Livro Primeiras Águas - Poesias

Este é o livro I da série Primeiras Águas.

Campanha Gravatá Eficiente

Fomentando uma nova plataforma de discussão.

A Liberdade das novas idéias começa aqui.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Apenas cinco estados cumprem integralmente lei do piso dos professores

 

Brasília - Apenas quatro estados e o Distrito Federal cumprem integralmente a Lei do Piso Nacional do Magistério  (Lei 11.738/2008), informou a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Desde que foi sancionada, a lei é motivo de embate entre professores, governos estaduais e prefeituras. Prefeitos e governadores argumentam não ser possível pagar o valor proposto com os repasses atuais para a educação. O valor piso salarial nacional do magistério da educação básica em 2011 é de R$ 1.567.



Hoje (27), o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que, embora tenha sido editada em 2008, a lei tem validade a partir de abril de 2011, data quando a Corte confirmou sua legalidade. Os ministros atenderam a recursos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Ceará e Mato Grosso do Sul, que alegaram dificuldades para adaptar as finanças às novas regras. A decisão resolve dúvidas sobre a formação de passivo que poderia ser cobrado pelos professores pelos salários inferiores ao piso antes de 2011.

De acordo com o presidente da CNTE, Roberto Leão, a decisão do STF não deixa mais nenhuma brecha para o descumprimento da lei. Estados e municípios que, desde abril de 2011, não estavam pagando o piso, poderão ser acionados na Justiça para o pagamento retroativo de 2011 até o presente momento.

A categoria pretende se mobilizar para o cumprimento da lei com passeatas, e se necessário, greves. "Só queremos o cumprimento da lei, parece algo tão óbvio de se pedir", disse Leão. Além do valor do salário, a lei trata também sobre as condições de trabalho, estipulando, por exemplo, jornada de no máximo dois terços da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os alunos. Segundo a confederação, as únicas unidades federativas que cumprem a lei na totalidade são: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso e Rondônia . Mais dez estados cumprem parcialmente e oito descumprem a lei. O restante está em negociação com os sindicatos.

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) disse, em nota, que desde a aprovação da Lei 11.738/2008, os estados vêm ajustando os padrões de remuneração do magistério e acolhem "sem surpresa ou impacto" a decisão de hoje do STF. Na nota, o conselho diz que "todos [estados] já pagavam, em abril de 2011, o valor do piso aos seus professores com formação de nível médio na modalidade normal". Com relação à jornada de trabalho dos docentes, o conselho informou que "em breve" os estados também terão adotado o limite imposto pela lei - dois terços para interação com os estudantes e um terço para atividades.

Em relação aos municípios, não há um levantamento que indique quantos estão em conformidade com a lei. Para a presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, é "importante que todos os municípios garantam o piso para atrair novos profissionais e valorizar os que estão nas escolas". No entanto, "boa parte" deles não consegue pagar os salários. "Precisamos da aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) e dos recursos dos royalties e do pré-sal para conseguir cumprir as metas de universalização da educação do próprio plano".

 
Edição: Carolina Pimentel
Fonte:

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

G20 estuda plano para barrar corruptos; Brasil resiste à ideia.

 
Governo brasileiro quer parâmetros claros sobre quem se enquadraria no termo "corrupto" e que não poderá transitar entre os países-membros
 

O G20 - grupo das maiores economias do mundo - estuda uma proposta para barrar a circulação de corruptos e corruptores nos seus países-membros a partir da negativa de vistos e de refúgio. A proposta, encabeçada pelos Estados Unidos, é vista com reticências no governo brasileiro. Desde o ano passado, membros da Controladoria-Geral da União (CGU), do Ministério das Relações Exteriores, da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério da Justiça estão envolvidos no debate, considerado "sensível", "polêmico" e "difícil". As autoridades brasileiras não conseguem definir quem seria afetado pela medida.

Em 2012, os chefes de estado ratificaram o compromisso de criar instrumentos para barrar a entrada de enquadrados nesse crime em seus territórios. Em junho, o grupo apresentará o primeiro relatório sobre a implantação da medida, que não têm força de lei, mas serve de indicativo do que está sendo feito no âmbito internacional para combater a corrupção.

Parâmetros – O Brasil quer parâmetros sobre quem se enquadraria no termo "corrupto" e quem sofreria as penalidades. Não há entendimento, entre as autoridades locais, sobre se a norma valeria apenas para condenados ou também para aqueles que não foram julgados. Discute-se, ainda, no âmbito do G20, que a punição deveria se estender a familiares e associados dos corruptos, o que contraria a Constituição brasileira. Também pesa nas discussões governamentais a tradição do país de não restringir acesso ao seu território.

Os defensores da proposta, no entanto, sustentam que a negação de vistos e o controle migratório impedem que o corrupto gaste o dinheiro fruto do ilícito fora de seu país. A medida teria reciprocidade e afetaria o universo de corruptos brasileiros que tentassem entrar nos países do G20. Dados do Ministério Público Federal revelam que mais de 5.000 inquéritos foram abertos nos últimos anos para investigar práticas de corrupção no Brasil, e cerca de 700 pessoas cumprem pena hoje no país por esse crime.

No Supremo Tribunal Federal, há 17 inquéritos e ações penais contra parlamentares, e somente a Procuradoria Regional da República da 1ª Região denunciou cerca de 250 prefeitos nos últimos dois anos por esse crime. No julgamento do mensalão, concluído no final do ano passado, 20 dos 25 condenados foram sentenciados a penas por corrupção ativa ou passiva – entre eles o ex-ministro José Dirceu, os deputados federais José Genoino, João Paulo Cunha e Valdemar Costa Neto, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Em discussão – Oficialmente, o governo brasileiro nega qualquer tentativa de atrasar a proposta e afirma que o assunto está ainda em discussão. O Brasil tem até o próximo ano para debater o assunto, que ganhou força depois de os Estados Unidos alterarem sua legislação – dando poderes à autoridade alfandegária para barrar a entrada de corruptos, familiares e pessoas associadas.

