Livro Primeiras Águas - Poesias

Este é o livro I da série Primeiras Águas.

Campanha Gravatá Eficiente

Fomentando uma nova plataforma de discussão.

A Liberdade das novas idéias começa aqui.

domingo, 21 de setembro de 2008

O mal e o bem são forças sobre-humanas?


“Se o bem e o mal existem, você pode escolher. É preciso saber viver”.
Roberto e Erasmo.



O mal e o bem são forças sobre-humanas?

De todos os temas de reflexão, poucos têm despertado tanto interesse ao longo da História (tempo) e das sociedades (espaço) como o paradigma do Bem e do Mal, principalmente o porquê da existência do mal. Várias abordagens têm sido aplicadas a esses conceitos, de religiosos a filosóficos, passando por esotéricos e agnósticos.

Mas ultimamente estas duas forças antagônicas ganharam um caráter político que tem irritado e dividido companheiros de profissão, até amigos e familiares, haja vista uma ramificação partidária municipal tem se intitulado “do bem”, enquanto que os não partidários são vistos, logicamente, como a turma “do mal”.

É a segunda vez que infelizmente toco neste assunto. Em um outro artigo falei da minha decepção em perceber o quanto a política partidária promove o APARTHEID e o ceticismo ideológico entre entes queridos e que vem ganhando força a cada dia que se aproxima as eleições. Por onde anda a razão?

Pode parecer um bocado esquisito querer tratar de um tema que sempre pertenceu ao domínio do emocional com bases racionais incutindo a idéia política como foco, mas vejamos aonde podemos chegar. Vejamos aonde chegou as nossas “verdades” (pra não dizer interesses pessoais) defendidas com tanta veemência e muitas vezes sem nenhum escrúpulo, ao ponto de dividir uma população entre o “bem” e o “mal” numa prepotência muito infeliz.

Relembro do que falava Santo Agostinho acerca dos conceitos do Mal. Segundo classificação do doutor da Igreja, o mal pode ser natural, que são os eventos naturais (aleatórios) e pode ser moral, que é o mais conhecido por maldade, pois é praticado conscientemente. E é este mal que vem afligindo as nossas vidas. É pertinente perguntar: como nasce esse mal em nós? Qual a sua origem?

Segunda uma teoria recente, o mal (assim como o bem) é fruto da nossa maturação enquanto espécie humana. Os arquétipos registrados no nosso DNA ou ADN (que significa, em inglês, DesoxirriboNucleic Acid, ou ácido desoxirribonucléico), partem de instintos básicos (egoístas) que defendem primeiramente a nossa posição em relação ao mundo e atingem aos níveis de Socialismo e Comunismo até chegar a uma visão holística da vida humana. E nestas fases transitórias, o mal está presente em proporções que nós mesmos administramos e ao passo em que evoluímos, o bem passa a ser mais presente nas nossas decisões.

Continua complicado? Vejamos.

A minha teoria é que nós AINDA estamos num período de transição, ou seja, ainda temos os dois tipos de instintos convivendo no nosso DNA, e, conseqüentemente, no nosso comportamento. A questão é: que percentagem de cada um está no nosso ADN? A relação entre os dois tipos de instintos pode dar uma idéia sobre a nossa posição temporal nesse período de transição, ou seja, que tipo força queremos abraçar: o bem ou o mal? O que mais nos atrai? Que escolha queremos fazer? De forma muito feliz, Roberto Carlos escreveu e cantou: “Se o bem e o mal existem você pode escolher”.

Esses instintos individualistas, enquanto existirem, são prejudiciais numa espécie social, pois entram em conflito com os instintos sociais (até porque egoísmo é antagônico de altruísmo). Podemos usar a razão para contrariar esses instintos, mas temos a consciência que sozinhos não podemos fazer isso, a maior parte das pessoas não tem força de vontade suficiente. Tem que haver uma força impulsionadora. E que força é essa?

A força que liberta-nos dos nossos instintos primitivos e nos faz ascender moralmente, e, portanto, está ao lado do bem, é o conhecimento cultural. Tal conhecimento desconsidera conteúdos políticos partidários e dicotomias emocionais. O conhecimento cultural nos faz sonhar e criar força para que plantemos e semeemos a humanização equilibrada das nossas “verdades”. Escreveu uma vez o pesquisador Denyval Rodrigues: “Não existe o bem e o mal, na verdade existem pessoas que não sabem sonhar”.

De qualquer modo, o que quer que escolhamos, ficará em nossas mãos a chave para o próximo passo. Tal como na Matrix (o filme) o personagem Neo (Keanu Reaves) pôde escolher a pílula azul, que o mantém no mundo de ilusão, e ele esquece tudo o que descobrira; ou pode tomar a pílula vermelha que lhe revelará toda a verdade (uma analogia com a maçã de Eva e adão?). Temos uma pílula em cada mão, temos que escolher antes que esse momento chegue, pois podemos não ficar aqui para contar a história, porque admitamos, há entre nós pessoas suficientemente egoístas ("más") para isso.
E lembrando que tomar a pílula vermelha e escolher dar o próximo passo da nossa evolução, poderá muito bem ser o fim do Mal como o conhecemos! Para encerar mais esta reflexão, encontrei uma história muito interessante que quero compartilhar com todos que trata justamente sobre este assunto. Eu me emocionei com este texto e gostaria de dividir esta emoção com vocês.


O bem e o mal existem?

Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim desafiou seus alunos com esta pergunta:
- Deus criou tudo o que existe?
Um aluno respondeu valentemente: - Sim, Ele criou…
- Deus criou tudo? -perguntou novamente o professor.
- Sim senhor, respondeu o jovem.
O professor respondeu
- Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?
O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, se regozijava de ter provado mais uma vez que a fé era um mito. Outro estudante levantou a mão e disse:
- Posso fazer uma pergunta, professor?
- Lógico! - foi a resposta do professor.
O jovem ficou de pé e perguntou:
- Professor, o frio existe?
- Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?
O rapaz respondeu:
- De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto é suscetível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor.
Novamente o aluno pergunta ao professor:
- E, existe a escuridão?
O professor respondeu:
- Existe.
O estudante respondeu:
- Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz. Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim? Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente.
Finalmente, o jovem perguntou ao professor:
- Senhor desculpe-me a redundância: o mal existe mesmo?
O professor respondeu:
- Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal.
E o estudante respondeu:
- O mal não existe senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações.
É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.
Por volta dos anos 1900, este jovem foi aplaudido de pé, e o professor apenas balançou a cabeça permanecendo calado.
Imediatamente o diretor dirigiu-se àquele jovem e perguntou qual era seu nome?
- Albert Einstein.

domingo, 14 de setembro de 2008

16 de Setembro a Educação vai Parar.


Educadores do magistério público param na próxima terça-feira, dia 16 de setembro, em todo o país, pela implantação o mais rápido possível do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) nos estados e nos municípios. A paralisação atende a um chamamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), pois desde que a lei do piso foi sancionada pelo presidente Lula há um movimento encabeçado pelos governos do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais que tentam impedir sua implementação, com argumentos que não se sustentam, a não ser pela opção politica de continuarem a oferecer uma educação barata e de pouca qualidade.


Para mais informações acessem o site da cnte: http://www.cnte.org.br/


PRECISAMOS DEFINITIVAMENTE NOS RECONHECERMOS PARA QUE POSSAMOS RECEBER O RECONHECIMENTO DE UMA DÍVIDA HISTÓRIA QUE NOSSO PAÍS TEM COM A NOSSA CLASSE! A NOSSA CONQUISTA É A CONQUISTA DO POVO BRASILEIRO QUE SE REFLITIRÁ NO FUTURO, PROVAVELMENTE, MUITO MAIS JUSTO QUE O NOSSO PRESENTE.


ATÉ A VITÓRIA!

sábado, 13 de setembro de 2008

E eu sei lá quem é esse tal de Nelson!

Após longas negociações entre os Professores Municipais e o Poder Executivo de Pombos, o Plano de Cargos e Carreiras e Remuneração do Magistério – PCCR – entrou em processo de reformulação, seguindo a legislação vigente.

Foi eleito um grupo de professores para que junto com a secretaria de educação, os pontos a serem reformulados, adaptados, ampliados e consolidados. Tudo corria bem durante os encontros e os pontos menos contraditórios avançavam, até que se chegou à questão de aumentos salariais. A negociação não travava.

Sentindo-se prejudicado com a proposta oferecida pelo Poder Executivo, os professores em parceria com o diretório municipal do Sinpro-PE, resolveram protestar. Eu, a bucha de canhão, na condição de membro da comissão sindical, pus-me a falar com as demais pessoas envolvidas que a questão precisava ser resolvida sem perdas para a classe de professores.

E como diria um amigo meu, o processo “embaçou” e não avançamos. Nem a Secretaria de Educação nos convencia de que o aumento era justo, nem nós conseguíamos unir forças para as nossas negociações, de tal sorte que a Prefeitura saiu ganhando tempo e nós fomos nos desarticulando.

Era noite e eu estava em casa quando recebo o telefonema de uma companheira professora. Informava ela que a Câmara de Vereadores daquele município votaria às pressas o nosso PCCR, junto com outros projetos enviados pelo Poder Executivo no último dia legal para votação de emendas.

Há quem diga que aquela votação de caráter extraordinário fora uma manobra política para que a qualquer custo, os Vereadores votassem, sem nenhuma análise mais ponderada do texto em questão.

Chegamos cedo à Câmara Municipal onde fomos recebidos por um vereador que nos apoiava. Convidamos todos os professores que pudemos para estarem presente na votação. Poucos apareceram. Mesmo sem um número majoritário de professores e sem a presença da direção do Sinpro-PE, fincamos pé dentro da Câmara.

Horas mais tarde fomos chamados para uma sala de negociação. Estavam presentes a comissão de professores, a presidente da casa legislativa, uma representante do judiciário e alguns vereadores.

Um vereador presente, no arroubo de sua ignorância (provada instantes mais tarde) gritou:

- “É uma minoria de professoras que querem perturbar. A maioria dos professores está trabalhando. E o que o meu Prefeito mandar pra eu votar, eu voto. Se tivesse alguma coisa errada na lei, estavam todos os professores aqui reclamando.” (Quero dizer estas não foram palavras textuais, haja vista a formação primária do cidadão em questão).

Até àquele momento eu estava sereno nas minhas palavras e ponderava nas minhas colocações, usando de humildade diante das autoridades a fim de expor os fatos de forma racional e justa. No entanto, quando ouvi estas palavras, eu me virei em direção a quem falava e argüi com voz estridente e agressiva:

- O Senhor conhece Nelson Rodrigues?

- Quem?

- Nelson Rodrigues!

- E eu sei lá quem é esse tal de Nelson!

- Nelson Rodrigues disse, certa vez, que TODA UNÂNIMIDADE É BURRA. Mesmo não estando todos os professores aqui, não significa dizer que estamos exigindo algo impróprio ou injusto.

- Você me respeite rapaz. Não me chame de burro, não! – gaguejou ele enquanto eu deixava a sala.

Conseguimos evitar a votação naquele dia. Os vereadores que votaram pelo adiamento da votação do PCCR nos garantiram que as emendas seriam lidas com atenção. Ledo engano o nosso de imaginar que seria mudado algo no texto que tratava de aumento salarial.

Dias depois ficamos sabendo que o projeto foi aprovado pela maioria da Câmara, em uma outra reunião extraordinária que ninguém ficou sabendo. Foi uma derrota para mim e para as três professoras que estiveram sempre juntas comigo e que não se venderam, não se envergaram e não perderam a dignidade de olhar nos olhos dos demais “colegas”.
o lado escuro e o lado obscuro, feitos um para o outro.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Políticos Simpáticos e Povo sem Memória


Certa vez, o poeta Carlos Drummond de Andrade disse, meio aborrecido:

“Acho o Brasil infecto. Não tem atmosfera mental; não tem literatura; não tem arte; tem apenas uns políticos muito vagabundos”.



Um determinado locutor que se declara partidário de um grupo político, vem atacando com ferozes verbos (mal conjugados) outra corrente política apelidada de “grupo do mal”. Ele tem sido muito infeliz na função que lhe cabe, que é honroso dever de publicar os fatos de forma imparcial. E o interessante é que este mesmo locutor, sofreu perseguição e até foi agredido fisicamente quatro anos atrás, pelas mesmas pessoas que hoje ele defende.


Depois de ouvi-lo fiquei pensando, cá com meus botões: o que a política não faz! Ou melhor, me corrijo: o que a politicagem não é capaz de fazer! Foi quando me veio à memória este desabafo do meu ídolo Drummond. A política brasileira parece que representa um horrendo conto das mil e uma noites de sacanagens. Parece que nada é real, verdadeiro, autêntico, único.


As vésperas de uma eleição, vejo amigos se afastarem dos seus amigos; sei de famílias que esquecem os laços consangüíneos; sinto na pele professores te olharem atravessados e até arriscam nos afrontar com assédios morais tão freqüentes nas instituições escolares; e pelas ruas da cidade, pessoas várias se digladiam levadas por uma lavagem cerebral que só a partidária imunda é capaz de promover. Muitos eleitores e quase todos os políticos se esquecem de que temos o direito de escolher e essa escolha deve ser respeitada. É simplesmente ingênuidade esquecer de que a família e que os verdadeiros amigos são para sempre e, escolhas políticas são todas passageiras, como todos nós somos.


Muitos ainda arriscam em gritar nos microfones: “é a festa da democracia.” Que festa é esta, onde pessoas que conversávamos amigavelmente, hoje, mal nos dão um bom dia? Que festa democrática é esta que oprime a liberdade de pensamento, de ideologia e de esperanças por renovação? A democracia aí estampada nas ruas e nos lares, na verdade, tem funcionado como uma ditadura. Este tipo de comportamento reflete nos políticos que elegemos de dois em dois anos. Lembro-me o que uma das figuras mais nobres do Brasil, Millôr Fernandes, certa vez disse: “Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim.”


