cinco são favoráveis à abertura de processo contra Sarney.



Será que será preciso um golpe de Estado, como o de 1964 para acabar com essa ordem democrática vergonhosa que estamos assistindo?

Como posso acreditar que existe o CONSELHO DE ÉTICA no Congresso Nacional que abafa vergonhosamente denúncias VERDADEIRAS contra um CORRUPTO?

E o pior: já pensou os efeitos disso sobre a população? O exemplo ruim de um PRESIDENTE DA REPÚBLICA pedindo para que os petistas apóiem um corrupto?

Não faz muito tempo, se cogitou a possibilidade de FECHAMENTO DO CONGRESSO. Não seria exagero pensar que é preciso uma ação enérgica que feche, que decrete uma suspensão de todas as atividades do LEGISLATIVO até que uma NOVA ORDEM pudesse MORALIZAR o cenário político.

EU NÃO AGUENTO MAIS TANTA VERGONHA.
ESTOU DE LUTO.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

VOCÊ SABE QUEM FOI CARLOS MARIGHELLA?






Hoje, deitado sobre minha cama, ainda enfermo pela virose que me atormenta há dias, eu tive o prazer de assistir a um documentário sobre a vida deste homem, contada pela sua companheira Clara Sharf, em belo programa produzido pela TV Câmara. E foi muito emocionante a ouvir falar do marido, da história de vida que ambos tiveram em defesa da tão falada DEMOCRACIA BRASILEIRA, em dias em que o Congresso Nacional esqueceu do Respeito, de valores morais que só um honesto homem conhece.

Dizem que “por trás de um grande homem, há uma grande mulher”.

Eu queria renovar modestamente essa frase machista e dizer que:

“Na Frente de um Grande Homem, Há Sempre uma Grande Mulher”.

Este grande homem possui a seguinte biografia:

1911 - No dia 5 de dezembro, Carlos Marighella nasce na Rua do Desterro número 9, na cidade de São Salvador, Estado da Bahia. Seus pais são o casal Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos, e o imigrante italiano, o operário Augusto Marighella. Carlos teve sete irmãos e irmãs.

1929 - Marighella começa a cursar engenharia civil na antiga Escola Politécnica da Bahia, depois de haver estudado no Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Numa e noutra escola, destaca-se como aluno, pela alegria e criatividade. São famosas suas diversas provas em versos.

1932 - Ingressa na Juventude Comunista. O Partido Comunista havia sido criado em 1922. Com a revolução de 30 uma grande efervescência política varria o Brasil. Marighella participa de manifestações contra o regime autoritário e o interventor Juracy Magalhães. Inconformado com versos de Marighella que o ridicularizavam, Juracy manda prendê-lo e espancá-lo.

1936 - Abandona o curso de engenharia e vai para São Paulo a mando da direção, reorganizar o Partido Comunista, que havia sido gravemente reprimido após o levange de 1935. É, porém, novamente preso e torturado durante 23 dias pela Polícia Especial de Felinto Muller.

1937 - Marighella é libertado pela anistia assinada pelo ministro Macedo Soares e, quatro meses depois, Getúlio dá o golpe e instaura o Estado Novo. Na clandestinidade, Marighella é encarregado da difícil tarefa de combater as tendências internas dissidentes da linha oficial do PCB em São Paulo.

1939 - Preso pela terceira vez, é confinado em Fernando de Noronha. Na cadeia, os revolucionários presos organizam uma universidade popular e Marighella dá aulas de matemática e filosofia.

1942 - Os presos políticos vão para a Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, porque Fernando de Noronha passa a ser usada como base de apoio das operações militares dos aliados no Atlântico Sul.

1943 - Na Conferência da Mantiqueira, Marighella, mesmo preso, é eleito para o Comitê Central. O Partido Comunista adota linha de apoio ao governo Vargas em razão da entrada do Brasil na guerra, posição de que ele discorda, embora a cumpra, por dever de militância.

1945 - Anistia, em abril, devolve à liberdade os presos políticos. Com a vitória das forças antifascistas, o PCB vai à legalidade e participa da eleição para a Constituinte. Marighella é eleito como um dos deputados constituintes mais votados da bancada..

1946 - Apesar do apoio de Prestes, o general Dutra, eleito Presidente da República, desencadeia repressão aos comunistas. Marighella participa ativamente da Constituinte com um dos redatores do organismo parlamentar. Conhece Clara Charf.