O tema também avança no Canadá, onde um projeto de lei criando restrições para o acesso ao território de pessoas corruptas já foi apresentado. "A discussão existe e, por se tratar de um assunto sensível, está andando surpreendentemente bem”, afirma Hamilton Fernando Cota Cruz, assessor especial da CGU, responsável por coordenar as ações brasileiras sobre o tema no G20. Cruz afirmou que o Brasil já se comprometeu a analisar casos de corrupção como um critério na hora de concessão de vistos ou na entrada de estrangeiros em seu território. “O que não vamos é abrir mão da soberania do país de decidir.”

Para o G20, a corrupção ameaça a integridade dos mercados, destrói a confiança da sociedade e distorce alocações de recursos. O grupo anticorrupção tem representantes de todos os países e a Espanha como observadora. O G20 defende ainda a revisão de leis de combate à corrupção e o cerco ao suborno transnacional.

Cristovam: Dilma errou ao falar em 'superar' a miséria


 

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) criticou, nesta segunda-feira (25), o fato de a presidente da República, Dilma Rousseff, ter usado, na semana passada, o verbo “superar” ao se referir a 22 milhões de famílias que deixaram a situação de miséria extrema.

Para Cristovam, a presidente empregou o verbo de forma errada, criando uma ilusão de que os pobres deixaram definitivamente a situação em que se encontravam. Para o líder do PDT, embora tenha o mérito de aliviar a fome, o programa Bolsa Família ainda não fez as pessoas superarem a pobreza.

- Elas voltarão à pobreza, por exemplo, se a inflação continuar, e tudo indica que a inflação vai corroer as transferências de renda - afirmou.

A inflação, para Cristovam, é um grande problema que pode impedir a superação da pobreza. Ele afirmou que, se a inflação voltar a uma taxa de, por exemplo, 8% ao ano, em apenas quatro anos se perderão quase 50% do valor da transferência de renda do Bolsa Família.

Outra questão levantada pelo senador é a necessidade de medidas estruturais para alcançar de fato a superação da miséria.

- Mesmo com a renda beneficiada pela Bolsa Família, elas permanecem na mesma situação social, porque a situação social não é definida só por um aumento da renda, nem mesmo se fosse um aumento substancial. A posição social depende das condições de habitação, depende das condições de segurança, depende, fundamentalmente, da saúde e da escola onde essa pessoa está - observou.

Cristovam disse que, ao falar sobre superação da miséria, Dilma pode ter criado uma "grave ilusão". Para o senador, em vez de superação da miséria, há no país uma “miséria da superação”.

- Nós empobrecemos o conceito de superar. O conceito de superar é aquele que diz que houve uma revolução, houve uma mudança, houve uma passagem. Não houve passagem. As famílias da Bolsa Família continuam no mesmo estágio de pobreza, apenas com um alívio, por exemplo, na questão da fome.

Ao comentar o discurso de Cristovam, a senadora Ana Amélia (PP-RS) afirmou que seria interessante o beneficiário do programa social não deixar de receber o benefício ao passar a trabalhar com carteira assinada.

- A carteira assinada é a inclusão social, a mais digna inclusão social - disse a senadora gaúcha.

Acompanhamento dos pais

Cristovam Buarque também criticou a manifestação do governo contra um projeto de sua autoria que condiciona o recebimento dos benefícios do Bolsa Família à visita de pais ou responsáveis à escola dos filhos pelo menos uma vez por ano. O PLS 449/2007 tramita atualmente na Comissão de Educação e Cultura da Câmara.

 - Eu conversei com a ministra. Ela é radical: isso daí não se pode exigir. O governo não aceita. A prova é que não há ideia de superar, a não ser no discurso. Existe, sim, a ideia de assistir. Por isso, a presidente errou, do ponto de vista de linguagem, ao usar o verbo superar a miséria, quando, no máximo, está tentando assistir aos pobres - concluiu.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Aécio Neves fala sobre os 13 fracassos do PT


Aécio Neves utilizou a tribuna do Senado na quarta-feira, 20, para falar sobre os 10 anos do PT à frente do Governo Federal
Foto: Agência Senado / Divulgação
 
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) retornou à tribuna do Senado Federal, na quarta-feira, 20, onde fez uma avaliação dos dez anos de governo do PT no país. Durante seu pronunciamento, o senador listou 13 dos grandes fracassos da administração petista no plano federal.

 

Dez anos no poder, mas o senhor acha que falta autocrítica do PT?

 

Essa é a grande verdade. O PT comemora, e é legítimo que comemore seus dez anos de poder, mas fazendo crer que o Brasil foi descoberto em 2003, quando o presidente Lula assume a Presidência da República. Não. O Brasil avançou em vários setores, mas essa é uma construção de muitos governos em diferentes momentos da história. E tem faltado ao PT generosidade para compreender a contribuição de outras forças políticas, de outros governos, e a capacidade da autocrítica. O PT, se teve acertos, e certamente os teve, se não, não estaria no poder até hoje, teve equívocos muito graves nos últimos 20 anos de história do Brasil. Até além disso, desde a eleição de Tancredo, passando pelo Plano Real, onde o PT teve um posicionamento radical contra, na Lei de Responsabilidade Fiscal, o PT foi ao Supremo para inviabilizar a sua aplicação. O que queremos discutir são os passos para o futuro.  O PT apresenta ao Brasil, na comemoração dos seus dez anos, uma cartilha que remonta ao século passado, querendo rachar o Brasil entre nós e eles, entre os bons e os maus. Todos que são os adversários, segundo o PT, cometeram equívocos, e só nós temos virtudes. Não. É hora de o PT fazer autocrítica, reconhecer os gravíssimos equívocos no campo ético, no campo administrativo, os problemas sérios que estamos vivendo e vamos viver do ponto de vista econômico, com o recrudescimento da inflação, o pífio crescimento do PIB, a fragilização das nossas empresas estatais, esse é o debate do futuro. Fomos convidados para a festa do PT, no momento em que o PT nos elege para fazer seu contraponto. Eu aceito o convite e chamo o PT para dançar, mas vamos dançar a dança da modernidade. Vamos falar de um país que qualifica a educação, um país que investe solidariamente em segurança pública, que fortalece os municípios e os estados. Não esse país virtual que o PT criou e quer que os brasileiros acreditem que ele existe.