As pessoas eleitas pelo povo parecem estar sempre interpretando um papel, ao invés de serem elas mesmas. Não há opinião própria, não se cultiva a personalidade, muda-se de julgamento como se troca de camisa. Os nossos representantes até se esquecem do que pensavam e do que fizeram no passado, inclusive os malfeitos, e isso efetivamente os favorece, porque alimenta a amnésia popular.


Como o brasileiro é um povo sem memória, os políticos podem mimetizarem-se à vontade, pois ninguém vai lembrar mesmo do que obraram há pouco. Não se vai lembrar, por exemplo, que o pessoal do PT defendia todo tipo de CPI. E a turma do PFL, que estava sempre disposta a barrá-la, hoje a cultua como se fosse parte de sua práxis política. Este é um exemplo nacional. Mas, quantos exemplos municipais nós podemos citar? Puxemos pela memória! Que memória? – perguntaria certamente o mestre Drummond.


Atente para este texto, um achado do professor de História do Cefet-SP José Augusto Araújo:

“O Brasil vem sendo sacudido por uma sucessão interminável de denúncias e práticas comprovadas de corrupção, que criam um desalento e um pessimismo tão profundos na população a ponto de esta considerar que os políticos e os governantes em geral não passam de corjas de ladrões. Não é para menos: a corrupção inscreveu-se na normalidade da vida pública brasileira. (...)
O que confere normalidade à corrupção no Brasil é a sua extensão, o seu caráter histórico-cultural e a sua impunidade. (...) Diariamente surgem denúncias por todo o País envolvendo vereadores, prefeitos, governadores, deputados, secretários, ministros, funcionários públicos, fiscais, chefes administrativos, juízes, policiais, e assim por diante. Ladeando-a e fundindo-se com a corrupção temos o neopatrimonialismo, que, em síntese, pode ser definido como o uso do cargo público para constituir privilégios privados. (...)”


Há alguma inverdade nestas palavras? Será que o professor está sendo injusto em seu texto quando ele questiona as ações que são divulgadas na televisão todos os dias, contra aqueles que ele chama de “corja de ladrões”? A sã consciência diz que não. Mas quantos professores, quantos funcionários, quantos comerciantes, quantos comerciários, quantos, enfim, eleitores pensam e agem assim, em nosso município? Onde está a tal democracia? Quem são os ídolos políticos que o povo defende e manda as favas a própria família?


Recordo-me do escândalo do mensalão. O Roberto Jefferson virou herói nacional ao desmascarar o esquema, que ele mesmo teria sido beneficiado. Ele apunhalou o próprio governo que o anistiou. Lula chegou a dizer na época que lhe daria um cheque em branco, tamanha era a confiança que depositava nele. Quem manda confiar num homem que foi líder da tropa de choque de Collor?


Notório esperto, no sentido mais carioca do termo, Jefferson é descrito pelo jornalista Ricardo Noblat como um sobrevivente: “Sobreviveu à gordura que lhe ameaçava a saúde. E sobreviveu a muitos governos, sabendo permanecer à sombra deles quando lhe era conveniente, e sabendo se afastar deles quando julgava necessário”.


Assim como Roberto Jefferson, muitos eleitores, sangue sugas, contratados e funcionários efetivos em todo o Brasil, sobrevivem (em condição humilhante) debaixo de conchavos políticos, de barganhas eleitorais, de subsistência moral dos que vendem o voto, literalmente, por algum modo de vida – diga-se de passagem – mui vergonhosa.


Querem outro exemplo?
Anthony Garotinho, ex-governador do estado do Rio, aquele que era considerado o representante dos “evangélicos” do Brasil, em sua campanha para presidência, dizendo-se preocupado com a crise institucional – crise esta que se arrasta desde D. Pedro – foi taxativo ao afirmar: "São denúncias graves que devem ser apuradas com rigor e com serenidade”. E completou: “A que ponto nós chegamos da vida pública brasileira. É um momento muito difícil, por isso devemos agir com serenidade”.


Como Jefferson, o Garotinho sentou-se no próprio rabo e apontou o prolongamento alheio, esquecendo-se do seu, que comprovadamente foi, ou é, um exemplo de hipócrita político brasileiro. Certamente a serenidade que lhe faltou quando agrediu verbalmente uma juíza eleitoral, taxando-a de petista, quando ela os condenou à perda dos direitos políticos por três anos por causa de abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral. Isto sem falar nas irregularidades do seu mandato de governador e das supostas acusações que pesam contra a sua esposa.


E como esquecer de Antônio Carlos Magalhães, o mesmo dos grampos telefônicos e da violação do painel do Senado, que agora aparece como arauto da moralidade pública? Pelo menos Toninho Malvadeza diverte com suas fanfarronices. Ele acaba de criar uma alcunha para o tesoureiro do PT: “Dilúvio Soares”.


Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, agastado com as dezenas de denúncias que pipocaram no seu governo, está sendo mais comedido, não colocando lenha nessa fogueira. O pai do Real – que mudou pra melhor a vida dos brasileiros – também é alvo da justiça e hoje tem ponderado os seus ataques contra o governo de Lula.


E o também tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais e possível candidato a sucessor de Lula foi sempre um adversário sensato, tem sido mais cauteloso ao afirmar: “O presidente tem uma história que merece o nosso respeito. O presidente Lula não é o presidente Collor”. Tem razão.


Em outro texto que eu publiquei neste blog, falei da importância do voto. Que direito de votar e uma das primeiras regras da democracia. Que precisamos ter memória política e vontade independente. É a partir do nosso voto que escolhemos principalmente o rumo das nossas vidas e de nossas famílias.


Tenho conversado com pessoas mais experientes e elas falam que não têm desejo algum de sair de casa e votar em quem quer que seja. Este é um senso comum. Mas precisamos refletir sobre o que a Igreja Católica aponta como sendo um dos pecados mais desumano: Omissão.


Ex-vereador da Cidade do Recife, o Professor Rafael de Menezes, muitos anos atrás, no programa do radialista Samir Abou Ana disse uma frase que eu jamais vou esquecer e que trago comigo na minha prática profissional e na minha vida pessoal. Disse o ilustre professor: “É na omissão dos que se intitulam bons, que os maus prevalecem-se”. Ou seja, como é que nós, - os bons - não conseguimos construir uma identidade ideólogica enquanto que os maus decidem o que será feito das nossas vidas?

A clássica idéia de que para mudar o mundo precisamos mudar a nós mesmos, parece completamente esquecida pelo povo em geral. O poeta Carlos Drummond de Andrade poderia acrescentar ao seu desabafo: “Nem todos são vagabundos, mas o povo é sem memória”.

sábado, 6 de setembro de 2008

INDEPENDÊNCIA OU MORTE (?)

(D. Leopoldina com outro “imperadorzinho” no colo. Óleo de A. Failutti. Museu Paulista).

(Gonçalves Ledo. Museu Paulista /SP).



(José Bonifácio. Obra de Oscar Pereira da Silva. Museu Paulista/SP).


(Aclamação de D. Pedro I. Prancha de Dedret. Biblioteca Nacional/Rio).




(O Grito do Ipiranga. Obra de Pedro Américo, Museu Paulista/SP).



( D.Pedro Óleo de S.R. de Sá - Museu Imperial. Petrópolis )

Para formalizar o reconhecimento da independência brasileira, o governo britânico exigiu que o Brasil pagasse um débito de 2 milhões de libras que Portugal devia a Inglaterra.
A Independência do Brasil, oficializada por um grito, foi resultado de um arranjo político (desprovido de mudanças sociais) preparado por um grupo de representantes das classes dominantes da época, empenhados no rompimento dos laços com a Corte Portuguesa sem mexer nas estruturas já existentes.
Esse “arranjo” manteve a monarquia, a escravidão e o latifúndio. A grande massa da população, afastada do processo decisório, continuou na miséria. Daí o historiador Mário Schmidt afirmar que o grito “Independência ou Morte” significava: Independência para as elites e Morte para o povo.


A TELA DO GRITO DO IPIRANGA

Esta tela, pintada em 1888 por Pedro Américo, é uma imitação da Batalha de Friedland, de Ernest Meissonier (1). Para diferenciá-la da obra original, o pintor paraibano acrescentou à cena um carro de bois e uma choça. O “produto” final sairia bem diferente da realidade histórica: quando encontrou os dois mensageiros da Corte, D. Pedro não usava roupa de gala, montava uma prosaica mula e estava acompanhado apenas da guarda de honra e de um pequeno grupo de seis pessoas, todos vestindo roupa simples de viagem.
Para o perquisador Mário Schmidt, D. Pedro não foi o autor da Independência do Brasil. Ele funcionou apenas como uma pecinha de uma grande máquina controlada pela aristocracia brasileira.



D. PEDRO É ACLAMADO IMPERADOR

No dia do seu aniversário (12 de outubro), D. Pedro foi aclamado Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil. Com salvas de canhões e toques de clarins comemorava-se a separação do Brasil de Portugal. Pradoxalmente, a massa popular - não beneficiada com a mudança - aplaudia entusiásticamente o acontecimento. As elites também festejavam. Para elas, a Independência do Brasil significava a manutenção dos privilégios antigos (coloniais) e novos (os decorrentes do liberalismo).



JOSÉ BONIFÁCIO

Este cidadão teve papel fundamental na aglutinação das elites em torno de D. Pedro. Das suas manobras políticas saiu o Sete de Setembro: uma independência de cima para baixo, sem nenhuma mudança social e conduzida pelo próprio herdeiro da decadente dinastia dos Braganças.



GONÇALVES LEDO

Nos bastidores da independência estavam os maçons da Grande Loja Oriente. Um de seus membros mais atuante foi Joaquim Gonçalves Ledo, partidário de uma independência democrata e republicana. O homem, porém, mudou de idéia quando grandes latifundiários e o próprio Príncipe entraram para sua Loja (8).




DONA LEOPOLDINA

A primeira mulher de D. Pedro, Dona Leopoldina, simpatizava com a causa brasileira. Na sessão do Conselho de Estado (cinco dias antes da proclamação oficial da independência), ela já se posicionava a favor da emancipação do Brasil.


O Brasil foi o único país na América que adotou a monarquia, durante todo o século XIX. Foi o único também que teve uma nobreza “artificial” criada por meio de títulos honoríferos, tirados de nomes de cidades, rios, fazendas e batalhas. O agraciado tornava-se um fiel aliado do Governo.

Para esta gente pobre o Brasil “independente” continuou o mesmo: escravos, índios, mestiços, trabalhadores pobres e camadas médias urbanas submetidas. Até quando? Ouçamos a opinião recente do ex-padre progressista Leonardo Boff: “As elites em seu mimetismo ficam sempre ao lado do governo... isso faz com que o jogo nunca se mude, apenas embaralham-se diferentemente as cartas do mesmo e único baralho.”




NOTAS

A obra "Grito do Ipiranga" de Pedro Américo , uma imensa tela a óleo (medindo 6m 56cm x 4m 10cm) foi pintada em Florença, Itália, entre os anos 1886 e 1888, por encomenda da Comissão Oficial incumbida da construção Monumento do Ipiranga, em São
Paulo. Concluída, a obra ficou em exibição naquela cidade italiana, onde foi "elogiada" pela rainha Vitória da Inglaterra. Elogios, na diplomacia e na política, quase sempre levantam suspeitas. D. João VI, por exemplo, era tratado pela diplomacia inglesa como "o príncipe mais rico do mundo" . Envaidecido, o monarca, no poder, ficou permanentemente manietado e manipulado pelos ingleses. Pois, pois!
A obra-prima de Pedro Américo foi elogiada pela governanta inglesa e também por vários soberanos europeus. Não era para menos. O pintor "oficial", financiado pelo Tesouro Brasileiro, caprichou: O vale do Ipiranga, vira colina; a mula de D. Pedro, um belo cavalo zaino; roupas simples de viagem, trajes de gala; o grupo que acompanhava o Príncipe, afastado enquanto ele despejava uma diarréia, aparece unido na sua retaguarda; os dois mensageiros que trazia as cartas, são transformados em mais de trinta guerreiros militarmente uniformizados, montando cavalos castanho-escuros e brancos.
Do artificialismo, restou algo real: um assustado caboclo a frente de um carro-de-bois , às margens de cá; um humilde casebre, às margens de lá. Às margens, sim, pois, também, de fora ficaram as massas pobres do Sete. Esta, porém, não foi a intenção do artista paraibano. Queria ele, com esse algo real, diferenciar a cópia do original: a Batalha de Friedland (entre o exército de Napoleão e tropas russas, ocorrida em junho de 1807) retratada por Ernest Meissonier (sem carro-de-bois e casebre, claro !).
A historiografia oficial brasileira cumpre diretinho o seu papel: a obra-prima (ou melhor a cópia-prima) de Pedro Américo pode ser vista e elogiada no Museu Paulista, São Paulo (Brasil 500 Anos, Atlas Histórico, p.45, Bernardo Joffly, Instván Jancsó / Consultor, Editora Três, São Paulo, 1998. História do Brasil, vol. IV, p. 111, Rocha Pombo, Editora W. M. Jackson, Sâo Paulo.
(Saga, A Grande História do Brasil, vol. 3, p. 90, Abril Cultural, São Paulo, 1981. O Projeto Brasil Urgente disponibiliza aos interessados, para pesquisa, uma reprodução da obra de Meissonier ).