1947 -Ainda no primeiro semestre é fechada a União da Juventude Comunista. Depois, é o próprio Partido que é posto na ilegalidade. Marighela coordena a edição da revista teórica do PCB, Problemas e vive um relacionamento com dona Elza Sento Sé, que resulta no nascimento, em maio de 1948, de seu filho Carlos.

1948 - No início do ano são cassados os mandatos dos parlamentares comunistas. Marighella volta à clandestinidade. Data desse ano seu romance com Clara Charf, sua companheira até o fim da vida.

1949/1954 - Em São Paulo, Marighella cuida da ação sindical do PCB. Sob sua direção o PC se vincula aos operários, participa da campanha “O Petróleo é nosso” e organiza a greve geral conhecida como “dos cem mil” em 1953. Considerado esquerdista pela direção do Partido, é mandado em viagem à China. Lá é internado em razão de uma pneumonia. Depois, vai à União Soviética e volta ao Brasil em 1954.

1955 - A morte de Getúlio Vargas e o início do governo de Juscelino Kubistchek permitem que os comunistas, embora na ilegalidade, atuem de modo mais visível.

1956/1959 - O XX Congresso do PC da União Soviética inicia a desestalinização. O PCB adota a linha da “coexistência pacífica” pregada pela União Soviética. A vitória da Revolução Cubana, porém, contraria frontalmente as posições do movimento comunista internacional.

1960/1964 - A renúncia de Jânio gera uma crise política. Jango toma posse e Marighella passa a divergir da linha oficial do PC, principalmente de sua política de moderação e subordinação à burguesia. Em 1962, divisão do PC dá origem ao Partido Comunista do Brasil - PC do B.

1964 - Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto.

1965 - Escreve e publica o livro “Por que resisti à prisão”, em que aponta sua opção por organizar a resistência dos trabalhadores brasileiros contra a ditadura e pela libertação nacional e o socialismo.

1966 - Publica “A Crise Brasileira”, onde aprofunda suas posições críticas à linha do PCB, prega a adoção da luta armada contra a ditadura, fundada na aliança dos operários com os camponeses.

1967 - Na Conferência Estadual de São Paulo as idéias de Marighella saem vitoriosas por ampla maioria - 33 a 3 -, apesar da participação pessoal e contrária de Luiz Carlos Prestes. Vendo que a derrota no VI Congresso era iminente, Prestes inicia um processo de intervenções nos Estados, para impedir a participação de delegados ligados à corrente de esquerda. Marighella viaja a Cuba para participar da conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade-OLAS. O PCB envia telegrama desautorizando sua participação e ameaçando-o de expulsão. Disso resulta uma carta dele rompendo com o Comitê Central do PCB e afirmando que ninguém precisa pedir licença para praticar atos revolucionários. Como represália, é expulso do Partido Comunista. Retorna ao Brasil e funda a Ação Libertadora Nacional-ALN e dá início à luta armada contra a ditadura militar.

1968 - Marighella participa diretamente de diversas ações armadas recuperando fundos para a construção da ALN. No primeiro de maio, em São Paulo, os operários tomam o palanque de assalto, expulsam o governador Sodrée realizam comemorações combativas do dia internacional dos trabalhadores. O Movimento estudantil toma conta das ruas em manifestações contra a ditadura que chegaram a mobilizar cem mil pessoas. Em outubro, porém, o Congresso da UNE é descoberto pela polícia e os estudantes sofrem grave derrota. Também no final do ano, torna-se conhecido o fato de que Marighella comandava parte das ações guerrilheiras.

1969 - No início do ano, a descoberta de planos da Vanguarda Popular Revolucionária - VPR pela polícia antecipa a saída do capitão Carlos Lamarca de um quartel do exército em Osasco, levando um caminhão carregado com armamento para a guerrilha. Em setembro o embaixador norte-americano é feito prisioneiro por um destacamento unificado com integrantes da ALN e do MR-8 e trocado por quinze presos políticos. No dia 4 de novembro, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada armada pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da alameda Casa Branca, em São Paulo, e foi assassinado dentro de um fusca que pertencia aos amigos presos e torturados dias antes. (foto acima)


Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974.


Foi um momento emocionante do documentário quando Clara fala da morte do Marido. Depois de alguns dias escondida, Clara contou que conseguiu asilo político em Cuba.