 

É uma nova postura do PSDB, senador?

 

Não é uma nova postura. É tudo a seu tempo. Eu disse no meu pronunciamento que não repetiremos a oposição que fez o PT, contra tudo e contra todos. Qualquer medida que vinha do governo Fernando Henrique o PT já era prioritariamente contra. Foi assim no Plano Real, foi assim em inúmeras outras medidas, no processo de privatizações, por exemplo, que o PT encampa hoje. Queremos discutir a nova agenda do Brasil. Queremos chamar atenção para o sucateamento da nossa indústria, por exemplo. Para os desmandos nas nossas estatais. Para o aparelhamento absurdo e a desqualificação da máquina pública. O crescimento do PIB brasileiro só foi maior que o do Paraguai no último ano. As coisas não vão bem e o PT quer vender ao país que eles construíram com todas as suas virtudes um país virtual. Um país onde metade da população não tem saneamento básico. Onde a saúde pública é um flagelo para grande parte da população brasileira em todas as regiões do país. Onde a qualificação da educação nos coloca nos últimos lugares em qualquer ranking internacional. Esse não é o país cor de rosa que o PT busca pintar. Vim aqui hoje para dizer: vamos discutir o Brasil real e é preciso que o PT tenha generosidade para reconhecer a contribuição dos que vieram antes, em especial na estabilização da moeda, e tenha também a capacidade de fazer autocrítica para não errar tanto, quanto já errou no passado.

 

Dentre os 13 pontos que o senhor apontou, o senhor qualificaria que a economia é o que mais preocupando?

 

Sem sombra de dúvidas. O baixíssimo crescimento da economia, e não adianta mais terceirizar responsabilidades, porque as crises americana, mais atrás, e a europeia mais recentemente, afetaram todos os países da nossa região, e nosso crescimento foi absolutamente pífio. Estamos vivendo um processo de desindustrialização extremamente grave. Isso não se corrige de um ano para o outro, nem de um mandato para o outro. A indústria vem perdendo competitividade, estamos voltando a ser exportadores de commodities, como éramos na década de 1950. Nossas principais estatais, patrimônio do povo brasileiro, perderam valor de mercado de forma extraordinária nos últimos anos, e falta firmeza na gestão da política fiscal brasileira. Perdemos no passado enormes oportunidade, com crescimento da arrecadação, de fazer ajustes importantes. Não fizemos. A agenda das reformas previstas, prometidas em duas eleições pelo presidente Lula e em uma pela presidente Dilma, ainda é agenda por ser feita. Portanto, a questão econômica é muito grave, mas o gerenciamento do país, a inapetência gerencial do governo e o aparelhamento da máquina pública se colocam também como preocupações que devem ser de todos brasileiros.

 

O senhor terminou o seu discurso falando sobre a lógica da reeleição. Foi uma herança ruim, que o PSDB, que trabalhou pela emenda da reeleição, deixou?

 

Essa foi uma decisão da maioria do Congresso. Quando falo da lógica da reeleição, falo nas ações governamentais. A partir do momento em que a presidente da República, e confesso que me surpreendi com ela se dispor a cumprir àquele papel, fugindo ou despindo-se da liturgia do cargo, ocupa uma cadeia de rádio e televisão para fazer proselitismo eleitoral, para falar do Brasil do nós ou eles, lembrando inclusive os piores tempos do regime militar, dizendo que os que não apoiam o governo são contra o país, ela inaugurou o processo eleitoral. E obviamente vai ter que administrar hoje as pressões da sua base do governo, porque todos entenderam o recado. A presidente, não sei se por inexperiência ou por alguma precipitação, ou até mesmo por alguma inquietude interna, em face de outras manifestações dentro do próprio PT, que gostariam de talvez de ver o ex-presidente Lula como candidato, ela antecipou o processo. Mas isso tem custos. E ela já está pagando esse custo com a imensa pressão dos seus aliados por espaços no governo. Infelizmente, o que move hoje o governo é a lógica da reeleição.

 

Mas o senhor também acha que a oposição tem que dançar?

 

Estamos fazendo isso. É o momento de discutir os temas que interessam ao país. Não é o momento da eleição, não acho que devamos antecipar a nossa agenda em razão de o governo federal ter antecipado a sua. Acho que, em um determinado momento, a presidente buscou dar ao próprio presidente uma satisfação interna, para dizer que ela era a candidata e eleição, mas com custo altíssimo em relação às pressões e à volúpia por cargos, por espaço e por verba pública da sua base aliada. Temos o nosso cronograma.  A nossa preocupação agora é identificar quais são os temas, e hoje julgo ter dado uma contribuição para isso. Quais os temas importantes para o Brasil do futuro, para superarmos as dificuldades que temos hoje. O sucateamento da Petrobras, as dificuldades pelas quais vai passas a Eletrobras. É incorreto dizer, uma falsidade das maiores que tenho ouvido, repetida por um senador aqui hoje do PT, que o PSDB esteve contra a diminuição das tarifas de energia. Não, queríamos uma diminuição maior, mas a custa da diminuição dos encargos federais, por exemplo o PIS/Cofins, que poderia ter elevado em 5% o desconto, a desoneração nas contas de luz. Estamos pontos para qualquer debate. Vamos fazê-lo frontalmente, com clareza, com elegância – que é uma característica nossa –, mas com absoluta firmeza. Mas candidatura o PSDB e as oposições só devem ter no início de 2014.