"D. Pedro retornava de Santos e achava-se já às margens do riacho do Ipiranga quando o alcançaram o sargento-mor de milícias Antônio Ramis Cordeiro e o correio Paulo Bregaro, que lhe entregaram as cartas de D. Leopoldina e de Bonifácio. Com o príncipe estavam, além da guarda de honra, o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, o secretário Luís Saldanha da Gama, futuro marquês de Taubaté, o secretário particular Francisco Gomes da Silva apelidado Chalaça, o major Franciso de Castro Canto e Melo e os criados João Carlota e João Carvalho.
(Saga, A Grande História do Brasil, vol. 3, p.90, Abril Cultural, São Paulo, 1981).

"Durante muito tempo, os historiadores procuraram demonstrar que a emancipação do Brasil foi resultado do gesto heróico e solitário de D. Pedro (...) na verdade, o Sete de Setembro concretizou os ideais da aristocracia agrária, especialmente dos grande proprietário ligados à produção açucareira. Esse setor tinha em sua liderança uma elite ilustrada, herdeira das influências européias, formada por membros da magistratura, da burocracia e do clero"
(Op. cit., p. 92).

"A elite agrária desejava que a Independência provocasse o rompimento dos laços coloniais, mais não afetasse a estrutura social e econômica. Além da unidade territorial, era preciso manter a escravidão e a grande propriedade, excluindo do processo político não só os escravos como a grande massa de trabalhadores livres. Para tanto tornava-se necessário assegurar o desdobramento pacífico dos acontecimentos, impedindo-se radicalizações que levassem à república democrática" (Idem, p.93).

" Em face da possibilidade de reimplantação plena do pacto colonial, tomaram vulto as manifestações favoráveis à emancipação. No entanto, entre os grandes proprietários de terra havia o temor de que, a exemplo do que ocorrera em algumas nações da américa latina, especialmente no Haiti, o movimento independentista assumisse um caráter revolucionário, que provocasse profundas transformações na estrutura econômico-social (...) a independência viria, pois, como resultado da confluência dos interesses pessoais de D. Pedro - que pretendia manter o poder, restringido depois da Revolução do Porto - com os dos grandes proprietários de terra, empenhados em evitgar as consequências de uma rebelião popular que pudesse pôr em risco seus privilégios"
(Formação Econômica do Brasil, pp. 114/115, Marina Gusmão de Mendonça e Marcos Cordeiro Pires, Editora Thomson, São Paulo, 2002).

"O heroísmo de D. Pedro não explica a Independência do Brasil. No fundo, ele se tornou imperador por interesse das elites brasileiras"
(Nova História Crítica do Brasil, 500 anos de História Malcontada, p.120, Editora Nova Geração, São Paulo, 1998)

" Comemorada com grande entusiasmo pelo povo em geral, a Independência ocorreu, na verdade, sem a sua participação, e não alterou profundamente seu modo de vida. Os negros, por exemplo, que, em sua maioria, trabalhavam na lavoura, continuaram submetidos regime escravagista, praticamente alheios aos acontecimentos políticos "
(Saga, idem , p.93).

" Durante o movimento da Independência, a atuação da Maçonaria ocorreu sobretudo por intermédio do Grande Oriente Brasileiro, loja na qual José Bonifácio foi grão-mestre, apesar de ser dominada pelos seguidores de Gonçalves Ledo. A loja passou, contudo, a sofrer concorrência do Apostolado da Nobre Ordem dos Cavalheiros de Santa Cruz, sociedade política no estilo dos clubes secretos, porém não-maçônica, criada pelo mais velho dos irmãos Andrada.
Ambas se tornaram espaços de sociabilidade fundamentais para que os dois grupos, que disputavam a influência sobre o príncipe regente, realizassem as discussões políticas que resultaram na separação do Brasil de Portugal. Na primeira, D. Pedro foi iniciado, tomando o nome simbólico de Guatimozim , derradeiro imperador asteca, e logo depois foi elevado a mestre e, em 4 de outubro, a grão-mestre..."
(Dicionário do Brasil Imperial, p.506, Ronaldo Vainfas/Direção, verbete elaborado por Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2002).


" A carta que D. Leopoldina enviou então ao marido, expressando o temor de que as Cortes cumprissem sua ameaça de ocupar militarmente o Brasil, contribuiu para levar D. Pedro à histórica decisão do Sete de Setembro "
(Saga, ibidem, p. 90)

" Tentando obter a lealdade dos segmentos mais conservadores da aristocracia, após o Sete de Setembro D. Pedro I brindou-os com uma enxurrada de títulos nobiliárquicos, que, em poucos anos, ultrapassaram o total de títulos concedidos pela monarquia portuguesa em seus sete séculos de existência "
(Saga, ibidem, p. 92).

" Até hoje o Brasil foi construído de cima pra baixo e de fora pra dentro: a partir dos poderes coloniais, depois pelas elites proprietárias e, a seguir, pelo Estado em sua ação mobilizadora e interventora. Essa lógica sedimentou as desigualdades e agravou as exclusões"
(Depois dos 500 Anos que Brasil Queremos, p. 67 , Leonardo Boff, Editora Vozes, Petrópolis, 2000).

O primeiro país a reconhecer oficialmente a Independência do Brasil foi os EUA, em julho de 1824. Seguiram-se o México e a Argentina, em 1825. Na Europa, a França foi a primeira a dar o seu aval. Com suas afiadas garras, o leão britânico aproveitou a oportunidade, pra mais uma vez montar na cacunda dos Braganças (e dos brasileiros): para o seu reconhecimento oficial exigiu, além da manutenção dos privilégios da época joanina, que o "herói" libertador pagasse uma conta de dois milhões de libras esterlinas que Portugal devia aos bancos ingleses.
Para cumprir a exigência, o Brasil recorreu à Inglaterra e ela própria emprestou o dinheiro pra si mesma. Resultado: o Brasil não viu a cor da grana, e ficou na obrigação de pagar juros leoninos por décadas e décadas. Of course!
Pois outros dois extorsivos empréstimos foram contraidos (em 1829 e 1859), por imposição da "amiga e protetora nação" para saldar restos da duvidosa conta portuguesa. E mais: uma cláusula do contrato do dito empréstimo (artigo 3º) "mandava contar os juros a partir de outubro de 1824" (o empréstimo foi lançado em janeiro de 1825).
Por trás da negociata, obviamente estavam os Braganças D. Pedro I e D. João VI. Filho e Pai ! Um estudioso da dívida externa (eterna) brasileira, desde o Império a República, assinala: "o primeiro dinheiro que tomamos emprestado nos escravizou até o raiar da guerra do Paraguai".
(Brasil Colonia de Banqueiros, História dos Empréstimos de 1824 a 1834, p. 45, Gustavao Barroso, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1935).




FILMOGRAFIA:

Independência. 1991. Duração 17 min. Documentário. Vídeo do acervo do Instituto Cultural Itaú. Aborda o processo de Independência política do Brasil, no período 1808 - 1822. Destaque para a missão artística francesa trazida por D. João VI.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Do Portal G1:


O ator, produtor e diretor Fernando Torres morreu aos 80 anos em casa nesta quinta-feira (4) no Rio de Janeiro. Torres morreu de efisema pulmonar, segundo informação de sua empresária.
De uma família de artistas, ele era casado com Fernanda Montenegro e pai de Fernanda Torres e do cineasta Cláudio Torres. Fernando estreou no teatro em 1929, atuando em "A Dama da Madrugada", de Alejandro Casona.
Nos anos de 1956 a 1958, trabalha no Teatro Brasileiro de Comédia, TBC, como ator e como assistente de direção, e assina pela primeira vez a direção de um espetáculo em "Quartos Separados", 1958.


Registo minha homenagem a esta grande figura do teatro brasileiro e da televisão brasileira.
"Reconhecemos, geralmente, os grandes homens pelos frutos deixados".
Muita Paz e muita Luz nessa sua nova trajetória Fernando Torres.

HOMENAGEM AO DURANGO KID BAIANO


O cantor Waldick Soriano, 75 anos, morreu de câncer por volta das 5h30 desta quinta-feira (4) no Inca (Instituto Nacional do Câncer), em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Ele estava internado desde o fim de semana. Waldick, que vivia em Fortaleza, estava morando no Rio desde o mês de abril. O artista contra um câncer na próstata.


O corpo do cantor vai ser velado no salão principal da Câmara dos Vereadores do Rio e o sepultamento será nesta sexta-feira (5). O velório ficará aberto à visitação pública até o fim da tarde de hoje. O enterro está previsto para a manhã desta sexta-feira, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Baiano da cidade de Caetité, no sudoeste do Estado, Waldick tinha mais de 40 anos de carreira e entre os seus sucessos, do gênero brega, estão "Eu não sou cachorro, não" e "Tortura de amor".


Enquanto os garotos deixavam seus cabelos ficarem longos e as meninas usando mini-saia, as rádios executavam canções de campeões de vendagens como Carlos Alberto, Alcides Gerardi, Anisio Silva e principalmente Waldik Soriano, os parques , as quermesses, os bares tinham todos os bolachões e fotos do nosso Durango Kid.

Waldik sempre presente na mídia, uns diziam que ele tinha postura de quem era da direita, enquanto a Bossa Nova representava a esquerda, na verdade Waldik Soriano foi assediado pela esquerda por amigos, mas seu objetivo era cantar para todos suas paixões, desilusões amorosas, exaltar o amor e ser um eterno apaixonado, cantando os sentimentos naturais do ser humano, independente de poder aquisitivo, ideologia política e formação cultural.

Quem viveu os anos 60/70, querendo ou não, teve Waldik Soriano incluso na trilha sonora de sua vida, Paixão de um homem, um de seus grandes sucessos virou filme levando Waldik para as grandes telas, Tortura de Amor teve inúmeras regravações dentre elas Maria Creusa e Fagner e ele conseguiu sobreviver em evidencia além dessas décadas, mesmo com os preconceitos musicais que foram criados em nome de uma falsa cultura, muitos diziam que era cafona, quadrado e mais tarde surgiu a palavra brega, menosprezando assim nossos mitos e seus admiradores, os pseudo-cultos optavam por coisas idênticas vindas de outras bandas desde que não fosse verde-amarela, mas Waldik continuou sua trajetória dizendo que não era cachorro não, que também era gente e lembrando que a voz do povo é a voz de Deus e que ele era um mensageiro da paz e do amor vindo de São Salvador.

Graças a iniciativa de Patrícia Pilar, hoje temos um trabalho em DVD feito na medida certa para o Rei do Bolero, gravado em Fortaleza no Cine São Luiz, acompanhado com grandes músicos dando um brilho especial ao repertório do Rei. Um espetacular evento que registra para posteridade a obra de nosso Cancioneiro Popular, um show de emoções que encanta nossos corações, fico feliz em saber que temos pessoas capazes de realizar um trabalho tão brilhante e necessário de resgate da nossa cultura.

Euripedes Waldik Soriano, nascido em 13 de maio de 1933 no interior baiano, já gravou mais de 80 discos, interpretando suas composições e de grandes mestres do cancioneiro romântico mundial, confira na coletânea abaixo sucessos do inicio de sua carreira como A CARTA, MINHA ULTIMA SERENATA, originais extraídas de vinil, onde nos arranjos tem até o som das taças brindando, além dos super hits que compõe esta edição alternativa, você encontrará versões como EU VOU TER SEMPRE VOCÊ, ESTRANHOS AO LUAR, NOVA FLOR, sucessos de BIENVENIDO GRANDA e ainda um Pout-Pourrit de Roberto Carlos extraído também de um LP onde interpreta só canções da dupla Roberto e Erasmo Carlos.


Lembranças:


"Meu padrasto e minha mãe eram fãs desse "bregueiro" de voz acentuada. Me lembro que dá última vez que eu o vi, foi em um circo em Vitória de Santo Antão, creio que no ano de 1997 ou 1998, depois que meu padrasto e minha mãe me convidaram pra ir com eles ver o Waldik Soriano. Confesso que ele nunca fez o meu estilo (preconceituoso) de música. Mas pelo fato de fazer um programa em família e pelo fato deste programa ser em um circo (lugar que eu amo ir), eu aceitei e ainda de quebra, convidei uma namorada.

Cheguei primeiro com meus pais e fiquei aguardando a namorada que chegaria minutos depois acompanhada da irmã e do cunhado. Assim que minha namorada entrou, Waldik começou a cantar. E como estávamos bem em frente ao palco (picadeiro), ele não pode deixar de observar de perto a minha namorada chegando e sentando-se ao meu lado, bem de frente pra ele.

E não é que o sacana (risos) ficou dando cantadas na minha namorada? Fiquei "P" da vida, enquanto meu padrasto riu e me explicava que o cara era assim: galanteador e metido a conquistador... Pude observar que ele estava alcoolizado e mesmo contrariado, deixei que ele simplesmente babasse... (risos).


Waldik era assim...

E, do fundo do meu coração, desejo que ele não esteja assim do outro lado. Que os bons espíritos o acolha com a paz que ele merece.
Nos lembraremos que ELE NÃO ERA CACHORRO, NÃO!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

É preciso fé cega e pé atrás...


Assassinato da jornalista Sandra Gomide completa oito anos

Na quarta-feira (20 de agosto), fez oito anos que o ex-diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, Antônio Marcos Pimenta Neves, assassinou a jornalista Sandra Gomide, na época sua namorada e editora de economia do jornal.

O jornalista matou Sandra num haras em Ibiúna, interior de São Paulo (SP), após o fim do romance dos dois. Depois de atirar nela pelas costas, ele se aproximou e lhe deu um tiro na cabeça, a 35 cm distância. Desde então, passou apenas sete meses preso.