Clara Scharf amargou sua primeira prisão política ainda nos tempos de Getúlio Vargas. Após o golpe militar de 1964, o companheiro de Clara, Carlos Marighela, foi assassinado “no auge da tortura” e ela, cassada por dez anos, passou para a clandestinidade.
Militância
Feminista desde os anos 50, Clara Scharf acha que a situação da mulher “mudou muito”. Mas lembra que "continuam a existir, infelizmente, o machismo, a discriminação e a desigualdade entre homem e mulher”. Com um riso cheio de energia que não denuncia os 78 anos de idade, comenta: “O bonito é que as mulheres nunca pararam de lutar e por isso elas mexem com o ser humano”.
Clara foi filiada ao Partido Comunista Brasileiro de 1945 a 1960 e entre os "períodos mais difíceis da vida" cita a fase final do governo Getúlio Vargas, nos anos 50. Teve a casa invadida e destruída no governo Jânio Quadros, mas o que considera "o pior" ocorreu nos chamados "anos de chumbo", que culminaram, para ela, com o assassinato do companheiro em 1969 e com os nove anos de exílio que se seguiram. “Começaram a prender, matar e torturar já na antevéspera do endurecimento da ditadura militar, por volta de 1968. Foi uma coisa infame, com todas as prisões, torturas e mortes, e ninguém podia se manifestar, só na clandestinidade", lembra Clara.
No depoimento à Rádio Nacional da Amazônia, ela também lamentou não ter sido mãe: "Não me foi possível ter uma vida familiar durante as ditaduras". Mas Clara Scharf ajudou a criar o filho do companheiro, Carlinhos Marighela, "que está vivo e cujos filhos eu considero meus netos". Na opinião da feminista, "tudo o que você faz em defesa do ser humano, é vida; a paz é vida, desde que esta paz defenda a saúde, a liberdade, a terra e os direitos humanos: tudo que afeta a vida tem a ver com a segurança humana”.


Obrigado Clara! Obrigado Marighella!


Vocês horam as mulheres e os homens decentes que ainda existem nesse país.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009



Hoje pela manhã recebi uma notícia que me deixou pensativo. Esta informação me reportou a casos absurdos do mal uso do dinheiro e da falta do que fazer com “muito dinheiro”. Cito dois exemplos que envolvem justamente o tema “Astronomia”, que o nosso mote este ano. Em seguida, parto para a notícia.


1- Em 2006, uma a empresária de telecomunicações iraniana Anousheh Ansari, tornou-se a primeira mulher a pagar uma viagem ao espaço. Ela decolou de Baikonur, Cazaquistão, a bordo de uma nave Soyuz rumo à Estação Espacial Internacional (na sigla em inglês ISS), pagando pela viagem a bagatela de U$ 20 Milhões.


2- Em 2008 foi a vez do turista espacial Richard Garriott que iniciou sua jornada de 10 dias no espaço, pagando cerca de US$ 30 milhões, usando o mesmo cosmódromo de Baikonur.

E a notícia chocante, Professor?

Bem, um empresário famoso de nossa cidade era dono de um gato que morreu recentemente. O sujeito felino tinha todas as regalias que poucas crianças em Gravatá possuem. Comia e bebia do melhor e dormia em “berço de ouro”.
A notícia, lógico, se fosse essa apenas, passaria despercebida em se tratando de valores humanos conquistados com muita luta e registrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. E afinal, que relação existe entre este falecido gato e as viagens ao espaço?


Acontece que o tal empresário gastou cerca de R$ 10 mil em uma festa de comemoração de aniversário do referido felino...


O que quero dizer aqui é que me repugna a idéia de alguém pagar uma fortuna por uma viagem ao espaço e me deixa ainda mais estarrecido ao sujeito gastar tanto dinheiro numa festa felina quando melhor faria aplicando esta soma em obras envolvendo caridade, proteção ao velho e à criança, aos aidéticos, à recuperação de vítimas de acidentes, à remodelação e recuperação do patrimônio de asilos, hospitais e prontos-socorros, criar fundações diversas, tanta oportunidade de se praticar o bem, de ajudar tanta gente.

Será que Gravatá não possui tais problemas? Ajudar aos outros virou piegas, tornou-se caretice. Estender a mão ou falar de Deus, de Jesus parece brega. Me parece que nós estamos vendo a realidade de forma fria e distante, julgando o mundo como se não fizessemos parte dele...

É fulcral, vital, estar atento aos acontecimentos que nos rodeiam para que não tracemos os mesmos rumos errôneos dos “seres humanos” que desconhecem o fato de que enquanto houver infelizes na Terra, nos continentes, na América, no Brasil, em Pernambuco, e por fim, em Gravatá, não será possível ser também feliz.