Por Gazeta de São João del-Rei em 23/02/2013.

Escola privada não é sinônimo de qualidade, alertam especialistas

 
A diferença no desempenho entre as escolas públicas e privadas está muito mais na bagagem dos alunos do que na qualidade do ensino
 
 

O número de matrículas na educação básica no Brasil diminuiu nos últimos 10 anos. Em 2002, eram 54,7 milhões, contra 50,9 milhões em 2011. O ensino privado, por sua vez, seguiu uma lógica contrária e ampliou a quantidade de alunos no mesmo período - as inscrições nessas instituições passaram de 6,8 milhões para 7,9 milhões. Mas, mesmo com o aumento nas turmas, os pais devem estar atentos e serem criteriosos na hora da escolha. A diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, alerta que escola privada não é sinônimo de ensino de qualidade.

Embora uma parcela da população possa ter como lema "se é pago, é bom", Priscila avalia que o conhecimento agregado tanto por instituições públicas quanto por particulares é o mesmo. A diferença está na bagagem cultural e no contexto socioeconômico de cada aluno.

A professora de pedagogia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Maria Marcia Malavasi diz que os frequentadores de uma escola privada geralmente têm mais acesso a livros e programas culturais, como ida a museus, teatros e cinemas. "As escolas particulares recebem os melhores alunos, com mais oportunidades", analisa.

Com isso, eles chegam com um acúmulo de conhecimento superior ao dos alunos de escola pública e, consequentemente, criam um capital cultural maior. Mas isso não significa que a privada seja melhor, pelo contrário. Sem o fator socioeconômico, Priscila afirma que o resultado de ambas seria equivalente, e a transferência de uma escola pública para uma privada é o mesmo que trocar seis por meia dúzia. "Há uma falsa percepção de que escolas particulares são mais eficientes", explica a diretora.

Nem o desempenho inferior das públicas na medição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) deve ser encarado como uma informação final e absoluta. No ano passado, a divulgação do Ideb 2011 mostrou que as escolas privadas atingiram índice de 6.5 nos anos iniciais do fundamental, 6.0 nos anos finais e 5.7 no ensino médio, enquanto as públicas ficaram com 4.7, 3.9 e 3.4 respectivamente (segundo as médias de todo o País). Priscila frisa a importância de relativizar o desempenho das instituições.

Em um exercício de imaginação, a diretora do movimento Todos pela Educação sugere que os alunos, preservando suas condições socioeconômicas, fossem trocados de escola. A transferência colocaria os menos favorecidos em instituições particulares, enquanto crianças e adolescentes com maior contato com cultura e educação diariamente estudariam em colégios públicos. Nesse cenário, o melhor Ideb acompanharia a inversão, e a pior nota apontaria para as particulares.

 

Particulares estão abaixo da meta do Ideb

Ao analisar a evolução das escolas particulares no Ideb, é possível perceber ainda que essas instituições, conforme a média brasileira, foram as únicas que não atingiram a meta projetada para 2011. Todas as outras chegaram ao objetivo estabelecido, em alguns casos inclusive antecipando a meta de 2013. O quadro pode ser analisado de duas maneiras. Por um lado, quanto melhor é o desempenho de uma escola no Ideb, mais ele tende à estabilidade.

Priscila explica que cada ponto é um avanço bastante sensível, mas a evolução em cima do que já foi conquistado se torna mais lenta. "Por terem resultados maiores, fica cada vez mais difícil subir na pontuação e atingir metas que são crescentes. Não é desejável, mas é de se esperar que elas não estejam cumprindo as metas", afirma.

Por outro lado, a professora Marcia aponta que, mesmo com um índice alto, essas instituições têm um rendimento inferior a escolas de outros países. "O Brasil é subdesenvolvido em termos de educação. Não há qualidade de ensino e de vida. Tem poucos museus e bibliotecas, e as crianças não têm hábito de leitura", avalia.

Outro mito em relação às escolas particulares é o de que os educadores têm melhor instrução. "Os professores são formados pelas mesmas instituições", assegura Priscila. A diretora do movimento ressalta que o problema da formação inicial, com qualidade aquém do esperado, se estende tanto para profissionais de instituições públicas quanto privadas. Além disso, a questão depende também do desempenho individual. "Não podemos dizer que todos os professores são bons ou ruins", alerta Marcia.

A professora aponta ainda que a educação privada também carece de investimentos em projetos pedagógicos - bons modelos não são uma regra nessa área, opina Marcia. A vantagem dos colégios pagos está na facilidade de gestão. Diretores podem oferecer uma remuneração mais atrativa, além de bonificações ou financiamentos para cursos de especialização.

 

Desempenho depende mais do aluno do que da escola

Não é só pela qualidade que os pais costumam procurar escolas particulares. Eles estão de olho na segurança dos filhos - uma questão que, de fato, procede, na visão de Priscila - e, por que não, no status social que isso confere. Mas, em termos de educação, eles precisam ter em mente que a matrícula em uma escola privada não garante uma boa média no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou uma aprovação em vestibular. Mesmo que a instituição tenha uma boa avaliação de qualidade, a dispersão de resultados dentro de uma mesma escola é alta, com alunos excelentes e outros com desempenho menor. "Depende do esforço de cada um", ressalva Priscila.