Réu confesso, Pimenta chegou a ser condenado a 19 anos de prisão pelo Tribunal do Júri de Ibiúna, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que a confissão serviria para reduzia a pena, que caiu para 18 anos, informou o site Cidade Biz.

O caso agora está no Superior Tribunal de Justiça. No dia 5 de agosto, a a ministra Maria Thereza de Assis de Moura votou pela redução de três anos de sua pena, mas não aceitou o pedido para anular o Tribunal de Júri. No momento, o julgamento está interrompido pelo pedido de vista do ministro Og Fernandes. (1)

(1)- Redação Portal IMPRENSA.



No ano passado, 16,9% dos inquéritos concluídos ficaram sem definição do criminoso. Para especialistas, é isso que traz a sensação de impunidade.


Há quem diga que o Brasil teve uma aula de investigação com o caso da menina Isabella Nardoni, jogada do sexto andar de um prédio em São Paulo no dia 29 de março. A população pôde acompanhar ao vivo pela televisão a reconstituição do crime, o trabalho da perícia e as hipóteses levantadas. “Seria o sangue de Isabella o encontrado no apartamento?” “Qual objeto foi usado contra a menina?” “O crime levou quanto tempo?” Perguntas que a polícia buscou responder. Dessa forma, o inquérito policial foi encerrado apontando os acusados, que serão julgados pela Justiça.Longe dos holofotes, porém, crimes continuam sem solução. No Paraná, por exemplo, em 10,9 mil crimes não foram definidos os autores, em 2007. Do total de inquéritos concluídos no estado no ano passado, 16,9% ficaram sem definição do criminoso, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

Crescimento de casos solucionados é maior

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) revela que o crescimento no número de inquéritos solucionados foi superior ao de inquéritos sem definição de autoria. De 2006 para 2007, houve aumento de 33,4% de inquéritos solucionados (concluídos com a prisão do autor e com a definição de autoria).

Para especialistas, o número, que deveria ser zero, preocupa e traz conseqüências, como a sensação de impunidade. “A falta de responsabilização do autor do crime estimula ainda mais o crescimento da criminalidade”, aponta o advogado criminal e doutor em Direito Penal pela Universidade Federal do Paraná, Juliano Breda.

Para ele, o aumento do número de inquéritos demonstra o acréscimo do fenômeno delitivo. Na comparação de 2006 com 2007, o número de inquéritos instaurados passou de 46,3 mil para 57,5 mil – aumento de 24,6%. “Enquanto as estatísticas do Ministério da Justiça apontam uma redução da criminalidade em alguns estados, especialmente em São Paulo, o Paraná vive um momento dramático de insegurança social”, diz o advogado.

Causas

De acordo com Breda, não se pode culpar exclusivamente a polícia na indefinição de autoria de um crime. “O inquérito policial é um procedimento de certa complexidade e o sucesso de uma investigação depende, sobretudo, da infra-estrutura oferecida aos órgãos policiais.”

Um investigador da região metropolitana de Curitiba conta que enfrenta essa dificuldade. Ele diz que não vai ao local do crime porque não há policiais suficientes. Num plantão da delegacia, só há um investigador, que tem de cuidar da carceragem, registrar Boletim de Ocorrência, cuidar do patrimônio da delegacia, levar presos para a audiência, entre outras atividades. “A gente consegue obter êxito quando imediatamente fica a par e não deixa esfriar.”

A promotora de Justiça Cynthia Maria de Almeida Pierri, da Promotoria de Inquéritos Policiais de Curitiba, verifica que muitos inquéritos poderiam ser melhor investigados. “Falta pegar o inquérito e terminar. Coisas se perdem com o tempo. Acabam ficando no trâmite Ministério Público e delegacia”, diz. O trâmite acontece porque é o MP que, a partir das informações do inquérito, pode oferecer denúncia e dar início à ação penal ou promover arquivamento. Segundo ela, são feitos mais arquivamentos do que oferecidas denúncias, o que deixa a maior parte dos crimes impune.

Instauração

Nem todas as ocorrências policiais viram inquéritos. Na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, por exemplo, um Boletim de Ocorrência (BO) não necessariamente transforma-se em inquérito. “Todos os BOs que são instaurados já dão início à investigação, não necessariamente ao inquérito. Na hora que tem algum indício, alguma pista, prova, que possa te levar a descobrir autoria, aí sim é instaurado inquérito”, explica o delegado titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículo, Itiro Hasshitani.

O professor de Direito Processual Penal da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Maurilúcio Alves de Souza, verifica que o Estado não tem condições de instaurar inquérito para todos os crimes. “O Estado não garante o direito da vítima porque não tem condições para tal.” Para ele, no meio de muitas ocorrências que não se transformam em inquéritos, o caso Isabella poderia ser mais um crime em São Paulo. “Depois que tomou toda repercussão, eles (peritos) foram (ao local). Há dificuldade no Brasil em relação à investigação criminal”, conclui.
O escritório de advocacia Professor René Dotti adotou há dois anos uma ação inédita, segundo o sócio Beno Brandão: reunir documentos para levá-los diretamente ao Ministério Público (MP), sem a instauração de inquérito. “A gente faz tudo que é possível para não levar processo à autoridade policial. O normal seria pedir instauração do inquérito e esperar.” Segundo Brandão, estão sendo obtidos bons resultados. (2)

Na última segunda-feira, numa sala de 7ª série, eu explicava o processo da Inconfidência Mineira. Falei que todas as reuniões dos planos de conspiração contra a Coroa Portuguesa eram realizadas na casa de um tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade; expliquei qual foi a reação de dona Maria, Rainha de Portugal e como foi o esquartejamento do jovem militar conhecido com Tiradentes.

Ao final da explicação, fiz uma pergunta: Porque apenas Tiradentes recebeu sentença de morte? Alguns não haviam entendido a questão e não acertaram. A maioria acertou.

Hoje pela manhã acompanhava um programa de rádio via internet e passava a entrevista de um assaltante que havia sido preso por tentativa de roubo de um celular. O rapaz, de 29 anos, era fugitivo presidiário havia dois anos. Ele informou ao repórter que havia fugido quando lhe foi permitido visitar a família, depois de seis anos de cadeia. Segundo ele, a sua sentença era pra ser cumprida em três anos e ele já estava no sexto ano, quando resolveu não voltar mais pra prisão.

Com estes dois exemplos, percebe-se que historicamente, no Brasil, a justiça só funciona com rigor pra quem é pobre e, no caso de Tiradentes e deste presidiário, a justiça parece negar a essência pela qual foi criada. Será que vamos continuar dizendo que a justiça só funciona para uns e para outros não? De quem é a culpa de haver dois pesos e duas medidas?

Gostaria de que sugerir a leitura de uma reportagem da veja: "Os sobreviventes da burocracia - A república do papel, que sufoca a eficiência do país, só é ruim para o cidadão comum. Para os corruptos, é uma maravilha".
Disponível em: http://veja.abril.com.br/041006/p_082.ht...

Infelizmente, o fato é que a maioria da população não é esclarecida. E porque não é esclarecida? Por que não tem boa formação. E porque não tem boa formação? Por que não tem boas escolas? E porque não tem boas escolas? Por que barganham o seu voto e elegem gente como Paulo Maluf, como Severino Cavalcante e tantos outros.

Analisando friamente, percebemos que impunidade é reflexo da nossa falta de capacidade de discernimento, de esclarecimento, de formação crítica. O sistema Judiciário apenas aplica as leis e apenas os ricos podem pagar bons advogados para este use a justiça, a lei em favor do seu cliente. Bons advogados só podem pagar os ricos, então os ricos são mais difíceis de punir. Os pobres não têm condições financeiras para contratar um bom advogado para se defender, então a Justiça anda rápido. É assim.

Quanto mais travas, recursos, incidentes processuais, possibilidades de defesa tiverem no processo, mais a coisa vai ficar atrasada, portanto, o bom advogado que souber utilizar do processo (contraditório e ampla defesa - Art. 5º, inciso LV da Constituição Federal), conseguirá protelar um processo por anos. A Lei não está errada... Não é a Lei que precisa ser mudada. Que diferença fez, faz e fará um papel? Nenhuma. A Lei está certa, é o brasileiro que não cumpre nem exige que seja cumprida.

O Judiciário é um poder travado, só faz o que é possível legalmente, o que tá escrito na lei feita pelo Presidente (porque hoje o Brasil é legislado pelo Planalto - 75% das leis hoje vigentes são originárias de Decreto Presidencial ou Medida Provisória depois aprovada pelo Congresso e pela Câmara), pois as Leis do Presidente tem preferência em votação, aí não dá tempo dos legisladores formularem ou votarem as próprias leis.

Então, a lei só funciona para os pobres porque são eles que votam em quem faz as leis e quem faz as leis só está preocupado com a própria pele, criando inúmeros mecanismos para poder se safar, inúmeras falhas que depois dá crise e conflitos jurisprudenciais no STJ, STF e tribunais inferiores por causa de uma vírgula que deixa dúbio o texto da lei, ou um parágrafo que eles tiram de um artigo e colam em outro que muda tudo.

A Justiça no Brasil é diretamente proporcional a qualidade de seu povo. Ainda sim, Graças a Deus, que há muito mais juízes, promotores, procuradores, advogados, honestos, justos e que amam a profissão pelo seu próprio caráter institucional, do que políticos que gostam de fazer o bem pela coletividade.

Acredito que só pode criticar aquele que conhece muito bem o assunto, suas origens, razões, aplicabilidade e conseqüências! Não é uma Lei, um Código, uma Coletânea de Leis, um Decreto, uma Medida Provisória, que vai fazer diferença, é tudo um monte de papel. O Brasil e, conseqüentemente, a Justiça só vão mudar quando o povo brasileiro mudar!

Quanto o povo brasileiro se conscientizar que a conduta de "furtar" um brigadeiro antes dos parabéns em uma festinha de aniversário é exatamente a mesma coisa que pegar 30 mil reais das verbas públicas para interesse particular. Quanto se conscientizar que se a pessoa já esteve lá, não melhorou, piorou, fez a gente passar vergonha, roubou e o Brasil está cada vez pior, é hora de arriscar e mudar nas urnas. Mas, se viram a lista de deputados e senadores eleitos saberão que o povo não está preocupado com o Brasil. O Povo está preocupado é se o Bolsa Família vai chegar direitinho o mês que vem e o resto que se dane!

Democracia é o povo ter o maior poder para tutelar seus próprios interesses (votar) e ainda sim, mesmo que fizer bobagem na hora do voto, sua decisão é respeitada e quem ele colocou continua lá. Para quem tem um presidente que não é capaz de concordar o sujeito com o verbo e suas mais expressivas falas se resumem a metáforas futebolísticas, a existência de algo que possa ser chamado de "Justiça" já é uma vitória incomensurável.
Sem Educação, não haverá Justiça.
Sem Justiça, não haverá punição.
Sem punição, não haverá paz.
Sem paz não, haverá vida.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

CONHECE-TE A TI MESMO


Khrisna resolveu testar a sabedoria de seus súditos. Convocou Duryodhana, um rei conhecido por sua crueldade, e pediu que encontrasse um homem bom em seu reino. Duryodhana viajou durante um ano, e voltou à presença de Khrisna, dizendo:
“-Busquei um homem bom, e não encontrei. São todos egoístas e malvados”.

Khrisna chamou o rei Dhammaraja, considerado um homem santo. Pediu que percorresse seu reino em busca de um homem malvado. Dhammaraja viajou durante dois anos, e voltou a Khrisna, dizendo:

“-Perdoe-me, mas não encontrei ninguém mau. Todos têm um lado bom, apesar dos defeitos”.

Então Khrisna comentou com os outros deuses:

“Viram? O mundo é um espelho, e devolve a todos os reflexos do próprio rosto”.


Quer ver uma pessoa, por mais tagarela e comunicativa que seja, parar de falar, ficar sem assunto? Basta que você faça uma destas simples perguntas: “Quem é você?” ou “Como você se define?”. 99% das pessoas não conseguem responder. Mas se você perguntar: “O que você acha de fulano?” Bom, pode se preparar para um relatório com nuanças que você jamais supôs existirem.

Analisando estas duas situações, em uma única pessoa, levantam-se duas questões que merecem tratarmos aqui, até mesmo para trocarmos nossas experiências e fazer com que o objetivo deste Blog seja alcançado. Perguntamos:
1º - Por que as pessoas não conseguem falar de si próprias?
2º- Por que estas mesmas pessoas têm tremenda facilidade de falar (negativamente, na maioria dos casos) de outras pessoas?

Pra responder, inclusive a mim mesmo, busquei me recordar de um santo da Igreja Católica, doutor da lei, Santo Agostinho. Ele aconselhava a todos fazerem o que ele mesmo fazia. Ao cair do dia, ele pegava uns grãos de arroz e uns grãos de feijão preto e para cada ato bom que ele havia feito, era atribuído um grão de arroz, e, para ato negativo, um caroço de feijão.
Isso deveria ser feito todos os dias para que, diariamente, ele pudesse ir se avaliando e, ao mesmo tempo, se conhecendo. Ele falava que quanto mais nos analisamos, nos conhecemos, mais próximo estaremos da “felicidade” e isentos de quaisquer tipos de feridas. Garante Agostinho que se o autoconhecimento não for prioridade em nossas vidas, mais incorreremos no erro de ver os semelhantes na condição de juízes implacáveis que condenam sem hesitarem.

Em fração de segundos poderemos fazer uma lista de pessoas que agem assim, que são assim. Julgam o mundo como se não fizessem parte dele, mas que na verdade não enxergam seus próprios defeitos. Vou contar uma historinha que me auxilia na busca de nossas respostas.
Certa vez um discípulo fez essa pergunta a um sábio:
- Por que nossos semelhantes só vêem os defeitos alheios, Mestre?
Ele respondeu:
- Os homens andam enfileirados, uma atrás do outro, por isso eles não vêem seu próprio "traseiro". Então, olham, analisam e criticam o "traseiro" do outro.

