domingo, 24 de outubro de 2010

O que não faz uma boa aula de História do Brasil

Estava concluindo a minha aula de História na 8ª série A da ECEV, onde relatava um capítulo sobre a república do Café com Leite, quando resolvi perguntar quem gostava de café com leite. Um aluno, Arthur, se levantou e disse: - Professor, eu sou viciado em café puro. E emendou: - Qual o melhor café do mundo, professor?

Abri um longo parêntese para respondê-lo. Confessei que era fã do café forte, mas era frustrado porque os melhores grãos não eram nossos, como acontece com diversos produtos que são produzidos no Brasil, mas que se orgulham de selar com a frase “Tipo Exportação”. E contei que havia um café muito caro, exótico e, consequentemente, o mais caro dos cafés.

Pra você matar a curiosidade Arthur, aqui vai a história de dois cafés que um dia degustaremos juntos.




Kopi Luwak


Você tomaria uma bebida feita com fezes de animal? Antes de responder, saiba que é esse o ingrediente especial do café mais raro, saboroso e caro do mundo, o Kopi Luwak, originário da Indonésia. Essa, digamos, excentricidade do café sempre foi considerada uma lenda urbana, até que um estudo realizado pelo pesquisador italiano Massimo Marcone, em 2004, confirmou o que deve ter feito o estômago de muitos apreciadores da iguaria revirar.

Os preciosos grãos são mesmo processados pelo sistema gastrointestinal e depois retirados dos excrementos da civeta, um mamífero parecido com um gato, que não existe no Brasil (na Indonésia, as palavras Kopi e Luwak significam, respectivamente, café e civeta). O animal come somente os frutos mais doces, maduros e avermelhados do café, que são digeridos pelo seu organismo, com exceção dos grãos, que são excretados junto com suas fezes. E é justamente essa produção limitada dos grãos (menos de 230 quilos por ano) o motivo de sua raridade, preço alto (cerca de mil dólares o quilo) e sabor inigualável, garantem os apreciadores. "Uma mistura de chocolate e suco de uva. Menos ácido e amargo do que os cafés comuns", descreve Marcone.


Pesquisa valiosa

Um pesquisador explicou que à medida que o grão passa pelo sistema digestório do animal, ele sofre um processo de modificação parecido com o utilizado pela indústria cafeeira para remover a polpa do grão de café, mas que envolve bactérias diferentes das usadas pela indústria, além das enzimas digestivas do animal. É isso que dá ao Kopi Luwak seu sabor característico inigualável. Mas esse processo um tanto quanto esquisito de produzir café não representa riscos à saúde? "Os resultados dos testes que fiz em meus trabalhos mostraram que a bebida é perfeitamente segura", garante pesquisador.

Não existem registros precisos sobre a história do Kopi Luwak, mas acredita-se que sua origem data de cerca de 200 anos atrás, quando os colonizadores holandeses iniciaram plantações de café nas ilhas de Java, Sumatra e Sulawesi, onde hoje é a Indonésia.

É nessas ilhas que vivem as civetas, que começaram a se alimentar da planta. Para evitar o desperdício, os plantadores de café começaram a coletar os grãos que saíam intactos das fezes dos animais. Em algum momento alguém resolveu experimentar essa variedade aparentemente pouco apetitosa e descobriu o que hoje é considerado o café mais saboroso do mundo. E você, ficou com vontade de encarar?


O Segredo das Feses do Jacu





Semana passada começou a ser vendido na rede Suplicy de Cafés Especiais, no bairro dos Jardins, em São Paulo, um lote limitadíssimo e super exclusivo para clientes refinados do Jacu Bird Coffee, a versão brasileira do muito mais limitado e exclusivo café Kopi Luwak, que chega a custar R$ 2.400,00 o quilo.

O processo de fabricação do Jacu Bird Coffee é o mesmo que o do Kopi Luwak, só que ao invés catarem os grãos de café defecados por um mamífero de uma ilha no arquipélago da Indonésia, nas Filipinas, eles estão catando os grãos encontrados nas fezes do Jacu, ave que habita as zonas de floresta aqui no Brasil. Os tais grãos, depois de processados, produzem um café que é vendido por até R$ 14,00 a xícara.

O fato de existir gente que acha o máximo tomar café feito com grãos que saíram do ânus de um gato ou ave não me espanta.

O que me deixa perplexo é que, de acordo com os apreciadores destes cafés exclusivos, somente o processo digestivo destes animais selvagens é capaz de produzir um produto com aroma e sabor tão requintado. Em outras palavras, esse povo acredita que nem os grandes centros de pesquisa do mundo, com seus escpectrômetros de massa, nem mesmo o grupo de cientistas que já conseguiu mapear o genoma humano é capaz de descobrir a substância secreta que existe dentro dos intestinos dos Jacus para, assim, reproduzir tal substância em laboratório e permitir que ninguém precise mais catar grãos de café em cocô de bicho.


O Kopi Luwak e o Bird Coffee não são os únicos alimentos excretados por animais que consumimos. Veja outros exemplos:

Vômito de abelha:
O mel nada mais é do que isso. O néctar é transportado para o sistema digestório das abelhas, onde é misturado a enzimas que convertem seu açúcar em glicose e frutose. Ele se transforma em mel e é regurgitado pelas abelhas. É esse o produto final que consumimos.

Saliva de pássaro:
É o ingrediente de uma sopa considerada uma iguaria na China (também conhecida como "caviar do oriente"). O pequeno pássaro constrói ninhos com sua própria saliva. Esse ninho (que literalmente vale ouro) é usado para o preparo da sopa. O prato é consumido em várias partes do mundo, inclusive nos EUA, que são o maior importador.

Fezes de cabra:
É essa a origem de um tipo de óleo usado no Marrocos. O animal se alimenta de um tipo de fruta similar à oliva, que origina o óleo, depois seu caroço é coletado de suas fezes e se transforma em um óleo usado para cozinhar, como cosmético e na medicina local.

Cerveja de cuspe:
A chicha é um tipo de cerveja produzido no Equador. Os grãos de milho são mastigados e cuspidos em um recipiente, onde as enzimas da saliva quebram o amido que depois será fermentado e misturado ao álcool.

E ainda tem gente que sensura pessoas que gostam de Tanajura, Buchada, Sarapatel, Miudo, Tripinha, Passarinha e tantas outras iguarias nordestinas...
Saúde!

1 comentários:

olá!!!
muito legal eu não conhecia estas informações...
e bom gosto suas escolhas musicais...
admiro quem estuda e principalmente quem escreve bem pois eu não nasci para a escrita!!!!um abraço Patrícia irmã da Prfª Alda.

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