O esforço individual é o que faz com que bolsistas de baixa renda, por exemplo, se beneficiem do ensino privado, segundo o que a diretora do movimento Todos pela Educação cita como efeito dos pares: apesar do baixo repertório cultural, o estudante consegue ir bem nas aulas pela influência do conhecimento dos demais. "Quando alunos em peso têm esse repertório baixo, é mais difícil", detalha. A professora Marcia, por sua vez, é mais cautelosa. Para ela, quando uma escola recebe um aluno com um índice socioeconômico menor, a tendência é que o trabalho realizado obtenha resultados lentamente.

Na hora de matricular os filhos em uma instituição privada, os pais precisam estar atentos ao uso que as escolas fazem das notas obtidas em exames e vestibulares. Mas, assim como isso pode ser uma credencial de qualidade, também pode ser uma propaganda enganosa. A avaliação dos pais deve ocorrer, destaca Priscila, pelo que a escola pode oferecer para o crescimento daquele estudante, sabendo que certas instituições podem ser caras e ter qualidade duvidosa - muitas vezes, até mesmo com um ensino mais pobre do que as públicas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Autora de Diário de Classe é ameaçada de morte

Garota diz que manda matar Isadora Faber caso ela não apague a página do Facebook


 

A autora do Diário de Classe, Isadora Faber, foi ameaçada de morte neste domingo (17). Uma garota publicou na página de Isadora que vai mandar mata-la caso a estudante não apague o Diário de Classe do Facebook. Colegas que ajudam a denunciar problemas da escola pública também foram ameaçados.

 
Isadora afirmou em sua página que denunciou o ocorrido à polícia e que têm certeza que as autoridades têm como descobrir o IP (número que identifica os computadores) do responsável pelas ameaças. “Com essa onda de terror que Florianópolis vive atualmente, isso é bem assustador”.

 

Esta não foi a primeira vez que Isadora foi ameaçada. No dia cinco de novembro a casa de Isadora foi apedrejada. A avó da menina, de 65 anos, levou uma pedrada no rosto. Ela sofre de uma doença degenerativa.

 

No quintal também estavam Isadora e sua mãe, Mel Faber. Não foi possível ver o autor da violência. A idosa fez exames e passa bem. Mel Faber registrou boletins de ocorrência sobre o acontecido.

 
 

No dia 8 de novembro Isadora postou no Diário de Classe: “Hoje mais uma vez fui ameaçada, chegando na porta da escola, um garoto da 8º série chegou e me encheu de palavrões, colocou o dedo na minha cara e disse para acabar com blog de merda. Minha mãe viu e venho me defender quando chegou uma funcionária da escola, xingou minha mãe e colocou o garoto pra dentro, fechando a escola para mim não entrar. Minha mãe teve que ameaçar chamar a polícia para deixarem entrar na escola.”

 

Um dos casos mais polêmicos denunciados por Isadora foi a da pintura da escola. Em 2011 um homem foi contratado para pintar a quadra de esportes. No Diário de Classe, a menina conta que um senhor chamado Francisco recebeu um dinheiro adiantado para realizar o serviço, mas não aparecia para trabalhar. O caso levou uma discussão entre o pintor e o pai de Isadora em frente à escola. O pintor informou que não realizou o trabalho porque estava doente.

 

A página

 
 

O “Diário de Classe” causou polêmica na educação pública em 2012. No dia 11 de julho a estudante Isadora Faber, de 13 anos, criou a página no Facebook onde denuncia problemas da escola pública Maria Tomázia Coelho, onde estuda.

 

Atualmente, mais de 497.021 pessoas seguem a página do Diário de Classe. Depois de participar de diversos debates sobre educação, Isadora continua com o Diário de Classe.


FONTE: http://noticias.r7.com/educacao/noticias/autora-de-diario-de-classe-e-ameacada-de-morte-20130218.html

MAIORIA DOS COMPUTADORES ENTREGUES PELO MEC A ESCOLAS FICAM GUARDADOS

Agência Brasil
Em escola de Brasília, laptops estão guardados por falta de infraestrutura

CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO (CGU) DENUNCIOU PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL DA GESTÃO DE FERNANDO HADDAD NO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

 

O Ministério da Educação (MEC) desperdiçou recursos e negligenciou sua principal ação para inclusão digital durante a gestão de Fernando Haddad, segundo auditoria da Controladoria Geral da União (CGU). Por meio do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), o governo se comprometeu a dotar as escolas públicas de laboratórios de informática, mas os auditores constataram que 12,6 mil dos 56,5 mil equipamentos entregues estavam guardados em caixas por até três anos.

"Observa-se que, apesar das escolas, no momento do cadastro para o recebimento de laboratórios, declararem a existência de infraestrutura adequada para instalação dos equipamentos, a falta de tal requisito motivou 66,07% das ocorrências de laboratórios entregues e não instalados, o que demonstra fragilidade nos controles da gestão por parte dos Estados e municípios que receberem o laboratório do Proinfo", diz o relatório da CGU. A ação de fiscalização do MEC teria evitado um prejuízo de mais de R$ 1 milhão referente ao custo dos aparelhos inutilizados.

Em 15,3 mil laboratórios, os professores não tinham capacitação para operar as máquinas nem para ensinar a usá-las; em 18 mil não havia treinamento em informática ou os espaços serviam para atividades distintas. "Apesar dos avanços proporcionados pelo Proinfo na inclusão digital, (...) o uso pedagógico da informática nas escolas públicas de educação básica não foi plenamente atingido", diz a CGU, que responsabilizou o MEC por não fiscalizar e acompanhar a execução do programa.

Por meio de nota, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) ressaltou que a CGU só visitou 196 escolas e os números são resultado de uma projeção. O Fundo, vinculado ao MEC, questiona a veracidade dos números do órgão. A assessoria de Haddad informou que só se manifestará após tomar conhecimento oficial da auditoria.