Ou seja, não nos olhamos de maneira crítica, para perceber que fazemos parte de uma grande unidade e que temos nossos defeitos e qualidades. Para nós as nossas próprias qualidades se sobressaem, e das outras pessoas somente vemos os defeitos, pois a tendência do ser humano é se achar sempre desprovido do defeito alheio.

A tarefa sugerida por Santo Agostinho demanda uma série de desprendimento, de disciplina e de muita humildade para admitirmos que nós somos falhos, somos fadados ao erro constantemente, que não somos dono da verdade, que necessitamos de tolerância, tanto para dar como receber. Muitos dizem que não têm tempo para si, de parar e olhar para dentro de si mesmos. Admitimos, auto-análise é mesmo muito complicado. Falar de si mesmo é muito difícil. Mais fácil é falar do outro.

Anos atrás eu li uma pesquisa onde os psicólogos afirmavam que nós enxergamos nos outros os defeitos que temos em nós mesmos. Quando li isto, procurei me policiar, me avaliar com mais veemência, me conhecer com mais honestidade. Já conhecia a receita do sucesso de Agostinho e sempre tive claro que o ser humano gosta de se prevalecer em todos os aspectos e não aceita ser contrariado. Eis que me vem na lembrança outra história interessante. É a historia da mulher que sempre reclamava para o marido que as roupas da vizinha estavam sempre mal lavadas e imundas.
- A vizinha deveria ter vergonha de colocar as roupas sujas no varal – dizia ela ao marido, todos os dias.

Um dia, cansado de tantos comentários da mulher, o marido foi até a janela de onde dava pra ver as roupas do varal da casa vizinha. Ao chegar perto da sua vidraça, percebeu que as roupas da vizinha eram limpas. Suja era a janela da sua casa.

O interessante é que não precisamos conviver 24 horas por dia com os defeitos dos outros, mas sim com os nossos próprios. E sempre, com estes somos geralmente, condescendentes. Adoramos fazer "vista grossa" quando magoamos, quando somos intransigentes, quando somos implicantes com bobagens. Normalmente sempre tendemos a culpar as atitudes alheias, pelas nossas falhas e nos colocamos na condição de vítima e, o outro, nosso algoz e, assim, dizemos freqüentemente:
"Eu tive que perder a cabeça, você viu o que ele fez comigo?";
"Eu tava quieto no meu canto, ele é que me provocou";
"Eu suporto tudo, menos esse tipo de coisa".

A psicologia trans-pessoal e os ensinamentos Budistas nos orientam no sentido de que só “perdemos a cabeça” porque ela nunca esteve no lugar certo. Se algo nos “provoca a quietude”, esta calmaria nunca foi verdadeira. E, se “suportamos um elefante e nos engasgamos com uma formiga”, somos desequilibrados em algum nível de compreensão de nós mesmos.

Se a gente parar para examinar a situação de fora, acabamos percebendo que o que mais detestamos nos outros é exatamente o que não suportamos em nós mesmos. Digo isso porque sou uma pessoa muito impaciente e simplesmente me irrita profundamente ter que conviver com outro impaciente, porque parece que tudo fica à beira de um ataque de nervos. Era justamente isso que Khrisna quis ensinar aos seus.
Era isso que Santo Agostinho propôs. Ou seja, conhecer e reconhecer os nossos defeitos poderá causar dor, mas o processo da dor fará com que nós sejamos mais tolerantes conosco mesmos e com os outros. Isso também ocorre na maioria dos casamentos.

Os relacionamentos amorosos que tendem a durar mais são aqueles em que as duas pessoas possuem alguns tipos de defeitos diferentes. É muito mais fácil suportar alguém explosivo, quando você consegue controlar seus impulsos emocionais.
Têm alguns defeitos que parecem funcionar como um ponto de discórdia que vai afundar um relacionamento, mas quando paramos para analisar direitinho, vamos ver que um acaba ajudando o outro em suas divergências, por exemplo: Uma pessoa sem controle financeiro, casada com uma pessoa meio "pão dura".

No decorrer do relacionamento um pode ajudar o outro a não chegar aos extremos. O "pão duro" pode ajudar o gastador a não se descontrolar financeiramente e o gastador ajuda o "pão duro" a não se tornar um avarento! É um meio termo saudável, que dentro do relacionamento funciona legal.

Portanto sejamos mais tolerantes com os defeitos alheios, porque eles podem ser o reflexo de nossos próprios defeitos, que não estamos conseguindo olhar. Sem contar que o defeito do outro pode ser um ponto de equilíbrio que nos ajudará a controlar nossas características negativas.

Pra finalizar, que tal deixarmos de ir atrás dos “homens maus e egoístas” e começarmos a colher “homens bons e tolerantes”? Eles podem estar bem próximos de nós. Basta que olhemos o espelho com mais coragem.

Vale tentar.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Carta aberta para Renato Aragão, o nosso Didi.


Quinta, 23 de julho de 2008.

Querido Didi,


Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências).


Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.


Não foi por 'algum' motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.


Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não Mata ninguém... Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.


Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família. Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que
nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.


O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?


Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você... É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é 'o cara'. Ele tem a chave do Cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece...


No último parágrafo da sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da 'minha' doação, que a 'minha' doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.


Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.


Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.


Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.


Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...

Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari


P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.



PS2* Aos otários que doaram para o criança esperança. Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

PS3* E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS?
MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?

BRASILEIROS PATRIOTAS DIVULGUEM ESSA REVOLTA....


Deise/ Ciriaco

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domingo, 31 de agosto de 2008

Onde Estaria Deus?


Semana passada, em uma das minhas aulas na sala da 8ª série, falava sobre a Guerra Fria e todos os seus acontecimentos. Chegamos a um dos itens que tratava da “Corrida Espacial” entre os Estados Unidos (EUA) e a antiga União Soviética (URSS). Falamos que para ambos, houve um fato que mudaria a vida de cada um dos países e também da Terra para sempre.


Para a URSS, o momento mais importante ocorreu em 12 de abril de 1961, quando o major da Força Aérea Soviética, Yuri Gagárin, aos 27 anos, tornou-se o primeiro homem a viajar no espaço, tripulando a nave-satélite Vostok.


Para os EUA, o fato mais importante só aconteceu oito anos mais tarde, quando o astronauta Neil Armstrong, comandante da Apollo 11, pisou em solo lunar em 1969.


Como sempre faço, em cada item que estudamos, acrescento algumas informações que não aparecem no nosso Livro Didático. Na ocasião, citei algumas frases dos dois cosmonautas. Uma das frases que citei de Gagárin, chamou a atenção de um aluno, que me argüiu:
- Como ele pode ter dito isso, Professor? Ele era ateu?


Eu, com sincera humildade, e sem perder a oportunidade de educar, provocando, respondi:
- Bom, se ele era ateu ou não, eu não sei. Particularmente eu não acredito que ele fosse, diante de algumas coisas que ele mesmo disse, ao ver a Terra lá de cima.
- O que ele disse mais? – perguntou-me ele.
- Não se sabe bem o que era verdade ou o que era mentira durante a Guerra Fria. Mas, dizem que ele falou: “Circulando ao redor da terra em minha nave espacial eu notei quanto é bonito nosso planeta. Pessoas do mundo cuidem dele e façam-no permanecer bonito, não o destruam.”
- Uma pessoa que está extremamente preocupado com o planeta, não pode ter sido ateu. Ou pode? - Perguntei, olhando pra ele.
E continuei:
- Dizem que ele também falou: “A Terra é azul”. No entanto, segundo os próprios registros das conversas entre ele e a sua equipe (Official Russian Space Agency Voice Recordings of Jury Gagarin In Space, 1961) não mostram em nenhum momento que ele falou tal frase.
- Mas ele dizer que não viu Deus é demais. – retrucou meu aluno.
- Por quê? Ele não viu mesmo! – sentenciei-o a reflexão e ao silêncio...

Meu aluno ficou muito aborrecido porque o pai dos cosmonautas afirmou, ao ficar em órbita, que não havia visto Deus. Isto porque, todos afirmavam que "os céus" seria a morada de Deus. Ele deve ter ouvido isso desde a infância, assim como eu ouvia... Ele também disse que as estrelas não brilhavam como ele via quando estava na Terra.

Como disse para meu aluno, sabe-se pouco sobre o que é verdade durante aquele período obscuro e de constante tensão no mundo chamado de Bipolar...


Voltando pra casa e pensando naquele momento da aula, eu me recordei, em meus arquétipos, uma linda história que li em um dos livros psicografados de Chico Xavier, que não me recordo o título. A história é a seguinte:

Os sinais de Deus

Um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor, todas as noites, que o rico chefe de grande caravana resolveu chamá-lo:
- “Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler”?
- “Sei ler, sim senhor. Leio tudo que o Grande Pai Celeste escreve”.
- “Como assim?”
O servo humilde explicou-se:
- “Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu”?
- “Pela letra”.
- “Quando o senhor recebe uma jóia, como sabe quem a fez?”
- “Pela marca do ourives”.
- “Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe se foi um carneiro, um cavalo um boi”?
- “Pelos rastros” - respondeu o chefe, surpreendido com aquele questionário.
O velho crente convidou-o para fora da barraca e mostrou-lhe o céu.
- “Senhor, aquelas coisas escritas lá em cima, este deserto aqui embaixo, nada disso pode ter sido desenhado ou escrito pelas mãos dos homens”.


ps:

Deus não precisa dizer que existe, para alguém acreditar que Ele existe.

Ele não está alí, aqui ou acolá, como o próprio Cristo ensinou.

E onde Ele está, então?

Dentro de cada um de nós, ora!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

CONHECEREIS A VERDADE E ELA VOS LIBERTARÁ


No mundo ocidental todas as religiões Cristãs são segundo a Bíblia. E todos os adeptos destas religiões acreditam que a Bíblia é um livro sagrado e intocável por ter sido escrito por Deus para alguns, inspirado por Deus para outros ou simplesmente que a Bíblia é a palavra de Deus.

Segundo a edição de 2001 da “World Christian Encyclopedia” existem 33.830 denominações cristãs no mundo, onde cada uma defende um ponto de vista específico, de acordo com seus dogmas e interpretações meramente humanas. Isto significa dizer, portanto, que a Bíblia dá margem para milhares de interpretações, não havendo um consenso geral entre os cristãos.

Aqui no Brasil os Cristãos que seguem a Bíblia são aproximadamente 100 milhões de pessoas, sendo que 73% da população se declara Católica Apostólica Romana, enquanto que apenas 15% é de formação Protestante. Segundo o Senso do IBGE de 2000 existem aproximadamente 150 mil igrejas evangélicas de todos os tipos espalhadas pelo Brasil. Estes dados também nos apontam para uma infinidade de percepções bíblicas diferentes.

Se tomarmos as duas maiores religiões Cristãs no Brasil, elas nos apontam o primeiro questionamento acerca da idéia de que se admite ser a Bíblia a palavra de Deus. A Igreja Católica reconhece a Bíblia como um conjunto de 72 livros sagrados. A Bíblia dos Protestantes possui apenas 66 livros. Os livros retirados com a reforma são chamados de Deuterocanônicos, formados por: Eclesiástico, 1º e 2º Macabeus, Baruc, Tobias, Judite, Sabedoria. Além destes livros, eliminaram também trechos de Daniel e Esther.

Ora, vem-nos uma questão:
Se a Bíblia é realmente a Palavra de Deus, portanto, intocável e inquestionável, porque o Grande Martin Lutero – por quem temos grande admiração – retirou seis dos livros anteriormente existentes?

Atentemos também para um outro fato importante do ponto de vista didático. A Bíblia começou a ser escrita em línguas que já não existem e traduzidas para o Hebraico, depois para o Grego, depois para o Greco-romano, que passou para o Latim, que traduziram para o Inglês até chegar a nossa Língua Portuguesa. Alguém se recorda da brincadeira chamada “telefone sem fio” e o resultado moral que ela nos traz? Pois bem, pensemos nela ao recordarmos dos milhares de homens tradutores que, ao seu bel prazer, trouxe-nos os dados que hoje lemos na Bíblia.

Portanto, conhecendo o grande número de seguimentos religiosos que interpretam a Bíblia de uma forma particular, ao ponto de uns terem mais livros que outros, e o fato de que o livro sofreu modificações ao longo dos milênios por seus tradutores, o lógico, a razão, a fé raciocinada nos leva a crer que ele não pode ser a palavra de Deus.

A Bíblia é um livro extraordinário, que tem um valor espiritual imenso. A bíblia é, sem sombra de dúvida, um dos maiores documentos históricos do mundo cristão e é o livro mais lido do mundo. Particularmente tenho minhas ressalvas porque para lermos a Bíblia precisamos ter maturidade espiritual e cultura senão incorremos em dois problemas: fascinação e alienação.

Interessante observarmos que o maior homem do mundo, o Salvador, o Mestre, o Modelo e Guia, o Rabi da Galiléia ou simplesmente Jesus Cristo, jamais se arriscou em escrever sequer uma palavra que fosse. Tão sábio que é, entendia que amar o próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas, resumia toda a lei e os profetas, isentando-se de ser algo de controvérsias, como foram os seus antecessores.

Não conhecemos passagens em que Jesus afirma que a Bíblia era a palavra de Deus. Ele mesmo foi a maior vítima por saber que todos os textos judaicos estavam carecendo de mudanças profundas. Jesus discordou de quase todos os ensinamentos antes Dele. Exemplo?