 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Mendonça Filho diz que foi agredido por militante do PT na Câmara, em evento com blogueira cubana

Mendonça Filho (DEM-PE) se envolveu em um tumulto na tarde desta terça-feira (20) (Foto: Beto Barata/Estadão Conteúdo

 
A blogueira cubana Yoani Sanchez esteve na Câmara dos Deputados para expressar democraticamente suas opiniões. E parece que deu mais rolo. O deputado Mendonça Filho, do DEM, reclamou de ter sido agredido, em evento com a blogueira hoje.

“A intolerância política tem que acabar. Fui agredido e ameaçado por militante com a bandeira do PT na saída de Yoani Sanchez da Câmara”.

 

 "Vou lhe mapear!" declarou o militante petista de forma intimidatória e antidemocrática.Não tenho medo de ninguém e nem de mapeamento do PT”.

 

“Para mim não existe meia Democracia. A Democracia que defendo é aquela que as pessoas falam o que pensam. Independente do que pensam.”

 

Após participar da gravação de um programa na TV Senado, a blogueira e dissidente cubana Yoani Sánchez disse que se sente apoiada no Brasil e que o dossiê preparado contra ela teve o objetivo de matá-la ética e moralmente frente aos seus leitores.

Extraído do Blog de Jamildo, Recife. A grande imprensa não noticia.

PEC que diminui poder do Ministério Público avança na Assembleia de SP

 
SÃO PAULO - Chegou à Mesa da Assembleia Legislativa de São Paulo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que inquieta o Ministério Público porque tira dos promotores o poder de investigar deputados estaduais, prefeitos e secretários de Estado e confere tal atribuição exclusivamente ao procurador-geral de Justiça. O texto, subscrito por 33 parlamentares, foi publicado na edição desta quarta feira, 20, do Diário Oficial do Estado e vai agora para apreciação da Comissão de Constituição e Justiça.

O avanço da PEC, de autoria do deputado Campos Machado (foto), líder do PTB na Assembleia, surpreendeu o Ministério Público. Desde que o petebista anunciou sua cruzada, promotores e procuradores apostavam que não passava de uma "bravata" do parlamentar e que ele não iria conseguir reunir as 32 adesões regimentais necessárias para protocolar a PEC - chamada na promotoria de "emenda da impunidade".

Há duas semanas, o Ministério Público chegou a divulgar no site da instituição que a Procuradoria-Geral de Justiça obteve garantia da Presidência da Assembleia de que a PEC não se concretizaria.

Irritados com a ofensiva dos deputados, os promotores foram ao revide. Durante toda esta quarta feira, 20, ferveu a rede Amici, canal fechado da classe na intranet, com pesadas críticas aos parlamentares. Alguns sugerem que o petebista  devolva o Colar do Mérito Institucional do MP, mais importante condecoração da instituição, a Campos concedida em 2007.

Diante da forte reação, o procurador-geral divulgou nota pública em que busca acalmar seus pares. Ele crava que a PEC é "inconstitucional, desnecessária, extemporânea e inconciliável com o momento vivenciado do País, de afirmação da democracia, preservação dos valores republicanos e com a construção do conceito de cidadania". Elias Rosa reafirma "a expectativa de que a PEC será rejeitada".

Muitos parlamentares estão em pé de guerra com o Ministério Público desde que a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social da Capital - braço da instituição que investiga improbidade, corrupção e desvios do Tesouro - requereu à Justiça, em janeiro, o fim do auxílio moradia na Assembleia.

Em ação civil, liminarmente acolhida pela 13.ª Vara da Fazenda Pública, a Promotoria apontou inconstitucionalidade na regalia concedida todo mês a todos os deputados, indistintamente, mesmo àqueles que residem a poucas quadras do Palácio 9 de Julho, sede do Legislativo paulista. A Promotoria calcula em R$ 2,5 milhões o prejuízo anual aos cofres públicos. A Assembleia decidiu recorrer.

Dias após a ação que derrubou a verba de moradia, Campos Machado começou a circular pelos gabinetes do Legislativo sua proposta, que inclui o parágrafo 3.º ao artigo 94 da Constituição do Estado e promove a concentração de poderes nas mãos do procurador-geral. O texto prevê expressamente que compete ao chefe do Ministério Público - em caráter privativo e até no âmbito da improbidade - , investigar o governador, o vice-governador, conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, juízes, secretários de Estado, promotores, prefeitos e deputados estaduais.

A justificativa é que o procurador-geral "é a autoridade mais adequada para empreender as ações necessárias para a garantia e manutenção da probidade e legalidade administrativa. "É medida que se impõe como mecanismo de fortalecimento do princípio da igualdade entre os poderes, além de se sobrepor a possíveis interesses políticos locais e pessoais eventualmente praticados contra aquelas autoridades", argumenta Campos Machado.

Enigmático, o veterano parlamentar manda um recado. "A Assembleia e o Ministério Público podem estar quebrando ovos que não vão resultar em omeletes.
Não é uma represália ao Ministério Público, mas recebo queixas de abusos de promotores praticamente todos os dias. Vou dar um exemplo: tem muito prefeito com 15 funcionários no gabinete e metade do pessoal fica o tempo todo só respondendo ofícios do Ministério Público. Tem Prefeitura que já recebeu mais de mil ofícios em um ano apenas. Estamos dando um passo importante para o aprimoramento da instituição."
O líder do PTB disse que "tem enorme apreço" pelo Ministério Público, mas prega que os promotores "não podem confundir liberdade com liberalidade". Ele garante. "Não quero interrupção das investigações do Ministério Público, mas acabo de tomar conhecimento de que um promotor de Justiça oficiou ao deputado Celso Giglio (PSDB) requisitando o livro de ponto do gabinete dele sob pena de ação de improbidade. Isso é vilipêndio. Não acredito que esse promotor tenha isenção para fazer isso aí. Por essa razão maior defendo que o procurador-geral é a pessoa mais capacitada e com maior discernimento."