Vejamos:
No Livro do Exôdo, no capítulo 21 lemos um extenso texto onde Deus coloca algumas normas, citando várias vezes a morte à aquele que ferir o outro mortalmente, raptá-lo, insultar pai ou mãe. E no versículo 33 lemos: "Mas se acontecer dano grave, pagarás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, contusão por contusão."

Porém, no Evangelho de S. Mateus, no capítulo 5, Cristo disse no Sermão da Montanha: "Ouviste o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao mau. Pelo contrário, se alguém te esbofeteia na face direita, vira-lhe também a outra."

Este é um das centenas de exemplos que ilustram a visão contrária que tinha Jesus dos textos bíblicos, principalmente aos que se referem a Moises. As idéias revolucionárias de Amor que Jesus pregava, contrariando os antigos ensinos, foram os verdadeiros motivos que o levaram a morte.

É no Antigo testamento que encontramos as maiores provas de que a Bíblia não pode ser considerada a palavra de Deus. O velho testamento tem tantas passagens absurdas que Deus não pode ser Deus e ter dito e feito tantos absurdos.

Há erros geográficos, históricos e científicos que chegam a derrogar as leis da natureza – considerando que tais leis são divinas e imutáveis. Nosso objetivo, ao contrário do que muitos pensam, não é de desrespeitar a Bíblia, de agredir quaisquer religiões, de ser chamado de ateu. Temos um profundo respeito por todas as crenças, sejam cristãs ou não, porque temos a certeza de que o mundo precisa de tolerância e de viver conforme Jesus nos ensinou, amando-nos uns aos outros. O nosso objetivo é puramente didático, científico.

Queremos proporcionar a disseminação da fé lógica, argumentativa embasada na ciência. Estamos no século da luz, do esclarecimento, do bem, da paz que certamente nascerá e reinará nos corações humanos. Não há como vivermos fechados em nossas crenças, atrelados as nossas limitações e tradições muitas vezes preconceituosas e arcaicas.

Citarei aqui alguns exemplos de como podemos ter a certeza de que a Bíblia, tal como está ou como foi escrita, não pode ser vista como um livro intocável, sagrado e inquestionável e que, portanto, nela só existam verdades absolutas.

Vejamos alguns exemplos de como era Deus nos textos judaicos.

1- OS ARREPENDIMENTOS DE DEUS


v Genesis VI, 6 - 7: Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até a ave dos céus; porque me arrependo de havê-los feito.

v I Samuel XV, 11: Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir, e não cumpriu as minhas palavras. Então Samuel se contristou, e toda a noite clamou ao SENHOR.

v Êxodo XXXII, 14: Então o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.

Deus é uma das personagens que mais se arrependeu segundo a Bíblia. Ora, não se pode imaginar Deus, perfeição infinita, arrepender-se de qualquer coisa que tenha feito, como se a consciência e onisciência não fossem qualidades inerentes a Deus.

Sendo Deus infinita perfeição, é claro que não haveria nada porque se arrepender. O Deus que adoramos e amamos não pode está sujeito às paixões e erros humanos.


2- ATAQUES DE CÓLERA

v Êxodo XXXII, 27 – 28: E disse-lhes: Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa; e passai e tornai pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu vizinho. E os filhos de Levi fizeram conforme à palavra de Moisés; e caíram do povo aquele dia uns três mil homens.

v Samuel XXX, 17: E feriu-os Davi, desde o crepúsculo até à tarde do dia seguinte; nenhum deles escapou, senão só quatrocentos moços que, montados sobre camelos, fugiram.

v Juizes XI, 33: E os feriu com grande mortandade, desde Aroer até chegar a Minite, vinte cidades, e até Abel-Queramim; assim foram subjugados os filhos de Amom diante dos filhos de Israel.

v DEUTERONÔMIO XIII, 8 – 9: Não consentirás com ele, nem o ouvirás; nem o teu olho o poupará, nem terás piedade dele, nem o esconderás; Mas certamente o matarás; a tua mão será a primeira contra ele, para o matar; e depois a mão de todo o povo.

v DEUTERONÔMIO XIII, 15: Certamente ferirás, ao fio da espada, os moradores daquela cidade, destruindo a ela e a tudo o que nela houver, até os animais.

v NÚMEROS XXXI, 7: E pelejaram contra os midianitas, como o SENHOR ordenara a Moisés; e mataram a todos os homens.


Contam-se para mais de 700 ataques de cólera entre os livros de Êxodo e o segundo de Reis. E o Jeová, que deu ao seu povo o mandamento “não matarás”, aconselhava passar ao fio da espada os amigos e até irmãos com uma incrível ferocidade. Não se concebe um Deus de infinita perfeição tomado de rancor, pronto para descarregar, sobre suas criaturas, a sua tremenda ira.

E, no entanto, sendo Ele Misericordioso e Piedoso, tardio de se irar e grande beneficência e verdade, que faz justiça ao órfão e a viúva, a prática do seu amor descrito no velho testamento nos faz duvidar de que haja um pingo deste sentimento puro em Deus.

Há uma história de um jovem evangélico que viajou 300 pra fazer o vestibular de Direito. Na frente da Universidade, antes de entrar para fazer a prova, olhou para um amigo e disse:
- Vou consultar a Palavra de Deus. Se ela disser que é para eu fazer essa prova, eu faço.
Abriu diante do amigo a Bíblia e depois de alguns segundos, com os olhos tristes e confirma:
- A palavra diz que eu não devo fazer essa prova. Não devo contrariar a palavra do Senhor.
O amigo, sem conhecer que parte do texto ele tinha lido, retrucou:
- E porque você não fez essa consulta antes de pagar a inscrição e de viajar 300 km?
Ele, com aquela certeza tristonha, finaliza:
- É que o testemunho do crente tem que ser na hora do acontecimento.
(...)


Muitas são as pessoas tão radicais que nada fazem sem antes consultar a palavra do senhor, como muitos fanáticos por horóscopo. Esse tipo de comportamento, sem fazer nenhuma ofensa ou com intuito de desrespeitar o culto de casa um, de certa forma ele é alienante e fanatizante. Alguns mais alargados que dizem: “não devemos nos apegar a palavra que mata, mas sim a espírito que vivifica.” No entanto, este espírito que vivifica também é conveniência de cada um.

Existem tantos argumentos e conveniências tão humanas baseados nas interpretações pessoais de cada crença, que, muitas vezes, nos assustamos com certas posturas recorrentes à Bíblia. Recentemente um pastor dos Estados Unidos achou na Bíblia que a pena de morte é justificada perante a palavra inspirada por Deus.

Queremos, mais uma vez, ressaltar que nossa proposta não é de desfigurar a Bíblia, nem de tirar da Bíblia o seu grande valor. O que queremos é fazer uma reflexão fria, metodológica, racional, científica, pois bem sabemos que falar da Bíblia é navegar no mundo dos tabus, de contradições. Além de acharem que o livro é divino e sagrado, as pessoas também não se apegam às contradições.


Vejamos alguns exemplos simples de contradições textuais da Bíblia.

1- NA CRIAÇÃO:

a) Como pode Deus ter criado a luz e depois o sol, (Genesis 1, 13-14) se o sol é a própria luz? Como Ele pode ter criado a luz e depois criar o sol? Como Ele separou a luz das trevas, se as trevas nada mais são do que a privação da luz? Como fez o dia antes que o sol fosse criado?
b) Como podemos explicar o fato de Adão e Eva serem as primeiras pessoas a habitarem a Terra, se Cain quando matou Abel foi expulso do Oriente e, no local pra onde foi encontrou uma mulher com quem se casou e construiu uma cidade?
c) Porque se atribuiu à Serpente o papel de Satã, se a Bíblia apenas diz que a cobra era o mais astuto dos animais? Que língua falava essa serpente? E como andava antes da maldição de ser condenada a passar a se arrastar e comer pó? Será que a serpente andava de suspensório, com dois pés embaixo? Como explicar a desobediência da serpente se nunca se ouviu falar em cobra que comesse pó e como explicar que tantas mulheres possam dar a luz sem dor a tantos homens, comam o seu pão sem precisar do suor do seu rosto porque está em Genesis 3, 16-19, contrariando o que o Cristo dizia? Como poder ser punido com tanto rigor um ente primitivo como Adão, que não sabia distinguir entre o bem e o mal? E a prova disso se encontra no versículo 22, onde está escrito: “eis que o homem é como um de nós sabendo o bem e o mal. Cain cometeu um fratricídio e não mereceu uma pena tão severa, a despeito da maldição: “fugitivo e vagabundo serás na Terra” (Genesis 4, 12). Foi banido para Nodi e lá construiu a cidade com sua mulher, que não se sabe de onde ela veio.


2- A ARCA DE NOÉ:

a) Na história da arca choveu tanto que inundou a Terra completamente. A primeira questão é lógica: de onde veio tanta água se as águas do céu é fruto da evaporação das águas da superfície terrestre? Ainda a questão da medida da arca, que transformando hoje para as nossas medidas, teríamos uma arca com 60 metros de comprimento, por 37 de largura e 20 de altura e ali se tinha um casal de cada bicho. E o que interessante é saber como é que Noé e sua turma fizeram para não deixar a cobra não comer o sapo, o leão não se alimentar do cervo? Como eles alimentaram tantos animais se não havia um depósito de alimentos pra tantos animais? Como puderam tão poucas pessoas, limpar tantos dejetos de tantos animais?


3- O SOL PAROU DE GIRAR EM TORNO DA TERRA

a) Em Josué 10, lemos que Josué estava guerreando contra os Amorreus, que não eram tementes a Deus. E pelo que já sabemos, Deus, pra mandar matar e fazer chacinas no Velho Testamente era de uma ira sem igual. E o que diz essa passagem? Estava entardecendo e Josué não teria tempo para matar todo mundo daquela tribo, porque naquele tempo não se tinha luz elétrica. Então Deus fez uma façanha, para agradar a Josué: parou o sol no firmamento para que ele matasse até o último dos Amorreus, que já estavam destroçados com as pedras que caíram do céu jogadas por Deus. Quem escreveu este texto não conhecia nada de astrofísica. Alunos do ensino fundamental aprendem nas aulas de geografia que não é o sol que está girando em torno da Terra. Há quem defenda com a famosa frase feita: “Para Deus, nada é impossível”, que Deus poderia ter parado a Terra, querendo justificar o injustificável. Deus não pode está criando uma Lei e depois derrogando por capricho humano. As leis que regem o Universo as Divinas, portanto, perfeitas. Não podem está mudando de uma hora pra outra. Se Deus parasse a Terra, ele estaria parando o maior e mais rápido veículo que conhecemos. Seria a maior das catástrofes do sistema solar. A Terra está girando numa velocidade de 180.000 km/h. imaginemos, agora, um freio a 180.000 km/h! todas as coisas animadas e inanimadas seriam jogadas ao espaço. Ondas maiores que o Himalaia cobririam a Terra e florestas inteiras seriam arrancadas do chão. Tudo isso apenas para Josué matar os Amorreus em nome de Deus. É muita manteiga pra pouco pão. Mas as pessoas se apegam as letras porque acreditarem que ta tudo certo, que tudo é inquestionável na Bíblia e não a lêem com raciocínio.

b) Outro fato interessante escrito em I Reis XX, 27: “Eram como dois pequenos rebanhos de cabras”. Como um grupo tão pequeno de pessoas puderam, num só dia, matar 100.000 Sírios? E ainda por cima derrubaram o muro da cidade matando mais 27.000 restantes. Que muro pequeno esse não?! Como é que se mata cem mil pessoas em um dia sem armas poderosas? Naquele tempo as armas eram artesanais, facas, espadas, bastões de madeiras, lanças. A bomba atômica que caiu em Hiroshima e outra em Nagazaki matou 80.000 na explosão e 200.000 foram mortos com os efeitos radioativos durantes seis meses.

c) Como admitir que Deus afirmou: “os pais não morreram pelos filhos e nem os filhos pelos pais, mas cada qual morrerá pelo seu pecado.” Lemos em Deuteronomio 24, 16. Até aí, tudo bem. Mas, ele se enfureceu tanto quanto o Rei Saul ao ponto de assolar o povo com uma fome de três anos, com raiva de Saul. Deus só se aplacou quando Davi (Samuel 21,) mandou matar setes netos do seu antecessor.

d) Não parece muito verossímil que o anjo do senhor tenha numa só noite exterminado 185.000 assírios; nem que 120.000 midianitas tenham sido mortos pelos 300 de Gideão, descrito em Juizes 8, 10. Fazer guerras naquela época superava a potência nuclear que se tem hoje. Os Judeus eliminaram em um só dia 120.000 da tribo de Judá, todos homens poderosos, por terem abandonado o Senhor Deus, de seus pais. E o motivo da morte é uma das coisas mais incríveis. Levaram cativas 200.000 mulheres e crianças do seu povo irmão que foi feito escravo. O que dizer dos 500.000 homens escolhidos que caíram feridos de Israel e o que dizer de 1 milhão de etíopes que foram destroçados sem ter restado nenhum sequer? Será que a Etiópia já dispunha de uma população de um milhão de habitantes? Estes dados estatísticos são impossíveis. Não existiam nações com esta população naquele tempo.

e) Elias era profeta de Deus, mas, cometeu várias atrocidades. Matou 450 profetas de Baal (Reis 18, 22 e 40). Mesmo assim, foi arrebatado ao céu no carro de fogo, coberto de glória, por vontade do Senhor. Seu sucessor Elizeu só porque um grupos de rapazes caçoavam dele com a irreverência própria da juventude, amaldiçoou-lhes em nome de Deus, saindo do bosque com duas Ursas, que despedaçaram 42 meninos (II Reis 2, 23-24).