"Pelo que senti na Casa essa aprovação vai ser unânime", avalia Campos Machado. "Posso assegurar que o deputado Barros Munhoz (PSDB), ao deixar a Presidência da Assembleia, no próximo dia 15 de março, vai aderir à proposta. O líder do PSDB não assinou, mas vários deputados do partido assinaram".


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

EXEMPLO QUE VÊM DE CARUARU: PROFESSORES UNIDOS



Os professores de Caruaru realizaram uma grande passeata nas ruas de Caruaru. Os docentes saíram do Sismuc em direção da prefeitura da cidade. Dezenas de professores pararam as principais vias do centro e usaram faixas e apitos para protestar contra a aprovação do PCC para os profissionais da educação. Os docentes garantem que se o Executivo não ceder e mudar alguns pontos da redação do Projeto, a greve será deflagrada.

“Caso essa situação absurda não seja revista o nosso único caminho é a greve. Esse PCC é uma afronta a LDB e a Constituição, diferentemente do que disse o líder do governo na Câmara”, discursou o Presidente da Atec, Fred Santiago. O coro foi reforçado pelo presidente do Sismuc, Eduardo Mendonça, que reforçou o apoio ao movimento. “Esse é um movimento da categoria e o Sismuc apenas apoia”, pontuou.
O movimento contou ainda com a participação de líderes da Uesc e Uespe, que no fim da manifestação usaram o megafone para puxar gritos de guerra contra a votação do PCC. Os manifestantes criaram ainda a árvore do luto, para representar o movimento. Na próxima sexta-feira, será realizada a partir de 15h na sede da União Beneficente uma Assembleia para definir se a greve será deflagrada.

20 de fevereiro de 2013 · por Mário Flávio · em Notícias

Mentiras sobre a Bolsa Família


Por Gilberto Dimenstein

 
Ao anunciar a ampliação da Bolsa Família para erradicar a pobreza extrema, Dilma Rousseff faz, de fato, um gesto que merece aplausos. Com todos os seus problemas - a porta de saída, por exemplo - esse programa é um jeito barato e eficaz de reduzir a pobreza. Difícil, porém, não ficar incomodado com a empulhação marqueteira já com ares eleitorais.

Dilma afirma que, com sua ofensiva, está desafiando os "conservadores". Mentira.

Todos devem reconhecer que, no poder, o PT ampliou - e muito - o alcance do Bolsa Família. Dilma foi além é trouxe para a rede de proteção mais crianças de zero a três anos no programa Brasil Carinhoso.

A empulhação está no seguinte: o Bolsa Família é a grande obra social coletiva brasileira. E não tem dono. Envolveu, em diferentes, momentos, todos os partidos.

Suas bases já estavam montadas e fortes na gestão Fernando Henrique Cardoso. Tornou-se um programa universal porque "conservadores" do então PFL, hoje DEM, criaram um fundo contra a pobreza.

Lembre-se que, nessa época, o PT chamava a bolsa-escola, a origem do Bolsa Família, de bolsa-esmola. E atacavam a medida sem parar.

A base da bolsa-escola estava em Campinas, cuja prefeitura era comanda pelo PSDB, e, em Brasília, onde o então governador Cristovam Buarque desenvolveu experiências reconhecidas pela Unesco e Unicef.

Essa é daquelas conquistas acima de todos os partidos e ideologias, exportada para várias partes do mundo.
 
 

 
Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Desenvolve o Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. É morador da Vila Madalena.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Comissão da Câmara debate mudanças no ensino médio


 
A Comissão Especial de Reformulação do Ensino Médio da Câmara dos Deputados, juntamente com a representante da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Carmem Neves, fizeram nesta terça-feira um debate para tratar da proposta de alterar a legislação atual sobre o ensino médio.

Segundo Carmem, a educação básica não está preparando com eficiência os alunos para o ensino superior e que, desde a base educacional, o aluno deve ter uma aproximação com a carreira que pretende seguir. "A educação deve funcionar como uma corrente, tem que haver uma ligação da base, passando pelo intermediário, para chegar ao nível superior e sair bem preparado para o mercado de trabalho," disse a professora.

O presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), acredita que o ensino médio atual não prepara os jovens para continuar o estudo e partir para o mundo do trabalho. O deputado entende que o aluno deve ter um foco maior nos estudos, se possível não trabalhar enquanto estuda, pois se houver uma concentração especial, a especialização será mais eficiente e o trabalho vai render mais quando ele o estiver exercendo definitivamente.

A comissão pretende criar um projeto de lei que regulamente um preparo mais rigoroso aos professores da educação infantil e do ensino médio. O relatório final só será apresentado no segundo semestre. Além dos projetos de lei, os deputados vão propor ações ao Ministério da Educação.

540 anos de Nicolau Copérnico


 
Nicolau Copérnico foi um polaco, nascido na cidade de Torun, no dia 19 de Fevereiro de 1473. Afirmou-se como astrónomo e matemático e ficou conhecido por desenvolver a teoria heliocêntrica do Sistema Solar. Foi também cónego da Igreja Católica, governador e administrador, jurista, astrólogo e médico.

A sua teoria do Heliocentrismo, que colocou o Sol como o centro do Sistema Solar, contrariando a então vigente teoria geocêntrica (que considerava, a Terra como o centro), é considerada uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos, tendo constituído o ponto de partida da astronomia moderna. A teoria copernicana permitiu também a emancipação da cosmologia em relação à teologia.