4- DEUS FOI VISTO POR ALGUÉM?

a) No Novo Testamento, João afirma que Deus nunca foi visto por ninguém. Em João 1, 18: “E ninguém jamais viu a Deus.” Em 14, 12, ele fala: “Aquele a quem nenhum dos homens viu, nem pode ver”. Em Timóteo 6, 16, também registra que jamais se viu a Deus. “Não que algum homem tenha visto ao Pai.” Afirmação feita por Jesus em João 6, 46.

b) No Antigo Testamento lemos que Deus disse: “Eu apareci a Abraão, a Isac e a Jacó. E Moises, Arão, Nadibi e Abium e mais 70 anciões viram Deus. Falava Deus a Moisés face a face como qualquer homem fala ao seu amigo (Êxodo 33, 11). Contudo advertiu Deus: “Não poderás ver a minha face, porque homem nenhum verá a minha face e viverá”. Em seguida abre uma exceção: “Me verás pelas costas, mas minha face não se verá.” E no entanto o próprio Deus afirmou: “Eu falo com Moisés boca a boca e ele vê a forma do Senhor”. Em Números 12, 8: “Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas.” E finalmente, em Reis 11, encontramos “Deus por duas vezes apareceu a Salomão.”

c) Afinal, Deus foi visto por alguém? Não precisamos responder esta indagação porque sabemos que ninguém jamais viu a Deus e que apesar das aparentes discrepâncias podem ser atribuídas ou a intenção de enfatizar a experiência para valorizar o ensino ou ao fato de terem visto espíritos superiores, confundidos com Deus.


Só por estes exemplos podem perceber logicamente que a Bíblia não é tão inerrante quanto se pensa.

Houve um pastor protestante que teve a audácia de mostrar que existia a proibição da prática do Espiritismo na Bíblia. Havia no livro de Deuteronômio um texto que dizia que era proibido consultar a médiuns, adivinhos e qualquer prática do Espiritismo. Absurdo. As palavras médium e Espiritismo foram inventadas nos anos 50 do século XIX por Alan Kardec. Se a Bíblia foi escrita há tantos anos atrás, como pode haver duas palavras que não existiam no vocabulário dos povos antigos? Recordemos que a própria Bíblia assegura que ninguém modificará um só til. E alguns tradutores preconceituosos do movimento protestante acrescentaram duas palavras de uma vez só, num pequeno texto.

Será que estes erros estão apenas nas antigas escrituras? Só o Antigo Testamento foi modificado e só ele contem tais discrepâncias que ferem a fé e a lógica? O Novo Testamento também sobre do mesmo mal. Observemos que dos quatro evangelistas, dois não conheceram Jesus, Marcos e Lucas. João escreveu sobre Ele quando já tinha 80 anos, na ilha de Patmos e seu Evangelho só foi publicado 60 anos depois que o Cristo voltou aos Céus. O Evangelho de Mateus foi publicado 50 anos depois.

Ninguém nunca ouviu falar no Sermão da Planura de Lucas. Em Mateus é chamado de Sermão da Montanha. O texto de Lucas diz que Jesus desceu até a planura e exclamou... Enquanto que o texto de Mateus diz que Jesus subiu ao monte e começou a ensinar... No sermão descrito por Lucas Jesus afirma: “Bem aventurados os pobres, porque deles é o reino dos céus.” No sermão relatado por Mateus Ele diz: “Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.”

Observemos que há dois detalhes importantes que precisamos analisar. Primeiro: Jesus subiu ou desceu? Ele ensinou no alto do monte ou na planura? Claro que isso não importa do ponto de vista religioso, mas, é uma prova de que nem os evangelistas se entendem quanto aos detalhes da vida de Jesus. O segundo ponto é quando Lucas não escreve em seu texto a palavra “espírito”. Se ele apenas disse que Jesus disse “bem aventurados os pobres, porque deles é o reino dos céus”, convenhamos que exista muito pobre que não merece o reino dos céus. Mateus, de forma mais coerente, fala dos “pobres de espírito”. Haveremos de concordar que o termo usado por Mateus é bem mais próximo das idéias revolucionárias do Cristo. As idéias dos dois evangelistas mostra que há pobres de espírito e há espíritos pobres e que as informações que saiam de boca em boca, como era a tradição, foram perdendo as suas bases reais e verdadeiras, as suas origens verídicas.

Há passagens outras no Evangelho que não tem nenhum sentido se reconhecermos Jesus Cristo como o enviado de Deus. Frase que dizem que teria dito que não podem ser verdadeiras. Vejamos alguns exemplos. Jesus disse, quando estava na cruz: - Pai, porque me abandonaste? E outra: - Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito. Se Jesus tivesse dito que o Pai havia o abandonado, ele seria um fraco e não o salvador do mundo. Ele estaria blasfemando contra Deus, supondo que Deus havia sido injusto com Ele.

Um evangelista diz que as últimas palavras do Cristo foram: “- Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.” Outro diz que Ele apenas disse: - “Pai, porque me abandonaste?” O outro diz que Jesus disse: - “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” O e último não disse nada sobre o que supostamente foram as últimas palavras do Cristo no alto do madeiro. Então, o que Jesus disse na cruz? As três frases, uma delas ou nenhuma delas?

Outra passagem sem sentido. Jesus ter chicoteado nos vendilhões no Templo só porque estavam ganhando o pão com suas vendas. Ele tinha autoridade moral para repreender sem precisar bater nas pessoas, mostrando-se uma pessoa violenta. Gandhi, muito menos que Ele, jamais reagiu com violência. Em uma das suas passeatas, um soldado britânico o batia e ele apenas olhava com ternura enquanto se levantava. O soldado batia e ele mais uma vez olhava com amor. Na terceira, o soldado se sentia como se estivesse batendo no próprio pai. Gandhi nunca reagiu. Ele foi o autor da não-violência. Ele não era “contra” a violência, porque se ele fosse contra, ele seria também violento como foram os ingleses com seu povo. Era adepto a não-obediência pacífica. Preferia morrer, mas não reagia com violência. Isso é o que podemos de chamar de coragem. E Jesus ter reagido com violência? Não faz sentido.

O que é verdade? O que é mera interpretação humana? O que é mentira? O que precisamos fazer para não incorrermos em erros repetidos historicamente? Como ver a Bíblia do ponto de vista religioso? Qual deve ser a nossa postura, ENQUANTO CRISTÃOS, diante do século XXI que trouxe a luz da Razão pela Ciência? Devemos esvaziar as igrejas? Rasgar a Bíblia?

De forma alguma deveremos deixar nossas convicções. Em hipótese alguma devemos repetir erros dos movimentos inquisitórios da França do século XIX, queimando livros. Já basta a dívida com a natureza de derrubarmos árvores para fazer papel.
O que nós precisamos é nos abrirmos para verdades outras. O que precisamos é de nos desvencilharmos de preconceitos judaicos de 500 anos de história. O que precisamos é nos reconhecemos como irmãos que se toleram, que se abrem para novas formas de enxergar o mundo.

Jesus Cristo é o maior exemplo de que nós precisamos crescer e aprender muito espiritualmente para que possamos estar, todos, sem nenhuma exceção religiosa, ao Seu lado, vencendo o mundo como Ele venceu e enxergando no outro a possibilidade única de chegarmos ao “paraíso” prometido por Ele.

E se Ele prometeu, eu sei que Nele há a verdade. Não sou um homem de fé. Sou um homem de convicção. Quem tem fé, acredita. Quem tem convicção simplesmente sabe. E eu tenho convicção de que a Bíblia não é palavra de Deus, nem foi Ele quem inspirou. Mas tenho, como cristão que sou, o profundo respeito por todos que acreditam, porque não me reconheço como dono da verdade e não a ninguém reconheço como detentor da verdade absoluta. Eu apenas me recordo as palavras do Cristo:
"Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará".

Algumas pessoas se sentem perdidas quando diante dessas afirmações. Aonde vou me segurar se está tudo errado? Mas, em verdade, é preciso concebermos algumas idéias muito simples: a bíblia é um livro sem valor? Não. A bíblia é um livro sagrado? Não. A bíblia foi escrita ou inspirada por Deus? Não. Foi escrita por homens inspiradas por espíritos, alguns superiores e outros inferiores.
Tem muito haver com a época, mas não contas atrocidades. Deus, sendo Amor, não poderia ter ensinado tantas matanças. Por mais que seja atrasado um povo, não se justificam tantas maldades, tantos crimes. Temos que considerar que a bíblia carece de reformas, de reconstituições dos escritos e lembrar sempre de que a bíblia é um livro sagrado para os cristãos ocidentais.
O Corão é livro sagrado dos mulçumanos. Tem o livro sagrado dos Budistas o Tripitaka. Tem o livro sagrado dos Hindus: o Rig-Veda. Todos estes livros foram modificados com anos, porque eles são passiveis de modificações e atualizações e interpretações diferentes das originais. Todos estes livros foram desfigurados na sua essencia
O guia dos Cristãos é Jesus. O guia dos Budistas é Buda. O guia dos mulçumanos é Maomé. Moisés é o líder dos Judeus, que eram liderados na época de Jesus pelos Fariseus, Saduceus e Essênios. Os hinduístas seguem Krishina. E entre Krishina e Jesus tem algumas coincidências interessantes.
Aliás, tem até a história de um pastor protestante que cruzou com um templo budista. De gravata, paletó e com a bíblia debaixo do braço, ele olhou e viu que na frente daquele templo imenso, um monge orava. Ele se aproximou do monge e perguntou:
- Você conheceu Jesus Cristo.
E o monge responde:
- Olhe, ele não freqüenta o nosso templo. Mas aí na frente tem um bairro de novatos, o senhor pergunta por lá e talvez alguém o conheça.
Se nós chegarmos a uma filial da igreja universal e perguntar a algum daqueles freqüentadores se conhecem Sidarta Gautama, eles vão responder a mesma coisa.

O que temos que entender é que todos os livros sagrados de todas as religiões sofreram deformações porque são passiveis de atualizações hoje. Todos eles foram desfigurados porque os homens são os mesmos em qualquer parte do planeta. Interpretam as escrituras sagradas de acordo com as necessidades ideológicas, políticas, sociais e pelas conveniências religiosas e até por interesses institucionais religiosos.

Ainda, precisamos convir um detalhe. Buda ascendeu na Índia 600 anos antes de Cristo. Ensinou coisas notáveis como o Cristo ensinou. Krishina ascendeu 2000 anos antes do Cristo. Falou de reencarnação de forma majestosa, com uma beleza inconfundível. A história do Krishina é muito semelhante ao do Cristo. Maria foi fecundada pelo Espírito Santo. Era uma virgem. A mãe de Krishina foi fecundada virgem por um raio de sol. O rei mandou matar todas as crianças do sexo masculino para poder alcançar a cabeça do Messias. O mesmo ocorreu com Krishina. Jesus nasceu numa manjedoura (outra história da corachinha). Três reis magos não existem em passagem nenhuma do Evangelho. Krishina também nasceu numa palhoça. Jesus fez um Sermão da Montanha, considerado a poesia mais linda do mundo, em todos os tempos. Krishina também fez sermão e disse coisas lindas de se ouvir: “Sede como o Sândalo que perfuma o machado que o golpeia”. Jesus disse: “Quando alguém te bater um lado da face, daí o outro lado”. Ou seja, as mesmas coisas, os mesmos ensinamentos.

Na verdade, Deus precisou falar através de seus emissários em diversas épocas da humanidade, em diversos lugares, culturas e etnias do planeta. Jamais as mensagens do Cristo terão ressonância no mundo mulçumano. Jamais os cristãos verão Buda como messias de sua época. Maomé não será visto como filho de Deus aqui no maior país católico do mundo, nem Jesus é o messias no mundo oriental. E Jesus sabia de tudo isso antes mesmo do começo dos tempos.

Jesus é um educador, um psicólogo, um terapeuta do seu tempo e todas as suas parábolas eram agrárias, condizentes com a cultura do povo. Porque que Jesus não fez a parábola da bicicleta. Porque não existiam bicicletas. Era a parábola do bom samaritano, a parábola da noite de núpcias. Ele se utilizada de elementos alcançáveis. Mas também há parábolas absurdas que não condizem com a figura pura do Cristo, como por exemplo a parábola da figueira, que é uma bobagem tremenda e que nem temos interpretação pra tanto. Pode ter sido um texto mal escrito, mal interpretado por Lucas. Conta que Jesus estava com fome, pediu fruto a figueira e como a figueira não deu Ele amaldiçoou a figueira, que secou no mesmo instante. Será que Jesus fez isso mesmo? Será que foi assim como está escrito?

Há outras passagens e interpelações muito fortes atribuídas a Jesus. Frases como: “não julgueis para não serdes julgados.” Coitado os juízes e dos advogados, pois estão todos no fogo do inferno. Perguntamos: quem é que não julga? Sem julgamento não há evolução. Julgamos a escola que nossos filhos irão estudar, o supermercado onde iremos comprar, o tomate da feira julgamos se serve ou não. Todos julgamos e é necessário se façam julgamentos. O Cristo pode ter dito: “Não condeneis, para não serdes condenados.” Faria mais sentido. Ele mesmo julgou quais os doze que o seguiriam, qual a melhor hora de falar ao povo, se carregaria a cruz, se perdoaria Pilatos. Julgar é tomar um posicionamento, ter uma atitude.

Outra passagem: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao pai senão por mim.” Jesus não poderia ter dito isso, porque sendo Ele o espírito mais avançado, o governador da Terra, sabia que muitos foram ao Pai antes dele. Se assim não fosse, o que aconteceu com todas as pessoas que vieram antes dele? Será que todos os profetas não foram ao Pai? Moisés não teria conseguido arrastar devotos ao Pai? Será que Buda e Krishina não conseguiram levar devotos para os Céus, para Deus? Talvez o Cristo tenha dito: “Eu sou o caminho da verdade e da vida; muitos vão ao pai através de mim.” Mas como as pessoas querem fazer Jesus de Deus, acharam que a única salvação e o único caminho era Jesus.