 
Origem da teoria heliocêntrica

Na teoria de Copérnico, a Terra move-se em torno do Sol. O movimento da Terra era negado pelos partidários de Aristóteles e Ptolomeu. Eles sustentavam que, caso a Terra se movesse, as nuvens, os pássaros no ar ou os objetos em queda livre seriam deixados para trás. Galileu combateu essa ideia, afirmando que, se uma pedra fosse abandonada do alto do mastro de um navio, um observador a bordo poderia vê-la a cair em linha reta, na vertical. E, baseado nisso, nunca poderia dizer se a embarcação estava em movimento ou não.

Caso o barco se movesse, porém, um observador situado na margem veria a pedra descrever uma curva descendente - porque, enquanto cai, ela acompanha o deslocamento horizontal do navio. Ambos os observadores poderiam concluir que a pedra chega ao convés exatamente ao mesmo lugar: O pé do mastro. Porque ela não é deixada para trás quando o barco se desloca. Da mesma forma, se fosse abandonada do alto de uma torre, a pedra cairia sempre ao pé da mesma - quer a Terra se mova ou não.

O cardeal S. Roberto Francisco Belarmino presidiu o tribunal que proibiu a teoria copernicana. Culto e moderado, ele conseguiu poupar Galileu. Estimulado pelo novo papa Urbano VIII, seu grande admirador, o cientista voltou à carga. Mas o Papa sentiu-se ridicularizado num livro de Galileu. E isso motivou a sua condenação.

O percurso das balas de canhão e a queda dos corpos também foram estudadas por Galileu. Ele demonstrou que a curva descrita pelos projeteis é um arco de parábola e que os corpos caem em movimento uniformemente acelerado. Segundo as biografias romanceadas do cientista, ele teria realizado uma experiência que desmoralizou definitivamente a física aristotélica.

Subindo ao alto da torre de Pisa, deixou cair, no mesmo instante, dois corpos esféricos de volumes e massas diferentes: uma bala de mosquete e outra de canhão. Contra as expectativas dos académicos aristotélicos, que apostavam na vitória da bala de canhão e na derrota do cientista, os corpos chegaram rigorosamente juntos ao chão.

O historiador da ciência Alexandre Koyré demonstrou que, assim como muitos outros mitos que enfeitam os relatos sobre a vida de Galileu, a famosa experiência de Pisa jamais ocorreu. Ela foi, na verdade, uma experiência idealizada, que o cientista realizou no recesso da sua consciência, e não um ruidoso espetáculo público.

Sabia-se, desde o final da Idade Média, que a velocidade dos corpos aumentava à medida que eles caíam. E também se conhecia a lei matemática que descreve os movimentos uniformemente acelerados. O mérito de Galileu foi juntar as duas coisas e mostrar que, descartada a resistência do ar, todos os objetos caem com a mesma aceleração.
 
A igreja e o geocentrismo
A religião acompanhou Copérnico desde cedo. Órfão aos 10 anos de idade, o garoto foi criado pelo tio, então bispo de Ermland. Mais tarde, uma de suas irmãs virou freira, e um de seus irmãos, padre. Já adulto, Copérnico conciliou suas atividades como astrônomo, matemático e jurista com o trabalho de cônego na Igreja Católica de Frauenburgo.​
Paradoxalmente, as ideias de um cientista tão influenciado pela igreja iam de encontro ao que a religião pregava. Para o catolicismo, a Terra era o centro do universo. Tratava-se de suposição válida, contando os instrumentos de observação disponíveis, a tendência ao antropocentrismo e uma interpretação rígida da bíblia. Contudo, mesmo naquela época, Copérnico não era uma voz única. Havia outros cientistas com ideias semelhantes, a quem o polonês ofereceu leituras de sua teoria antes que ela fosse publicada.
 
Nova vida a uma ideia antiga
O livro De revolutionibus orbium coelestium veio a público apenas em 1543, pouco depois da morte de Copérnico, aos 70 anos. Devido ao falecimento do autor e a um capítulo inicial relativizando as posições defendidas pelo cientista - supostamente escrito por outra pessoa, à sua revelia -, o material não causou grande controvérsia. Assim, o astrônomo foi poupado do fanatismo religioso que levou, no século 17, Galileu Galilei à prisão.
Além de suas próprias e revolucionárias descobertas no campo da física e da astronomia, Galileu defendia e aprimorava a visão de Copérnico, em contraposição ao geocentrismo defendido pela Igreja Católica. Com essa posição, foi conduzido aos tribunais da inquisição. Acusado e ameaçado, teve de se retratar. O cientista estava certo, mas a igreja não concedeu tão rapidamente. Somente 350 anos após a morte de Galileu, no dia 31 de outubro de 1992, o papa João Paulo II reconheceu os enganos cometidos pelo tribunal eclesiástico.
Muito antes da inquisição, colocar a Terra no centro do mapa espacial foi um erro. Já se teorizava que o nosso planeta orbitava o Sol antes do nascimento do astrônomo polonês, em 1473. Mas os cálculos e a coragem do cientista foram responsáveis por “dar nova vida a uma ideia muito antiga e por sua adoção na ciência moderna”, segundo Bannister. Hoje, depois de muito tempo, apoiado pela astronomia e por cientistas como Copérnico, o homem enxerga mais longe.
 
 
Nascimento: 19 de fevereiro de 1473, Toruń
Falecimento: 24 de maio de 1543, Frombork
Educação: Universidade de Pádua (1501–1503), Mais
Obra: De revolutionibus orbium coelestium
Filiação: Barbara Koppernigk, Niklas Koppernigk
Irmãos: Barbara Copernicus, Andreas Copernicus, Katharina Copernicus

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sobre a morte e o morrer


 
Crônica de Rubem Alves


O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?



Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.


Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.


Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12-10-03. fls 3.