Aliás, essa idéia é defendida pelos seguidores da seita das Testemunhas de Jeová. Eles acreditam que estão entre uma das 12 tribos de Judá que irão para o céu, enquanto que os outros ficarão aqui no inferno. Ou seja, mais de 6 bilhões de pessoas que não estão em uma das doze tribos, já estão com ingresso comprado para o inferno, porque eles se auto-definem como sendo “salvos” e nós, condenados. Portanto, sendo Jesus um espírito excelso não poderia desconhecer os grandes lideres que passaram por aqui antes dele, inclusive, acredito eu, enviados por Ele próprio para iniciar o seu trabalho.

Todas as palavras que o Cristo disse foram interpretados por homens que não tinham maturidade para alcançar as suas verdades. Vejamos o exemplo simples. Os próprios apóstolos não estavam junto com Ele no dia do calvário. O Judas Escariotes era tão rude, ignorante de saber que achou que entregando Jesus, estaria colaborando para que o Cristo tomasse o poder e implantasse o seu reino, porque Jesus dizia que era rei e que tinha um reinado onde ninguém mais padeceria. Aquele beijo não foi o da traição, foi o beijo da fidelidade. O Judas quando olhou para Ele estava conspirando uma grande ação política. Ele queria que o Cristo tomasse o poder de Roma e mostrasse quem era o líder daquele povo. E quando ele estava na ceia e o Cristo disse: “- Vai logo filho e faz o que tem de fazer”, ele pensou: “- Chegou a hora”. Ele achou que entregando Jesus começaria a revolução e ao aceitar as moedas, ele o fez por decorrência. Mas quando ele viu a bobagem que havia feito e quando soube que o reino de Jesus não era desse mundo, ele arrependeu-se de tal forma que se matou. Era um fraco e não entendeu a idéia de reino do Cristo.

Engraçado é que todos os anos fazem a festa de Judas, o traidor. Queimam e esfaqueiam como ato de vingança pela sua traição com o Cristo. Nascem filhos com nomes de Mateus, Marcos, Lucas, João, Pedro, mas ninguém coloca o nome de Judas. Hoje, as pessoas que queimam Judas na semana santa só porque ele recebeu as moedas, vende Jesus a grosso e a varejo mundo afora e não se arrepende um só instante do que faz.

Então, como fica o Espiritismo diante da Bíblia?
A primeira coisa que temos que recordar é que este livro sagrado é para uma parte do ocidente. Os budistas e mulçumanos tão o dobro dos adeptos cristãos e eles não consideram a bíblia melhor que os livros deles. Os hindus não consideram nossos evangelhos melhor do que o Mahabharata, do que os outros livros do Rig-Veda. Outro detalhe é que a bíblia é mais nova que os livros orientais. Eles trouxeram informações sobre Deus e o Universo antes da bíblia. Jesus na Índia é considerado um simples santo, um profeta no máximo. É preciso ter uma visão holística de tudo isso. Tudo que existe na Terra, existe por uma necessidade e preenche uma finalidade.

Todos os grandes líderes não escreveram nada. Nem Buda, nem Krishina, nem Maomé. Escreveram por eles. Aconteceu o que aconteceu com o que o Cristo disse, imagine com todos os outros. Tudo deformado para está de conformidade com um pensamento centralizador e dominador.

Vejamos o que aconteceu com os nossos santos da igreja católica. Todos os santos têm coroa. Vejamos a imagem de Nossa Senhora da Conceição da Praia como é enfeitada com bastão na mão, coroa, mantos. Porque esta imagem é a imagem dos Reis e dos poderosos. E todos os santos eram associados ao poder.
Na China o Buda é gordo. Na Índia o Buda é magro. Na China todos os Reis das dinastias eram obesos, não faziam nada a não ser comer e dormir. Eram preguiçosos e indolentes. Portanto, se o Rei era gordo, a imagem do Buda teria que ser gordo também, para que o Budismo pudesse se manter forte, ao lado das grandes dinastias. Na Índia, os homens mais puros, os Avatás eram todos magros, não comiam carne, faziam jejum como Buda fez. Assim, o Buda também teria que aparecer magro para os devotos indianos.
Os homens são os mesmos. Assim como as deformações sofridas no Cristianismo, ocorreram também em todas as religiões.

No movimento Católico nós temos diversas divisões. Igreja Católica Apostólica Romana (Girafas Natalinas, Girafas Pascais), Igreja Greco Católica Melquita, Igreja Greco Católica Croata, Igreja Católica Liberal, Igreja Ortodoxa: Igreja Armênia, Igreja Ortodoxa Ucraniana, Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Copta.
No Protestantismo (Lutero) nós temos: Adventismo, Anabaptismo, Anglicanismo, Calvinismo, Luteranismo, Metodismo, Pentecostalismo, Neo-pentecostalismo, Presbiterianismo (Calvino), Cristianismo Esotérico: Catarismo, Gnosticismo, Rosacrucianismo, Maniqueísmo, Testemunhas de Jeová e os Quakers. Há ainda nomes engraçados: “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias” (Mormonismo). Os santos dos primeiros dias não servem?
Conhecemos o Judaísmo, Islamismo e a Fé Bahai. Há também as Religiões Não-abraâmicas: Messianismo, New Age, Seicho-no-ie, Siquismo, Zoroastrismo (Zoroastro) e as Religiões Dharmicas: Budismo (Buda), Bramanismo, Confucionismo, Hinduísmo (Krishna), Jainismo, Taoísmo e, por fim, temos as Religiões pagãs: Batuque, Candomblé, Druidismo, Vodu, Umbanda (genuinamente brasileira), Xamanismo, Xintoísmo e a Wicca.

Todas estas religiões são as mesmas em seus comportamentos e atitudes porque viraram instituições. Os grandes lideres não pregaram religião alguma. Nem Buda, nem Krishina, nem Cristo, nem Maomé. Eles pregaram a religiosidade. O homem é que não entendeu e quis fazer religião da religiosidade.

Mas, e o Espiritismo?
Primeira coisa que temos que conceber é que a Doutrina Espírita é a única religião cristã do ocidente que não se fundamenta na Bíblia. Infelizmente, aqui no Brasil, o Espiritismo quase que perdeu por completo a sua essência original, porque os espíritas querem fazer da Doutrina uma religião segundo os Evangelhos. Não é Espiritismo que tem que ser conforme o Evangelho, mas o Evangelho é que tem que ser segundo o Espiritismo.

A concepção Espírita é superior a concepção dos Evangelhos, porque os Evangelhos não explicam o Espiritismo, mas o Espiritismo explica os Evangelhos. A diferença fundamental ente a Doutrina Espírita e as outras religiões cristãs é que o Espiritismo não se fundamenta na bíblia.

Quando Allan Kardec lançou O Livro dos Espíritos, a Doutrina se inaugurou na Terra. Onde estavam os Evangelhos? Onde estava a religião? Segundo livro da codificação é o Livro dos Médiuns. Onde estavam a religião e os Evangelhos? Terceiro livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Nós queremos fazer deste terceiro livro o único e a base para a Doutrina.

Observemos uma frase poderosa de Emmanuel: “O Espiritismo é o Cristianismo redivivo.” Se é redivivo é porque estava na UTI da história, prestes a morrer. O Espiritismo veio com a missão que é ressuscitar os ensinamentos do Cristo na mentalidade contemporânea do povo sem igrejismo, sem rituais, sem hierarquias, sem símbolos, sem altares, sem pieguismo, sem cerimônias, sem paramentos. Uma religião livre, uma religião natural. A ligação da criatura com o Criador, como Cristo pregava. O que Jesus ensinou senão leis e ensinamentos espirituais? Os mesmos ensinamentos que espíritos estão ensinando pelo mundo, dentro das casas espíritas. Porque que temos que fazer do Espiritismo um partido de crença, uma religião a mais? O Espiritismo é a religião e não uma religião a mais.

A percepção sobre o Evangelho também deve ser muito clara. O que o Evangelho? Quando Cristo disse: “Ide e pregai o Evangelho a todas as criaturas”, não havia livro escrito. Lucas e Marcos não conheceram Jesus. Mateus e João escreveram muito tempo depois da ascensão do Cristo. Então, que Evangelho era esse que ele mandou pregar?

A palavra “Evangelho" (do grego "ευαγγέλιον" / "euaggélion") é composto de "eu-" ("bom") + "aggelion" ("notícia"). Ou seja, “A Boa Nova” é o termo mais coerente para a tradução da palavra. Foi isso que Jesus mandou pregar. Ele pediu que seus discípulos pregassem aquele conhecimento novo: que havia mundo espiritual, que nós somos eternos, que existe causa e efeito, que o homem teria que conquistar as virtudes para chegar até Ele, que existiam espíritos, que havia reencarnação. Era essa a Boa nova.

O Evangelho, a Boa Nova que Jesus se referiu não foi referente aos livros, mesmo porque, como dissemos, eles não existiam. Muitos pensam que seguir o Evangelho é está dentro das igrejas e decorando versículo por versículo, numa lavagem de números infinitos que não levam a nada. Se a mazelas do mundo pudessem ser resolvidas pelas letras decoradas, os protestantes já teriam dominado o mundo, porque eles sabem de cor cada versículo.

O que percebemos é que essas letras dos evangelhos só trouxe guerra santa, 500 anos de inquisição, de intolerância religiosa, divisões, partidarismos de todos os níveis. O Espiritismo não tem que fazer este tipo de Evangelho e sim, seguir a recomendação de Jesus, a Boa Nova. Infelizmente os Espíritas no Brasil lêem mais bíblia do que os livros da codificação. Todos ficam com receio, com medo questionar a bíblia porque crêem que tudo ali está certinho. Não, a bíblia é cheia de contradições. Se nós não colocarmos os princípios espíritas na bíblia, ela é um repositório de incongruências.

Observemos que Kardec não pode usar tudo que estava nos Evangelhos. Apenas usou os ensinamentos morais para os espíritos interpretarem os ensinamentos do Cristo porque as outras informações estavam tão deformadas que não havia como usá-las com exatidão, com certeza do que estava sendo ensinado. O Espiritismo se fundamenta nas leis da natureza. Os seus princípios são leis naturais. As mesmas leis que Jesus se baseou pra ensinar as verdades eternas. Reencarnação, existência e imortalidade da alma, determinismo e livre arbítrio, causa e efeito, Deus, corpo espiritual, comunicabilidade com os espíritos, evolução, pluralidade dos mundos habitados. Tudo isso são leis da natureza e são os princípios básicos da Doutrina que jamais estarão ultrapassados. Todas elas são leis de Deus e, portanto, são imutáveis. Agora, como o homem interpreta estas leis, muda todos os dias.

A Doutrina Espírita tirou Jesus da cruz que todo mundo adora e colocou-o ao nosso lado, pra caminhar como Ele fazia com os apóstolos, inspirando as nossas atitudes e nossas ações. O Cristo humilhado e fraco que todos cultuam não existe no Espiritismo. O Cristo foi um valente, muito maior do que todos os profetas e líderes que o mundo já conheceu em toda a sua história.

O que é Espiritismo na Terra senão um conhecimento novo, uma tecnologia de inteligência para melhorar a qualidade de vida de milhares de pessoas que pisam no chão do planeta. Precisamos acabar com a idéia de que o Espiritismo é um partido de crença. O Espiritismo é um agente transformador. Veio para mudar o mundo. Nós poderíamos fazer com o Espiritismo o maior movimento cultural da Terra. O Espiritismo é uma Doutrina de gigantes, mas está nos ombros de muitos pigmeus. Tem um incêndio pra ser feito de iluminação de consciências e estamos todos segurando a luz de uma vela, com tanta escuridão e ignorância na Terra.

Portanto, precisamos de certa forma, acordar e sair desse atavismo religioso que o passado nos prende. São 16 séculos de catolicismo em nossos arquétipos espirituais, em nossas recordações do passado. Temos que abrir a nossa mente e perceber que Jesus nos chama, que chegou a hora. Nós que sair da nossa zona de conforto e avançar um pouco mais, construindo espaços de espiritualidade na Terra. O Cristo precisa de nós para o trabalho ser feito. Ele precisa dos nossos braços, das nossas ações, das nossas vontades, da nossa voz.

O homem precisa chegar um nível de transcendência a um nível de fé onde igreja nenhuma mais importe. Essa é a verdadeira fé. A fé que transcende os templos, as fronteiras, que transcende as opiniões, que está legitimada na razão, como dizia Kardec: “A verdadeira fé é aquela que encara a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.” Ele estava colocando a crença atrás da convicção, porque o espírita não é um homem de fé, espírita é um homem de convicção. Quem tem fé acredita, quem tem convicção sabe. A fé se apóia na crença e a convicção na certeza.

As religiões são como vidraças. Do lado de fora da vidraça está a realidade. E você, que está dentro de uma religião está sempre vendo a realidade através da vidraça que te mostra. Só que há vidraças que são de vidro fumê. Outras são vidraças marteladas que distorcem qualquer realidade. E há vidraças que são de vidro cristalino. (Kalil Gibran Kalil).

O espiritismo é de vidro cristalino.

Este texto é uma homenagem ao grande confrade baiano Cloves Nunes por quem nutrimos uma estima e uma admiração por todos os seus trabalhos e dedicação ao movimento. Posso dizer que sou resultado de muito do que já aprendi com ele.

Cloves, Muito Obrigado.